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domingo, 13 de abril de 2014

ONTEM EU FUI AO CINEMA SOZINHO

Ganhei a noite de sábado duas vezes. Uma, por assistir, e me emocionar até as tampas com o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", a outra, por conhecer um novo cinema aqui em BH. Novo pra mim, ele já tem um tempinho, mas eu nunca tinha ido. O filme está em exibição numa sala do Belas Artes, que eu adoro, e em única sessão neste outro espaço, o Cine 104, que optei para aproveitar e conhecer. Daí passei a adorar também. 
Ao filme! Então, adotando uma prática que vem sendo bem recorrente aqui, reproduzo o breve comentário que fiz no facebook:
Sempre acho engraçada a pretensão embutida na frase “mereceu todos os prêmios que ganhou”. Tipo: É, vocês até que acertaram, agora que EU confirmei.
Mas, "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" mereceu todos os prêmios que ganhou, fora os muitos outros que provavelmente ainda ganhará. 
Não sou crítico de cinema (essa pretensão nunca tive), mas posso dizer daquilo que me toca. E esse filme, fora a emoção e a qualidade inquestionável na realização, ainda é um instrumento inestimável na jornada da inclusão e do respeito à diversidade.
Dá vontade de enumerar algumas cenas de inevitável nó na garganta. E muuiiita vontade de sair comentando do final. Mas essa porrada cada um tem que levar, de surpresa, pra ser ainda mais legal.
Vai ver e me conta. Duvido muito que uma única pessoa saia do cinema do mesmo jeito que entrou.
 

*Fiz essa "abertura" pra divulgar o post nas redes sociais. Depois pensei que seria bom se ela também ficasse registrada, junto com ele. Então hoje resolvi acrescentar aqui:
"Felizmente o mundo está indo adiante, mesmo que com dois passinhos pra frente e um pra trás.
Passo pra frente, por exemplo, foi a realização de um filme como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, algo impensável ha uns meros cinco anos atrás.
Uma pessoa me disse que ele prega uma certa "facilidade", poucos conflitos, na questão gay. E que isso geraria frustração nas pessoas do mundo real, por não entenderem então porque pra elas é tão difícil.
Mas sim, de fato, hoje é tudo muito mais simples. Não podemos ver o filme com os olhos de nossas gerações (nós, que já estamos aqui há mais tempo).
Dificuldades e conflitos ainda existem, claro. Mas considero um mérito o filme mostrar que não, nada precisa ser tão conflituoso assim, e apresentar a naturalidade (não a normalidade) da homossexualidade.
De novo dou os parabéns ao diretor Daniel Ribeiro".

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A PRAÇA, E A LIBERDADE

Beagá Que Eu Vi inda agorinha.
Praça da Liberdade, que amo,
a praça
e a liberdade.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

BEAGÁ QUE EU VI

Meio na onda da facilidade de postar o já postado, recolhi duas historinhas do final de semana, postadas no facebook, e passei pra cá. Achei legal esse título, "Beagá Que Eu Vi". De repente vira uma série né? Quem sabe.

Outro motivo de trazer pro blog é que, cada vez mais, eu percebo como é difícil resgatar coisas no facebook. Então, vindo pro blog, fica mais fácil de achar, caso eu queira, ou precise.

É isso. Olha aí as histórias:

I 

Início da noite fui dar uma volta na Praça da Liberdade e vi dois caras embolados num banco dando um amassinho de leve.
Mesmo com a vista (bem) treinada para a cena, confesso que tive uma ponta de constrangimento e uma indisfarçável vontade de ficar olhando.
Mas, por fim, fiquei foi feliz em ver o amor, ou o amasso, ser praticado em público, sem medo.

(Foto meramente ilustrativa, pescada no google)


II

Descendo a rua da Bahia, vi que tinha uma movimentação na Praça Afonso Arinos, um povão na rua e um som rolando.
Desviei o caminho e desci até lá, pra ter uma ótima, sensacional surpresa.
Quem estava tocando era a Absinto Muito, banda do meu amigo Efe Godoy, que eu nunca tinha visto ao vivo.
Fiquei IMPRESSIONADO o tanto que era bom, e o tanto que o povo pulava enlouquecido na rua. Mas IMPRESSIONADO MESMO!
Sem palco, só uma tendinha ali no canteiro do meio da Álvares Cabral, mas o pau quebrando com força.
IMPRESSIONADO define a minha sensação. Arrepiado, o meu físico.  :)

(Foto também do google, que saquei não ser muito nova. Se os meninos da banda tiverem outra - com crédito - por favor,enviem.) 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

DANIELA, VEM PRA PARADA!

Daniela Mercury participou pela primeira vez da Parada do Orgulho Gay, LGBT, visibilidade, seja o que for, em São Paulo.

E, pela primeira vez, a mídia subverteu a tradição das coberturas, de sempre explorar SOMENTE o caricato. Claro, ainda fez isso, mas a cantora famosa abriu novas abordagens.

Então, que tal se ela viesse também para a Parada de BH? Tá, não é tão grande e nem tão famosa quanto a de São Paulo, mas leva muita gente e é bem legal. Com a presença dela então heim? Vai bombar!

Vamos começar a campanha? Como quero reivindicar a ideia, e também o início das atividades, faço isso neste blog paradinho, assim registro a data de onde tudo começou. Tá, isso ficou meio chatinho, eu sei. Mas, quem entre nós não tem suas vaidades?  ;)

Bora lá?

DANIELA, VEM PRA PARADA!

* Peguei a foto no Google, e não tinha créditos. Se for sua, por favor, avise.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ONTEM FOI DIA DE DERMATOLOGISTA BEBÊ

Primeiro, será que deu pra sentir que o título seria HOJE FOI DIA...? 
Pois é, este era o título mesmo. Mas, procrastinação, blablabla, virou ontem. E procrastinação das grossas viu, porque o plano era fazer o que realmente vou fazer: Reproduzir aqui o  "Questão de Pele", naquele velho esqueminha de subir post, lembra?
A atualização tem dois motivos. Truque pra renovar o blog, que anda parado demais, e citar o nome da dermatologista já falada lá trás. Então, ontem contei pra ela de ter falado sobre as consultas aqui, frisando não ter citado nomes, a não ser que ela autorizasse. 
Autorizou, digo, Alba Valéria. Atende ali, no Barro Preto. Informação pra quem é de BH, lógico. Podem continuar perguntando por e-mail e no facebook que indico. Sou bem chato pra indicar qualquer coisa, porque me sinto responsável. Mas no caso dela vou tranquilo, e sei que já teve gente indo lá.
Então é isso, vou colar o anterior aqui. 
Se dessa vez teve amostrinha grátis? 'Divinha...  :)

QUESTÃO DE PELE

Eu adoro ir na minha dermatologista, e hoje foi dia. Adoro por vários motivos. Um é que a gente não espera um minuto, vai chegando e sendo atendido. Hoje nem sentei na sala de espera, cheguei e fui entrando. Tá, eu sempre me atraso, talvez por isso não espere. Hoje, por exemplo, atrasei uns 20, ou 25 minutos, sei lá...
Outro motivo é que ela é lin-da! A pessoa certa na profissão certa. Uma pele de seda, mas daquelas peles naturais, não dessas que muita gente que lida na área tem, uma coisa meio brilhante. A dela não, é um veludo mesmo. Tem um pouquinho de olheiras, mas que ficam super bem no conjunto da obra. Ah, também é simpática, desses médicos que conversam, sorriem e até aceitam umas brincadeirinhas sem ficar olhando pra nossa cara com ar de paisagem.
Mais um motivo: Ela me dá milhões de amostras grátis. Amo sair de lá carregado de frasquinhos miúdos e bonitinhos. Sempre, junto com a receita, vem a amostra. Logo, economizo na farmácia. O que é ótimo né, porque produtos de dermatologista custam os olhos da cara.
Hoje fui por causa de uma "feridinha" que insiste em aparecer debaixo do meu olho direito. Começou no ano passado, tratei com essa médica mesmo e foi bom. Mas o problema é que sempre volta. Aí, se uso a pomada que ela tinha me receitado, e dado, some. Um tempo depois, já começam as casquinhas, o ponto vermelho e tal. Dessa vez ela mudou o tratamento e, claro, me deu os remédios.
Outra coisa é que minha careca de máquina zero produz umas asperezas não visíveis, só perceptíveis ao toque. Se vou deixando, começam a aparecer, primeiro vermelhas, depois semelhantes a uns arranhões. Coisa de sol. Mesmo usando boné constantemente, o troço volta. Daí precisa queimar com frio. Isso mesmo, usam nitrogênio a menos 200 graus, acho impressionante. Na verdade, é uma coisa bem simples, feita ali mesmo, sentado na frente da mesa dela. Hoje inovou, só haviam uns poucos pontos sensíveis ao toque e ela queimou com um ácido. Pelo menos foi o que disse. Passou o troço com um cotonete, deu uma ardida e pronto.
Bom, como eu ia só lá, nem precisava de bolsa. Maaasss, já imaginando a feirinha que poderia fazer, dei uma esvaziada básica na que eu tô usando, pra não precisar carregar peso, e levei. Feliz providência...
No final da consulta, já com as caixas dos remédios, perguntei: 
Posso ser cara de pau?
Ela, muito legal e muito linda, respondeu que sim.
Então perguntei se não tinham umas amostras de protetor solar. Já viu né, isso pra mim é ouro, independente de poesias recitadas por apresentadores de TV. Menino, ela encheu a mão, e eu enchi a bolsa. Tão bunitinhas as bisnaguinhas que ela me deu...
Amei refazer o estoque.

