sábado, 26 de dezembro de 2009

EM NOME DO PAI

Tempinho bom afastado do blog, já pensando na mensagem de final de ano que vou postar aqui, não resisti a mais uma vez meter a colher de pau em assunto que tá dando pano prá manga na mídia: A novela Sean Goldman.
Bom, esse menino, o Sean, é filho de David, aquele que lhe dá o sobrenome Goldman por seu seu pai. David casou com uma brasileira, Bruna, lá nos states e cinco meses depois teve esse filho, em maio de 2000. Até aí deu prá perceber que o casal procriou né, a criança não é filha de uma aventura de camisinha furada.
Passado um tempinho, a moça, Bruna, resolveu vir pro Brasil na companhia dos pais passar férias de duas semanas. Sabe quando? Já em 2004. Prá que as datas? Prá gente saber que não foi casamento de uma semana depois de uma noite de bebedeira em Las Vegas.
Chegando aqui a nossa conterrânea simplesmente resolveu comunicar ao marido, por telefone, que o casamento estava acabado, que nem ela e nem o filho iam voltar. Sei lá, posso ser meio raso de raciocínio, mas me parece que essa dona agiu de má fé, praticamente roubou o filho do pai e prá tudo isso teve a conivência da família. É, tá bom, a gente não sabe dos bastidores do casamento, mas vamo combiná? Do jeito que a família da moça gosta de um holofote, se tivesse alguma coisa todo mundo já estaria sabendo.
Enfim, prá mal dos pecados, enquanto brigavam na justiça ex-marido e ex-mulher pelo filho, ela morreu, de parto, enquanto dava a luz a uma nova filha, de um novo casamento. Bom, o menino, Sean, ficou orfão de mãe, mas ainda tinha, e tem pai.
A dedicada família da falecida, junto com o atual padrasto do garoto, começou então uma campanha prá manter o menino é... o menino que foi, digamos assim, sequestrado do pai, sob sua guarda. Hã? Mas o Sean, chamado Goldman, não tinha, e tem, um pai que nunca o rejeitou e que no decorrer de todos estes anos lutou pelo direito de tê-lo ao seu lado? Por acaso a história dessa criança é igual a de tantas outras, cujas mães têem que recorrer a tribunais para pelo menos colocar o nome do cara que transou com elas na certidão do filho?
Agora a justiça brasileira finalmente reconheceu a confusão e determinou a volta da criança para o lado do homem que a gerou, amou e durante anos a fio lutou por ela, quando poderia simplesmente dar de ombros, como tantos desejam fazer e só não fazem porque são levados às barras da lei.
Não lembro direito, mas me parece que os aparecidos de plantão chegaram a fazer passeata contra a devolução do filho ao pai. Se não me engano envolveu até celebridades de segunda linha, aquelas não perdem a chance de solicitar um minuto de nossa atenção via contratação de paparrazi.
Em um último lance sensacionalista, avó e padrasto que tinham a opção de entregar o menino discretamente por uma entrada já combinada prá isso, resolveram que seria mais legal passar no meio dos jornalistas e demais pessoas. Vontade de ver os flashes pipocando nem que fosse uma última vez, pode ser isso né...
Gozado também o protesto da avó, que prá completar afirmou que o Brasil tinha feito isso por interesses comerciais e não para dar fim a um sequestro de 5 anos. Não satisfeita em escrever para o Presidente Lula, ainda queria que o menino fosse ouvido, e achou uma manipulação que a insanidade não fosse permitida. Ahhhh, tá bom, manipulação não seria expor um menino afastado do pai aos 4 anos de idade, vivendo com uma família aqui durante 5 anos, prá ele opinar onde queria ficar.
Como diz minha mãe, tem cada uma que até parece duas...

sábado, 21 de novembro de 2009

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

Pode ser que todo mundo tenha entendido certo. Talvez só eu mesmo tenha sido mais burrinho e entendido errado. Olha, eu juro que quando falaram que a Madonna vinha no Brasil tratar de projetos sociais, eu pensei que ela vinha TRAZER dinheiro. Só depois, acompanhando o noticiário, é que eu vi que ela tinha vindo BUSCAR dinheiro.
Gente, isso não é uma coisa muito doida? A mulher mega multi milionária internacional arma um circo no Brasil prá arrecadar grana? Tá, eu não acho que ninguém tem obrigação de dividir seus tostões, ainda mais ela, que ganha suando o rostinho de botox no palco, e não em negociatas com verbas públicas. Mas quando a pessoa fala que vai contribuir pela melhoria de condições daqueles mais desfavorecidos, não é de se supor que vai fazer isso por conta dela? Ah Madonna, faz um, um showzinho só, e destina essa renda. Seus milhõezinhos necessários já entram no caixa. Nããããão, nem precisa gastar com super produção. Sabe banquinho e violão? Então.
Enquanto isso, aqui em BH, uma instituição da maior seriedade pede socorro. Acho difícil alguém que não conheça, pelo menos de nome. O Núcleo Assistencial Caminhos Para Jesus tá ruim das pernas, depois de 40 anos do mais qualificado trabalho social. Minha mãe contribui lá e se empenha também em enviar coisas. Tudo da casa dela, ou das casas da gente, ela vai juntando em caixas no que ela chama "coisas prá creche". Pera aí tá, tudo que tenha condição de usar ou fazer dinheiro, que jogar lixo na casa dos outros também fica feio né?
Para você que ainda não sabe, o trabalho rola em cinco frentes: A Casa do Caminho abriga 100 crianças e adolescentes portadoras de deficiências fisíca e mental; a Casa da Esperança abriga 58 idosos; o Centro de Educação Especial atende cerca de 250 alunos entre 6 e 18 anos com necessidades especiais; a Clínica Médico-Psicossocio-Pedagógica tem atendimento especializado a aproximadamente 400 pessoas e a Clínica Odontológica oferece tratamento pioneiro especializado e preventivo ao portador de deficiência. É, tudo isso é dê-graça.
Então, se você tem 10 milhões prá dar prá cantora engajada, tira uns 10 conto e manda prá lá. Doação de coisas também vale, e eles buscam na sua casa. Dá uma ligada, você vai ver que povo gente boa até na hora de conversar com você. Ninguém vem com choradeira e não tem papo de coitadinho, todo mundo toca o bonde no maior astral. Telefone: 0800-315-600.
E aí Madonna, tá esperando o que?

domingo, 15 de novembro de 2009

RAIOS!

Terça passada eu estava conversando no computador com duas pessoas, uma em Londrina e outra aqui em BH mesmo. De repente, as duas sumiram - ao mesmo tempo. Fiquei meio sem entender, mas como computador toda hora dá pau, deixei prá lá. Aí primeiro veio meu amigo do Paraná. Falou que a luz tinha piscado e derrubado a conexão dele. Mais um tempo depois, aparece minha amiga de BH. A casa dela tinha ficado sem luz até aquela hora.
Achei engraçada a coincidencia, pessoas em cidades tão distantes desplugadas momentaneamente do mundo pelas mesmas razões. Daí meu amigo de lá do sul falou que na TV tinha notícia da luz ter faltado num monte de lugares. Sabe quando a coisa parece longe da gente? Pois é, na minha casa não tinha acontecido nada, eu continuei ali com minha internet e minhas séries de TV, então achei aquilo tudo meio banal.
Bom, logo começaram a pipocar notícias. O apagão, que querem porque querem que a gente chame de blecaute, tinha sido beeeeemmmm mais sério. 18 Estados atingidos, horas e horas sem energia. Incrível como a existencia das coisas nos torna dependentes delas. Como que o mundo hoje funciona sem luz? Impossível né?
No decorrer da semana, justificativas das mais variadas. Tão variadas que ninguém na verdade parece até agora ter acertado o passo. Meio explicável em um país que não tem governantes comprometidos em administrar, mas sim em se perpetuar no poder. Nunca vai valer o fato, mas sim a versão do fato, por mais irresponsável que seja o pensamento que uma tempestade derruba a energia elétrica de uma parte tão grande do Brasil. Quanto mais versões, mais confusa fica a história e mais eleitoreiro o problema.
Agora, pera aí, se o fornecimento da energia eletrica por essas bandas está a mercê de raios e trovões, nossa garantia de ter luz essa noite fica em torno de... é... zero né?

domingo, 8 de novembro de 2009

PESOS E MEDIDAS

Vou bater na mesma tecla dos dois últimos posts, porque coincidentemente as histórias continuam repercutindo, e de uma maneira bem engraçada - ou irônica.
Enquanto a auto intitulada ex-prostituta Bruna Surfistinha arrebata fãs e recebe até pedido de autografo na rua (uma revista semanal relata a cena de um adolescente tremulo com seu papelzinho e caneta diante da musa), a moça da mini saia é ex-pul-sa da faculdade onde estuda(va) com direito a anuncio do fato veiculado em grandes jornais paulistas.
Ah, na mesma revista semanal... Tá bom, confesso, é a revista do meu vizinho que continuo lendo. Então, nessa mesma revista, a atual escritora surfistinha revela os bastidores da sua sofrida infancia de menina adotada, aluna de dois dos mais caros colégios particulares de São Paulo, que foi duramente castigada pelo pai após o flagrante do roubo das jóias da mãe. O furto descoberto só veio coroar e revelar uma carreira de pequenas apropriações nas carteiras familiares. Vida dura, marcada por injustiças. Que bom que tudo virou filme e peça de teatro, com 2 milhões de captação pela Lei Rouanet. Realmente são edificantes estas histórias de superação, alguém com tão poucas oportunidades que conseguiu dar a volta por cima exercendo a mais antiga das profissões.
E a dama de rosa choque? Bom, dizem que ela "provocava" os meninos, que a sindicancia que apurou os fatos chegou a conclusão que ela sim era a culpada. Mas não deviam ter avisado antes que as mulheres dessa universidade têm que se vestir com roupas adquiridas no Talibã's Fashion? Tá, a roupa dela podia estar meio exagerada. Mas isso é motivo de expulsão em um país que glorifica como celebridade o mérito da prostituição? Calma, calma, calma. Eu já disse que não tenho absolutamente nada contra quem resolve abraçar a carreira de puta, como também acho estranho quem se preste a este julgamento da vida alheia. Mas daí a incensar, vai uma distancia né...
Na reviravolta dos fatos, ganha a loirinha. Um caso que já podia estar enterrado, permanece na mídia, valorizando ainda mais possíveis cachês e quem sabe abrindo as portas para os barracos televisivos.
Bons tempos aqueles quando estudantes se mobilizavam em torno do meio passe nos ônibus.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

