Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TEORIA (?) DA CONSPIRAÇÃO



Se eu gostasse de teorias da conspiração, ia ligar alguns pontos.

Um vídeo de quatro meses atrás fala de uma eventual impugnação de candidatura por motivo de dinheiro ilegal na campanha. Nostradamus perde. 🤔

Esse mesmo vídeo traz uma ameaça, não velada, mas dita com todas as letras, da facilidade de se calar, ou "fechar" o judiciário, com a conivência da população. 🤔

O vídeo de quatro meses atrás, circulou na época? Não só "vazou" agora. 🤔

Pra quem gosta de teorias da conspiração, seria um prato cheio. 😛

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

SEGUNDO TURNO CHEGANDO E A GENTE TÁ COMO?



O PT sempre escolhe os adversários que quer no segundo turno. Aí faz duas campanhas, a dele e a de abater as demais possibilidades em volta daquele  que já escolheu.

Bem, já é um mérito saber de antemão que vai pro segundo turno né? Sinal que tem eleitores cativos e conquistados e, naturalmente, isso deve significar alguma coisa. Não é possível tanta gente curtir um partido se durante seus anos de poder não tivesse construído nada.

Foi assim em 2014. Com medo (justificado) da Marina, escolheu o Aécio. Essa, por sua vez, cometeu o maior dos seus equívocos políticos ao apoiar justamente o Aécio no segundo turno. O ressentimento é o pior dos conselheiros e políticos, mais do que ninguém, precisam saber disso.

Para 2018 o escolhido foi o Bolsonaro. Ciro Gomes? Nem pensar. Lembra aquele medo da Marina em 2014? Pois é. Dessa vez o fenômeno "antiPT" contribuiu demais. Pessoas com o sangue nos olhos, despolitizadas e desorientadas, foram induzidas - pelos dois lados- a acreditar que só o vulgo "coiso" seria capaz de enfrentar o PT.

No meio desse texto, começaram a pipocar na internet as impressões sobre as delações do Palocci. Isso pode até vir a modificar algum resultado, mas nada muda no que toca a minha forma de ver o processo, e opinar aqui no blog.

Você é da turma AntiPT? Então é bom que saiba que, ao optar pelo inominável, está contribuindo para mais quatro anos do "Brasil feliz de novo".


terça-feira, 28 de agosto de 2018

O OUTRO LADO DA MOEDA


Teve candidato esperto que começou a campanha há uns dez anos, sem nem mesmo imaginar que aquela estratégia ia desembocar numa candidatura à Presidência da República.

A ideia era bem simples e o objetivo angariar popularidade. Entendendo antes dos outros a dinâmica das redes sociais, decidiu colocar os seus adversários e desafetos para trabalhar voluntariamente pra ele. O instrumento? A indignação.

Então, o cara e sua turma falavam os maiores absurdos (soava absurdo pra uns, mas obviamente tinham seu público simpatizante) e os inocentes cegos de indignação tratavam de divulgar pelas redes. Assim foi criado aquilo que uns malucos começaram a chamar de "mito".

Mas, ninguém tem bola de cristal e o futuro às vezes reserva algumas surpresas.

Tudo ia muito bem e o plano original funcionando, embora algumas pessoas tardiamente estivessem acordando para o óbvio: A popularidade vinha pela ingenuidade de quem julgava estar fazendo o bom trabalho de oposição aos discursos de ódio e preconceito que levaram o sujeito ao topo. Porém, estava um pouco tarde pra voltar atrás e o desastre já consolidado. Sem querer me gabar de ser mais esperto, devo dizer, como registro, que o meu alerta a essa estratégia foi feito em 2011, aqui mesmo no blog.

Enfim, o que o sabido não esperava é que, na última hora, surgisse um cavaleiro alaranjado montado não num cavalo branco, mas em sacos de dinheiro. De uma hora pra outra, o mal construído mito começou a ruir. Os votos colhidos em tantos anos de manipulação começaram a migrar numa velocidade estonteante. Claro, o novo adversário reunia tudo o que aqueles eleitores desejavam, só que numa roupagem bem mais chic e com um discurso muito melhor articulado. De quebra, ainda a qualidade de "não político" (que tentaram empurrar em torno de um candidato que já colecionava 30 anos de mandato, fora a inclusão de toda a família) encontrou um representante real. O tal do candidato novo jamais havia se envolvido em política. Não diretamente.

