sábado, 30 de maio de 2009

NINGUÉM FALA BELZONTE

Dia 5 de junho tem show da Rita Lee, no Chevrolet Hall. A-do-ro a Rita, seja cantando, seja fazendo suas graças, seja em programas estilo Saia Justa, onde no meio de ares blasé ela era ela mesmo, a irreverente, mas sempre antenada titia do rock.
É, só que esses dias tenho tido antipatia dela. Gente, no anuncio da Rádio Alvorada (não sei se nas outras tem) ela convida o pessoal de "belzonte". Fala sério, você algum dia ouviu alguém falar Belzonte? Escrever tem gente que escreve, mas falar? Nunca vi. Daí que fico danado quando esse povo de fora fica chamando a cidade por este nome que ela não tem, e claro, numa óbvia alusão de caipiragem (ser caipira - acho que inventei a palavra).
Pior que essa mania existe mesmo. Outro dia um menino dos cafundó do juda tava conversando comigo no msn e falou algo tipo que eu era da roça, porque falava uai. Ram ram, Belo Horizonte é uma roça sim, ainda mais em comparação com cafundó do juda. Me poupa né?
Voltando na Rita Lee. Se tenho uma história com ela? O-be-ve-o que tenho, e se não é a melhor, provavelmente uma das melhores.
Nos idos de antigamente ia ter show dela no Palácio das Artes. Na época do meubemvocêmedááguanaboca, se não me engano mega patrocínio da Ellus, que tinha comercial de um casal beijando dentro d'agua ao som da música. O sem-o-que-fazer, além de ligar pros artistas nos hotéis prá pedir convite, também costumava dar uns plantões nas casas de espetáculo. Aí de tarde o pessoal tava passando som, fui entrando e me vi sentado com outros na platéia. QUEM tava do meu lado? Adivinhou né? Nisso um cara da segurança sobe no palco e diz que todo mundo que tava lá de bico tinha que cascar fora. Num gesto impensado peguei a RITA LEE pela mão e falei: "Então vão Rita". Nossa, eu podia ter levado o maior torra não podia? Mas nada, essa louca mais que bem humorada simplesmente foi saindo mes-mo comigo. Logo o povo do palco começou a gritar por ela, e sabe o que? Ela, simplesmente de novo, me puxou pela mão e me levou de volta prá dentro.
Moral da história, vi o show todos-os-dias e no sábado, com duas sessões, fiquei de uma prá outra dentro do camarim com o povo.
Ah Rita, pensando bem, te perdôo o Belzonte, só você mesmo pode falar assim.
Olha só, citei Chevrolet Hall, citei Ellus, citei Rádio Alvorada e claro, citei Rita Lee. Então, se rolarem umas duas cortesias pro show não vou achar ruim não. Aliás, antecipadamente agradeço.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