domingo, 22 de julho de 2012

OS BEM COMPORTADOS

Existe um segmento no universo gay, ou talvez mais de um segmento, uma vez que este grupo é bastante segmentado, que busca a "aceitação" como prêmio pelo bom comportamento. Então tudo prejudica estas pessoas, por danos de imagem. A bicha pintosa, as travestis, os que dançam descamisados na buatch, aquele povo que só pensa em pegação, enfim, todo mundo que, de alguma maneira, possa parecer agressivo frente aos heterossexuais, suas famílias, religiões e normas. 
Naturalmente, estes segmentos também são contra, e descem o malho, nas Paradas Gays LGBT que rolam pelo mundo afora. Entre outras coisas, tacham de despolitizadas (ham-ham, quem não consegue diferenciar respeito de aceitação é bem politizado), de micaretas, de meras oportunidades pra beijar na boca, de show de drag e por aí vai.
Acho que fui a todas as Paradas de BH, ou se perdi no máximo foram uma ou duas. Afirmo, sem medo de errar, que as Paradas, todas, não só as de Belo Horizonte, são politizadas. Não fosse por mais um monte de coisas, só a sua realização já é um ato político.
Na Parada tem trava? Tem sim senhor! Na Parada tem pegação? Tem sim senhor! Na Parada tem trio elétrico? Tem sim senhor. E o gay, o que é? É um cidadão como outro qualquer, cuja única diferença é amar, ou transar, com alguém do mesmo sexo.
Por que então ser tratado como cidadão de segunda categoria? Pior, por que ser tratado como ser humano de quinta categoria? Seria realmente muito bom que não fosse preciso fazer parada nenhuma. Seria muito bom que todos pudessem ser iguais em suas diferenças. Bom seria também se todos entendessem que ninguém precisa de aceitação. O que se pede, ou pelo menos deveria ser pedido exigido, por todos, é respeito. Enquanto alguns não entenderem o que essa mudança de exigência significa, vão continuar com suas críticas vazias, fomentando o preconceito dentro do preconceito.
Já disse outras vezes, mas acho sempre bom repetir. Não se pode pregar um jeito certo de ser gay, em oposição ao jeito errado de ser. A palavra de ordem "diversidade" precisa contemplar exatamente isso, a diversidade. Cada um tem o direito de ser como é, do jeito que se sentir bem, desde que não prejudique o outro.
Estas correntes costumam dizer: Pra ser gay, não precisa ter voz fina. Precisar não precisa, mas se tiver, ou quiser ter, não é problema seu. Pra ser lésbica não precisa se masculinizar. Precisa? Não, não precisa. Mas se a moça quiser ter pinta de macho, no que isso afeta o outro? Constatar que a diferença existe, até mesmo colocar apelidinhos diferenciando uns dos outros, é uma coisa. Pregar contra, aí não, aí já é fazer o jogo do homofóbico.
Meninos bem comportados, façam seus esqueminhas de aceitação. Abaixem as suas cabeças e façam tudo o que seu mestre mandar. Agora, deixem o pessoal ferver nas Paradas, na noite, tirar suas camisas ao som de música eletrônica, vestir de mulher, dar muita pinta nos palcos. Numa sociedade heteronormativa, o próprio fato de ser gay já é uma transgressão. Talvez um dia, além de aceitos, vocês se descubram também respeitados. Aí não vai ser preciso nem agradecer. Cada um que batalhou por isso já vai se sentir bastante recompensado por poder levar a vida com a dignidade que merece.

* A foto foi pescada no Portal R7, com crédito para o jornal Hoje em Dia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ORGULHO E PRECONCEITO

Pois é, blog parado e agora post repetido. 
Alguém aí deve lembrar de uma época que fiz isso, andei subindo uns posts mais velhos pra "aproveitar" leitores novos. É, porque ninguém que entra aqui vai ficar rolando a página e muito menos mudando de uma pra outra. Claro que, como tudo mais nesse blog, foi uma fase e depois parou.
Hoje estou repostando um texto de 2010, pra falar da Parada do Orgulho Gay, ou seja lá que nome tenha, seguido da sigla LGBT. Vou repetir porque acho que ficou bom e, pra falar a verdade, não tem muito a acrescentar, mesmo passados 2 anos.
Então, vamos lá. O objetivo é lembrar que domingo tem a Parada de novo. Vamos?






Eu acho que tem muita confusão em torno dessa idéia de orgulho. Pra mim deveria ser uma referência somente daquilo que a gente tem participação direta. Exemplo prático: Gisele Bündchen não tem porque ser orgulhosa de sua beleza, mas tem tudo a ver o orgulho do que fez com esse atributo natural. Outro: Orgulho de ser brasileiro... Ahn? Nem orgulho e nem vergonha. Por que ter nascido aleatoriamente numa parte do mundo seria motivo pra qualquer uma das duas opções? Orgulho da família... Bom, esse até cola, porque a pessoa pode se sentir orgulhosa da forma como encaminhou esse setor da sua vida, ainda que muito deste caminho tenha sido feito por eventos aleatórios.
Bom, orgulho gay. Outro meio sem pé nem cabeça. Ninguém escolhe ser gay e não faz qualquer esforço pessoal para determinar sua sexualidade. Não há mérito, e da mesma forma não há demérito. Ser gay é mais ou menos como ser brasileiro, muita gente se pudesse ter escolhido não seria nenhum dos dois.
Então, isso tudo pra falar de uma coisa muito legal que acontece mundo afora, e que hoje domingo rola em BH, a Parada do Orgulho Gay. Claro, já deu pra perceber que na minha opinião o nome é meio equivocado, o que não tira a importância do evento. 
Para os idiotinhas que contrapõe com a não existência de Parada do Orgulho Hetero, além de lamentar a sua burrice, a gente só pode lembrar que ninguém é hetero. Heteros são médicos, pedreiros, advogados, lixeiros, gordos, altos, ladrões, de olhos verdes, carecas, mancos, lindos... Qualquer coisa, menos heteros. Com gays também deveria ser assim, mas não é. A parte gay sobrepõe todas as outras e também o todo.  Sentiu a diferença? Daí a necessidade de ações deste tipo.
O mais importante desta marcha colorida pela cidade deveria ser a visibilidade. Parada da Visibilidade Gay. É, Harvey Milk, como a gente aprendeu no filme sobre ele, dizia da importância da visibilidade. Sempre pensei assim também, por um raciocínio super simples. Todo preconceito vem do desconhecimento, e não há uma só pessoa no mundo inteiro que não tenha convivência com gays. O que acontece é que muitas dessas pessoas nem sonham que se relacionam com rapazes e moças alegres bem mais do que pensam. Toda família tem um filho, um primo, um sobrinho, um tio, até mesmo um pai ou uma mãe gay. As vezes na verdade a tropa toda - filho-tio-sobrinho-irmão e o escambau. Como nem todo gay usa maquiagem e nem toda sapata calça social e cinto de curvim, acaba que tudo passa despercebido e assim as pessoas podem ter preconceito contra aquele povo distante. Numa comparação meio esdrúxula, o que interfere mais na consciência, um conhecido ou mil estranhos numa estatística? De novo, coisa simples, você vai dar mais atenção à dengue quando morrer um filho seu do que enquanto ler que morreram 500 no Brasil.
É isso, Parada da Visibilidade Gay, pra mostrar que "esse povo" está mais presente do que você imagina. Lógico, 3 milhões na Parada de São Paulo não significam nada diante da descoberta que seu melhor amigo, aquele parceirão, é gay. Puxa vida, o cara é tão legal né, e vê só, é gay...
Pena que em grande parte o carnaval na rua acabe se esgotando em si mesmo. É, porque na maioria das vezes, a animação atrás do trio elétrico se transforma em sorriso amarelo no dia seguinte. Sabe né, naquela hora que o evento vira a piada na roda de cafezinho da repartição e o sujeito que bateu cabelo na avenida faz que não é com ele. No dia seguinte, o que era um animado orgulho vira de novo vergonha e conduz de novo o ex-orgulhoso pra dentro do seu nem sempre confortável, mas aparentemente seguro armário. 
A mídia também sempre coopera na cobertura, tratando a manifestação como algo pitoresco e engraçado, focado nas montagens das drags e nos corpões pelados em cima de caminhões. Não, não, nada contra. Tem gente preconceituosa dentro do preconceito que quer taxar o modo de vida dos outros. Patrulham em cima de um jeito certo de ser gay. É, o mesmo pessoal que reclama quando tem alguma pintosa em novela, como se elas não existissem e pior, como se não tivessem o direito de existir e ser como são. A crítica pra mídia aqui vai no sentido de não contemplar a diversidade e focar somente nos personagens que podem com maior facilidade render algum tipo de deboche. Desserviço total.
Falei mal da Parada? Acho que não, apenas botei uns contras em cena, mas são muitos os prós. Só o fato de milhares de pessoas irem pra rua em torno da idéia de querer ser igual nas suas diferenças vale a festa.
É sempre bom lembrar que ninguém precisa aceitar nada, apenas respeitar e cuidar da sua própria vida em vez de ficar se metendo na vida dos outros. Não gostou? Acostume-se, estamos aqui, e viemos para ficar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O PREÇO DAS COISAS, MAIS UMA VEZ