Aos desesperados eu sempre dizia que não acreditava que o mal enjambrado mito resistisse a um mês de campanha. Profetizava que ele "derreteria". Apenas por supor que não dá pra ninguém se sustentar só com frases de efeito e declarações bombásticas gerando memes em redes sociais. Pra angariar votos no executivo a pessoa ´tem que ter o que dizer, e era evidente que dali não sairia nada. Pois a emenda saiu melhor que o soneto e pelo jeito o cara vai acabar mesmo é na lanterninha.

Esperar pra ver né.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

QUEM LEMBRA DA MARINA SILVA?


Em 2010 eu quis muito votar na Marina Silva nas eleições para Presidente da República. Queria votar e votei, como não seria nada difícil saber, caso alguém tivesse interesse. Aqui mesmo no blog está tudo registrado.

Em nenhum momento me arrependi desse voto.

Chegou 2014 e eu quis muito votar nela de novo. O destino ou sabe-se lá o que (teorias da conspiração não faltaram) acabaram transformando-a em candidata. Temos candidato, temos a eleição, aí seria só votar né?

Mas, não foi bem assim.

A Marina de 2010 saiu de cena para a chegada de alguém muito estranho, uma pessoa que parecia demais com o que ela própria negava em 2010. Uma pessoa profundamente comprometida até o pescoço com o que ela mesma chamava antes de "a velha política".
Pra culminar, a candidata deu pra desdizer o já dito. A ponto de, com o passar dos dias, começarem as piadas de que o programa de governo dela teria sido escrito a lápis.

O primeiro movimento foi justamente em um ponto que de certa forma a havia fragilizado em 2010: As questões LGBT. Diziam que ela, como evangélica, promoveria uma caça às bruxas e um consequente retrocesso nas poucas conquistas de direitos alcançadas a duras penas. Verdade seja dita que, em 2010, não havia nada que comprovasse essas suposições. Pelo contrário, em algumas oportunidades ela sinalizara que defendia o estado laico e que não pretendia misturar as coisas.

Aí, justamente em 2014, ela resolveu dar razão ao que antes eram apenas suposições. Todo um capítulo, extremamente progressista do seu programa de governo, relativo aos direitos LGBT foi desautorizado pela candidata, dizendo que aquele era apenas um esboço e não deveria ter sido divulgado. Coincidentemente (?) declarações dadas após as manifestações de fúria de algumas das mais conhecidas e retrogradas lideranças religiosas.

No dia dessas declarações, eu profetizei (no Facebook): Hoje Osmarina começou a descer a escada. Não me lembro se foram exatamente essas palavras, mas o sentido foi bem claro. Aquela que estava praticamente liderando as pesquisas começava a sua derrocada. Não deu outra. Em poucos dias ela começou a descer ribanceira abaixo e só parou no momento mais patético de todos, o dia em que soltou os cabelos na cena de apoio ao candidato Aécio Neves, no segundo turno. Podia, e devia, ter ficado calada. Teria agora menos lama pra lavar.

Bom, 2010 já foi, 2014 também. Estamos agora em 2018 e eis aí a nossa personagem candidata mais uma vez. Atualmente carregando nova pecha, a daquela que só reaparece na vida pública de quatro em quatro anos somente em busca de votos. Mas, pelo jeito agora veio disposta e aparentemente com intenção de dar uma grossa faxina na imagem cristalizada de 2014.

Talvez com uma boa assessoria na retaguarda, bem diferente daquela da eleição passada, já deu início aos trabalhos. Aqui e ali, nas redes sociais, começaram a aparecer conversas de apoio às causas LGBT nos momentos em que o assunto são direitos civis. No segundo debate entre presidenciáveis, também foi feliz  descendo a lenha no ex apoiado Aécio Neves e lavando a cara daquele adversário que a gente não cita o nome no tocante ao incentivo à violência e à desigualdade entre os gêneros, diante da mal disfarçada defesa do outro quanto aos salários menores para as mulheres. Ah, e reafirmou mais uma vez o estado laico.

