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domingo, 13 de abril de 2014

ONTEM EU FUI AO CINEMA SOZINHO

Ganhei a noite de sábado duas vezes. Uma, por assistir, e me emocionar até as tampas com o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", a outra, por conhecer um novo cinema aqui em BH. Novo pra mim, ele já tem um tempinho, mas eu nunca tinha ido. O filme está em exibição numa sala do Belas Artes, que eu adoro, e em única sessão neste outro espaço, o Cine 104, que optei para aproveitar e conhecer. Daí passei a adorar também. 
Ao filme! Então, adotando uma prática que vem sendo bem recorrente aqui, reproduzo o breve comentário que fiz no facebook:
Sempre acho engraçada a pretensão embutida na frase “mereceu todos os prêmios que ganhou”. Tipo: É, vocês até que acertaram, agora que EU confirmei.
Mas, "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" mereceu todos os prêmios que ganhou, fora os muitos outros que provavelmente ainda ganhará. 
Não sou crítico de cinema (essa pretensão nunca tive), mas posso dizer daquilo que me toca. E esse filme, fora a emoção e a qualidade inquestionável na realização, ainda é um instrumento inestimável na jornada da inclusão e do respeito à diversidade.
Dá vontade de enumerar algumas cenas de inevitável nó na garganta. E muuiiita vontade de sair comentando do final. Mas essa porrada cada um tem que levar, de surpresa, pra ser ainda mais legal.
Vai ver e me conta. Duvido muito que uma única pessoa saia do cinema do mesmo jeito que entrou.
 

*Fiz essa "abertura" pra divulgar o post nas redes sociais. Depois pensei que seria bom se ela também ficasse registrada, junto com ele. Então hoje resolvi acrescentar aqui:
"Felizmente o mundo está indo adiante, mesmo que com dois passinhos pra frente e um pra trás.
Passo pra frente, por exemplo, foi a realização de um filme como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, algo impensável ha uns meros cinco anos atrás.
Uma pessoa me disse que ele prega uma certa "facilidade", poucos conflitos, na questão gay. E que isso geraria frustração nas pessoas do mundo real, por não entenderem então porque pra elas é tão difícil.
Mas sim, de fato, hoje é tudo muito mais simples. Não podemos ver o filme com os olhos de nossas gerações (nós, que já estamos aqui há mais tempo).
Dificuldades e conflitos ainda existem, claro. Mas considero um mérito o filme mostrar que não, nada precisa ser tão conflituoso assim, e apresentar a naturalidade (não a normalidade) da homossexualidade.
De novo dou os parabéns ao diretor Daniel Ribeiro".

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

BEAGÁ QUE EU VI

Meio na onda da facilidade de postar o já postado, recolhi duas historinhas do final de semana, postadas no facebook, e passei pra cá. Achei legal esse título, "Beagá Que Eu Vi". De repente vira uma série né? Quem sabe.

Outro motivo de trazer pro blog é que, cada vez mais, eu percebo como é difícil resgatar coisas no facebook. Então, vindo pro blog, fica mais fácil de achar, caso eu queira, ou precise.

É isso. Olha aí as histórias:

I 

Início da noite fui dar uma volta na Praça da Liberdade e vi dois caras embolados num banco dando um amassinho de leve.
Mesmo com a vista (bem) treinada para a cena, confesso que tive uma ponta de constrangimento e uma indisfarçável vontade de ficar olhando.
Mas, por fim, fiquei foi feliz em ver o amor, ou o amasso, ser praticado em público, sem medo.

(Foto meramente ilustrativa, pescada no google)


II

Descendo a rua da Bahia, vi que tinha uma movimentação na Praça Afonso Arinos, um povão na rua e um som rolando.
Desviei o caminho e desci até lá, pra ter uma ótima, sensacional surpresa.
Quem estava tocando era a Absinto Muito, banda do meu amigo Efe Godoy, que eu nunca tinha visto ao vivo.
Fiquei IMPRESSIONADO o tanto que era bom, e o tanto que o povo pulava enlouquecido na rua. Mas IMPRESSIONADO MESMO!
Sem palco, só uma tendinha ali no canteiro do meio da Álvares Cabral, mas o pau quebrando com força.
IMPRESSIONADO define a minha sensação. Arrepiado, o meu físico.  :)

(Foto também do google, que saquei não ser muito nova. Se os meninos da banda tiverem outra - com crédito - por favor,enviem.) 