Quando pensei no título desse post, ia colocar "O Preço das Coisas - 2", porque lembrava de já ter usado antes. Recorrendo à pesquisa do blog, pra ver a data, percebi que, na verdade, já tinha usado era um monte de vezes, nem sempre como título, algumas como expressão. Aí ficou esse "mais uma vez". Sei lá, de repente vira uma série né, igual a tantas outras descontinuadas deste blog.
Indo direto (?) ao ponto, mais uma postagem médica. Não que eu seja hipocondríaco (tá, eu sou um pouco sim), mas é que o caso de preço aqui envolve remédio.
Bom, eu tenho uma paradinha meio sinistra na coluna, daí o médico me sugeriu um tratamento com um medicamento que pode dar certo ou não. Independente do sucesso, meu comprometimento tem que ser de no mínimo dois anos, porque só aí é que vai aparecer algum resultado em exames. Pois bem, esse assunto gerou um enorme blablablá, que não vou entrar em detalhes. O fato é que o tal do remédio fica mais barato manipulado, como aliás todo medicamento (acho).
Agora entra o absurdo da história toda. Quando a gente tem uma fórmula pra manipular, ela, naturalmente, é a mesma pra todo mundo. Meio óbvio isso. Então por que os preços conseguem ser tão diferentes, tão ABSURDAMENTE diferentes de uma farmácia pra outra?
Vou dar o nome aos bois. Vai que de repente tem alguém lendo isso aqui, pronto pra ir numa farmácia. O nome do remédio não vou falar, mas posso dizer que a receita foi de sachês suficientes para 3 meses. Mais ou menos, na verdade, 90 dias.
Então:
Farmácia Universal, na Floresta: R$ 191,00
Drogaria Araújo (que atende também manipulação): R$ 161,00
Neopharma, em Santa Efigênia, com matriz no Santo Agostinho: R$ 101,00
Isso mesmo, centoeumreais!
Agora, me conta. O que justifica um disparate desses? Os "ingredientes" não são os mesmos e a mistura igual?
Noventa paus de diferença? Tem dó né gente... 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUESTÃO DE PELE

Eu adoro ir na minha dermatologista, e hoje foi dia. Adoro por vários motivos. Um é que a gente não espera um minuto, vai chegando e sendo atendido. Hoje nem sentei na sala de espera, cheguei e fui entrando. Tá, eu sempre me atraso, talvez por isso não espere. Hoje, por exemplo, atrasei uns 20, ou 25 minutos, sei lá...
Outro motivo é que ela é lin-da! A pessoa certa na profissão certa. Uma pele de seda, mas daquelas peles naturais, não dessas que muita gente que lida na área tem, uma coisa meio brilhante. A dela não, é um veludo mesmo. Tem um pouquinho de olheiras, mas que ficam super bem no conjunto da obra. Ah, também é simpática, desses médicos que conversam, sorriem e até aceitam umas brincadeirinhas sem ficar olhando pra nossa cara com ar de paisagem.
Mais um motivo: Ela me dá milhões de amostras grátis. Amo sair de lá carregado de frasquinhos miúdos e bonitinhos. Sempre, junto com a receita, vem a amostra. Logo, economizo na farmácia. O que é ótimo né, porque produtos de dermatologista custam os olhos da cara.
Hoje fui por causa de uma "feridinha" que insiste em aparecer debaixo do meu olho direito. Começou no ano passado, tratei com essa médica mesmo e foi bom. Mas o problema é que sempre volta. Aí, se uso a pomada que ela tinha me receitado, e dado, some. Um tempo depois, já começam as casquinhas, o ponto vermelho e tal. Dessa vez ela mudou o tratamento e, claro, me deu os remédios.
Outra coisa é que minha careca de máquina zero produz umas asperezas não visíveis, só perceptíveis ao toque. Se vou deixando, começam a aparecer, primeiro vermelhas, depois semelhantes a uns arranhões. Coisa de sol. Mesmo usando boné constantemente, o troço volta. Daí precisa queimar com frio. Isso mesmo, usam nitrogênio a menos 200 graus, acho impressionante. Na verdade, é uma coisa bem simples, feita ali mesmo, sentado na frente da mesa dela. Hoje inovou, só haviam uns poucos pontos sensíveis ao toque e ela queimou com um ácido. Pelo menos foi o que disse. Passou o troço com um cotonete, deu uma ardida e pronto.
Bom, como eu ia só lá, nem precisava de bolsa. Maaasss, já imaginando a feirinha que poderia fazer, dei uma esvaziada básica na que eu tô usando, pra não precisar carregar peso, e levei. Feliz providência...
No final da consulta, já com as caixas dos remédios, perguntei: 
Posso ser cara de pau?
Ela, muito legal e muito linda, respondeu que sim.
Então perguntei se não tinham umas amostras de protetor solar. Já viu né, isso pra mim é ouro, independente de poesias recitadas por apresentadores de TV. Menino, ela encheu a mão, e eu enchi a bolsa. Tão bunitinhas as bisnaguinhas que ela me deu...
Amei refazer o estoque.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"UM INIMIGO DO POVO" É ARREBATADOR