QUANDO O AMOR NÃO ACONTECE

Atriz não gosta de tá bonita em cena, atriz gosta de tá boa em cena. Mas me conta, em se tratando de Christiane Antuña tem como pular a parte "Nossa, cê tá linda em cena"!
Então, quinta da semana passada fui ver "Cheiro de Chuva". Mais ou menos estréia, porque tinha tido uma apresentação aqui, uma ali. Temporada mesmo tava começando naquele dia. A velha e não boa preguiça quaaaaase me segurou em casa, mas felizmente, armado de energia, cheguei do trampo entrei e saí, sem esperar o corpo encostar. Fui de onibus que a pé não ia dar tempo e você sabe né, não tenho carro e nem sei dirigir (carro).
Sou o maior tiete de amigo, e adoro quando algum deles me dá a chance de babar em cima. De arrepio em arrepio, Christiane me possibilitou amar e amar e amar tudo que eu tava vendo. Seu parceiro de cena não é meu amigo, conheço de vista e de palco. Na verdade a dupla já esteve junta em outras peças. Omar Jabur é o nome do moço, mui-to-bom-de-ser-vi-ço, perfeito fazendo o sujeito comum que se espera no texto.
Ahé, o texto, a peça, tem que falar o que que é, claro: "Cheiro de Chuva", do Bosco Brasil. Um cara casado procura uma professora de dança, a princípio junto com a mulher, pra aprender uns passinhos e arrasar nas bodas. Rola uma paixão mutua, mas sabe o que? Ninguém conta prá ninguém. Nisso a montagem fica assim, diálogos de monologos. Não tem aquelas coisas que a gente fala pro outro, mas na verdade não chega a expressar, fica só no ensaio interno? Pois é.
Fisicamente tudo muito marcadinho, coreografia mesmo, sem ser dança de salão. Você já deve ter visto alguma vez, lembra? Aquele lance moderno, que não faz o óbvio, mas registra a emoção? Então, é assim. Muita imagem linda também, com cenário mega simples mas muuuuiiiito eficiente, principalmente quando a luz faz a sua parte. A trilha sonora? Ah, prá mim uma boa trilha faz meio espetáculo. Sério mesmo, sou assim não só com teatro, mas também com cinema. Tem filmes que amo e assisto zilhões de vezes só pelas músicas. Em "Cheiro de Chuva", não fosse a montagem sen-sa-ci-o-nal, valia até se fosse prá fechar os olhos e ouvir as músicas. De olho aberto sabe o que aparece? O tema certo na hora certa, clima total. De arrepiar, sem brincadeira.
Momento de tietagem explícita. Christiane Antuña dá um show. A voz de uma textura impar, inflexões mínimas e precisas, tempo e respiração milimetricamente marcados. Sem contar um improvável preparo físico prá dar texto até mesmo correndo parada no mesmo lugar. Esta cena então... Prá mim o ponto alto da peça, quando a mulher confessa o exato momento em que percebeu o amor da sua vida observando gestos tão normais daquele homem tão comum.
Enfim, vale a promessa de posts curtos, hora de encerrar. Quem é de BH tá fácil, "Cheiro de Chuva" está em cartaz no Galpão Cine Horto, de quinta a sábado 21h e domingos 20h. Vai até 31 de maio. Já você que não mora em BH, mas tá dando pinta aqui neste final de semana, acabou de encontrar a programação ideal. Vai lá.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"MELHORES DE 2008"

Este post com certeza vai ser bem específico pro pessoal de BH.
Você lembra quando eu falei que "estava" jurado de um prêmio de artes cênicas e blábláblá? Pois é, a maratona tá chegando ao fim. Amanhã todo mundo vai conhecer os "melhores de 2008". Claro, melhores na opinião das comissões julgadoras. Jurado é assim, a gente concorda ou não com ele, mas quem ele fala é que ganha.
Sabe o mais legal? Todo-mundo-pode-ir. Isso mesmo. Nem apresentar convite na porta precisa. É só colocar uma roupinha legal e chegar umas 8 e meia no Teatro Sesiminas. Essa parte tá toda aí no convite que ilustra o tópico.
Então se você curte teatro, vai lá, a festa é bacana. Nããããããõ, não é uma chatice de discurso e a gente batendo cabeça de sono não. Tem sempre uns números artísticos legais sem contar a emoção dos premiados e a perspectiva de rolarem umas surpresas.
Combinado! Terça feira, dia 26, Sesiminas, 20h30.

domingo, 24 de maio de 2009

QUE FIM LEVOU VANESSA JACKSON?