domingo, 22 de julho de 2012

OS BEM COMPORTADOS

Existe um segmento no universo gay, ou talvez mais de um segmento, uma vez que este grupo é bastante segmentado, que busca a "aceitação" como prêmio pelo bom comportamento. Então tudo prejudica estas pessoas, por danos de imagem. A bicha pintosa, as travestis, os que dançam descamisados na buatch, aquele povo que só pensa em pegação, enfim, todo mundo que, de alguma maneira, possa parecer agressivo frente aos heterossexuais, suas famílias, religiões e normas. 
Naturalmente, estes segmentos também são contra, e descem o malho, nas Paradas Gays LGBT que rolam pelo mundo afora. Entre outras coisas, tacham de despolitizadas (ham-ham, quem não consegue diferenciar respeito de aceitação é bem politizado), de micaretas, de meras oportunidades pra beijar na boca, de show de drag e por aí vai.
Acho que fui a todas as Paradas de BH, ou se perdi no máximo foram uma ou duas. Afirmo, sem medo de errar, que as Paradas, todas, não só as de Belo Horizonte, são politizadas. Não fosse por mais um monte de coisas, só a sua realização já é um ato político.
Na Parada tem trava? Tem sim senhor! Na Parada tem pegação? Tem sim senhor! Na Parada tem trio elétrico? Tem sim senhor. E o gay, o que é? É um cidadão como outro qualquer, cuja única diferença é amar, ou transar, com alguém do mesmo sexo.
Por que então ser tratado como cidadão de segunda categoria? Pior, por que ser tratado como ser humano de quinta categoria? Seria realmente muito bom que não fosse preciso fazer parada nenhuma. Seria muito bom que todos pudessem ser iguais em suas diferenças. Bom seria também se todos entendessem que ninguém precisa de aceitação. O que se pede, ou pelo menos deveria ser pedido exigido, por todos, é respeito. Enquanto alguns não entenderem o que essa mudança de exigência significa, vão continuar com suas críticas vazias, fomentando o preconceito dentro do preconceito.
Já disse outras vezes, mas acho sempre bom repetir. Não se pode pregar um jeito certo de ser gay, em oposição ao jeito errado de ser. A palavra de ordem "diversidade" precisa contemplar exatamente isso, a diversidade. Cada um tem o direito de ser como é, do jeito que se sentir bem, desde que não prejudique o outro.
Estas correntes costumam dizer: Pra ser gay, não precisa ter voz fina. Precisar não precisa, mas se tiver, ou quiser ter, não é problema seu. Pra ser lésbica não precisa se masculinizar. Precisa? Não, não precisa. Mas se a moça quiser ter pinta de macho, no que isso afeta o outro? Constatar que a diferença existe, até mesmo colocar apelidinhos diferenciando uns dos outros, é uma coisa. Pregar contra, aí não, aí já é fazer o jogo do homofóbico.
Meninos bem comportados, façam seus esqueminhas de aceitação. Abaixem as suas cabeças e façam tudo o que seu mestre mandar. Agora, deixem o pessoal ferver nas Paradas, na noite, tirar suas camisas ao som de música eletrônica, vestir de mulher, dar muita pinta nos palcos. Numa sociedade heteronormativa, o próprio fato de ser gay já é uma transgressão. Talvez um dia, além de aceitos, vocês se descubram também respeitados. Aí não vai ser preciso nem agradecer. Cada um que batalhou por isso já vai se sentir bastante recompensado por poder levar a vida com a dignidade que merece.

* A foto foi pescada no Portal R7, com crédito para o jornal Hoje em Dia.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