Começo este post manifestando um grande arrependimento, fruto da minha procrastinação. Venho tendo boas ideias para escrever, e até mesmo vontade. Maaasss, como bom procrastinador, fico quietinho até a vontade passar.
O meu arrependimento se deve ao tema que resolvi escrever hoje. Explico: Tudo o que eu tinha pensado antes, e não postei, de certa forma seria a pavimentação de um caminho pra chegar até aqui. Acho então que a coisa vai ficar meio de trás pra frente, ou seja, ainda vou voltar aos tais assuntos.
Sem mais enrolação, o caso é o seguinte. Sábado eu fui à estreia de um espetáculo. Claro, estava com preguiça de ir, como de resto sempre tenho preguiça de sair de casa, seja para o que for. De mais a mais, havia também um certo medo em relação à peça. Temia que fosse chata e, pior, que me desse sono. Existe coisa pior do que ter sono dentro de cinema ou teatro? A gente começa a pescar, fica vigilante em excesso pelo medo do ronco e todo este esforço gera um mal estar sem tamanho. Por outro lado, toda a discussão proposta pelo texto e pela montagem eram um incentivo, uma vez que, como dá pra perceber pelo início do post, tinham a ver com minhas elocubrações atuais.
Felizmente, nessa batalha entre a preguiça e a curiosidade, venceu a segunda, e eu fui. Vou muito ao teatro, todo mundo sabe, por prazer ou dever. Pois tenho a declarar solenemente que, poucas vezes nos últimos tempos, acertei tanto em uma decisão. "Um Inimigo do Povo" é simplesmente sen-sa-ci-o-nal!
Você é um homem livre? Essa provocação vem permeando toda a divulgação da peça, e eu te convido a refletir aqui e lá no Teatro Marília: Você, que me lê, é um homem livre? Pois eu digo, de todas as pessoas que conheço, talvez eu seja hoje a mais livre. Mesmo assim constato, lamentavelmente, que estou longe de poder bater no peito e declarar total liberdade. E olha que batalhei e batalho por isso. Não foram poucas as coisas das quais abri mão em nome desse valor maior. Tá, no momento paro por aqui, porque o assunto não sou eu, mas a peça. Depois, no caminhar daquelas conversas que deveriam ter precedido essa, a gente, quem sabe, volte nesse assunto.
"Um Inimigo do Povo" pra mim, trata justamente disso, da possibilidade, melhor, da impossibilidade de ser livre. É teatro político da melhor qualidade e, antes que você diga que não gosta de política, vou lembrando que todo mundo vive política o dia inteiro. Difícil algum ato cotidiano que não seja político. Pois é, acontece que a política mais identificada pelo senso comum é essa aí, da luta pelo poder, que talvez você não goste, ache suja. Mas o jogo é esse, mostrá-la suja justamente pra que você não goste, e então os que optaram por chafurdar na lama possam se aproveitar a vontade. Acorda! Precisamos arregimentar os mocinhos, porque bandido já tem demais.
Então, voltando à peça e suas impossibilidades. Como general da banda vem o Senhor Dinheiro, aquele que faz e acontece. Pois é, ao contrário do que muito se ouve falar, o dinheiro não tira a liberdade de ninguém, pelo contrário, é talvez o maior aliado de quem se pretende livre. O problema não é ter o dinheiro, mas sim ganhá-lo. Imagina só, você, por um golpe de sorte, é um rico herdeiro ou amealhou uma boa fortuna, o suficiente pra viver dos rendimentos. Essa fortuna te liberta. Então tá, o sujeito é rico, logo é livre. Ram, capaz! E as milhões de convenções e obrigações sociais? As relações familiares, a camaradagem entre amigos... Tem como ser livre atrelado a essas condições? E a vaidade, o pecado predileto do diabo? Salvo raríssimas exceções (devem existir, embora eu não conheça) todo mundo é prisioneiro da vaidade, porque quer ser admirado ou, no mínimo, quer ser aceito.
Tudo isso está ali, em "Um Inimigo do Povo". A peça começa devagarzinho, mas um devagar agradável, que não pesa seus olhos. É legal ver a linguagem mais rebuscada dos diálogos, ir descobrindo aos poucos os personagens e como vai se desenvolver a trama. Depois é um crescente, daqueles que não se consegue determinar onde começou. Dessa decolagem sem marca evidente em diante, a coisa pega fogo e os diálogos, super inteligentes, se tornam embates de interpretações vigorosas, raras de se ver hoje em dia. Tá, o elenco não é completamente homogêneo, mas prefiro citá-lo genericamente. Sou livre, mas não sou sacana.  :) 
Alguém pode virar e dizer: Ichhhh, mas esse texto é velho demais! Embora eu teoricamente "desconcorde", porque obviamente clássicos não têm idade, também tive medo de ver um espetáculo datado. Outra agradável surpresa, porque o tema é super pertinente, justamente para este momento que vivemos agora, e a feliz adaptação do texto, aliada à direção, faz com que pareça ser algo escrito hoje, ou melhor, há uns meses atrás, pra dar tempo de ensaiar né?
Para concluir, certamente não estarei praticando nenhum spoiler ao citar uma frase da peça, uma vez que é provavelmente a mais conhecida do original: "O homem mais poderoso do mundo é aquele que está mais só". Diante de tudo o que já foi dito aqui, esta torna-se uma verdade verdadeira. Liberdade é poder, e para ser livre, livre de verdade, é preciso estar só.
Em uma palavra, "Um Inimigo do Povo" é arrebatador. Vencido pela timidez, não expressei ao vivo, da platéia, o que desengasgo agora:
BRAVO! 

"UM INIMIGO DO POVO" - De quinta a sábado às 20h30; domingos às19h até 27/11/2011. Teatro Marília, Avenida Alfredo Balena, 586 - Centro - BH.
   

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A CANTORA TITANE E A PRESIDENTE DILMA

Fui ontem ao Parque Municipal para a última edição de 2011 do projeto musical patrocinado pelo Sesc, que rola aos domingos pela manhã. Idealizado e tocado pelo produtor Pedrinho Alves Madeira, é com certeza um dos programas mais legais de Belo Horizonte.
Pra mim o destaque do dia, sem dúvida nenhuma, era a Titane, de quem sou fã incondicional. Ela dividiu o palco com o Boca Livre, que também é legal, mas acho que perto dela fica até uma covardia. Difícil segurar a onda depois que ela sai de cena deixando o povo aceso com tanta energia.
Aí entra o motivo do post, além, é claro, de elogiar o sempre elogiável projeto, e desejar vida longa a ele.
Bom, a Titane deveria ser uma das cantoras mais famosas do Brasil, se não A mais famosa. Indo além, ela deveria ter também uma enorme repercussão internacional.
Aos fatos: Ela tem uma voz incomum, que sabe usar e abusar como ninguém. Ela tem um trabalho mega sério, e de muita, mas muuuuiiiita qualidade. Mesmo assim, o que ela faz não tem nada de hermético, pelo contrário, é até bem comercial, acessível para qualquer público e não voltado para "iniciados". Ela é carismática pra além da conta. Ela é linda em cena. Ela dança com uma expontaneidade genuína e contamina todos ao redor. Ah, ela também toca tambor.
Eu sei, pelo que conheço dela, que a fama, nesse conceito oco de hoje em dia, não faz parte do menor de seus desejos. Porém, não existe um único artista na face da terra que não deseje a fama, no sentido de atingir o maior número de pessoas. Lógico, quem fala quer ser ser ouvido. Então, além de todos os fatores citados acima, ainda existe o "ser sincero e desejar profundo". Ninguém se mantém em uma carreira por 30 anos se não tiver esse desejo sincero.
Tá, alguém pode levantar a mão e dizer: Ow! Desejar e esperar cair do céu não adianta. Supondo que esse alguém tenha razão, conheço de perto a história da nossa personagem e sei que, mesmo com toda a qualidade que tem, que por si só deveria lhe garantir o trono, ela também sempre correu atrás.
Vamos para a segunda parte do post, não sem antes deixar registrado que a Titane tem uma carreira maravilhosa e legião de fãs. Só não é a mais famosa do Brasil, como deveria ser.
Imagina agora uma pessoa a vida inteira envolvida na administração pública, passando por vários governos e escalões. Essa pessoa, embora vivendo anos a fio com política e políticos, nunca se candidatou a nada. Essa pessoa desejou, ou, pelo menos em algum momento, passou pela cabeça dela ser presidente de um país? 
Pois é, em menos de dois anos a coisa toda foi feita, e temos a primeira mulher Presidente do Brasil. Tá, todo mundo sabe que não foi exatamente ela que se elegeu, mas no frigir dos ovos o cargo é dela. Não vou entrar em nenhum mérito de governo ou eleição, esse não é o assunto de agora. O papo da Dilma aqui é outro.
Originariamente este post ia se chamar A Presidente Dilma e O Segredo. Não exatamente sobre segredos que ela tivesse ou guardasse, mas sim relacionando com o livro-filme "O Segredo". Lei da atração, desejar, canalisar energia e todo esse blablabla de universo conspirando. Aí, vendo a Titane ontem, achei que ia ficar mais legal, e completo, relacionar as duas situações.
Pra fechar, digo que não sou totalmente contra essas teorias de auto ajuda que pregam o desejar profundo e atrair aquilo que se quer. Mas, por outro lado, ficam aqui dois exemplos que vão bem contra essa maré.