É COR DE ROSA CHOQUE

Preconceito e burrice andam de mãos dadas, isso prá mim é mais que óbvio. Na última semana dois fatos vieram comprovar essa teoria. Engraçado que todos dois em ambientes onde deveria haver mais tolerância, e mais inteligencia.
Um dos casos envolveu gente jovem, estudantes. Uma pobre coitada de uma loira cometeu o crime absurdo de ir prá aula de mini saia rosa choque, provocando a ira dos seus colegas de universidade, naturalmente todos santinhos. A gente sabe como essa turma funciona, basta um gritar pro resto gritar igual, e nesse frenesi a moça acabou precisando de escolta policial. Engraçado que como hábito faz o monge, logo resolveram que a loirinha era puta, e fizeram coro para xingá-la deste nome.
Ham? Pera aí! Que que tem se a menina for puta? Tá certo, ela protestou e disse que não é. Então não é. Mas e se fosse? O que uma pessoa causa de mau a outra se ela resolve se prostituir? Em que ela prejudica quem quer que seja que a cerque? É muito engraçado isso de cuidar da vida dos outros, porque essa decisão e esse meio de vida que alguém escolher vai interessar somente a ela. E claro, aos clientes, que além de não serem obrigados a usar o produto também não vão se prejudicar com ele, diferente por exemplo de quem consome drogas, outro produto que a pessoa decide comprar, não é obrigada.
Então, a universidade da menina tem uniforme? Cada um não vai com a roupa que quiser? As universidades não estão cheias de regatas e havaianas? Tem dó gente, bem faz a loira em processar esse povo. E claro, na lógica dos dias de hoje daqui a pouco ela vai usufruir sua celebridade instantanea. Aproveita enquanto é tempo prá posar onde der, porque a bola da vez amanhã já será outra.
O outro caso, talvez seja até pior, por envolver os nossos tão adorados políticos. Em um acesso de burrice, o governador Roberto Requião associou o fato de cancer de mama ser também uma doença masculina com "passeatas gays". Gente, isso não pode ter sido preconceito, só pode ser burrice mesmo. Imagina o que tem a ver uma coisa com a outra? E vindo de um governador, olha só como estamos bem representados nesse país.
teve gente dizendo que isso tem a ver com caras colocando silicone no peito. Putz, olha bem o nível da justificativa... Primeiro que cancer de mama SEMPRE foi uma doença ao qual os homens também estão sujeitos e de mais a mais, quem disse que homem coloca silicone no peito só prá ter peitinho de travesti? Hoje em dia o que tá na moda é botar essas proteses em várias partes do corpo, com o único objetivo estético de modelar, ficar saradinho.
Eu uso muito a expressão "burrice tem limite". Agora já tô começando a pensar que não...

domingo, 1 de novembro de 2009

O QUE NÃO FALTA É INCENTIVO

Li uma notinha agora de manhã me informando que a Lei Rouanet aprovou para captação singelos 2 milhões para uma peça sobre Bruna Surfistinha, se não me engano o nome da obra seria "Doce Veneno". Não sei se a moça é a empreendedora cultural ou somente tema do espetáculo.
bom, a lei tá aí prá ser usada mesmo né, além do que depois de aprovada precisa de captação. Muuuiiiito provavelmente vão captar, até porque a vida da protagonista já virou filme, onde dizem Débora Seco vai fazer o papel, o que vai melhorar, e muito, a figura da pessoa.
A pergunta no ar é:
Onde será que a Lei Rouanet dá mais grana prá pornografia, nesse projeto ou em projetos de recém extintas fundações?
É gente, blog, livro, DVD pornô, quadrinhos, filme e teatro... diante disso tudo, uma coisa ninguém pode negar, Bruna Surfistinha é uma puta profissional.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MANDÁ UM SALVE PRO FANTÁSTICO

Sempre tento ver o Programa do Jô, mas na maioria das vezes no "boa noite" já tô dormindo. Ontem foi um pouco diferente, consegui assistir o comecinho. Sabe aquela hora que o apresentador conta uma piadinha e tal? Pois é, ontem ele resolveu além de contar a dele falar de uma que o Derico tinha contado no intervalo. A graça na verdade era falar de piada sem graça. Aí pediu pro Derico repetir e ele disse:
- Sabe por que no Polo Norte tem cama elástica?
Resposta rapidinha:
- Pro urso polar.
o Jô falou que não sabia onde o cara podia ter passado o final de semana prá chegar com uma piada dessas.
Eu sei Jô, eu sei! Quase que eu gritei pulando do sofá. Essa piadinha foi contada no Pânico de domingo. Então onde o Derico tava eu não sei, mas sei o que ele estava vendo no domingo.
É, o trem tá feio. O Fantástico patinando na audiência e o pessoal da casa garrado na concorrência. Que coisa né?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A TURMA DO FUNIL

A Veja dessa semana trouxe uma manchete mega direta "Quem Cheira Mata". Mais uma vez alguém falando o óbvio que muita gente teima em não enxergar. O blockbuster da pirataria, "Tropa de Elite", também cutucava na ferida da classe média/classe abastada que adora uma passeata pela paz de manhã e subir o Morro do Macaco Molhado de noite.
Por acaso arma materializa por geração expontanea na mão de bandido? Não né, isso custa dinheiro, e não é pouco dinheiro não. De onde vem essa grana toda?
Dito isso, quero dizer também que não tenho nada contra quem usa droga. Sabe por que? Porque todo mundo usa. Nem adianta vir falar que um dos problemas da maconha é que ela é a porta de entrada para outras drogas. Não é. O cicerone aí é o tal do álcool. Não tenho pesquisa disso, não tenho estatística, mas aposto que o primeiro contato da grande maioria das pessoas com o barato-loco se deu através do alcool. Vou além, esse contato se deu dentro de casa. É, porque o álcool não é somente uma droga legalizada, é também in-cen-ti-va-da. Não, não, não! Não to falando das propagandas, que ainda trazem o adendo ridículo de avisar que beber pode trazer confusão. Que bom que avisam né, bastante educativo. Se não falar é capaz da pessoa embriagada não perceber... Bom, a coisa vai beeeemmmmm além disso.
Quer comprovar? Faz o teste. Nas festas de fim de ano na casa da sua tia, quando te oferecerem cerveja, recuse. Ah, claro, ele gosta é de vinho, seu cunhado vai pensar. Daí você recusa o vinho. Ahn??? Mas o que você tem? Tá fazendo algum tratamento? Tomando antibiótico? Não??? Putz, esse cara tá ficando tão esquisito... Falei mentira? Taí, família.
Agora vamos aos amigos. Churras da galera, uhuuuuu! Fala sério, se você não sair de lá escornado ou pelo menos vomitar no pé de alguém, vai ser alvo de comentários. Ham, não é que você precise beber socialmente, é que socialmente você é praticamente obrigado a beber.
Enfim, voltando lá nas armas compradas com o dinheiro do consumidor. Ninguém precisa comprar arma prá vender cachaça precisa? Você já viu guerra de artilharia pesada prá uma cerveja tomar ponto da outra? Pois é, acho que devem ter estudos mais científicos aí que o mero palpite de um... vamos dizer, palpiteiro. Mas eu tenho cer-te-za que, tirando a parte da criminalidade, o álcool produz mais danos sociais que qualquer outra droga. E é legal.
Então, não seria por aí o caminho a ser seguido? Heim?

sábado, 24 de outubro de 2009

PROTESTO PODISCRÊ

Olha a coincidência. Ontem de noite eu tava assistindo o programa 15 Minutos, da MTV. Sexta feira é um apanhado de coisas que não foram ao ar durante a semana. De vez em quando assisto, tem coisas engraçadas, assim como umas chatinhas também. Normal em programas de TV né? Prá quem não conhece o 15 Minutos, basicamente o apresentador Marcelo Adnet recebe e-mails com solicitações que vão de imitações a temas para composições de músicas, passando por comentários cotidianos. O cara é bom mesmo, um dos poucos nessa leva do povo arrogante saído dos tais Stand Up, que aliás em breve serão tema aqui.
Voltando nas coincidências, um dos assuntos do dia era falar sobre protestos. Foi bem engraçado e ele, com ironia, fez duas gracinhas. Uma do cara que não ia mais usar o twitter enquanto não se resolvesse a questão de Honduras, e o outro do pessoal falando:
- Vamos protestar contra a violência. O que nós vamos fazer? Vamos abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Nisso ele faz performance, cantarola uma musiquinha e a gente visualiza claramente aquele clima podiscrê.
, agora de tarde, abrindo vários portais prá checar os vários e-mails que tenho em função de multiplas atividades, me deparei em todos com essa foto que está ilustrando o post. Achei que a imagem ficou bem legalzinha e as legendas e textos falam do que é: Um protesto organizado por uma ONG contra a violência no Rio de Janeiro.
Daí vem a minha pergunta: Prá que? Me fala, alguém vê alguma possibilidade de resultado prático nisso? Será que por causa desse desfile vão parar de cometer crimes? E quem tem a função de impedir que a violência aconteça, por causa disso vai encontrar uma eficiência que não sabia ter?
bom, eu sei que muita gente vai jogar pedra. Posso estar completamente errado, e vou reconhecer isso, assim que os podiscrê de plantão me jogarem, amarrado nas pedras, pelo menos um dado concreto de que essa produção toda serviu prá alguma coisa além de tirar fotos.