Enfim, a campanha está apenas começando, mas confesso que tô simpatizando com a Marina de novo. Vamos ver se dessa vez ela segura a onda.

domingo, 22 de julho de 2012

OS BEM COMPORTADOS

Existe um segmento no universo gay, ou talvez mais de um segmento, uma vez que este grupo é bastante segmentado, que busca a "aceitação" como prêmio pelo bom comportamento. Então tudo prejudica estas pessoas, por danos de imagem. A bicha pintosa, as travestis, os que dançam descamisados na buatch, aquele povo que só pensa em pegação, enfim, todo mundo que, de alguma maneira, possa parecer agressivo frente aos heterossexuais, suas famílias, religiões e normas. 
Naturalmente, estes segmentos também são contra, e descem o malho, nas Paradas Gays LGBT que rolam pelo mundo afora. Entre outras coisas, tacham de despolitizadas (ham-ham, quem não consegue diferenciar respeito de aceitação é bem politizado), de micaretas, de meras oportunidades pra beijar na boca, de show de drag e por aí vai.
Acho que fui a todas as Paradas de BH, ou se perdi no máximo foram uma ou duas. Afirmo, sem medo de errar, que as Paradas, todas, não só as de Belo Horizonte, são politizadas. Não fosse por mais um monte de coisas, só a sua realização já é um ato político.
Na Parada tem trava? Tem sim senhor! Na Parada tem pegação? Tem sim senhor! Na Parada tem trio elétrico? Tem sim senhor. E o gay, o que é? É um cidadão como outro qualquer, cuja única diferença é amar, ou transar, com alguém do mesmo sexo.
Por que então ser tratado como cidadão de segunda categoria? Pior, por que ser tratado como ser humano de quinta categoria? Seria realmente muito bom que não fosse preciso fazer parada nenhuma. Seria muito bom que todos pudessem ser iguais em suas diferenças. Bom seria também se todos entendessem que ninguém precisa de aceitação. O que se pede, ou pelo menos deveria ser pedido exigido, por todos, é respeito. Enquanto alguns não entenderem o que essa mudança de exigência significa, vão continuar com suas críticas vazias, fomentando o preconceito dentro do preconceito.
Já disse outras vezes, mas acho sempre bom repetir. Não se pode pregar um jeito certo de ser gay, em oposição ao jeito errado de ser. A palavra de ordem "diversidade" precisa contemplar exatamente isso, a diversidade. Cada um tem o direito de ser como é, do jeito que se sentir bem, desde que não prejudique o outro.
Estas correntes costumam dizer: Pra ser gay, não precisa ter voz fina. Precisar não precisa, mas se tiver, ou quiser ter, não é problema seu. Pra ser lésbica não precisa se masculinizar. Precisa? Não, não precisa. Mas se a moça quiser ter pinta de macho, no que isso afeta o outro? Constatar que a diferença existe, até mesmo colocar apelidinhos diferenciando uns dos outros, é uma coisa. Pregar contra, aí não, aí já é fazer o jogo do homofóbico.
Meninos bem comportados, façam seus esqueminhas de aceitação. Abaixem as suas cabeças e façam tudo o que seu mestre mandar. Agora, deixem o pessoal ferver nas Paradas, na noite, tirar suas camisas ao som de música eletrônica, vestir de mulher, dar muita pinta nos palcos. Numa sociedade heteronormativa, o próprio fato de ser gay já é uma transgressão. Talvez um dia, além de aceitos, vocês se descubram também respeitados. Aí não vai ser preciso nem agradecer. Cada um que batalhou por isso já vai se sentir bastante recompensado por poder levar a vida com a dignidade que merece.

* A foto foi pescada no Portal R7, com crédito para o jornal Hoje em Dia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ORGULHO E PRECONCEITO

Pois é, blog parado e agora post repetido. 
Alguém aí deve lembrar de uma época que fiz isso, andei subindo uns posts mais velhos pra "aproveitar" leitores novos. É, porque ninguém que entra aqui vai ficar rolando a página e muito menos mudando de uma pra outra. Claro que, como tudo mais nesse blog, foi uma fase e depois parou.
Hoje estou repostando um texto de 2010, pra falar da Parada do Orgulho Gay, ou seja lá que nome tenha, seguido da sigla LGBT. Vou repetir porque acho que ficou bom e, pra falar a verdade, não tem muito a acrescentar, mesmo passados 2 anos.
Então, vamos lá. O objetivo é lembrar que domingo tem a Parada de novo. Vamos?