Fiz fotos do show com celular de novo, e, de novo, não consegui tirar de dentro dele. Hei de aprender!  :)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

BENT É NECESSÁRIO - II

"Bent" está de volta nesse final de semana. São só três apresentações, hoje e amanhã às 20h e no domingo às 19h, no Teatro Alterosa. Você que é de BH sabe bem onde é, e é bem central, facinho de ir. Você que não é de BH acabou de saber que é um teatro fácil de ir, então já tem uma boa programação no seu passeio na nossa cidade tão bacana. Tá adorando não tá? Pode falar. :-)
Bom, já postei sobre o espetáculo aqui na época da estréia, e agora tô falando de novo, porque além de gostar da montagem acho que o tema é super oportuno, principalmente em época de eleição. Não vou te dar o trabalho de caçar aqui no blog. Vou reproduzir abaixo, apenas com algumas atualizações:

Vou muito ao teatro, por lazer e dever. Atualmente mais por lazer, já que o dever está meio no subjetivo, aquele caso que a gente vai porque é do meio, mas não com tanta obrigação quanto, por exemplo, quando é jurado de prêmio.
Nessas andanças culturais dei com os costados no Teatro Kléber Junqueira, espaço diferenciado que é um caso à parte em BH, geograficamente até meio fora do circuito. Talvez futuramente seja tema de comentário em um outro post aqui no blog. Só prá adiantar, gosto muito da proposta toda da casa.
Fui lá porque queria ver "Bent". Tinha muuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiitos anos que queria ver uma montagem dessa peça, que em alguns rasgos de entusiasmo cheguei a pensar em produzir. Mas, como na piada, sou assim. Se tenho vontade de trampar pesado, fico quietinho que aí a vontade passa.
Este texto, sucesso nos EUA e em filme, foi um dos maiores, senão o maior trunfo do diretor paulista Roberto Vignati, com quem tive a oportunidade de trabalhar em duas ocasiões. Com seu sotaque característico, Vignati falava toda hora de "Bent", sempre com orgulho e bem feliz dos resultados financeiros. Outros tempos caro Vignati...
Bom, muita enrolação prá chegar na história. Um homossexual, preso num campo de concentração nazista, desenvolve uma paixão/amor por um judeu. Este também homo, mas dentro do armário. Pois é, em campo de concentração valia mais a pena ser judeu que gay. Prá quem não conhece este lado da história, os gays, que nem eram "gays" naquela época, foram tão perseguidos pelo regime de Hitler quanto os judeus. Talvez até mais, por serem considerados os últimos na cadeia evolutiva dentro de tão brilhante ideologia. Em vez de estrela amarela no uniforme, triângulo rosa. Bonitinho né?
Kléber Junqueira (é, o nome do ator é o mesmo do teatro) e sua trupe desenvolvem o espetáculo com emoção pouco vista nos palcos atuais. Com um elenco de apoio afinado, ele e Vinicius di Castro (respectivamente o judeu gay no armário e o assumidíssimo com triangulo rosa na camisa), envolvem a platéia no jogo de sedução, e depois amor, em performances memoráveis, carregadas de verdade.
Na cena mais badalada da peça, eles transam sem se tocarem, uma vez que o contato físico era proibido e vigiado. É um momento muito legal, com boa pegada de erotismo. Não deixa de ser engraçado ver senhoras sentadinhas ouvindo os caras dizerem pau, e o que fazer com ele, até atingirem o orgasmo. É curioso observar, mas aqui, não tem nada de chulo viu, na verdade tudo soa muito poético. Fato é que, o que em outros tempos foi algo criativo e surpreendente, naturalmente hoje ganha novos contornos. Isso porque na época transar era no pega prá capar mesmo né, e hoje muuuiiita gente faz sexo sem se tocar. Alguns inclusive SÓ fazem assim. Os orfãos do 145 e usuários de chats de sacanagem de internet sabem bem o que eu tô dizendo. Agora, de forma alguma isso desqualifica ou enfraquece este momento, que com certeza é um dos pontos altos do espetáculo. Confesso que fiquei até um pouquinho sem graça de lembrar disso durante a peça, me senti meio fútil diante de tanta carga dramática. Mas fazer o que, pensei uai...
Enfim, "Bent" é necessário. Não fosse pela belíssima produção, esmerada não somente no que diz respeito ao elenco, mas também em todo o entorno de cenários, figurinos, iluminação e trilha sonora, valeria pela bandeira que levanta. Ééééé gente, precisa levantar bandeira sim. Em um tempo onde cada vez mais se procura tapar o sol com a peneira, precisa ser dito que iguais são tratados como diferentes.
Não adianta a Revista Veja estampar em matéria de capa que não existe preconceito e que jovens convivem bem socialmente com a homossexualidade. Não adianta a Rede Globo fazer materinha com pais e mães que "aceitam" a "condição" de seus filhos. Tá certo, pelo menos hoje uns põe a cara prá bater, e em circulação de mídia nacional. Mas isso, de forma alguma, reflete a realidade. Tentativas descaradas de esvaziar a militância, justamente diante de possibilidades concretas de conquistas, precisam do contraponto de obras como "Bent".
É datada? Ram-ram, lê jornal. Existe país implantando até pena de morte para quem tem como crime somente o fato de amar, ou no português rasgado, TER TESÃO por alguém do mesmo sexo. E aqui, no mesmo Brasil das materinhas cor de rosa, jornalzinho fuleiro e anonimo de universitários manda jogar bosta em gays no campus. Aí vem a Veja com pesquisa feita sei lá com quem dizer que os mais novinhos nâo vêm em sua sexualidade motivos de luta, mas sim algo natural. Uai, isso aí todo mundo sabe, só falta combinar com os homofóbicos. É bem hilário ver pessoas candidatas ao troféu cabeça boa por terem amigos gays dizerem que tudo bem, mas seja discreto. Tomá no sul né não? Discreto por que, se não tem nada demais?
Aff, quebra de promessa de posts curtos. Terminando este quase seminário, fica a dica-recomendação-indicação-intimação. Se você ainda não viu "Bent", não perca mais tempo. A partir daqui o post fica atualizado, com as informações de local e horário lá do principinho.
Pois é, vai lá.


domingo, 29 de agosto de 2010

NO PARQUE COM O SESC

Hoje voltei a fazer o programa legal que rola um domingo de manhã a cada mês, fora quando chega a época de chuvas. Fui no Projeto Sesc MPB. Confesso que esse ano não estou tão fiel quanto ano passado, quando o projeto começou, e eu não perdi nenhum. Até agora só fui a dois, um pouco porque minhas manhãs andam comprometidas e um pouco porque a programação me atraiu menos. Claro, os shows não são feitos só pra mim, então obviamente contemplam gostos diversos.
Muuuuuuuuuito bacana nessa história toda é o resgate de tantos artistas que o Sesc faz, junto com o produtor cultural Pedrinho Alves, que é quem toca o bonde. Nos dois que fui me deliciei com Baby Consuelo e hoje com Amelinha. Lo-ta-dos, o que me faz ter a certeza que a platéia devia tá por aí também nos que não dei as caras.
Pra quem ja conhece de ir, de ouvir falar ou até de ler no blog, vou chover um pouco no molhado dizendo que a estrutura é assim: Um músico daqui de BH (homem) divide a cena com uma cantora de fora. Abre com o cara, tem ela no meio, e finaliza com os dois. Com o corre-corre das manhãs, hoje cheguei já no meio da parte dela, e perdi o Paulinho Pedra Azul, que adoro e que é um dos artistas com carreira mais consistente por estas bandas. Bom que vi o final, e foi demais o carisma do sujeito junto com a Amelinha. Um clima tão feliz e expontâneo que não tinha como não contagiar todo mundo ali debaixo do sol. É, tem isso, pra ver o show você tem que enfrentar o maior solão, mas compensa em dia lindo de céu azul dentro de um parque em pleno centro da cidade né não?
Ver/ouvir Amelinha foi uma viagem no tempo, como de resto tem sido esse projeto. Cantoras que conduzem a gente a uma outra época, meio riponga. Dando uma panoramica no povo todo, parece que essa sensação é mais ou menos geral. A voz da mulher é uma coisa de arrepiar, ainda mais com um repertório que ajuda. Pois é, a tal da nostalgia.
Entre tantas músicas, momentos Vanuza compensados por uns larárá ou saladinha de versos. Pera aí, não tô falando mal. Desde sempre todo mundo sabe que só uso o espaço aqui pra comentar o que gosto. O que não gosto não tem a menor importância, cada um cada um. Então, só falei porque foi bem engraçado, e hoje em dia não tem como não lembrar. Vanuzar vai virar um verbo.
Como toda cantora, de vez em quando Amelinha dá uma de "homenagem às mulheres". Um destes momentos foi antes de cantar "mulher nova, bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor..." Tá bom Amelinha, longe de mim discordar, mas sabe de uma coisa, homem novo, bonito e carinhoso faz a mesma coisa.  ;-)