sábado, 17 de outubro de 2009

TRAZENDO SEU AMOR DE "VOUTA"

Outro dia vi uma pilha de papeizinhos recortados dentro da caixa de correio aqui do prédio. É, muita gente faz propaganda assim né, jogando uma pilha de panfletinhos em caixa de correio. Eu mesmo já fiz isso. Aí fui ver o que era, e olha, valeu a pena a curiosidade.
Impressa em vermelho estava a divulgação de Irmã Angela, autodenominada em seu texto como cartomante forte. Sinal que devem ter aquelas mais fraquinhas, óbvio. Mas Irmã Angela não para por aí. Ela sobretudo demonstra ser uma empresária preocupada com o meio ambiente, totalmente ecologicamente correta. Simples. Sua publicidade é impressa no verso de um formulário do BMG. Isso mesmo, virando o flyer dela, você vê recortada a logomarca do banco e os vários campos destinados ao preenchimento pelo cliente. Ainda tem a frase, recortada nuns 30%, mas que ainda dá prá ler escrito "Espaço reservado ao Banco BMG".
In-dis-cu-tí-vel a vocação verde da irmã, que se recusou a utilizar um papel virgem, mas desperta curiosidades:

- Será Irmã Angela uma funcionária vidente do BMG, que de cara já faz o cadastro do cliente antevendo possíveis calotes?
- Será que a cartomante necessitou de um empréstimo e aproveitando a viagem já pegou logo um tanto de formulários visando imprimir e recortar com o objetivo de se tornar conhecida na região?
- Será que o BMG em uma atitude condenável pelo Greenpeace jogou fora um bolo de formulários e a boa senhora corrigiu o erro, reciclando o material?

Enfim, além de cidadã consciente, Irmã Angela tem também uma redação peculiar. Por exemplo, ela é "adaptada de conhecimentos e poderes..."
A formação dela também não deixa por menos, porque é "especialista em todos (veja bem, TODOS) os seus problemas tais como amor, negócios, saúde, insucesso, depressão, inveja, justiça, traição, impotência sexual, vicios, mal olhado e etc" (sic).
Sabe o que mais? "Pelos jogos sagrados de cartas, buzios e tarot faz voutar a pessoa amada". Deu prá ti? Então, se você tem algum desses problemas, ou simplesmente quer a sua pessoa amada de "vouta", mande um e-mail que te dou o endereço da poderosa e ecológica Irmã Angela.

sábado, 10 de outubro de 2009

QUEM TÁ FALANDO PÔ!

- Alô...
- Boa tarde, eu queria falar com a Eliza...
- Quem quer falar?
- É o Luiz.
- Luiz de onde?
- Da videolocadora.
- Um momento...////


Elizaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!! Telefone!!!!!

- Alô...
- Eliza? Aqui é o Luiz, você ontem me pediu blábláblá, blábláblá...

Entendeu? Pois é, a moça atendeu o telefone, viu que era prá outra pessoa, perguntou quem queria falar. Até aí tudo bem. Não satisfeita, queria saber também de ONDE eu era. Tá, normal... Maaasssss, prá que??? Ela NÃO falou prá Eliza, que era a pessoa com quem eu pretendia falar, quem estava no telefone.
Não é engraçado? Eu estava procurando algo curioso prá escrever no blog, já que tava bem paradinho, me deparei com essa. Daí lembrei que isso já aconteceu trocentas vezes. Com certeza isso também já aconteceu com você.
Gente curiosa né, quer saber quem quer falar com a OUTRA pessoa. Mas só por saber, prá reter a informação...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

QUE DADO É ESSE??

Internet é assim, uma coisa puxa a outra e na maioria das vezes a gente nem sabe como chegou ali naquilo que tá lendo. Foi assim que conheci um blog chamado Te Dou Um Dado?
Bom, na base do escracho, o que o povo faz ali é criticar os programas de TV, com enfase pros mais toscos, e debochar de celebridades e "pseudosafins". Eles escrevem legal e o humor meio (meio?) políticamente incorreto até que faz rir - muito - em alguns posts.
Vasculhando os arquivos do site, dei de cara com o texto que explica o nome do blog. Olha, nesse eu realmente MORRI de rir, não sei se foi muito engraçado mesmo ou se me baixou uma bobeira. É, se baixou não subiu mais, porque toda hora que lembro, morro de rir de novo.
Então, vou reproduzir aqui, e já aviso para os meus leitores habituais que a linguagem será beeeemmmm mais chula do que estão acostumados no beagaqueeuvejo. É, o caso é que se eu não colocar na íntegra não vai ser engraçado.
Chegando ao ponto, vamos lá, postado pela Polly, no Te Dou Um Dado em 04/04/2007:

"gente, então. como eu sou a pessoa mais sem assunto do mundo agora que o big brother acabou, bora explicar o nome do blog, que é uma homanegem a um dos melhores momentos da televisão brasileira.

uns seis meses atrás uma aspirante a bruna surfistinha foi no superpop dizendo que já tinha transado com mais de cinco mil homens e estava na hora de escrever um livro. daí a luciana gimenez, musa absoluta do telejornalismo, perguntou quantos desses cinco mil tinham HIV.

e a puta: olha, luciana, eu não sei. sempre usei proteção mas não sei te dizer…

e luciana: olha, te dou um dado? uns 500 tinham HIV.

e a puta: lu, isso seria um absurdo, é como dizer que 10% da população brasileira tem AIDS

e a lu: ah, ok, mas quantos desses 5 mil tinham sífilis?? HPV?? chato??

e a puta: OLHA, LUCIANA, EU NÃO SEI, EU NÃO SOU O IBGE!"

A-DO-REI!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

AS LEGITIMAS

Minha sobrinha é representante das sandálias Havaianas. Minha irmã vende Havaianas na loja dela. Por estas únicas razões, comentamos na casa da minha mãe o comercial que estava sendo veiculado na TV. Achamos engraçado e legal, pelo fato da divulgação provavelmente alavancar as vendas. Até minha mãe achou engraçado, ela com 82 anos, mais ou menos o que a tal avó da propaganda deve ter.
Não demorou o carnaval da moral e dos bons costumes. Eu mesmo li em um jornal a carta de um leitor - homem - indignado com aquela velhinha safada sugerindo que a neta tivesse sexo descompromissado com um galã. Daí ontem vi no intervalo de algum programa a velha senhora falando que o filminho tinha sido tirado do ar, e que agora poderia ser visto pela internet. Claro, não é que alguém vá acessar um video desses no site, nem tão legal o anuncio é, mas foi uma estratégia para manter o assunto no ar. No momento que a doninha fala ali na TV, aproveitando prá ressaltar de novo seu jeito moderninho ao se fazer de internauta, na verdade tá é fazendo a divulgação do produto.
É, muita lenga lenga só prá dizer como o mundo ainda é o mesmo mundo. Há alguns anos atrás, o Jô Soares fez uma brincadeira totalmente real. Ele disse que o pai se vangloria das conquistas do filho, que comeu a vizinhança inteira. Mas nunca um pai vai dizer orgulhoso que a filha deu prá todo mundo do quarteirão. A lógica da propaganda é a mesma. Fosse um avô recomendando ao neto traçar a estrela de novela, todo mundo ia bater palma. Ninguém ia condenar o velhinho, iam era dizer pôrra, olha aí, que vovô garanhão. Por incrível que pareça, essa reação não seria somente dos homens, mas também das mulheres. Você sabe, aquelas que criam os homens para que eles continuem a ser... Homens. Du-vi-de-o-dó que ia ter uma cartinha de protesto contra a indecência da propaganda.
Enfim, homens são homens, mulheres são mulheres e as diferenças independem da orientação sexual. Mulheres que transam com mulheres são mulheres, assim como homens que transam com homens são homens, isso não muda nem mesmo nas radicalizações onde alguém se traveste como o sexo oposto. Agora, uma coisa que muda todo mundo é a idade. Não acho que aquela velhinha seja uma peça de ficção. O passar dos anos, por uma estranha razão, não cristaliza o pensamento conservador, mas pelo contrário, areja a cabeça em direção a maior tolerância. Dá uma olhada a sua volta, observe os idosos de casa ou da vizinhança. Falei bobagem?

domingo, 6 de setembro de 2009

CAMPANHA PRÉ (SAL) ELEITORAL

disse aqui uma vez que não me sinto muito bem em falar de política. Desde sempre achei que esse era um assunto assim... sei lá, prá "iniciados". Com o tempo fui perdendo o pudor e metendo minha colher de pau meio na base do achismo, como aliás faço com todo o resto.
Bom, também não precisa ser nenhum analista prá ver que esse carnaval do pré sal não passa de conversa prá boi dormir, e depois que acordar, ir votar. Gente, até 2010 sabe o que vai ter acontecido nesse assunto? Na-da! Falação pura, resultado mesmo qualquer um sabe que vai demorar, e que resultados serão esses, aí já é o contrário, ninguém sabe. Tudo pura especulação caça votos. Incrível também é a capacidade das pessoas criarem méritos onde não tem. Me conta, foi alguma dona Maria, dona Conceição ou dona Dilma que botou esse petroleo lá nas profundas? Recurso natural o nome bem já diz, não tem o dedo do homem, e nem da mulher.
Enfim, post bem curtinho só na intenção de manter esse blog vivo, porque dessa micareta aí nem tem muito mais o que dizer.