Eu acho que tem muita confusão em torno dessa idéia de orgulho. Pra mim deveria ser uma referência somente daquilo que a gente tem participação direta. Exemplo prático: Gisele Bündchen não tem porque ser orgulhosa de sua beleza, mas tem tudo a ver o orgulho do que fez com esse atributo natural. Outro: Orgulho de ser brasileiro... Ahn? Nem orgulho e nem vergonha. Por que ter nascido aleatoriamente numa parte do mundo seria motivo pra qualquer uma das duas opções? Orgulho da família... Bom, esse até cola, porque a pessoa pode se sentir orgulhosa da forma como encaminhou esse setor da sua vida, ainda que muito deste caminho tenha sido feito por eventos aleatórios.
Bom, orgulho gay. Outro meio sem pé nem cabeça. Ninguém escolhe ser gay e não faz qualquer esforço pessoal para determinar sua sexualidade. Não há mérito, e da mesma forma não há demérito. Ser gay é mais ou menos como ser brasileiro, muita gente se pudesse ter escolhido não seria nenhum dos dois.
Então, isso tudo pra falar de uma coisa muito legal que acontece mundo afora, e que hoje domingo rola em BH, a Parada do Orgulho Gay. Claro, já deu pra perceber que na minha opinião o nome é meio equivocado, o que não tira a importância do evento. 
Para os idiotinhas que contrapõe com a não existência de Parada do Orgulho Hetero, além de lamentar a sua burrice, a gente só pode lembrar que ninguém é hetero. Heteros são médicos, pedreiros, advogados, lixeiros, gordos, altos, ladrões, de olhos verdes, carecas, mancos, lindos... Qualquer coisa, menos heteros. Com gays também deveria ser assim, mas não é. A parte gay sobrepõe todas as outras e também o todo.  Sentiu a diferença? Daí a necessidade de ações deste tipo.
O mais importante desta marcha colorida pela cidade deveria ser a visibilidade. Parada da Visibilidade Gay. É, Harvey Milk, como a gente aprendeu no filme sobre ele, dizia da importância da visibilidade. Sempre pensei assim também, por um raciocínio super simples. Todo preconceito vem do desconhecimento, e não há uma só pessoa no mundo inteiro que não tenha convivência com gays. O que acontece é que muitas dessas pessoas nem sonham que se relacionam com rapazes e moças alegres bem mais do que pensam. Toda família tem um filho, um primo, um sobrinho, um tio, até mesmo um pai ou uma mãe gay. As vezes na verdade a tropa toda - filho-tio-sobrinho-irmão e o escambau. Como nem todo gay usa maquiagem e nem toda sapata calça social e cinto de curvim, acaba que tudo passa despercebido e assim as pessoas podem ter preconceito contra aquele povo distante. Numa comparação meio esdrúxula, o que interfere mais na consciência, um conhecido ou mil estranhos numa estatística? De novo, coisa simples, você vai dar mais atenção à dengue quando morrer um filho seu do que enquanto ler que morreram 500 no Brasil.
É isso, Parada da Visibilidade Gay, pra mostrar que "esse povo" está mais presente do que você imagina. Lógico, 3 milhões na Parada de São Paulo não significam nada diante da descoberta que seu melhor amigo, aquele parceirão, é gay. Puxa vida, o cara é tão legal né, e vê só, é gay...
Pena que em grande parte o carnaval na rua acabe se esgotando em si mesmo. É, porque na maioria das vezes, a animação atrás do trio elétrico se transforma em sorriso amarelo no dia seguinte. Sabe né, naquela hora que o evento vira a piada na roda de cafezinho da repartição e o sujeito que bateu cabelo na avenida faz que não é com ele. No dia seguinte, o que era um animado orgulho vira de novo vergonha e conduz de novo o ex-orgulhoso pra dentro do seu nem sempre confortável, mas aparentemente seguro armário. 
A mídia também sempre coopera na cobertura, tratando a manifestação como algo pitoresco e engraçado, focado nas montagens das drags e nos corpões pelados em cima de caminhões. Não, não, nada contra. Tem gente preconceituosa dentro do preconceito que quer taxar o modo de vida dos outros. Patrulham em cima de um jeito certo de ser gay. É, o mesmo pessoal que reclama quando tem alguma pintosa em novela, como se elas não existissem e pior, como se não tivessem o direito de existir e ser como são. A crítica pra mídia aqui vai no sentido de não contemplar a diversidade e focar somente nos personagens que podem com maior facilidade render algum tipo de deboche. Desserviço total.
Falei mal da Parada? Acho que não, apenas botei uns contras em cena, mas são muitos os prós. Só o fato de milhares de pessoas irem pra rua em torno da idéia de querer ser igual nas suas diferenças vale a festa.
É sempre bom lembrar que ninguém precisa aceitar nada, apenas respeitar e cuidar da sua própria vida em vez de ficar se metendo na vida dos outros. Não gostou? Acostume-se, estamos aqui, e viemos para ficar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"UM INIMIGO DO POVO" É ARREBATADOR