sábado, 29 de maio de 2010

BENT É NECESSÁRIO

Vou muito ao teatro, por lazer e dever. Atualmente mais por lazer, já que o dever está meio no subjetivo, aquele caso que a gente vai porque é do meio, mas não com tanta obrigação quanto, por exemplo, quando é jurado de prêmio.
Nessas andanças culturais dei com os costados no Teatro Kléber Junqueira, espaço diferenciado que é um caso à parte em BH, geograficamente até meio fora do circuito. Talvez futuramente seja tema de comentário em um outro post aqui no blog. Só prá adiantar, gosto muito da proposta toda da casa.
Fui lá porque queria ver "Bent". Tinha muuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiitos anos que queria ver uma montagem dessa peça, que em alguns rasgos de entusiasmo cheguei a pensar em produzir. Mas, como na piada, sou assim. Se tenho vontade de trampar pesado, fico quietinho que aí a vontade passa.
Este texto, sucesso nos EUA e em filme, foi um dos maiores, senão o maior trunfo do diretor paulista Roberto Vignati, com quem tive a oportunidade de trabalhar em duas ocasiões. Com seu sotaque característico, Vignati falava toda hora de "Bent", sempre com orgulho e bem feliz dos resultados financeiros. Outros tempos caro Vignati...
Bom, muita enrolação prá chegar na história. Um homossexual, preso num campo de concentração nazista, desenvolve uma paixão/amor por um judeu. Este também homo, mas dentro do armário. Pois é, em campo de concentração valia mais a pena ser judeu que gay. Prá quem não conhece este lado da história, os gays, que nem eram "gays" naquela época, foram tão perseguidos pelo regime de Hitler quanto os judeus. Talvez até mais, por serem considerados os últimos na cadeia evolutiva dentro de tão brilhante ideologia. Em vez de estrela amarela no uniforme, triângulo rosa. Bonitinho né?
Kléber Junqueira (é, o nome do ator é o mesmo do teatro) e sua trupe desenvolvem o espetáculo com emoção pouco vista nos palcos atuais. Com um elenco de apoio afinado, ele e Vinicius di Castro (respectivamente o judeu gay no armário e o assumidíssimo com triangulo rosa na camisa), envolvem a platéia no jogo de sedução, e depois amor, em performances memoráveis, carregadas de verdade.
Na cena mais badalada da peça, eles transam sem se tocarem, uma vez que o contato físico era proibido e vigiado. É um momento muito legal, com boa pegada de erotismo. Não deixa de ser engraçado ver senhoras sentadinhas ouvindo os caras dizerem pau, e o que fazer com ele, até atingirem o orgasmo. É curioso observar, mas aqui, não tem nada de chulo viu, na verdade tudo soa muito poético. Fato é que, o que em outros tempos foi algo criativo e surpreendente, naturalmente hoje ganha novos contornos. Isso porque na época transar era no pega prá capar mesmo né, e hoje muuuiiita gente faz sexo sem se tocar. Alguns inclusive SÓ fazem assim. Os orfãos do 145 e usuários de chats de sacanagem de internet sabem bem o que eu tô dizendo. Agora, de forma alguma isso desqualifica ou enfraquece este momento, que com certeza é um dos pontos altos do espetáculo. Confesso que fiquei até um pouquinho sem graça de lembrar disso durante a peça, me senti meio fútil diante de tanta carga dramática. Mas fazer o que, pensei uai...
Enfim, "Bent" é necessário. Não fosse pela belíssima produção, esmerada não somente no que diz respeito ao elenco, mas também em todo o entorno de cenários, figurinos, iluminação e trilha sonora, valeria pela bandeira que levanta. Ééééé gente, precisa levantar bandeira sim. Em um tempo onde cada vez mais se procura tapar o sol com a peneira, precisa ser dito que iguais são tratados como diferentes.
Não adianta a Revista Veja estampar em matéria de capa que não existe preconceito e que jovens convivem bem socialmente com a homossexualidade. Não adianta a Rede Globo fazer materinha com pais e mães que "aceitam" a "condição" de seus filhos. Tá certo, pelo menos hoje uns põe a cara prá bater, e em circulação de mídia nacional. Mas isso, de forma alguma, reflete a realidade. Tentativas descaradas de esvaziar a militância, justamente diante de possibilidades concretas de conquistas, precisam do contraponto de obras como "Bent".
É datada? Ram-ram, lê jornal. Existe país implantando até pena de morte para quem tem como crime somente o fato de amar, ou no português rasgado, TER TESÃO por alguém do mesmo sexo. E aqui, no mesmo Brasil das materinhas cor de rosa, jornalzinho fuleiro e anonimo de universitários manda jogar bosta em gays no campus. Aí vem a Veja com pesquisa feita sei lá com quem dizer que os mais novinhos nâo vêm em sua sexualidade motivos de luta, mas sim algo natural. Uai, isso aí todo mundo sabe, só falta combinar com os homofóbicos. É bem hilário ver pessoas candidatas ao troféu cabeça boa por terem amigos gays dizerem que tudo bem, mas seja discreto. Tomá no sul né não? Discreto por que, se não tem nada demais?
Aff, quebra de promessa de posts curtos. Terminando este quase seminário, fica a dica-recomendação-indicação-intimação. Se você ainda não viu "Bent", não perca mais tempo. Só rola hoje e amanhã às 8 horas da noite. O Teatro Kléber Junqueira fica na Rua Platina, 1827, no Calafate. Para de preguiça, fui de ônibus, você também pode ir uai. Pro povo que não é de BH e só tá a passeio, melhor pegar um taxi, fica baratinho. 
   

sábado, 30 de maio de 2009

NINGUÉM FALA BELZONTE

Dia 5 de junho tem show da Rita Lee, no Chevrolet Hall. A-do-ro a Rita, seja cantando, seja fazendo suas graças, seja em programas estilo Saia Justa, onde no meio de ares blasé ela era ela mesma, a irreverente, mas sempre antenada titia do rock.
É, só que esses dias tenho tido antipatia dela. Gente, no anuncio da Rádio Alvorada (não sei se nas outras tem) ela convida o pessoal de "belzonte". Fala sério, você algum dia ouviu alguém falar Belzonte? Escrever tem gente que escreve, mas falar? Nunca vi. Daí que fico danado quando esse povo de fora fica chamando a cidade por este nome que ela não tem, e claro, numa óbvia alusão de caipiragem (ser caipira - acho que inventei a palavra). 
Pior que essa mania existe mesmo. Outro dia um menino dos cafundó do juda tava conversando comigo no msn e falou algo tipo que eu era da roça, porque falava uai. Ram ram, Belo Horizonte é uma roça sim, ainda mais em comparação com cafundó do juda que nem escada rolante tem. Me poupa né?
Voltando na Rita Lee. Se tenho uma história com ela? O-be-ve-o que tenho, e se não é a melhor, provavelmente uma das melhores.
Nos idos de antigamente ia ter show dela no Palácio das Artes. Na época do meubemvocêmedááguanaboca, se não me engano mega patrocínio da Ellus, que tinha comercial de um casal beijando dentro d'agua ao som da música. O sem-o-que-fazer, além de ligar pros artistas nos hotéis pra pedir convite, também costumava dar uns plantões nas casas de espetáculo. Aí de tarde o pessoal tava passando som, fui entrando e me vi sentado com outros na platéia. QUEM tava do meu lado? Adivinhou né? Nisso um cara da segurança sobe no palco e diz que todo mundo que tava lá de bico tinha que cascar fora. Num gesto impensado peguei a RITA LEE pela mão e falei: "Então vão Rita". Nossa, eu podia ter levado o maior torra não podia? Mas nada, essa louca mais que bem humorada simplesmente foi saindo comigo morrendo de rir. Logo o povo do palco começou a gritar por ela, e sabe o que? Ela simplesmente me puxou pela mão e me levou de volta pra dentro.
Moral da história, vi o show todos-os-dias e no sábado, com duas sessões, fiquei de uma pra outra dentro do camarim com ela e o povo todo.
Ah Rita, pensando bem, te perdôo o Belzonte, só você mesmo pode falar assim.
Olha só, citei Chevrolet Hall, citei Ellus, citei Rádio Alvorada e claro, citei Rita Lee. Então, se rolarem umas duas cortesias pro show não vou achar ruim não. Aliás, antecipadamente agradeço.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