domingo, 2 de agosto de 2009

A LÓGICA SEM LÓGICA DAS NOVAS MIDIAS

Nossa, sumi né? E o pior, será que alguém notou? :-)
muitos posts atrás eu disse que não ia fazer como a maioria, um blog sobre blog. Hoje estou tendo uma recaída, mas não é bem sobre blog, mas sobre a mídia em geral. Coisas que venho pensando tem um tempinho, reflexões que foram alimentadas com um recente debate virtual que participei a respeito do jornalismo cultural desenvolvido aqui em beagá. É, muitas pessoas daqui são ressentidas com o pouco espaço dado para as produções locais nos nossos jornais, impressos ou eletronicos. Realmente este espaço tem sido cada vez menor, os motivos são vários, porém não são o tema que quero falar. Quem sabe numa próxima oportunidade.
A vontade agora é de falar sobre lógicas sem lógica. Olha só, quando você escreve num blog, teoricamente está escrevendo em uma mídia de alcance praticamente infinito. Alguém pode me ler na Europa, Ásia, America Latina, sei lá, na Groelandia. Aí vem aquele comentário recorrente, de quem me lê aqui, e gosta do que escrevo. Ah gente, não vou fazer gracinha do tipo surpreso por alguém gostar. Não tenho esse tipo de falsa modéstia, o blog é bom. Sou bem chatinho, e se não achasse que escrevo bem o suficiente prá "publicar", pode ter certeza que não escreveria. Voltando láááá no comentário recorrente, interrompido pela divagação, não são poucos os que dizem:
Pôxa, você deveria estar escrevendo num jornal.
Ahn? Mas não são estas mesmas pessoas que vem decretando a morte dos jornais a cada novo passo da internet? E tá bom, se eu escrevesse em um jornal, revista ou numa coluna de TV, alguém ia me ler na Groelandia?
Pois é, tem lógica, mas não tem. Basta observar que todos, TO-DOS os blogs de muito acesso estão atrelados à mídia convencional. São pessoas que escrevem em veículos do mundo real que migram seu sucesso para o mundo virtual. Sem contar que quando um blog sai no jornal ou na TV, seu acesso multiplica. Eu mesmo vivo dando dicas prá amigos de jornal falarem do meu blog, porque como todos sabem, não escrevo prá mim, escrevo prá ser lido. Nenhum destes amigos ainda atendeu meu apelo, mas uma hora, quem sabe né, água mole em pedra dura...
Então é isso. De volta a cena, disposto de novo a investir nessa coluninha eletrônica. Um dia essa lógica das novas mídias pega, aí quem sabe, anônimos serão seguidos no twitter e não apenas celebridades das mídias convencionais dispostas a sortear TV de plasma na conquista da audiência.

domingo, 12 de julho de 2009

EU GOSTO DO ROBERTO CARLOS

Houve um tempo que seria estranho eu dizer que gosto do Roberto Carlos. É, nessa coisa de ser moderninho, podia não pegar bem. Mas a idade legitima tudo, a idade da gente e a do artista. Perto dos 50, ainda sou o mesmo moderninho, aos 50 anos de carreira, o Roberto é cult.
Em tempos de comemorações, todo dia tem algum especial, alguma coisa na TV (Globo, principalmente) falando do rei. Em cada uma delas a gente vai percebendo o quanto o RC esteve presente em nossas vidas, e como algumas das canções mais bonitas, com sacadas existenciais, além dos romances, trazem a sua marca. "Emoções", "É Preciso Saber Viver" (que com certeza um povo achava bacana gostar por ter conhecido com os Titãs, sem saber quem estava por trás da criação), e mais um tanto. As canções de amor, bem apropriadas para os apaixonados e mais ainda praqueles que gostam de sofrer por amor e as... eróticas! É, incrível como o ídolo das donas de casa caretonas carrega nas tintas das cenas de sexo, algumas bem selvagens, e põe essa mulherada prá cantar com mãozinha prá cima. Será que ele se diverte com isso? Eu me divertiria :-)
Enfim, religião, fé, tudo nessa mistureba de temas unindo poesia muuuuuiiiiito boa com apelo popular. Prá finalizar, só uma coisa me intriga, além do fato da Wanderléia ainda usar mini-saia.
Por onde anda Maria Bethânia?
A principal interprete do rei, aquela que tem um disco inteiro dedicado às "canções que você fez prá mim", simplesmente não deu as caras. Deve ter rolado um fighting, só pode. Nem tão ocupada assim a figura deve ser. A julgar pela fama do mau genio da baiana e pela conhecida meiguice dos arianos, capaz de ter sido briga boa.

domingo, 5 de julho de 2009

SOLIDÃO X POPULARIDADE

Notícia que chamou minha atenção e a de muita gente ontem: Idosa é encontrada morta em seu apartamento, aparentemente 5 anos após o acontecido. Isso rolou em Edimburgo, na Escócia, e a foto aí do lado é do apartamento dela, com a porta travada de tanta correspondência antiga. O comentário mais comum foi:
- Nossa, que solidão, a pessoa morrer desse jeito e ninguém procurar por ela durante 5 anos...
bom, vou concordar que tem um que de tristeza, mas por outro lado, não seria uma benção alguém ter vivido tão independente assim até os 85 anos, data suposta de sua morte?
Hoje em dia, não satisfeitas com o culto da boa forma, as pessoas passaram a cultuar a celebridade, o que num paralelo menor e cotidiano torna-se também o culto à popularidade. Todo mundo parece que é obrigado a ter "um milhão de amigos". Sobre orkuts e outros vou falar depois, o assunto aqui-agora é vida real, e não fantasias virtuais de 1000 "amigos" no perfil.
De tudo isso, o que me intriga são os narizes de aço dos vizinhos. Como um corpo fica em decomposição dentro de um a-par-ta-men-to e ninguém sente cheiro de nada? O único incomodo que surgiu foi o vazamento de água no andar de baixo, que levou ao arrombamento da casa da velha senhora. Se não vazasse água, ela ainda ficaria lá pelos próximos 20 anos.
Enfim, não vejo a história dessa dona como uma coisa triste, muito pelo contrário. Segundo os vizinhos ela tava sempre ali, varrendo as escadas, mantendo tudo arrumadinho e muito provavelmente, na dela. Sei lá, eu acho do carvalho isso, alguém com tal grau de independencia, cuidando da própria vida, sem nem mesmo ter que recorrer à carência suprema de tratar cães e gatos como amiguinhos.
Gostei dela viu, e acho que, menos que uma história triste, esta é uma história de lição de vida.

domingo, 21 de junho de 2009

UM HOMEM INCOMUM

O povo anda falando demais. Agora ficam criticando o Presidente Lula só porque ele falou que o Sarney não pode ser tratado como se fosse uma pessoa comum. Mas olha só:
- Em 1986 Lula chamou Sarney de "grileiro do Maranhão"
- Em 1987 Lula chamou Sarney de "ladrão", e completou que perto dele Maluf não passaria de "um trombadinha".
Fala sério, o Presidente só foi coerente. Este homem com as tais qualidades que ele citou não pode ser mesmo uma pessoa comum.
Mais fatos que comprovam a visão do Lula:
- Uma pessoa comum não notaria R$ 3.800,00 de auxílio moradia depositados na sua conta todo mês?
- Uma pessoa comum não saberia que oito parentes seus trabalham no seu mesmo local de trabalho?
- Uma pessoa comum não saberia que um desses parentes era um NETO dela?
Gente, José Sarney pode ser tudo, menos um homem comum. Mais uma vez o Lula acertou em cheio né não?

sábado, 20 de junho de 2009

E AGORA, JORNALISTA?