Começo este post manifestando um grande arrependimento, fruto da minha procrastinação. Venho tendo boas ideias para escrever, e até mesmo vontade. Maaasss, como bom procrastinador, fico quietinho até a vontade passar.
O meu arrependimento se deve ao tema que resolvi escrever hoje. Explico: Tudo o que eu tinha pensado antes, e não postei, de certa forma seria a pavimentação de um caminho pra chegar até aqui. Acho então que a coisa vai ficar meio de trás pra frente, ou seja, ainda vou voltar aos tais assuntos.
Sem mais enrolação, o caso é o seguinte. Sábado eu fui à estreia de um espetáculo. Claro, estava com preguiça de ir, como de resto sempre tenho preguiça de sair de casa, seja para o que for. De mais a mais, havia também um certo medo em relação à peça. Temia que fosse chata e, pior, que me desse sono. Existe coisa pior do que ter sono dentro de cinema ou teatro? A gente começa a pescar, fica vigilante em excesso pelo medo do ronco e todo este esforço gera um mal estar sem tamanho. Por outro lado, toda a discussão proposta pelo texto e pela montagem eram um incentivo, uma vez que, como dá pra perceber pelo início do post, tinham a ver com minhas elocubrações atuais.
Felizmente, nessa batalha entre a preguiça e a curiosidade, venceu a segunda, e eu fui. Vou muito ao teatro, todo mundo sabe, por prazer ou dever. Pois tenho a declarar solenemente que, poucas vezes nos últimos tempos, acertei tanto em uma decisão. "Um Inimigo do Povo" é simplesmente sen-sa-ci-o-nal!
Você é um homem livre? Essa provocação vem permeando toda a divulgação da peça, e eu te convido a refletir aqui e lá no Teatro Marília: Você, que me lê, é um homem livre? Pois eu digo, de todas as pessoas que conheço, talvez eu seja hoje a mais livre. Mesmo assim constato, lamentavelmente, que estou longe de poder bater no peito e declarar total liberdade. E olha que batalhei e batalho por isso. Não foram poucas as coisas das quais abri mão em nome desse valor maior. Tá, no momento paro por aqui, porque o assunto não sou eu, mas a peça. Depois, no caminhar daquelas conversas que deveriam ter precedido essa, a gente, quem sabe, volte nesse assunto.
"Um Inimigo do Povo" pra mim, trata justamente disso, da possibilidade, melhor, da impossibilidade de ser livre. É teatro político da melhor qualidade e, antes que você diga que não gosta de política, vou lembrando que todo mundo vive política o dia inteiro. Difícil algum ato cotidiano que não seja político. Pois é, acontece que a política mais identificada pelo senso comum é essa aí, da luta pelo poder, que talvez você não goste, ache suja. Mas o jogo é esse, mostrá-la suja justamente pra que você não goste, e então os que optaram por chafurdar na lama possam se aproveitar a vontade. Acorda! Precisamos arregimentar os mocinhos, porque bandido já tem demais.
Então, voltando à peça e suas impossibilidades. Como general da banda vem o Senhor Dinheiro, aquele que faz e acontece. Pois é, ao contrário do que muito se ouve falar, o dinheiro não tira a liberdade de ninguém, pelo contrário, é talvez o maior aliado de quem se pretende livre. O problema não é ter o dinheiro, mas sim ganhá-lo. Imagina só, você, por um golpe de sorte, é um rico herdeiro ou amealhou uma boa fortuna, o suficiente pra viver dos rendimentos. Essa fortuna te liberta. Então tá, o sujeito é rico, logo é livre. Ram, capaz! E as milhões de convenções e obrigações sociais? As relações familiares, a camaradagem entre amigos... Tem como ser livre atrelado a essas condições? E a vaidade, o pecado predileto do diabo? Salvo raríssimas exceções (devem existir, embora eu não conheça) todo mundo é prisioneiro da vaidade, porque quer ser admirado ou, no mínimo, quer ser aceito.
Tudo isso está ali, em "Um Inimigo do Povo". A peça começa devagarzinho, mas um devagar agradável, que não pesa seus olhos. É legal ver a linguagem mais rebuscada dos diálogos, ir descobrindo aos poucos os personagens e como vai se desenvolver a trama. Depois é um crescente, daqueles que não se consegue determinar onde começou. Dessa decolagem sem marca evidente em diante, a coisa pega fogo e os diálogos, super inteligentes, se tornam embates de interpretações vigorosas, raras de se ver hoje em dia. Tá, o elenco não é completamente homogêneo, mas prefiro citá-lo genericamente. Sou livre, mas não sou sacana.  :) 
Alguém pode virar e dizer: Ichhhh, mas esse texto é velho demais! Embora eu teoricamente "desconcorde", porque obviamente clássicos não têm idade, também tive medo de ver um espetáculo datado. Outra agradável surpresa, porque o tema é super pertinente, justamente para este momento que vivemos agora, e a feliz adaptação do texto, aliada à direção, faz com que pareça ser algo escrito hoje, ou melhor, há uns meses atrás, pra dar tempo de ensaiar né?
Para concluir, certamente não estarei praticando nenhum spoiler ao citar uma frase da peça, uma vez que é provavelmente a mais conhecida do original: "O homem mais poderoso do mundo é aquele que está mais só". Diante de tudo o que já foi dito aqui, esta torna-se uma verdade verdadeira. Liberdade é poder, e para ser livre, livre de verdade, é preciso estar só.
Em uma palavra, "Um Inimigo do Povo" é arrebatador. Vencido pela timidez, não expressei ao vivo, da platéia, o que desengasgo agora:
BRAVO! 