QUANDO O AMOR NÃO ACONTECE

Atriz não gosta de tá bonita em cena, atriz gosta de tá boa em cena. Mas me conta, em se tratando de Christiane Antuña tem como pular a parte "Nossa, cê tá linda em cena"!
Então, quinta da semana passada fui ver "Cheiro de Chuva". Mais ou menos estréia, porque tinha tido uma apresentação aqui, uma ali. Temporada mesmo tava começando naquele dia. A velha e não boa preguiça quaaaaase me segurou em casa, mas felizmente, armado de energia, cheguei do trampo entrei e saí, sem esperar o corpo encostar. Fui de onibus que a pé não ia dar tempo e você sabe né, não tenho carro e nem sei dirigir (carro).
Sou o maior tiete de amigo, e adoro quando algum deles me dá a chance de babar em cima. De arrepio em arrepio, Christiane me possibilitou amar e amar e amar tudo que eu tava vendo. Seu parceiro de cena não é meu amigo, conheço de vista e de palco. Na verdade a dupla já esteve junta em outras peças. Omar Jabur é o nome do moço, mui-to-bom-de-ser-vi-ço, perfeito fazendo o sujeito comum que se espera no texto.
Ahé, o texto, a peça, tem que falar o que que é, claro: "Cheiro de Chuva", do Bosco Brasil. Um cara casado procura uma professora de dança, a princípio junto com a mulher, pra aprender uns passinhos e arrasar nas bodas. Rola uma paixão mutua, mas sabe o que? Ninguém conta prá ninguém. Nisso a montagem fica assim, diálogos de monologos. Não tem aquelas coisas que a gente fala pro outro, mas na verdade não chega a expressar, fica só no ensaio interno? Pois é.
Fisicamente tudo muito marcadinho, coreografia mesmo, sem ser dança de salão. Você já deve ter visto alguma vez, lembra? Aquele lance moderno, que não faz o óbvio, mas registra a emoção? Então, é assim. Muita imagem linda também, com cenário mega simples mas muuuuiiiito eficiente, principalmente quando a luz faz a sua parte. A trilha sonora? Ah, prá mim uma boa trilha faz meio espetáculo. Sério mesmo, sou assim não só com teatro, mas também com cinema. Tem filmes que amo e assisto zilhões de vezes só pelas músicas. Em "Cheiro de Chuva", não fosse a montagem sen-sa-ci-o-nal, valia até se fosse prá fechar os olhos e ouvir as músicas. De olho aberto sabe o que aparece? O tema certo na hora certa, clima total. De arrepiar, sem brincadeira.
Momento de tietagem explícita. Christiane Antuña dá um show. A voz de uma textura impar, inflexões mínimas e precisas, tempo e respiração milimetricamente marcados. Sem contar um improvável preparo físico prá dar texto até mesmo correndo parada no mesmo lugar. Esta cena então... Prá mim o ponto alto da peça, quando a mulher confessa o exato momento em que percebeu o amor da sua vida observando gestos tão normais daquele homem tão comum.
Enfim, vale a promessa de posts curtos, hora de encerrar. Quem é de BH tá fácil, "Cheiro de Chuva" está em cartaz no Galpão Cine Horto, de quinta a sábado 21h e domingos 20h. Vai até 31 de maio. Já você que não mora em BH, mas tá dando pinta aqui neste final de semana, acabou de encontrar a programação ideal. Vai lá.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"MELHORES DE 2008"

Este post com certeza vai ser bem específico pro pessoal de BH.
Você lembra quando eu falei que "estava" jurado de um prêmio de artes cênicas e blábláblá? Pois é, a maratona tá chegando ao fim. Amanhã todo mundo vai conhecer os "melhores de 2008". Claro, melhores na opinião das comissões julgadoras. Jurado é assim, a gente concorda ou não com ele, mas quem ele fala é que ganha.
Sabe o mais legal? Todo-mundo-pode-ir. Isso mesmo. Nem apresentar convite na porta precisa. É só colocar uma roupinha legal e chegar umas 8 e meia no Teatro Sesiminas. Essa parte tá toda aí no convite que ilustra o tópico.
Então se você curte teatro, vai lá, a festa é bacana. Nããããããõ, não é uma chatice de discurso e a gente batendo cabeça de sono não. Tem sempre uns números artísticos legais sem contar a emoção dos premiados e a perspectiva de rolarem umas surpresas.
Combinado! Terça feira, dia 26, Sesiminas, 20h30.

domingo, 17 de maio de 2009

RO RO É FUNDAMENTAL

Que me perdoem as outras, mas Angela Ro Ro é fundamental. Mais um domingo de sol e show. Prá variar, todos os posts sobre este projeto do Sesc acabam sendo meio saudositas e autobiograficos. Desculpem os que me conhecem de agora, mas creio que este será um pouco mais revelador. "Non, Je Ne Regrette Rien", como bem cantou Piaf e como bem mencionou a Angela no palco.
Preciso dizer que tive medo do espetáculo de hoje. Tive medo que a irreverência, o deboche escrachado e o muitas vezes politicamente incorreto discurso de Angela Ro Ro fossem substituídos por liçõezinhas de moral de quem se livrou do que as vezes pode se chamar auto-destruição. É, dizem que a moça não bebe mais, não se droga mais, não bate mais em polícia na rua. Bom prá ela e sabe por que? Porque essa mudança não alterou em na-da sua presença em cena. Se melhorou a vida pessoal, beleza, todo mundo quer viver bem e levantar de manhã sem ressaca né? Claro que sim senão a gente não falaria em cada ressaca que nunca mais vai beber.
A quase sessentona não é uma cantora. É a mais autêntica "show woman" brasileira. Dessa vez não tocou piano, mas não faltou o humor ferino de quem ainda tem a mesma presença de espírito e de quebra mal enjambrou uns passinhos de dança, revelando total conforto em cima do palco. Verdade que gostava mais dela gorda, mas quem tem que se gostar é ela e não eu. Bom, e por fim, todo mundo quer ser magro, até mesmo a Angela Ro Ro.
Momento confessional: Numa de suas brincadeiras com a platéia, que ela consegue fazer sem constranger ninguém, disse, apontando para uma pessoa ali, que ela tinha futuro. E emendou, "tem futuro, o problema é o passado que condena, que nem eu". Puro deboche e auto-crítica de quem realmente não, não se arrepende de nada. Pois é, o passado as vezes condena, e no meu passado tem muito de Angela Ro Ro.
Comecei minha vida por assim dizer, adulta, ao som da voz rouca da diva. Comprei o primeiro LP tão logo chegou nas lojas, enfeitiçado pelo timbre e pelo visceral de suas canções. E assim vivi meus primeiros amores, sempre muito passionais, com este fundo musical. A trilha sonora também acompanhou as minhas infinitas baladas (que não tinham esse nome na época) vendo o sol nascer a caminho de casa ou, preferencialmente, a caminho da casa de alguém. Foi a época que deixei o lar dos pais prá tentar construir o meu, quebrando a cabeça nos tantos encontros e desencontros que se seguiram. Prá ter uma idéia da sempre presente Ro Ro nessa fase, o segundo disco, "Escandalo", ganhei de presente. Um amigo sacana me deu justamente promovendo a comparação pela relação amorosa conturbada que eu vivia na época. É, eu era meio Angela Ro Ro na transgressão e na sede de viver, o que penso não deve ser surpresa prá ninguém ao imaginar um jovem universitário de comunicação dando os primeiros passos de artista. Ram ram, dificil imaginar que passei os anos 80 rezando né não?
Porém, muito mais que eu, essa "ídola" transgrediu. Foi a primeira cantora no auge da mídia se assumindo lésbica, bem antes de ser gay virar profissão e abrir portas. Suas herdeiras de voz grave ainda são titubeantes e se atrevem a soltar um "sou bi", justificando que estão só na metade do pecado. Outro momento gozado do show, ensaiando uma dancinha, Ro Ro solta essa: "Sou a madrinha da Amy Winehouse". Ochhh, se é, que o diga Zizi Possi...
Antes de cantar "Fogueira", a musa faz um momento-reverência a Maria Bethânia, outra fundamental. Prá mim a música foi o auge do show. A canção é perfeita em todos os sentidos e traz a tona as paixões vividas. Du-vi-de-o-dó que quem um dia se apaixonou consiga passar ileso por "Fogueira", seja na voz de uma ou da outra.
Tá, vou falar também do Pedro Morais. Canta muito bem o moço e obvio que ganhou o presente de sua carreira ao ser convidado prá dividir o palco com aquela mulher. Percebi que tinha gente da galera dele espalhada aqui e ali, gente que gaguejando e tropeçando tentava acompanhar o que ele cantava. Fiquei meio chateado ao perceber que mais ou menos todo mundo tava doido prá ele acabar e chegar a vez dela. Tá bom, eu não fiquei chateado não, eu também tava assim. Sem perder a viagem, Angela Ro Ro, além de mandar um "pega suas coisas e some daqui", debocha dizendo que sabia que todos tinham ido ali prá ver o cara, mas tudo bem, "não tenho ego". Fala o que vem na boca né não? Por fim, bonachona, faz duetos com ele, e, vamo combiná, ficaram ótimos. Tem futuro o rapaz, vai saber é do passado.
De novo, obrigado Sesc, obrigado Pedrinho Alves. Esse povo tá fazendo um projeto fabuloso, com certeza a melhor iniciativa dos últimos anos. Já fiquei sabendo que tem mais. Fica de olho aí, não vai perder de novo heim?