VISITANTES MISTERIOSOS E OUTRO NEM TANTO

Mais uma tentativa de retomar o blog... Dessa vez vai?
Primeira surpresa. Está tudo, TUDO completamente diferente aqui. Por enquanto acho que não vou apanhar muito, mas sei lá. Pode ser que as mudanças tenham sido feitas para facilitar, mas, a princípio, me parece que só dificultam. Vamos ver, muitas vezes é só uma questão de costume né?
Não entendeu nada? Bom, estou falando das modificações do Blogger. Até pra postar tive que dar uma paradinha até entender pra onde eu ia.
Enfim, Beagá Que Eu Vejo parado desde novembro do ano passado. Nesse meio tempo, visitado. É, como é que pode isso? Uma média aí de uns vinte e poucos leitores por dia. Pouco demais, eu sei, mas pra um blog literalmente parado desde novembro? Que povo é esse que vem aqui? Pera aí, não tô reclamando. Podem, e devem continuar a vir. Mas, que é meio misterioso, isso é.
Bom, toda vez que volto é esse lero-lero, que mesmo parado veio gente aqui e tal. Dessa vez, surgiu um fato novo, via e-mail. Um cara me escreveu, em abril, dizendo que tinha conhecido o blog, gostado, e me perguntando sobre Belo Horizonte. Pois é, ele estava querendo se mudar pra cá, e pedia dicas. Entre elas, se nessa cidade era possível viver com salário de R$ 3.200,00, que era o que pretendia ganhar, caso passasse no concurso público que estava fazendo. Sei lá, eu devo ser chic demais e colocar muito glamour no que escrevo, porque pra uma pessoa pensar se DÁ pra viver com R$ 3.200,00, um casal, sem filhos... Putz, será que ele achou que todo mundo aqui ganha trocentos e noventa e nove mil?
Então, mas este e-mail, que respondi e ele me respondeu de novo, bem atencioso e gentil, me trouxe uma luz. CLARO que ele pesquisou Belo Horizonte, ou o apelido beagá, e com isso bateu de cara aqui. Esse provavelmente deve ser o caminho de muitos visitantes. Fora isso, outras palavras, recorrentes em postagens, devem também jogar outros tantos desses buscadores.
Fato é que, toda vez que sumo, procuro saber se fiquei congelado. Todas as vezes vejo que não, e isso me anima. Espero que essa animação continue pelos próximos dias, semanas, ou anos. Beagá Que Eu Vejo - ano 10, quem sabe?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A NOSSA INDIGNAÇÃO É UMA MOSCA SEM ASAS...

Eu fui na manifestação contra a corrupção aqui em BH. Pois é, outras do tipo aconteceram Brasil afora, aproveitando a emblemática data do 7 de setembro.
Controvérsias a parte, adorei ter ido e, com certeza, estarei em outras que ficar sabendo. A mídia se divide entre os que tentam se apoderar do movimento, como se fossem donos ou ideologos dele, e os que tentam desqualificá-lo, como algo oportunista de grupos blablabla, blablabla. Enfim, a gente sabe que atualmente a mídia, ou a imprensa no Brasil, se divide entre chapa branca e chapa branca. Cada lado defendendo seus interesses. De todo isso não é ruim, porque tem sido essa a maneira que o cidadão está encontrando pra ficar sabendo das coisas, tando de um lado quanto do outro.
Bom, quando cheguei na Praça da Liberdade, local da concentração, o pessoal estava começando a dar a primeira volta. Eram mais ou menos 11h45 e tinham só umas 50 pessoas, e olhe lá. Quando finalmente, depois de muito rodar canteiros, o grupo resolveu sair rumo à Praça da Assembléia, por volta das 13h, já eram em torno de uns mil. É, eu acho que tinha por aí, embora um jornal tenha falado em 300. Depende da hora que o reporter viu né?
Caras pintadas, nariz de palhaço, máscaras do personagem do filme "V de Vingança" e muita roupa preta foram os figurinos preferidos, em uma turma preponderantemente jovem. Colírios para os olhos à parte, tantos gatchynhos e gatchynhas dão um alento ao se pensar no que vem adiante.
Bem legal também foi a confirmação de que se trata de um movimento apartidário. Em certo aspecto, a coisa foi até bem radical. O único momento tenso aconteceu justamente por isso. Quando todo mundo já tava instalado na Praça da Assembléia, chegaram uns bunito, com bandeiras e camisas de partido, com uma clara intenção, no olhar e atitudes, de tomar conta do terreiro. Foram recebidos a vaia e obrigados e recolher seus badulaques. Mesmo nas falas, quando alguém começava a resvalar pro discurso claramente partidário, era interrompido pelo toque dos bumbos ou palavras de ordem da maioria, que assim conseguia colocar tudo de volta ao objetivo proposto.
Óbvio que sobrou pra todo mundo, do governo federal ao municipal, sem esquecer do estadual. Imagino que pelo país afora tenha sido assim também, afinal, não tem nenhuma instância do poder que esteja imaculada a ponto de ser poupada. De tudo, além do grande prazer de estar na rua com aquela turma animada, acho que algumas lições foram importantes e, aparentemente, a ficha está caindo em várias questões:
1 - Todo mundo que está nos governos hoje está ali por voto. Não existe mais político biônico, coisa que a meninada não conheceu, mas que a gente sabe bem o que era. Logo, o importante é saber votar, ou pelo menos tentar acertar. Talvez, com essa nova conscientização, slogans como "pior não fica" não colem mais. Eleição não é programa de humor.
2 - As pessoas que momentaneamente estão no poder, estão ali para servir, como administradores do que é público. Eles não são donos de nada, embora muitos deles pensem o contrário. Essa postura cada vez está colando menos, uma vez que o povo está a cada dia menos bobo. 
3 - Ninguém precisa ser "iniciado" para participar. Ao longo dos anos a política foi malandramente colocada com algo difícil, chato e inatingível. Muita gente sentia-se intimidada de opinar por não se considerar preparada o suficiente. Nada, a coisa é bem mais simples, política é o seu dia a dia. Tá ruim? Reclama, grita, você não precisa ser sociologo e nem pós graduado em ciências políticas pra isso.
Tem quem aposte no naufrágio do movimenteo recem iniciado. Tem quem queira, estrategicamente, compará-lo ao fracassado "Cansei", idealizado pelas elites, principalmente paulistanas, que morreu na praia sem nem mesmo ter começado a nadar. Enganam-se eles, ou me engano eu, mas acho bem difícil uma iniciativa abraçada por milhares de jovens animados perder folego com tanta facilidade. Veremos...
No mais, senti falta de multidão. Não há quem não se indgne com a corrupção e o estado das coisas no Brasil. É assunto de botequim, de fila de banco, de ponto de ônibus. Na hora H, mil pessoas na nossa cidade. Pouco né?
Tomando emprestada a frase do Skank, a conclusão parece ser essa mesmo: "A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas".
Eu? Indignado...