Domingo de noite, tá rolando a final do American Idol na TV. Final modo de dizer né, porque a essas alturas todo mundo já sabe o resultado. Nessa edição o Sony divulgou a grandissíssima novidade de apresentar o programa com apenas uma semana de diferença do "ao vivo". Ram ram, grande vantagem, uma semana hoje equivale ao que?
Lembro de quando eu era criança, minha tia, em Juiz de Fora, atualizava, POR CARTA, os capítulos de novela pra a minha irmã. É, lá as novelas passavam primeiro que em BH. Pensa bem, dava tempo de mandar pelo correio e quando chegava ainda era inédito. Sony, acorda, esse tempo já passou.
Voltando lá atrás, sempre que posso acompanho o American Idol, e uma dúvida persiste. Por que o Brasil, sendo tão musical, tendo tanta gente que canta bem, nunca conseguiu fazer um programa de calouros com nível pelo menos aproximado? Tá, muita gente não vai concordar, mas geralmente o primeiro a ser desclassificado do American Idol é melhor que o vencedor das edições daqui. Vou fazer um aparte caso esteja falando besteira. Depois do Fama, na Globo, nunca mais acompanhei as outras franquias. O primeiro Fama teve uma candidata muuuuuiiiiiito boa, Vanessa Jackson. Mas cadê essa moça? As outras, ou outra edição, não sei quantas foram, não tiveram nada que salvasse. Quanto ao programa dos EUA, verdade seja dita, eu nunca concordei com o vencedor, sempre tava torcendo prá algum outro.
Bom, mas isso não é o mais incrível nesse assunto todo. Impressionante é como o formato, provavelmente uma das coisas mais antigas da TV, herança de rádio, hoje seja vendido pro mundo inteiro. Gente, programa de calouro??? Por que as emissoras tem que brigar pelos direitos de apresentação de uma coisa que sempre existiu? Ah, vamo combiná, muito melhor que Idolos é o programa do Raul Gil.
Olha só, li outro dia que o jurado American Idol, Simon Cowell, é dono do programa Britains Got Talent, o tal que "revelou" o fenomeno Susan Boyle em um bem tramado arranjo marketeiro. Mesmo com muita vontade, ele não pode entrar com o seu programa nos EUA, pelos compromissos que tem no similar americano. Afff, tudo programa-de-calouro, desde que o mundo é mundo existe isso, como alguém pode ser dono de um formato que na verdade é identico ao outro e ainda por cima criarem estas restrições de mercado? Mercado do que meu deus do céu????
Pois é, depois riem de mim quando falo que inventei o clips e o Post- it, um papelzinho com cola, vê bem!