Pois é, um assunto polêmico que vou meter a colher de pau porque mais ou menos conheço de perto. Acho que vou caçar confusão com uns 5.987.643.200 jornalistas, entre amigos e conhecidos, mas vamos lá...
Nos idos de 1980 entrei prá PUC aqui em BH com o propósito de fazer jornalismo. Na época, o vestibular era prá Comunicação Social. Então você entrava, fazia quatro períodos e aí ia escolher uma das áreas onde fazer os outros quatro: Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. Meu objetivo era fazer Jornalismo, e na sequência talvez emendar na Publicidade. Acabei fazendo RP, e só. Meu diploma? Acho que tá lá na PUC desde 1984.
Bom, o que aconteceu foi que, assim que entrei na faculdade, comecei a trabalhar na área. Lancei um livrinho chinfrim e desse lançamento meio que cai no mercado. Comecei a produzir uns shows e logo estava fazendo o que na época todo mundo chamava "divulgação" pro povo de teatro. Ram ram, nada mais era do que Assessoria de Imprensa na área cultural, profissão essa que eu "inventei" aqui, já que não havia este trabalho sistematizado. O que rolava é que gente de teatro sempre conhecia gente de jornal que as vezes além de ser gente de jornal era também gente de teatro. Dessa amizade e convivência é que vinham as notícias, críticas e tal.
Meu caminho também foi o das amizades. Quando divulguei meu livro, amigos jornalistas entraram na dança e destes fui conhecendo outros. Prá um moleque de 19 anos lançando um livrinho que, vamo combiná, não era lá essas coisas, o lançamento bombou. Aproveitei a deixa de ter conhecido o caminho das redações e fiz disso meu ganha-pão. Tá bom, tá bom pessoal, podem espernear aí, mas quem faz Assessoria de Imprensa prá teatro hoje, anda no caminho que euzinho descobri. Fato.
Pois é, como as redações não tinham muita equipe e na época tudo era mais soltinho, a minha divulgação não era a de hoje não, estagiário plantado no escritório da "Empresa" disparando e-mail. Sentava na máquina de escrever e, datilografando com dois dedos (até hoje), redigia eu mesmo uma pancada de matérias. E quer saber? As-si-na-va. Ah tá, materinha de pé de página né? Nããããããõoo meu filho, CA-PA, isso mesmo, capa inteira, e de jornal grande.
Daí chegou uma hora que o canudo do diploma começou a me assombrar. Mesmo depois de formado, nessa mesma lida, eu não era - e não sou - jornalista. Ainda lá dentro da década de 80, começou um movimento meio de "prestar atenção". Profissionais e Sindicato começaram a querer saber onde estavam os diplomas. O meu, de RP, estava onde ainda está, na PUC. Nessa hora tudo foi regularizando. Os próprios jornais também já contavam com mais estrutura e mais pessoal. Um monte de gente correu pro banco de escola, outros tantos regularizaram numa coisa que acho que rolou na época, de ter comprovação de parará anos de experiência valer prá profissionalização. Eu não fiz nada disso, até porque nunca fui nem nunca quis ser empregado de veículo nenhum. A vida andou, meu rumo mudou e acabei não ficando em falta com ninguém. Ah, muuuuiiiiita gente vai ficar sabendo só agora que não sou jornalista :-)
O diploma, hoje. Confesso que acho uma sacanagem com quem tá estudando. Mesmo que o cara lá das empresas de jornal vá prá TV falar que ainda vão contratar os que tem diploma, a gente sabe que é uma balela. Não sei bem como vai acontecer porque vai ser um pouco estranho definir critérios prá contratar. Vai ter anuncio abrindo vaga prá qualquer um que quiser? É, a princípio fica bem esquisito, mas o fato é que o costume vai moldando e logo logo aparece o novo formato. Hoje em dia tudo é muito rápido. Vi algumas faculdades falando que não tem nada a ver, que o curso vai continuar. Tá certo, dá mesmo pra imaginar elas falando o contrário né...
Enfim, perdão, falei demais, post longo. O comentário final é que com esta decisão cai mais uma reserva de mercado. O pior é que até agora não vi nenhuma defesa que trouxesse realmente argumentos irrefutáveis. O que mais rolou, e muito, foi falar da importancia do diploma por causa da ética. Ética se aprende é na escola? Ram ram, então se for assim muita gente que tá na imprensa andou matando aula viu...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

MOEDA DE UM LADO SÓ

Meu vizinho aqui na rua tem uma loja dessas "tudo em geral" sabe? Lugar onde você compra presentinho, coisa de casa, de papelaria e tal. Bom, uns meses atrás abriu outra tudo em geral bem do lado dele , só que muiito maior, com outra estrutura. É, meio sacanagem né, o cara tá ali uns 10 anos, sossegado, vem outro e abre exatamente a mesma coisa literalmente do lado, só pula uma porta.
Daí que esse meu vizinho ontem deu as caras aqui e deitou reclamação no concorrente. Falou que ele copia as vitrines, subfatura os preços e pararará-parará. Fiquei ouvindo, de certa forma dando razão, de outra não, já que assim como ele pode ter a loja dele, o carinha lá também pode.
no meio de outro assunto ele vem e me fala que "vai parar de comprar DVD pirata". Ahhh, bem que eu tinha notado que ele, auto-intitulado cinéfilo, tava sumido. O motivo dele não comprar mais os tais piratões era bem singelo: "Não tem qualidade".
Entendi, não tem nada a ver com criminalidade, receptação de mercadoria ilegal, nada disso. Controle de qualidade somente.
Legalzinho esse meu vizinho né não? Vê só, ele reclama do concorrente, que é um sujeito que paga aluguel numa loja, emprega várias pessoas com carteira assinada, paga seus impostos e compra, presta atenção, COMPRA a mercadoria que vai vender, não rouba não. Por outro lado, ele não vê nada demais em alimentar uma concorrência totalmente ilegal. Não vê nenhum problema em ser um elo da cadeia da criminalidade, cadeia aí sem nenhum trocadilho. Nem se toca que graças aos "concorrentes" que ele ajuda a prosperar, provavelmente mais de 80% das locadoras estão fechando as portas, tirando o ganha pão e o emprego de muita gente.
Ah sim, justiça seja feita, ele vê um único problema, que vai tirar a contribuição dele ao crime organizado. A qualidade do produto. Consumidor consciente esse, devia levar o lixo comprado na banquinha da esquina pro Procon e metê os ferro nesses cara mau caráter que vende filme sem qualidade.
Pois é, cada dia fica mais difícil entender o ser humano e suas razões. Ou então mais fácil, sei lá...

sábado, 30 de maio de 2009

NINGUÉM FALA BELZONTE

Dia 5 de junho tem show da Rita Lee, no Chevrolet Hall. A-do-ro a Rita, seja cantando, seja fazendo suas graças, seja em programas estilo Saia Justa, onde no meio de ares blasé ela era ela mesmo, a irreverente, mas sempre antenada titia do rock.
É, só que esses dias tenho tido antipatia dela. Gente, no anuncio da Rádio Alvorada (não sei se nas outras tem) ela convida o pessoal de "belzonte". Fala sério, você algum dia ouviu alguém falar Belzonte? Escrever tem gente que escreve, mas falar? Nunca vi. Daí que fico danado quando esse povo de fora fica chamando a cidade por este nome que ela não tem, e claro, numa óbvia alusão de caipiragem (ser caipira - acho que inventei a palavra).
Pior que essa mania existe mesmo. Outro dia um menino dos cafundó do juda tava conversando comigo no msn e falou algo tipo que eu era da roça, porque falava uai. Ram ram, Belo Horizonte é uma roça sim, ainda mais em comparação com cafundó do juda. Me poupa né?
Voltando na Rita Lee. Se tenho uma história com ela? O-be-ve-o que tenho, e se não é a melhor, provavelmente uma das melhores.
Nos idos de antigamente ia ter show dela no Palácio das Artes. Na época do meubemvocêmedááguanaboca, se não me engano mega patrocínio da Ellus, que tinha comercial de um casal beijando dentro d'agua ao som da música. O sem-o-que-fazer, além de ligar pros artistas nos hotéis prá pedir convite, também costumava dar uns plantões nas casas de espetáculo. Aí de tarde o pessoal tava passando som, fui entrando e me vi sentado com outros na platéia. QUEM tava do meu lado? Adivinhou né? Nisso um cara da segurança sobe no palco e diz que todo mundo que tava lá de bico tinha que cascar fora. Num gesto impensado peguei a RITA LEE pela mão e falei: "Então vão Rita". Nossa, eu podia ter levado o maior torra não podia? Mas nada, essa louca mais que bem humorada simplesmente foi saindo mes-mo comigo. Logo o povo do palco começou a gritar por ela, e sabe o que? Ela, simplesmente de novo, me puxou pela mão e me levou de volta prá dentro.
Moral da história, vi o show todos-os-dias e no sábado, com duas sessões, fiquei de uma prá outra dentro do camarim com o povo.
Ah Rita, pensando bem, te perdôo o Belzonte, só você mesmo pode falar assim.
Olha só, citei Chevrolet Hall, citei Ellus, citei Rádio Alvorada e claro, citei Rita Lee. Então, se rolarem umas duas cortesias pro show não vou achar ruim não. Aliás, antecipadamente agradeço.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

QUANDO O AMOR NÃO ACONTECE

Atriz não gosta de tá bonita em cena, atriz gosta de tá boa em cena. Mas me conta, em se tratando de Christiane Antuña tem como pular a parte "Nossa, cê tá linda em cena"!
Então, quinta da semana passada fui ver "Cheiro de Chuva". Mais ou menos estréia, porque tinha tido uma apresentação aqui, uma ali. Temporada mesmo tava começando naquele dia. A velha e não boa preguiça quaaaaase me segurou em casa, mas felizmente, armado de energia, cheguei do trampo entrei e saí, sem esperar o corpo encostar. Fui de onibus que a pé não ia dar tempo e você sabe né, não tenho carro e nem sei dirigir (carro).
Sou o maior tiete de amigo, e adoro quando algum deles me dá a chance de babar em cima. De arrepio em arrepio, Christiane me possibilitou amar e amar e amar tudo que eu tava vendo. Seu parceiro de cena não é meu amigo, conheço de vista e de palco. Na verdade a dupla já esteve junta em outras peças. Omar Jabur é o nome do moço, mui-to-bom-de-ser-vi-ço, perfeito fazendo o sujeito comum que se espera no texto.
Ahé, o texto, a peça, tem que falar o que que é, claro: "Cheiro de Chuva", do Bosco Brasil. Um cara casado procura uma professora de dança, a princípio junto com a mulher, pra aprender uns passinhos e arrasar nas bodas. Rola uma paixão mutua, mas sabe o que? Ninguém conta prá ninguém. Nisso a montagem fica assim, diálogos de monologos. Não tem aquelas coisas que a gente fala pro outro, mas na verdade não chega a expressar, fica só no ensaio interno? Pois é.
Fisicamente tudo muito marcadinho, coreografia mesmo, sem ser dança de salão. Você já deve ter visto alguma vez, lembra? Aquele lance moderno, que não faz o óbvio, mas registra a emoção? Então, é assim. Muita imagem linda também, com cenário mega simples mas muuuuiiiito eficiente, principalmente quando a luz faz a sua parte. A trilha sonora? Ah, prá mim uma boa trilha faz meio espetáculo. Sério mesmo, sou assim não só com teatro, mas também com cinema. Tem filmes que amo e assisto zilhões de vezes só pelas músicas. Em "Cheiro de Chuva", não fosse a montagem sen-sa-ci-o-nal, valia até se fosse prá fechar os olhos e ouvir as músicas. De olho aberto sabe o que aparece? O tema certo na hora certa, clima total. De arrepiar, sem brincadeira.
Momento de tietagem explícita. Christiane Antuña dá um show. A voz de uma textura impar, inflexões mínimas e precisas, tempo e respiração milimetricamente marcados. Sem contar um improvável preparo físico prá dar texto até mesmo correndo parada no mesmo lugar. Esta cena então... Prá mim o ponto alto da peça, quando a mulher confessa o exato momento em que percebeu o amor da sua vida observando gestos tão normais daquele homem tão comum.
Enfim, vale a promessa de posts curtos, hora de encerrar. Quem é de BH tá fácil, "Cheiro de Chuva" está em cartaz no Galpão Cine Horto, de quinta a sábado 21h e domingos 20h. Vai até 31 de maio. Já você que não mora em BH, mas tá dando pinta aqui neste final de semana, acabou de encontrar a programação ideal. Vai lá.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"MELHORES DE 2008"