"UM INIMIGO DO POVO" - De quinta a sábado às 20h30; domingos às19h até 27/11/2011. Teatro Marília, Avenida Alfredo Balena, 586 - Centro - BH.
   

sábado, 15 de outubro de 2011

DELITINHOS E DELITÕES

Se você já é leitor do blog há mais tempo, e é dessas pessoas de memória boa, vai achar o título repetido. Se é leitor recente, vai achar também esse início repetido - de novo. 
Justificando: Como o Beagá Que Eu Vejo já está caminhando no seu quarto ano, é natural que tenha feito novos leitores durante o trajeto. Aí resolvi dar um up em posts antigos, porque me parece óbvio que quem começa a ler o blog não vai recorrer aos arquivos e muito menos ir rolando as páginas de quase quatro anos. Só que tem alguns posts que eu gosto mais e, ainda por cima, são atemporais, então queria que os novatos lessem. O que tem se revelado mais estranho pra mim é que, muitos destes posts que deveriam ser atemporais, ainda podem ser considerados bem atuais. Como este aqui, que estou "upando" agora, de março de 2009. Poderia ter sido escrito hoje, ou num desses dias pra trás, no calor das discussões sobre as Marchas Contra a Corrupção.

Minha irmã hoje me contou um caso interessante. Ela estava no supermercado fazendo compras e queria levar laranjas. Prá você entender melhor, preciso explicar como é a composição dos preços na banca das frutas dessa loja:
Laranja 1 e laranja 2. A laranja 1 é vendida por quilo e é mais barata. Já a laranja 2 é empacotada e mais cara. Dá prá imaginar qual é a mais bonitinha e provavelmente melhor né? Então, até aí ninguém tá lesando ninguém, você escolhe o que quer de acordo com o que pretende pagar.
Deu que a laranja 1 não tava lá essas coisas. Nesse momento tinham tres pessoas na banca, minha irmã, um homem e uma dona.
A minha irmã falou:
- Ah, acho que vou levar a laranja do pacote, essa outra tá muito ruim...
O homem falou:
- É, tá compensando mais levar essa, mesmo que seja um pouco mais cara...
A dona, que poderemos chamar de Sra. Espertinha disse:
- Que isso, sempre que é assim eu abro o pacote e levo a laranja prá pesar, como se fosse a outra...
Sentiu o drama? Apostar não vou que não sou doido, mas garanto 99% de chance dela se indignar diante das notícias de corrupção da quadrilha que manda no país. Aposto, aí já posso apostar, que ela tem medo de pivete e muuuuiiito provavelmente ela muda de calçada quando vem de frente com um morador de rua.
Me conta, essa dona não é uma pivetona? Essa dona dentro de um Congresso não ia deitar e rolar? E é ó-be-ve-o que entre ela e o morador de rua a diferença é o endereço, quando muito, porque o fato de morar na rua não faz dele um ladrão de laranjas, atividade na qual ela comprova grande competência.