domingo, 17 de maio de 2009

RO RO É FUNDAMENTAL

Que me perdoem as outras, mas Angela Ro Ro é fundamental. Mais um domingo de sol e show. Prá variar, todos os posts sobre este projeto do Sesc acabam sendo meio saudositas e autobiograficos. Desculpem os que me conhecem de agora, mas creio que este será um pouco mais revelador. "Non, Je Ne Regrette Rien", como bem cantou Piaf e como bem mencionou a Angela no palco.
Preciso dizer que tive medo do espetáculo de hoje. Tive medo que a irreverência, o deboche escrachado e o muitas vezes politicamente incorreto discurso de Angela Ro Ro fossem substituídos por liçõezinhas de moral de quem se livrou do que as vezes pode se chamar auto-destruição. É, dizem que a moça não bebe mais, não se droga mais, não bate mais em polícia na rua. Bom prá ela e sabe por que? Porque essa mudança não alterou em na-da sua presença em cena. Se melhorou a vida pessoal, beleza, todo mundo quer viver bem e levantar de manhã sem ressaca né? Claro que sim senão a gente não falaria em cada ressaca que nunca mais vai beber.
A quase sessentona não é uma cantora. É a mais autêntica "show woman" brasileira. Dessa vez não tocou piano, mas não faltou o humor ferino de quem ainda tem a mesma presença de espírito e de quebra mal enjambrou uns passinhos de dança, revelando total conforto em cima do palco. Verdade que gostava mais dela gorda, mas quem tem que se gostar é ela e não eu. Bom, e por fim, todo mundo quer ser magro, até mesmo a Angela Ro Ro.
Momento confessional: Numa de suas brincadeiras com a platéia, que ela consegue fazer sem constranger ninguém, disse, apontando para uma pessoa ali, que ela tinha futuro. E emendou, "tem futuro, o problema é o passado que condena, que nem eu". Puro deboche e auto-crítica de quem realmente não, não se arrepende de nada. Pois é, o passado as vezes condena, e no meu passado tem muito de Angela Ro Ro.
Comecei minha vida por assim dizer, adulta, ao som da voz rouca da diva. Comprei o primeiro LP tão logo chegou nas lojas, enfeitiçado pelo timbre e pelo visceral de suas canções. E assim vivi meus primeiros amores, sempre muito passionais, com este fundo musical. A trilha sonora também acompanhou as minhas infinitas baladas (que não tinham esse nome na época) vendo o sol nascer a caminho de casa ou, preferencialmente, a caminho da casa de alguém. Foi a época que deixei o lar dos pais prá tentar construir o meu, quebrando a cabeça nos tantos encontros e desencontros que se seguiram. Prá ter uma idéia da sempre presente Ro Ro nessa fase, o segundo disco, "Escandalo", ganhei de presente. Um amigo sacana me deu justamente promovendo a comparação pela relação amorosa conturbada que eu vivia na época. É, eu era meio Angela Ro Ro na transgressão e na sede de viver, o que penso não deve ser surpresa prá ninguém ao imaginar um jovem universitário de comunicação dando os primeiros passos de artista. Ram ram, dificil imaginar que passei os anos 80 rezando né não?
Porém, muito mais que eu, essa "ídola" transgrediu. Foi a primeira cantora no auge da mídia se assumindo lésbica, bem antes de ser gay virar profissão e abrir portas. Suas herdeiras de voz grave ainda são titubeantes e se atrevem a soltar um "sou bi", justificando que estão só na metade do pecado. Outro momento gozado do show, ensaiando uma dancinha, Ro Ro solta essa: "Sou a madrinha da Amy Winehouse". Ochhh, se é, que o diga Zizi Possi...
Antes de cantar "Fogueira", a musa faz um momento-reverência a Maria Bethânia, outra fundamental. Prá mim a música foi o auge do show. A canção é perfeita em todos os sentidos e traz a tona as paixões vividas. Du-vi-de-o-dó que quem um dia se apaixonou consiga passar ileso por "Fogueira", seja na voz de uma ou da outra.
, vou falar também do Pedro Morais. Canta muito bem o moço e obvio que ganhou o presente de sua carreira ao ser convidado prá dividir o palco com aquela mulher. Percebi que tinha gente da galera dele espalhada aqui e ali, gente que gaguejando e tropeçando tentava acompanhar o que ele cantava. Fiquei meio chateado ao perceber que mais ou menos todo mundo tava doido prá ele acabar e chegar a vez dela. Tá bom, eu não fiquei chateado não, eu também tava assim. Sem perder a viagem, Angela Ro Ro, além de mandar um "pega suas coisas e some daqui", debocha dizendo que sabia que todos tinham ido ali prá ver o cara, mas tudo bem, "não tenho ego". Fala o que vem na boca né não? Por fim, bonachona, faz duetos com ele, e, vamo combiná, ficaram ótimos. Tem futuro o rapaz, vai saber é do passado.
De novo, obrigado Sesc, obrigado Pedrinho Alves. Esse povo tá fazendo um projeto fabuloso, com certeza a melhor iniciativa dos últimos anos. Já fiquei sabendo que tem mais. Fica de olho aí, não vai perder de novo heim?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"ME GUSTAN LOS ESTUDIANTES"