domingo, 5 de abril de 2009

DOMINGO DE MANHÃ É SHOW

Zezé Mota é provavelmente a estrela mais simpática que já conheci, ao lado de Ney Matogrosso e Rita Lee. Explico: Não sou amigo desse povo, mas meu primeiro contato com o meio artístico, ainda na adolescencia, se deu pela prática de descobrir o hotel onde estavam hospedados os figurões que vinham dar show em BH, ligar prá eles e na cara dura pedir convites. Bom, estas outras histórias eu conto depois, o nosso caso aqui-agora é Zezé Mota.
Ao lado do Luiz Melodia ela veio no Teatro Francisco Nunes se apresentar numa edição do Projeto Pixinguinha. Nessa fase era assim, dois artistas consagrados praticamente lançavam um novato. A novata era Marina Lima. Deu prá sentir o tempo que tem né?
Pois bem, essa cantora e atriz estava no auge do reinado de estrela. Por incrível que possa parecer, ela recebeu a mim e a minha amiga como se fosse uma vizinha da esquina. Não vou falar de simplicidade nem nada, porque caracterizar alguém como simplezinho é meio barango - eu acho. Não é caso de ser simples ou complicado, o que acontece é que ela é uma pessoa natural. Nada forçado, só que essa mega artista sentava e ficava falando da vida cotidiana com dois pós-adolescentes, que ela nunca tinha visto, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E vamo combiná? Quando se tem empatia é normal mesmo, gente é tudo gente no final das contas. Ah tá, e ainda por cima nós assistimos o show to-dos-os-di-as!
Então, essa introdução histórica só prá falar que fui, de novo, nesse projeto sen-sa-ci-o-nal do Sesc, que reune uma vez por mes um artista de fora e um daqui, em pleno Parque Municipal, para uma hora e tanta do mais puro deleite, com música de qualidade no meio de uma galera que tá ali somente babando no show. Sabe SUPER ASTRAL? Pois é, assim que funciona o projeto domingo de manhã.
A dupla da vez não podia ser melhor. Não entendo nada de música, só posso falar do que gosto. E gosto muuuuuuuuiiiiiiiiiiito do Tizumba. Me amarro na voz, nas músicas, no humor. Putz, os tambores, a percussão então, nem se fala. Seguindo o nepotismo lançado pela Tetê Espindola no mesmo projeto, ele também estava acompanhado da filha. Também como a Tetê, nepotismo mais que justificado, porque a moça arrasa no carisma. Tem horas que os olhos da gente não conseguem sair dela com aqueles tambores e a dancinha ritmada.
Daí o Tizumba vira tiete na hora de anunciar a Zezé. Momento de muita emoção, ele e a filha no batuque, lá vem a estrelona, no melhor sentido da palavra, ensaiando uns passinhos afro. Nossaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!! E a voz? Putz, enche o Parque Municipal. Que poder heim filha? Sozinha no palco ela segura legal, mas sei lá, acho que o Tizumba agita demais e ela vem mais morninha. Bom, mas falar mau não vou que sou fã! :-)
Ahhhhhhhh, cabou e ela vai saindo... Que isso, aí a coisa esquenta, porque voltam os três. Nessa hora corro prá frente do palco e tento fotografar. É, tento, porque não posso dizer que fotografei mostrando essa foto que você tá vendo aí né? Ichhhh, que animação, o povo canta junto, dança, uma farra. Ow, simplesmente a-do-rei! Volto sim, mes que vem tem mais e tô agarrado. Hum tá, teve isso também. Andando pelo parque dou de testa com o Pedrinho Alves. Avemaria, quem é ele? Simplesmente ele é "o cara" que conduz toda a elegância desse projeto. Sesc, Pedrinho, olha só, valeu demais!
Aqui, em maio tem de novo, vê se não perde heim?

domingo, 8 de março de 2009

DOMINGO NO PARQUE

Postagem de 2009, com edição em 2013, dia 18/08.

Só pra brincar com a grande repercussão do momento, Mídia Ninja.
Olha aí, logo no primeiro parágrafo, eu, em 2009, meio que inventando a "Mídia Ninja Cultural".  :)


Conforme combinado, fui no show hoje de manhã. Aquele que falei, da Tetê Espíndola. Blog permite isso, postar quase que em tempo real. Prometo que quando (observe que eu disse QUANDO e não SE) este blog for famoso, com muita gente conectada on line, vou escrever muitas vezes em tempo real. Por exemplo, indo em um show como este, levo um notebok, internet 3G e mando ver.
Show 11h, ó-be-vê-o que saí de casa 11h15. Sempre me atraso, quase uma regra. Ah, moro pertinho, 15 minutos andando e tô lá. Também não preocupei muito porque estas coisas sempre demoram a começar e tinha um outro cara prá cantar. Daí ouvi no rádio que ele era antes, a Tetê depois.
Liguei pro meu amigo:
- Vamo no show da Tetê Espindola no parque?
- Nham-nham-nham-nham-nham-mham
- Tá bom, eu vou de todo jeito, se quiser me encontra lá.
Liguei pra outro amigo:
- Vamo no show da Tetê Espindola no parque?
- Nham-nham-nham-nham-nham-mham
- Tá bom, eu vou de todo jeito, se quiser me encontra lá.

Não encontrei nenhum dos dois.
Cheguei no Parque Municipal, o show já rolando. O cara lá tocando, Chico Lobo. Nunca tinha visto, mas conhecia de nome. Putz, violeiro dos melhores, mas uma chatice de querer mandar o público fazer coisas junto. "Agora vocês cantam", "Agora bate palma assim". Aff...
Outra coisa, um mineirês forçadinho. "Procês", "Docês". Só que tinha hora que escorregava um "Para vocês". Aliás, escorregava muitas vezes. Não entendo prá que essa forçassão de barra caipira. Enfim, cada artista com seu show. Ah, mas o cara é bom, viu, bom meeesssmo, quando toca e canta.
Chega o momento, o anúncio da estrela. Prá mim uma estrela. Nunca, NUNCA perdi um show dela em BH. Quando a descobri nos anos 80 fiquei vidrado. Que voz era aquela, que mulher era aquela? Punha os LPs prá esgolelar dentro de casa, um barracão de estudante em Santa Tereza. Depois veio um festival da Globo, ela ganhou. "Escrito nas Estrelas" virou uma febre. Acho que aí até meus vizinhos de barracão ficaram conhecendo a moça. Eu gostava do jeito dela cantar, o que me levava a gostar da música, apesar de nao acreditar em amores escritos nas estrelas.
Tetê no palco. Uma dona já né, imagina, dos anos 80 até hoje lá se vão quase 30 anos. Figurino simplezinho, igual de muita gente que tava na platéia. Afff, de cara alguém grita "Escrito nas Estrelas". Ela só fala "Depois." Vai rolando a cantoria, aquela voz indescritível no Parque, ambiente mais que propício prá uma cantora precursora de movimentos ecológicos antes de virar moda. O filho acompanha, tocando guitarra, fazendo as caretas obrigatórias dos guitarristas. Depois ele canta com mamãe fazendo vocal. Ah, ele não tem nada de especial, mas também não tem nada de ruim. Faz por onde, não é nepotismo puro e simples.
Mais gritos de "Escrito nas Estrelas", algumas vezes ignorados e outras vezes com o simpático "Depois." Chega a música que se revela a pior parte do show. Momento inusitado. Enquanto aquele bando gritava por uma música só, um cara catando latinhas passa cantarolando uma das músicas menos populares, que na hora estava rolando no palco.
Ápice do evento: Chico Lobo volta com o músico que tava acompanhando (desculpa músico, não peguei seu nome quando ele falou), Tetê fica no palco com o filhote Daniel (que ela descreveu como seu músico mais uterino) e rola "Cio da Terra". Duas versões, ela primeiro, Chico Lobo depois. Fecha com "Refazenda", show de voz e instrumentos.
Nossaaaaaaaaaaaaaaaa, valeu demais!!!!
Bom, fico sabendo que este projeto é do Sesc MG, o que com certeza é a garantia de novas edições do evento. Que bom!