* Fiz fotos, usando pela primeira vez meu celular novo. Assim que eu conseguir passar pro computador, se não estiverem ruins demais, posto aqui. Bom motivo pra você voltar e ver se já tem.  :)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Depois de um longo sumiço, estou de volta. Não sei se é pra ficar dessa vez, vamos ver. Se já enrolo no que tenho obrigação, imagina no que não tenho...
Bom, sou mega a favor de qualquer ação que implique em acessibilidade. É bem fácil da gente entender o direito do outro, basta trocar de lugar com ele. Todo mundo tem o direito até sagrado de ir e vir, além de ter também o direito de poder cuidar da própria vida. Daí nada mais lógico que sejam obrigatórias as condições para isso. Nenhum cego tem que ser guiado e nenhum cadeirante carregado, a não ser que esta seja uma escolha dele. Logo, o mundo tem que ser igual para todos.
Chego então à polêmica, que parece criada e alimentada só por mim, das calçadas de Belo Horizonte. Pra quem ainda não sabe, o que tá rolando é o seguinte: A Prefeitura de BH está intimando cidadãos a reformarem os passeios em frente às suas residências ou comércios. Pelo jeito não é na cidade inteira, mas em alguns pontos que elegeram como mais necessários. Imagino que existam critérios para isso, embora eu pense que a pessoa que mora na zona norte tenha o mesmo direito que a da zona sul que deve ser idêntico ao do pessoal da leste e assim por diante. Enfim, essa seria uma outra discussão, tão importante quanto a do tema do post, mas que terá que ficar pra outra hora.
De volta ao fio da meada. Embora seja algo polêmico, todo mundo sabe que proprietário de imóvel é responsável pela calçada. Na hora de dar manutenção, porque de resto ela é pública, como de fato toda a rua é. De novo, outra discussão pra outra hora, porque o nosso caso aqui não é de manutenção de calçada, mas sim de "construção". Sim, porque o que a Prefeitura quer é que cada contribuinte intimado coloque a mão no bolso e "construa" um passeio de acordo com projeto estabelecido. A ideia até que é boa, uma vez que visa o bem estar do pedestre e, sobretudo, prevê guias específicas para orientação de deficientes visuais. Sou o mais pedestre que alguém poderia encontrar, porque os que me conhecem sabem que corto essa cidade de fora a fora andando. Não sei dirigir e raramente pego taxi. Ônibus também só uso para distancias que cheguem a se mostrar proibitivas. Sei muito bem o que é andar a pé em ruas esburacadas.
Então, uma boa ideia, mas uma forma de realizar das mais estranhas. Primeiro que a gente paga muito imposto. Uma grande parte todo mundo sabe pra onde vai, todo dia tem novidade a respeito na imprensa. Mas o que sobra deveria no mínimo servir pra cuidar das coisas públicas, como ruas, por exemplo, incluindo aí as suas calçadas. Talvez tenha gente lendo (puxa, espero que TENHA gente lendo) que pense estar diante de um exagero. Confesso que eu também pensava assim, até dar de cara com o preço dos tais passeios. Dando um exemplo prático, um imóvel com frente de 12 metros, situado em uma avenida com calçada de 5m de largura fica na bagatela de R$ 6.000,00.
SEISMILREAIS!
Pois é, vamos combinar que, tirando o Eike Batista e os políticos conhecedores da formula mágica de multiplicação da renda, seis paus é muita grana pra qualquer pessoa. Pode então a dona prefeitura intimar o contribuinte, afogado em impostos, a pagar isso do seu bolso? Tudo bem que o dinheiro arrecadado precisa dar pra muita coisa, inclusive pra bancar viagens do Prefeito em aviões fretados, porque afinal de contas a gente é chic. Mas não seria obrigação do poder público viabilizar essa benfeitoria, sem dúvida alguma super importante, para os cidadãos?
Sei lá, isso pra mim é o óbvio do óbvio.