certo, já falei disso duas vezes, pode parecer repetição. Acontece que de quando eu falei até hoje continua a mesma pendência, só que agora com fatos novos.
É, vou falar de novo do meio passe pros estudantes andarem de onibus. Lembra, aquela história da empresa-mina-de-diamante lá nos idos de março? Então, ia ter reunião em abril e blá-blá-blá, blá-blá-blá, etc e tal. Bom, vai que fico sabendo pelo jornal de hoje que ontem de manhã teve manifestação outra vez no centro da cidade. Ou seja, quem quis ir no fuzuê pagou inteira mesmo, porque a tal da meia entrada não vingou até então.
Rolou porrada, umas prizõezinhas daquelas que solta depois, o normal quando tem confronto de passeata com polícia. Não é isso que vem ao caso. Caro estudante, quem tá na chuva é prá molhar, mesmo que seja molhar de spray de pimenta.
O que vem ao caso então? A outra novidade. Gente! O povo do lado de lá tá topando dar o meio passe. Éééééé, povo do bem esse. Só que aí elegeram quem vai ganhar o benefício. Uai, não são os estudantes? Ram ram, com um porém: O moleque tem que ser da lista do bolsa-família. Ok, legal, bom pensar em quem precisa né?
Maaaaassss lá vem essa eterna mania de buscar a lógica das coisas. Não vou fazer continhas de novo porque nos idos de março demonstrei o impacto que essa economia pode significar prá qualquer estudante. Você sabe né, a gente lembrou que todos são o-bri-ga-dos a pegar condução, ninguém pega porque achou legal, os carros bacanas, todo mundo sentadinho, enfim, um passeio. Não é assim. Aí, diante do impasse de quem paga meia, quem não paga, me veio na memória um estudante de calça diesel, que comprou num shopping pagando inteira, comprando meio ingresso num show. Depois, com a camisa da forum, ele paga meia no cinema. Apegado que é aos bens culturais, coloca seu puma e vai no teatro... Aí não pagou nada, foi com cortesia mesmo.
Então me fala. Se não existe essa classificação sócio-economica-cultural-e-o-escambau na hora da carteirinha no entretenimento que enriquece (ou não) as mentes, porque fazer na hora do busão?
Ai ai, será que tô ficando lesado e não tô conseguindo captar a lógica das coisas???? Afinal de contas, vai pagar quanto pra pegar o balaio aqui em BH?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

QUEM PODE, PODE

O jornal britânico The Independent disse em matéria de ontem uma coisa que todo mundo sabe:
Gisele Bundchen é a "maior estrela da história da moda".
Houve a época do boom das supermodelos, com as Lindas Evangelistas dando as cartas, mulherões que diziam não levantar da cama por menos que $$$$ dinheiros, o que na época era dinheiro prá encardir. Com certeza nenhuma brilhou tanto quanto Gisele, e por tanto tempo. Ah, e também nenhuma enricou tanto, mesmo com seus ditos altos cachês prá sair de debaixo das cobertas.
Fiquei feliz pela Gisele. Ela é, sem dúvida, a celebridade que eu mais gosto. Bom, além de que, fora jogador de futebol, é a ú-ni-ca celebridade brasileira. Ram ram, a não ser que você considere celebridade maduronas conservadas que fazem novela das 8 e pegam gigolôs acima do peso. Na minha lista não entra não.
Por que eu gosto da nossa top? Por nada, gosto de graça, o que de fato não faz nenhuma diferença prá ela. Mas sempre achei de uma simpatia espontanea em todos programas de entrevistas que já vi. Linda, rica e não faz carão. Vamo combiná, as celebridadezinhas daqui é que fazem. Você viu o Hugh Jackman esses dias? Marcelo Tas disse tudo no CQC dessa segunda. Resumiu o interprete do Wolverine, eleito homem mais sexy do mundo, como "um fofo". Tom Cruise também deu show de simpatia e boa vontade. Tá certo, estavam a trabalho, mas quem não está quando avisa prá imprensa em que restaurante tá indo jantar?
Olha aí a foto da Gisele. Claro, escolhi no google, já que não tive a oportunidade de fotografá-la. Nem foi difícil escolher. No meio de tanta produção, melhor essa aí, com carinha de gente boa. Adoro essa moça!