Este post com certeza vai ser bem específico pro pessoal de BH.
Você lembra quando eu falei que "estava" jurado de um prêmio de artes cênicas e blábláblá? Pois é, a maratona tá chegando ao fim. Amanhã todo mundo vai conhecer os "melhores de 2008". Claro, melhores na opinião das comissões julgadoras. Jurado é assim, a gente concorda ou não com ele, mas quem ele fala é que ganha.
Sabe o mais legal? Todo-mundo-pode-ir. Isso mesmo. Nem apresentar convite na porta precisa. É só colocar uma roupinha legal e chegar umas 8 e meia no Teatro Sesiminas. Essa parte tá toda aí no convite que ilustra o tópico.
Então se você curte teatro, vai lá, a festa é bacana. Nããããããõ, não é uma chatice de discurso e a gente batendo cabeça de sono não. Tem sempre uns números artísticos legais sem contar a emoção dos premiados e a perspectiva de rolarem umas surpresas.
Combinado! Terça feira, dia 26, Sesiminas, 20h30.

domingo, 24 de maio de 2009

QUE FIM LEVOU VANESSA JACKSON?

Domingo de noite, tá rolando a final do American Idol na TV. Final modo de dizer né, porque a essas alturas todo mundo já sabe o resultado. Nessa edição o Sony divulgou a grandissíssima novidade de apresentar o programa com apenas uma semana de diferença do "ao vivo". Ram ram, grande vantagem, uma semana hoje equivale ao que?
Lembro de quando eu era criança, minha tia, em Juiz de Fora, atualizava, POR CARTA, os capítulos de novela pra a minha irmã. É, lá as novelas passavam primeiro que em BH. Pensa bem, dava tempo de mandar pelo correio e quando chegava ainda era inédito. Sony, acorda, esse tempo já passou.
Voltando lá atrás, sempre que posso acompanho o American Idol, e uma dúvida persiste. Por que o Brasil, sendo tão musical, tendo tanta gente que canta bem, nunca conseguiu fazer um programa de calouros com nível pelo menos aproximado? Tá, muita gente não vai concordar, mas geralmente o primeiro a ser desclassificado do American Idol é melhor que o vencedor das edições daqui. Vou fazer um aparte caso esteja falando besteira. Depois do Fama, na Globo, nunca mais acompanhei as outras franquias. O primeiro Fama teve uma candidata muuuuuiiiiiito boa, Vanessa Jackson. Mas cadê essa moça? As outras, ou outra edição, não sei quantas foram, não tiveram nada que salvasse. Quanto ao programa dos EUA, verdade seja dita, eu nunca concordei com o vencedor, sempre tava torcendo prá algum outro.
Bom, mas isso não é o mais incrível nesse assunto todo. Impressionante é como o formato, provavelmente uma das coisas mais antigas da TV, herança de rádio, hoje seja vendido pro mundo inteiro. Gente, programa de calouro??? Por que as emissoras tem que brigar pelos direitos de apresentação de uma coisa que sempre existiu? Ah, vamo combiná, muito melhor que Idolos é o programa do Raul Gil.
Olha só, li outro dia que o jurado American Idol, Simon Cowell, é dono do programa Britains Got Talent, o tal que "revelou" o fenomeno Susan Boyle em um bem tramado arranjo marketeiro. Mesmo com muita vontade, ele não pode entrar com o seu programa nos EUA, pelos compromissos que tem no similar americano. Afff, tudo programa-de-calouro, desde que o mundo é mundo existe isso, como alguém pode ser dono de um formato que na verdade é identico ao outro e ainda por cima criarem estas restrições de mercado? Mercado do que meu deus do céu????
Pois é, depois riem de mim quando falo que inventei o clips e o Post- it, um papelzinho com cola, vê bem!

domingo, 17 de maio de 2009

RO RO É FUNDAMENTAL

Que me perdoem as outras, mas Angela Ro Ro é fundamental. Mais um domingo de sol e show. Prá variar, todos os posts sobre este projeto do Sesc acabam sendo meio saudositas e autobiograficos. Desculpem os que me conhecem de agora, mas creio que este será um pouco mais revelador. "Non, Je Ne Regrette Rien", como bem cantou Piaf e como bem mencionou a Angela no palco.
Preciso dizer que tive medo do espetáculo de hoje. Tive medo que a irreverência, o deboche escrachado e o muitas vezes politicamente incorreto discurso de Angela Ro Ro fossem substituídos por liçõezinhas de moral de quem se livrou do que as vezes pode se chamar auto-destruição. É, dizem que a moça não bebe mais, não se droga mais, não bate mais em polícia na rua. Bom prá ela e sabe por que? Porque essa mudança não alterou em na-da sua presença em cena. Se melhorou a vida pessoal, beleza, todo mundo quer viver bem e levantar de manhã sem ressaca né? Claro que sim senão a gente não falaria em cada ressaca que nunca mais vai beber.
A quase sessentona não é uma cantora. É a mais autêntica "show woman" brasileira. Dessa vez não tocou piano, mas não faltou o humor ferino de quem ainda tem a mesma presença de espírito e de quebra mal enjambrou uns passinhos de dança, revelando total conforto em cima do palco. Verdade que gostava mais dela gorda, mas quem tem que se gostar é ela e não eu. Bom, e por fim, todo mundo quer ser magro, até mesmo a Angela Ro Ro.
Momento confessional: Numa de suas brincadeiras com a platéia, que ela consegue fazer sem constranger ninguém, disse, apontando para uma pessoa ali, que ela tinha futuro. E emendou, "tem futuro, o problema é o passado que condena, que nem eu". Puro deboche e auto-crítica de quem realmente não, não se arrepende de nada. Pois é, o passado as vezes condena, e no meu passado tem muito de Angela Ro Ro.
Comecei minha vida por assim dizer, adulta, ao som da voz rouca da diva. Comprei o primeiro LP tão logo chegou nas lojas, enfeitiçado pelo timbre e pelo visceral de suas canções. E assim vivi meus primeiros amores, sempre muito passionais, com este fundo musical. A trilha sonora também acompanhou as minhas infinitas baladas (que não tinham esse nome na época) vendo o sol nascer a caminho de casa ou, preferencialmente, a caminho da casa de alguém. Foi a época que deixei o lar dos pais prá tentar construir o meu, quebrando a cabeça nos tantos encontros e desencontros que se seguiram. Prá ter uma idéia da sempre presente Ro Ro nessa fase, o segundo disco, "Escandalo", ganhei de presente. Um amigo sacana me deu justamente promovendo a comparação pela relação amorosa conturbada que eu vivia na época. É, eu era meio Angela Ro Ro na transgressão e na sede de viver, o que penso não deve ser surpresa prá ninguém ao imaginar um jovem universitário de comunicação dando os primeiros passos de artista. Ram ram, dificil imaginar que passei os anos 80 rezando né não?
Porém, muito mais que eu, essa "ídola" transgrediu. Foi a primeira cantora no auge da mídia se assumindo lésbica, bem antes de ser gay virar profissão e abrir portas. Suas herdeiras de voz grave ainda são titubeantes e se atrevem a soltar um "sou bi", justificando que estão só na metade do pecado. Outro momento gozado do show, ensaiando uma dancinha, Ro Ro solta essa: "Sou a madrinha da Amy Winehouse". Ochhh, se é, que o diga Zizi Possi...
Antes de cantar "Fogueira", a musa faz um momento-reverência a Maria Bethânia, outra fundamental. Prá mim a música foi o auge do show. A canção é perfeita em todos os sentidos e traz a tona as paixões vividas. Du-vi-de-o-dó que quem um dia se apaixonou consiga passar ileso por "Fogueira", seja na voz de uma ou da outra.
, vou falar também do Pedro Morais. Canta muito bem o moço e obvio que ganhou o presente de sua carreira ao ser convidado prá dividir o palco com aquela mulher. Percebi que tinha gente da galera dele espalhada aqui e ali, gente que gaguejando e tropeçando tentava acompanhar o que ele cantava. Fiquei meio chateado ao perceber que mais ou menos todo mundo tava doido prá ele acabar e chegar a vez dela. Tá bom, eu não fiquei chateado não, eu também tava assim. Sem perder a viagem, Angela Ro Ro, além de mandar um "pega suas coisas e some daqui", debocha dizendo que sabia que todos tinham ido ali prá ver o cara, mas tudo bem, "não tenho ego". Fala o que vem na boca né não? Por fim, bonachona, faz duetos com ele, e, vamo combiná, ficaram ótimos. Tem futuro o rapaz, vai saber é do passado.
De novo, obrigado Sesc, obrigado Pedrinho Alves. Esse povo tá fazendo um projeto fabuloso, com certeza a melhor iniciativa dos últimos anos. Já fiquei sabendo que tem mais. Fica de olho aí, não vai perder de novo heim?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"ME GUSTAN LOS ESTUDIANTES"