* Pra não alongar demais a conversa, só uma rápida passagem pelas exigências da padronização. Realmente não teria como escapar, já que a ideia não atende somente a uma necessidade estética. Mas me conta, quem é que está vendendo este material, que o-bri-ga-to-ri-a-men-te as pessoas estão tendo que comprar? Praticamente uma mega sena né não? Quem é o felizardo, e por que é dele o bilhete?


domingo, 25 de julho de 2010

ORGULHO E PRECONCEITO

Eu acho que tem muita confusão em torno dessa idéia de orgulho. Pra mim deveria ser uma referência somente daquilo que a gente tem participação direta. Exemplo prático: Gisele Bündchen não tem porque ser orgulhosa de sua beleza, mas tem tudo a ver o orgulho do que fez com esse atributo natural. Outro: Orgulho de ser brasileiro... Ahn? Nem orgulho e nem vergonha. Por que ter nascido aleatoriamente numa parte do mundo seria motivo pra qualquer uma das duas opções? Orgulho da família... Bom, esse até cola, porque a pessoa pode se sentir orgulhosa da forma como encaminhou esse setor da sua vida, ainda que muito deste caminho tenha sido feito por eventos aleatórios.
Bom, orgulho gay. Outro meio sem pé nem cabeça. Ninguém escolhe ser gay e não faz qualquer esforço pessoal para determinar sua sexualidade. Não há mérito, e da mesma forma não há demérito. Ser gay é mais ou menos como ser brasileiro, muita gente se pudesse ter escolhido não seria nenhum dos dois.
Então, isso tudo pra falar de uma coisa muito legal que acontece mundo afora, e que hoje rola em BH, a Parada do Orgulho Gay. Claro, já deu pra perceber que na minha opinião o nome é meio equivocado, o que não tira a importância do evento. Para os idiotinhas que contrapõe com a não existência de Parada do Orgulho Hetero, além de lamentar a sua burrice, a gente só pode lembrar que ninguém é hetero. Heteros são médicos, pedreiros, advogados, lixeiros, gordos, altos, ladrões, de olhos verdes, carecas, mancos, lindos... Qualquer coisa, menos heteros. Com gays também deveria ser assim, mas não é. A parte gay sobrepõe todas as outras e também o todo.  Sentiu a diferença? Daí a necessidade de ações deste tipo.
O mais importante desta marcha colorida pela cidade deveria ser a visibilidade. Parada da Visibilidade Gay. É, Harvey Milk, como a gente aprendeu no filme sobre ele, dizia da importância da visibilidade. Sempre pensei assim também, por um raciocínio super simples. Todo preconceito vem do desconhecimento, e não há uma só pessoa no mundo inteiro que não tenha convivência com gays. O que acontece é que muitas dessas pessoas nem sonham que se relacionam com rapazes e moças alegres bem mais do que pensam. Toda família tem um filho, um primo, um sobrinho, um tio, até mesmo um pai ou uma mãe gay. As vezes na verdade a tropa toda - filho-tio-sobrinho-irmão e o escambau. Como nem todo gay usa maquiagem e nem toda sapata calça social e cinto de curvim, acaba que tudo passa despercebido e assim as pessoas podem ter preconceito contra aquele povo distante. Numa comparação meio exdrúxula, o que interfere mais na consciência, um conhecido ou mil estranhos numa estatística? De novo, coisa simples, você vai dar mais atenção à dengue quando morrer um filho seu do que enquanto ler que morreram 500 no Brasil.
É isso, Parada da Visibilidade Gay, pra mostrar que "esse povo" está mais presente do que você imagina. Lógico, 3 milhões na Parada de São Paulo não significam nada diante da descoberta que seu melhor amigo, aquele parceirão, é gay. Puxa vida, o cara é tão legal né, e vê só, é gay...
Pena que em grande parte o carnaval na rua acabe se esgotando em si mesmo. É, porque na maioria das vezes, a animação atrás do trio elétrico se transforma em sorriso amarelo no dia seguinte. Sabe né, naquela hora que o evento vira a piada na roda de cafezinho da repartição e o sujeito que bateu cabelo na avenida faz que não é com ele. No dia seguinte, o que era um animado orgulho vira de novo vergonha e conduz de novo o ex-orgulhoso pra dentro do seu nem sempre confortável, mas aparentemente seguro armário. 
A mídia também sempre coopera na cobertura, tratando a manifestação como algo pitoresco e engraçado, focado nas montagens das drags e nos corpões pelados em cima de caminhões. Não, não, nada contra. Tem gente preconceituosa dentro do preconceito que quer taxar o modo de vida dos outros. Patrulham em cima de um jeito certo de ser gay. É, o mesmo pessoal que reclama quando tem alguma pintosa em novela, como se elas não existissem e pior, como se não tivessem o direito de existir e ser como são. A crítica pra mídia aqui vai no sentido de não contemplar a diversidade e focar somente nos personagens que podem com maior facilidade render algum tipo de deboche. Desserviço total.
Falei mal da Parada? Acho que não, apenas botei uns contras em cena, mas são muitos os prós. Só o fato de milhares de pessoas irem pra rua em torno da idéia de querer ser igual nas suas diferenças vale a festa.
É sempre bom lembrar que ninguém precisa aceitar nada, apenas respeitar e cuidar da sua própria vida em vez de ficar se metendo na vida dos outros. Não gostou? Acostume-se, estamos aqui, e viemos para ficar.