domingo, 10 de maio de 2009

A VIDA É TRABALHO

Eu tenho uma brincadeira que é super bem argumentada. Falo que o trabalho é a pior coisa na vida da pessoa. Falo e provo:
- Você paga pra tudo. A única coisa que te pagam pra fazer é trabalhar.
- Você nunca ouviu falar no castigo lazer forçado. Mas com certeza já ouviu trabalhos forçados.
- Nunca um povo escravizou outro prá proporcionar a ele momentos de ócio. O objetivo sempre foi botar pra trabalhar.
É, mas tudo isso não passa de uma grande brincadeira. Na verdade eu sou pró trabalho, e acho que é ele que identifica o homem, a mulher e todo mundo. No meio de tanta discussão entre o ser e o ter, eu creio que o que conta mesmo é o fazer.
Tenho muita antipatia de novelas, filmes e livros, que vira e mexe trazem aquele personagem que muito se dedica ao trabalho e por isso fazem dele um vilão, uma pessoa amarga ou alguém com uma lição de moral a aprender. Ficar atoa é muito bom, curtir amigos e família é bom também, o amor encanta a vida do sujeito. Mas pega isso tudo sem o tal do trampo. Fala sério, onde é que o ser humano se realiza mais? Eu não tenho dúvidas, é no fazer bem feito, é no encher os seus olhos e o dos outros com o dever cumprido. Recorrendo a chavões afirmo sem medo de errar que é o trabalho que dignifica o homem, e faz dele alguém amável, no sentido de alguém-para-ser-amado.
, tem serviço chato. Pra todo mundo. Mesmo que a gente tenha o privilégio de fazer o que gosta, sempre tem aquela coisinha pra incomodar. Voltando aos clichês, com certeza nem sempre é possível fazer o que se ama, mas pode-se passar a amar aquilo que se faz. E vamo combiná? Este é o melhor investimento, ou então cascar fora. Pensa bem, se você vai ter que ir mesmo pro borralho, o que é preferível, ir de boa ou arrastando correntes?
Resultado, este sim é o grande barato de toda profissão. Claro que não vou ser hipócrita de falar aqui que tem quem sonhe em ser doméstica desde a infância, ou gari, pedreiro, sei lá, essas coisas mais braçais. Mas acho que a satisfação de botar um chão brilhando, uma cozinha em ordem, um tijolo bem assentadinho é a mesma de escrever um artigo que vai ser lido por milhões ou fechar certinho os pontos de uma cirurgia.
Minha amiga recentemente assumiu um cargo de administração em um serviço público onde a inoperância e a baixa produtividade eram marca registrada há tempos. Reverteu o quadro em menos de um ano. Sabe o que ela disse? Que todo mundo tem orgulho e foi pegando por aí que ela tirou o povo do marasmo. Hoje a produtividade é recorde, ninguém mais bebe no serviço (bebiam antes, pode?) e todos vestem a camisa com o bom orgulho de dizer "fui eu que fiz".
Domingo, tô trabalhando. Não trabalho de blog, tô na minha loja. Trabalho praticamente todos os dias e a-do-ro! Acho que se eu estivesse num filme ia ser o tal personagem para lição de moral. Ahn? Pra cima de mim? Ah, comigo não ia colar não.