certo, já falei disso duas vezes, pode parecer repetição. Acontece que de quando eu falei até hoje continua a mesma pendência, só que agora com fatos novos.
É, vou falar de novo do meio passe pros estudantes andarem de onibus. Lembra, aquela história da empresa-mina-de-diamante lá nos idos de março? Então, ia ter reunião em abril e blá-blá-blá, blá-blá-blá, etc e tal. Bom, vai que fico sabendo pelo jornal de hoje que ontem de manhã teve manifestação outra vez no centro da cidade. Ou seja, quem quis ir no fuzuê pagou inteira mesmo, porque a tal da meia entrada não vingou até então.
Rolou porrada, umas prizõezinhas daquelas que solta depois, o normal quando tem confronto de passeata com polícia. Não é isso que vem ao caso. Caro estudante, quem tá na chuva é prá molhar, mesmo que seja molhar de spray de pimenta.
O que vem ao caso então? A outra novidade. Gente! O povo do lado de lá tá topando dar o meio passe. Éééééé, povo do bem esse. Só que aí elegeram quem vai ganhar o benefício. Uai, não são os estudantes? Ram ram, com um porém: O moleque tem que ser da lista do bolsa-família. Ok, legal, bom pensar em quem precisa né?
Maaaaassss lá vem essa eterna mania de buscar a lógica das coisas. Não vou fazer continhas de novo porque nos idos de março demonstrei o impacto que essa economia pode significar prá qualquer estudante. Você sabe né, a gente lembrou que todos são o-bri-ga-dos a pegar condução, ninguém pega porque achou legal, os carros bacanas, todo mundo sentadinho, enfim, um passeio. Não é assim. Aí, diante do impasse de quem paga meia, quem não paga, me veio na memória um estudante de calça diesel, que comprou num shopping pagando inteira, comprando meio ingresso num show. Depois, com a camisa da forum, ele paga meia no cinema. Apegado que é aos bens culturais, coloca seu puma e vai no teatro... Aí não pagou nada, foi com cortesia mesmo.
Então me fala. Se não existe essa classificação sócio-economica-cultural-e-o-escambau na hora da carteirinha no entretenimento que enriquece (ou não) as mentes, porque fazer na hora do busão?
Ai ai, será que tô ficando lesado e não tô conseguindo captar a lógica das coisas???? Afinal de contas, vai pagar quanto pra pegar o balaio aqui em BH?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

QUEM PODE, PODE

O jornal britânico The Independent disse em matéria de ontem uma coisa que todo mundo sabe:
Gisele Bundchen é a "maior estrela da história da moda".
Houve a época do boom das supermodelos, com as Lindas Evangelistas dando as cartas, mulherões que diziam não levantar da cama por menos que $$$$ dinheiros, o que na época era dinheiro prá encardir. Com certeza nenhuma brilhou tanto quanto Gisele, e por tanto tempo. Ah, e também nenhuma enricou tanto, mesmo com seus ditos altos cachês prá sair de debaixo das cobertas.
Fiquei feliz pela Gisele. Ela é, sem dúvida, a celebridade que eu mais gosto. Bom, além de que, fora jogador de futebol, é a ú-ni-ca celebridade brasileira. Ram ram, a não ser que você considere celebridade maduronas conservadas que fazem novela das 8 e pegam gigolôs acima do peso. Na minha lista não entra não.
Por que eu gosto da nossa top? Por nada, gosto de graça, o que de fato não faz nenhuma diferença prá ela. Mas sempre achei de uma simpatia espontanea em todos programas de entrevistas que já vi. Linda, rica e não faz carão. Vamo combiná, as celebridadezinhas daqui é que fazem. Você viu o Hugh Jackman esses dias? Marcelo Tas disse tudo no CQC dessa segunda. Resumiu o interprete do Wolverine, eleito homem mais sexy do mundo, como "um fofo". Tom Cruise também deu show de simpatia e boa vontade. Tá certo, estavam a trabalho, mas quem não está quando avisa prá imprensa em que restaurante tá indo jantar?
Olha aí a foto da Gisele. Claro, escolhi no google, já que não tive a oportunidade de fotografá-la. Nem foi difícil escolher. No meio de tanta produção, melhor essa aí, com carinha de gente boa. Adoro essa moça!

domingo, 10 de maio de 2009

A VIDA É TRABALHO

Eu tenho uma brincadeira que é super bem argumentada. Falo que o trabalho é a pior coisa na vida da pessoa. Falo e provo:
- Você paga pra tudo. A única coisa que te pagam pra fazer é trabalhar.
- Você nunca ouviu falar no castigo lazer forçado. Mas com certeza já ouviu trabalhos forçados.
- Nunca um povo escravizou outro prá proporcionar a ele momentos de ócio. O objetivo sempre foi botar pra trabalhar.
É, mas tudo isso não passa de uma grande brincadeira. Na verdade eu sou pró trabalho, e acho que é ele que identifica o homem, a mulher e todo mundo. No meio de tanta discussão entre o ser e o ter, eu creio que o que conta mesmo é o fazer.
Tenho muita antipatia de novelas, filmes e livros, que vira e mexe trazem aquele personagem que muito se dedica ao trabalho e por isso fazem dele um vilão, uma pessoa amarga ou alguém com uma lição de moral a aprender. Ficar atoa é muito bom, curtir amigos e família é bom também, o amor encanta a vida do sujeito. Mas pega isso tudo sem o tal do trampo. Fala sério, onde é que o ser humano se realiza mais? Eu não tenho dúvidas, é no fazer bem feito, é no encher os seus olhos e o dos outros com o dever cumprido. Recorrendo a chavões afirmo sem medo de errar que é o trabalho que dignifica o homem, e faz dele alguém amável, no sentido de alguém-para-ser-amado.
, tem serviço chato. Pra todo mundo. Mesmo que a gente tenha o privilégio de fazer o que gosta, sempre tem aquela coisinha pra incomodar. Voltando aos clichês, com certeza nem sempre é possível fazer o que se ama, mas pode-se passar a amar aquilo que se faz. E vamo combiná? Este é o melhor investimento, ou então cascar fora. Pensa bem, se você vai ter que ir mesmo pro borralho, o que é preferível, ir de boa ou arrastando correntes?
Resultado, este sim é o grande barato de toda profissão. Claro que não vou ser hipócrita de falar aqui que tem quem sonhe em ser doméstica desde a infância, ou gari, pedreiro, sei lá, essas coisas mais braçais. Mas acho que a satisfação de botar um chão brilhando, uma cozinha em ordem, um tijolo bem assentadinho é a mesma de escrever um artigo que vai ser lido por milhões ou fechar certinho os pontos de uma cirurgia.
Minha amiga recentemente assumiu um cargo de administração em um serviço público onde a inoperância e a baixa produtividade eram marca registrada há tempos. Reverteu o quadro em menos de um ano. Sabe o que ela disse? Que todo mundo tem orgulho e foi pegando por aí que ela tirou o povo do marasmo. Hoje a produtividade é recorde, ninguém mais bebe no serviço (bebiam antes, pode?) e todos vestem a camisa com o bom orgulho de dizer "fui eu que fiz".
Domingo, tô trabalhando. Não trabalho de blog, tô na minha loja. Trabalho praticamente todos os dias e a-do-ro! Acho que se eu estivesse num filme ia ser o tal personagem para lição de moral. Ahn? Pra cima de mim? Ah, comigo não ia colar não.

sábado, 9 de maio de 2009

NA MEDIDA

Tem um povo casca grossa que só fala assim:
Faz isso!
Pega aquilo!
Vem cá!
Gente que os adultos da casa esqueceram de ensinar as chamadas palavrinhas magicas:
Por favor
Obrigado
, a tia deu o toque, a mãe emendou, a professora reforçou. Mas vem cá, tudo que é demais enche o saco né não? Tem horas que não sei o que é pior, atender um casca grossa ou aguentar casca fina em excesso. Sabe o mais engraçado? Muitas vezes um por favor, ainda mais seguido na sequencia de um obrigado, soa mais arrogante do que simplesmente pedir a coisa.
Ah, prá entender, só com um exemplo. A figura vira e fala assim:
Pega aquele pano ali prá mim por favor? Obrigada.
É, tudo nessa ordem e até meio sem a pontuação, um folego só. Você nem pegou o pano e a frase vem completa. Não sei se deu prá entender, mas se você já vivenciou um pedido feito desse jeito com certeza visualizou a situação, uma arrogancia disfarçada de educação bastante forçadinha.
Esse estilo também está presente no agradecimento puro e simples (sem o por favor). Sou mega entusiasta da gratidão, até mesmo já falei disso em um tópico citando as quatro palavras. Entrego-confio-aceito-agradeço. É, mas esse agradeço aí é meio genérico, uma gratidão assim, vamos dizer, cósmica. O tal que me irrita é aquele que soa puxa-saquismo, ou necessidade de demonstrar muita bondade. Affff, que saco!
O-be-ve-o que você já notou que estou falando de alguém específico. Ram-ram, tô mesmo, mas só no sentido que me inspiro em tal pessoa prá falar de um genero, ou estilo, não sei bem o que caberia melhor. Gente cansativa que justifica demais, agradece demais, se enaltece demais por trás de uma capa de humildade. Ahhh, tô falando de alguém sim, mas acho que muito provavelmente cada um já identificou seu próprio personagem do tópico.
É isso, tudo tem sua medida e as vezes as tais palavrinhas deixam de ser mágicas. Até boa educação precisa de limite e, vamo combiná, principalmente de autenticidade.