domingo, 4 de julho de 2010

PARABÉNS BH (QUE EU VEJO)!

Pois é, chegou o dia. Hoje estamos completando exatos dois anos da primeira postagem, aquela que mostrava a vista da janela da minha cozinha, lembra? Claro que não né, talvez você nem lesse o blog naquela época, talvez até você esteja lendo hoje pela primeira vez. Pra tudo tem o arquivo, se ficou curioso, vai lá, no dia 04 de julho de 2008.
Engraçado que o primeiro ano passou batido. Sei lá, pode ser que eu não estivesse muito ligado no blog na época, ou provavelmente eu nem tivesse noção de como o tempo tinha passado. Claro, o tempo está passando muito rápído, e isso é um fato, não uma sensação. Nem me pergunte como explicar uma história dessas cientificamente, mas que está, está. 
Teorias a parte, o post de hoje é só para marcar data. Quem me conhece de perto sabe que não considero comemorações de aniversário fora do dia. Quando falam assim, ah seu aniversário caiu na quarta, comemora no sábado... Tá, se for prá comemorar no sábado, pode ser em qualquer sábado do ano, já que não vai ser meu aniversário mesmo né?
A ilustração do post também tem a ver, não com data, mas com o nome do blog. Aqui em BH os ipês são meio que árvores típicas, estão por toda a cidade. E o mais legal, no inverno florescem, e fica tudo assim, lindo e colorido. Aqui perto de casa são muitos, coincidentemente todos rosa, então fui ali na rua e fotografei alguns pra esse post comemorativo. Bom que a idéia casa com uma coisa que quero voltar a fazer, e marco de datas sempre é bom pra isso. Quero voltar a colocar fotos que eu mesmo faço aqui, em vez de só ficar pescando ilustração no google. Não sou nenhum fotografo e a minha cam que já foi o máximo hoje está bem obsoleta. Mas super dá pro gasto e acho que assim tudo fica mais pessoal, além do que eu acho fotografar bem legal.
Encurtando o assunto, vou lembrar que tá rolando uma promoção aqui, lembra? A do aniversário. Tudo bem, tá valendo pro mês todo, e isso pode ser um pouco contraditório com meu lema sobre comemorações de aniversários. Mas aí é um pouco diferente, porque como promoção pode durar dentro do mês todo né? Pode? É, pode...
Então, vai ali no alto da página, onde tem as palavras Início e Promoção. Início é aqui, onde você está. Clicando em promoção vai cair na página que explica direitinho o que fazer e o que ganhar.
Bom, estou aguardando sua participação e valeu demais essa companhia por dois anos, que espero se tornem muuuuiiiitos mais.