sábado, 9 de maio de 2009

NA MEDIDA

Tem um povo casca grossa que só fala assim:
Faz isso!
Pega aquilo!
Vem cá!
Gente que os adultos da casa esqueceram de ensinar as chamadas palavrinhas magicas:
Por favor
Obrigado
, a tia deu o toque, a mãe emendou, a professora reforçou. Mas vem cá, tudo que é demais enche o saco né não? Tem horas que não sei o que é pior, atender um casca grossa ou aguentar casca fina em excesso. Sabe o mais engraçado? Muitas vezes um por favor, ainda mais seguido na sequencia de um obrigado, soa mais arrogante do que simplesmente pedir a coisa.
Ah, prá entender, só com um exemplo. A figura vira e fala assim:
Pega aquele pano ali prá mim por favor? Obrigada.
É, tudo nessa ordem e até meio sem a pontuação, um folego só. Você nem pegou o pano e a frase vem completa. Não sei se deu prá entender, mas se você já vivenciou um pedido feito desse jeito com certeza visualizou a situação, uma arrogancia disfarçada de educação bastante forçadinha.
Esse estilo também está presente no agradecimento puro e simples (sem o por favor). Sou mega entusiasta da gratidão, até mesmo já falei disso em um tópico citando as quatro palavras. Entrego-confio-aceito-agradeço. É, mas esse agradeço aí é meio genérico, uma gratidão assim, vamos dizer, cósmica. O tal que me irrita é aquele que soa puxa-saquismo, ou necessidade de demonstrar muita bondade. Affff, que saco!
O-be-ve-o que você já notou que estou falando de alguém específico. Ram-ram, tô mesmo, mas só no sentido que me inspiro em tal pessoa prá falar de um genero, ou estilo, não sei bem o que caberia melhor. Gente cansativa que justifica demais, agradece demais, se enaltece demais por trás de uma capa de humildade. Ahhh, tô falando de alguém sim, mas acho que muito provavelmente cada um já identificou seu próprio personagem do tópico.
É isso, tudo tem sua medida e as vezes as tais palavrinhas deixam de ser mágicas. Até boa educação precisa de limite e, vamo combiná, principalmente de autenticidade.

domingo, 3 de maio de 2009

O MEU, O SEU, O NOSSO

Teve um episódio de Sienfield onde a personagem Elaine, no meio de uma confusão, se viu na presidência da companhia onde trabalhava. Aí pegou a grana da empresa e detonou, maior farra, compras e presentes prá todo mundo. Na sequencia, foi surpreendida com a contabilidade cobrando a prestação de contas com tantos gastos. Achava que sendo a presidente fazia o que bem queria.
Pois é, viu alguma semelhança? O post dessa vez não é sobre séries não. Infelizmente é sobre chover no molhado dos tantos escandalos que a gente vem vivendo no dia a dia da nossa política. Tá bom, já sei, estes tópicos nunca dão ibope, mas olha só, ninguém oferece tanto assunto quanto a bandalheira da politicagem.
Eu nem ia comentar nada de passagens aéreas. Tá direto na mídia e todo mundo sabe que não vai dar em nada. Mas lendo o jornal de ontem me deparei com o Presidente deste país fazendo a defesa. Docemente ele declara que quando deputado usou muuuuiiiiiitas passagens com sindicalistas, e que também não vê o que tem demais nos parlamentares usarem as passagens com suas esposas. Ah não, mandar filho prá Europa com dinheiro do povo ele nunca fez não. Ainda bem né, porque é bem diferente pegar o seu dinheiro e pagar passagem prá sindicalista. Diferente demais...
Mostrando mais uma vez como o público vira privado por essas bandas, o Presidente, é, o Presidente, não o verdureiro ali da esquina não, disse dos absurdos da imprensa ficar achando escandalos onde não tem. Aí cita o cara que ganhava 26 mil no governo e quando saiu prá uma empresa foi com salário de 200 mil. "Agora sim, ele é marajá", disse o bonachão todo sorrisos. Ram-ram, sem dúvida, mas me conta, é você que tá pagando os 200 mil? Não? Pois é, porque os 26 mil era. Não foi bacana a comparação?
Enfim, a nossa personagem de seriado descobriu que até na iniciativa privada a grana tem que ter destino certo, e ser usada em função do trabalho. Aqui na vida real justifica-se usar o seu dinheiro prá dar passagem de avião prá amigo, parente e prá time de futebol. O pior, muitas pessoas que nunca nem andaram de avião mal sabem quantas passagens já foram compradas com o dinheirinho suado delas.
Bom, uma coisa tem que ser dita em defesa dos nossos turistas e acompanhantes. Ninguém nunca fez nada escondido. Não fez mesmo, e sabe por que? Porque ninguém tem a noção de separar o público do privado, como bem provou aquele que deveria ser professor no assunto, na sua sábia comparação salarial.
Muito azar o da Elaine. Fosse ela política no Brasil não ia enfrentar tantos contratempos. Claro que não, afinal o chapéu de peles que ela deu pro George já teria sido descontado há muito tempo do seu salário.