domingo, 3 de maio de 2009

O MEU, O SEU, O NOSSO

Teve um episódio de Sienfield onde a personagem Elaine, no meio de uma confusão, se viu na presidência da companhia onde trabalhava. Aí pegou a grana da empresa e detonou, maior farra, compras e presentes prá todo mundo. Na sequencia, foi surpreendida com a contabilidade cobrando a prestação de contas com tantos gastos. Achava que sendo a presidente fazia o que bem queria.
Pois é, viu alguma semelhança? O post dessa vez não é sobre séries não. Infelizmente é sobre chover no molhado dos tantos escandalos que a gente vem vivendo no dia a dia da nossa política. Tá bom, já sei, estes tópicos nunca dão ibope, mas olha só, ninguém oferece tanto assunto quanto a bandalheira da politicagem.
Eu nem ia comentar nada de passagens aéreas. Tá direto na mídia e todo mundo sabe que não vai dar em nada. Mas lendo o jornal de ontem me deparei com o Presidente deste país fazendo a defesa. Docemente ele declara que quando deputado usou muuuuiiiiiitas passagens com sindicalistas, e que também não vê o que tem demais nos parlamentares usarem as passagens com suas esposas. Ah não, mandar filho prá Europa com dinheiro do povo ele nunca fez não. Ainda bem né, porque é bem diferente pegar o seu dinheiro e pagar passagem prá sindicalista. Diferente demais...
Mostrando mais uma vez como o público vira privado por essas bandas, o Presidente, é, o Presidente, não o verdureiro ali da esquina não, disse dos absurdos da imprensa ficar achando escandalos onde não tem. Aí cita o cara que ganhava 26 mil no governo e quando saiu prá uma empresa foi com salário de 200 mil. "Agora sim, ele é marajá", disse o bonachão todo sorrisos. Ram-ram, sem dúvida, mas me conta, é você que tá pagando os 200 mil? Não? Pois é, porque os 26 mil era. Não foi bacana a comparação?
Enfim, a nossa personagem de seriado descobriu que até na iniciativa privada a grana tem que ter destino certo, e ser usada em função do trabalho. Aqui na vida real justifica-se usar o seu dinheiro prá dar passagem de avião prá amigo, parente e prá time de futebol. O pior, muitas pessoas que nunca nem andaram de avião mal sabem quantas passagens já foram compradas com o dinheirinho suado delas.
Bom, uma coisa tem que ser dita em defesa dos nossos turistas e acompanhantes. Ninguém nunca fez nada escondido. Não fez mesmo, e sabe por que? Porque ninguém tem a noção de separar o público do privado, como bem provou aquele que deveria ser professor no assunto, na sua sábia comparação salarial.
Muito azar o da Elaine. Fosse ela política no Brasil não ia enfrentar tantos contratempos. Claro que não, afinal o chapéu de peles que ela deu pro George já teria sido descontado há muito tempo do seu salário.

domingo, 26 de abril de 2009

A VIDA CONTADA E A VIDA VIVIDA

Eu, como a maioria das pessoas (acho), invento algumas coisas. Já até falei sobre isso em outro post, "Teatro e Semana de Cinzas", é só rolar aí pros mais antigos e você encontra.
Hoje vou falar de outra coisa que inventei. Tinha idéia deste tópico há muito tempo, mas fico sempre adiando por causa daquele lance que também já falei, quero postar na hora que o blog tiver mais leitores em número e, principalmente, em fidelidade. A urgencia agora se deu porque minha amiga que estuda letras me falou que tem usado não só o termo, mas também o conceito em sala de aula. Tudo bem, ela cita a fonte, eu, mas como não posso registrar uma coisa dessas na Biblioteca Nacional e muito menos patentear, pelo menos vou registrar aqui. No mínimo você vai saber que a teoria é minha, e quem sabe um dia vai defender isso numa mesa de bar.
A vida contada e a vida vivida. Essa expressão surgiu de uma conversa que estava rolando com meu amigo, na sala da casa dele, em Londres. Ele tinha se mudado prá lá tinha um ano (agora fazem 12) e eu estava visitando. Antes disso a nossa proximidade era muita, até moramos juntos aqui em BH. Bom, nesse período, ambos em BH, eu fiz algumas viagens, inclusive outras internacionais. Então o papo era esse. Ele ficava me falando que parecia que as outras viagens tinham sido mais legais, e aquela ali, da visita a ele, estava sendo a pior.
Estava? Não, era a mesma coisa. Claro, viagem sempre é melhor depois que acontece. Enquanto vai acontecendo é um cotidiano agradável. Mas boa mesmo ela fica na hora que a gente lembra... Lembra e con-ta.
Essa era a diferença. As outras viagens que eu tinha feito, quando chegava, contava prá ele. Esse contar animado nos primeiros dias prosseguia por dias e anos. Claro, contar viagem dura muito, tanto que tô falando aqui de uma que tem 11 anos.
Então, daí que surgiu o conceito, vida contada e vida vivida. Dessa vez em Londres ele estava vivendo a viagem comigo, e não me ouvindo contar. Isso faz toda a diferença. Fácil extrapolar prá todo o resto. Tem uma frase que adoro:
"Como são fascinantes as pessoas que nós não conhecemos".
E é isso mesmo, não vivemos com as pessoas que não conhecemos, sabemos só de contar. Você acha que a Madonna seria tão fascinante se você convivesse na cozinha dela? Claro que não. E os filmes, livros, essas coisas que nos encantam, são o que? Vidas contadas.
Enfim, é isso. Ninguém precisa achar a própria vida chatinha, entediante. Garanto que se algum dia alguém resolver contá-la em uma peça de teatro, ela será bem legal. Eu pelo menos tenho certeza que vou querer assistir.

terça-feira, 21 de abril de 2009

POVO DE ANTIGAMENTE

Eu tenho uma frase que falo direto:
Não se compara o incomparável.
Uso sempre que as pessoas querem falar de coisas que não se comparam mesmo. Por exemplo, alguém me pergunta sobre um filme de guerra e uma comédia romantica. É, não se compara o incomparável. Da mesma forma quando alguém quer dizer "porque antigamente era assim". Ram-ram, mas antigamente não era hoje, obviamente o mundo era todo diferente e se era todo diferente, claro que tudo era diferente.
Então, com tanto diferente, o tema aqui-agora na verdade traz a tona algumas comparações, meio inevitáveis. Não vou faze-las, cada um faz a sua, se achar que precisou.
Bom, não tô indo tãããããõ antigamente assim. Vou parar ali, na época dos meus pais. Meu pai se fosse vivo teria hoje 85 anos. Minha mãe recem completou 81, saudavel e bastante ativa, tanto no corpo quanto na mente. Coincidentemente ambos ficaram orfãos de pai bem cedo, todos dois ainda crianças, por volta dos 7 anos, creio, uma vez que nada que vem deles tem uma exatidão de datas. Enfim, orfãos e numa época bem diferente da de hoje, não passaram do "quarto ano de grupo", outro dado suposto, porque sempre dito assim, de forma genérica.
bom, seu Benedito, quarto ano de grupo... Redação impecável, o datilógrafo mais veloz da face da terra. As máquinas não acompanhavam a velocidade dos dedos de tal forma que as teclas se embolavam. Quando começou a procurar emprego, ainda menino, logo que chegou a BH, se oferecia como "datilógrafo com redação própria", termo inventado por ele, que foi se revelando ao longo dos anos bom de marketing. Pois é, ele não só batia a máquina rápido, ele criava o texto a partir de orientações do patrão. Mais tarde, redigia contratos nas suas lidas com imóveis. Contratos impecáveis diante da análise de qualquer advogado. Quarto ano de grupo, tem base?
tem a dona Ilva. Trabalhadora em solteira, já que orfã desde sempre, depois de casada tornou-se dona de casa. Lavar, arrumar, passar, fazer a comida e até as roupas de 6 filhos. Trabalho bem braçal né? Mesmo assim, nunca, nun-ca, vi a minha mãe escrever uma palavra errada. Ne-nhu-ma. Caligrafia perfeita, de professora sem ser, escrevia cartas, receitas, bilhetes, o que quer que fosse com perfeição. É gente, quarto ano de grupo.
Daí vem o incomparável-comparável com os dias de hoje. Com certeza o mundo era bastante diferente, mas no aspecto de aprender a escrever eu creio que não. Uai, a pessoa aprendia na mesma lingua de hoje, o que mudou foram alterações gramaticais acontecendo ao longo dos anos... Aff, igual essa de agora, que nem sei se quero aprender. Como diz um escritor que admiro, "escrevo de ouvido", não me pergunte por qual regra sei onde tá errado, só sei que sei...
Penso que talvez uma coisa determine o escrever correto, e até o escrever bem. A leitura. Meus pais, com quarto ano de grupo, sempre foram leitores vorazes. Não me lembro de uma única vez que não houvesse pelo menos um livro sendo lido por eles. Meu pai foi assim até o fim, e minha mãe prossegue na atividade, devorando desde best sellers até livros de história. Éééé, como ama historia ela chega a ler livros didáticos. Isso sem contar que nasci tendo sempre jornal em cima da mesa da copa.
, alguns dizem, com ar de crítica e enfado "antigamente as pessoas liam mais". É verdade, liam, mas me conta, se não lessem iam fazer o que? Ficar olhando pro tempo? Uai gente, ler era a única coisa que tinha prá fazer, diferente de hoje. Nessa hora entra a comparação do incomparável.
Enfim, para terminar e cumprir a promessa de posts mais ou menos curtos, acho incrível que hoje existam os tais analfabetos funcionais. Essa terminologia surgiu pra definir pessoas que emendam letras umas nas outras mas não entendem o que estão lendo. Deve valer também prá quem não sabe escrever. Alguma coisa aconteceu, além do menor hábito de leitura, senão como explicar pessoas na faculdade escrevendo "eles estavão com fome", ou então "vamos fazer dinovo"?
O quarto ano de grupo tá precisando voltar a ter algum valor né não?