Tenho trocentos outros casos semelhantes, e você com certeza também tem. Claro, é gente furando fila, comprando trem roubado, ficando com troco errado, levando roupa prá experimentar em casa e devolvendo depois de usar na festa, comprando DVD pirata, enfiando pipoca na bolsa prá comer dentro do teatro... Ops, comecei a advogar em causa própria :-)
Não existem tamanhos de delitos e, infelizmente, prá maioria o que conta é simplesmente de que lado do balcão está. Não sei se falo o brasileiro ou o ser humano, mas é fato que as pessoas querem fazer passeata pela paz de manhã e subir o morro do macaco molhado de noite.
Não dá ne?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

BARES, CACHORROS E O BLOCO DO EU SOZINHO

Essa semana começou com mais uma polêmica, e a coisa tá rendendo.
Domingo, no tradicional Bar do Bolão, aqui em BH, um casal resolveu almoçar em uma das mesas da calçada, acompanhado da filha e de um cachorrinho. Daí o bar como um todo, porque foi do garçon ao dono, passando pelo gerente, se recusou a servir, por proibição de animal na casa.
Pronto, tava armada a confusão. Segundo o dono do cachorro (não sei se ainda pode falar dono na moderna nomenclatura de adoção...), ele estava no passeio, lugar público (que a Prefeitura considera particular na hora de mandar o morador fazer um novo) e que, portanto, tinha o direito de permanecer ali com o bichinho. Bolão e cia resolveram que não, pois existe uma lei municipal que determina a proibição de animais em estabelecimentos comerciais e, pelo jeito, ele considera a rua um estabelecimento comercial seu.
O resultado é que mulher e filha foram caçar onde comer, enquanto o rapaz permaneceu no bar, junto com o cachorrinho, esperando a polícia chegar. Sim, deu polícia, imprensa e pelo jeito vai render também processos na justiça.
Por mim, ninguém ali tem razão. Sei que muitos podem não concordar comigo, mas acho uma mera situação de umbigo. Hoje em dia é assim, todo mundo tem direito de tudo. Sou super mega a favor da liberdade e acho, com toda sinceridade, que cada um pode fazer o que quiser da própria vida. Porém, acho também que seria muito legal se as pessoas se lembrassem de que não estão sozinhas no mundo. Paralela a toda a liberdade que desejam, deveriam se lembrar do respeito ao próximo. Não precisa de lei nem nada, basta bom senso e adquirir o saudável hábito de se colocar no lugar do outro.
Primeiro, o homem do cachorro se vê no direito de sentar numa mesa de restaurante e almoçar junto com o animal. Será que em algum momento ele se colocou no lugar das outras pessoas? Será que todo mundo acha legal almoçar na companhia de animais?
Outra coisa, vamos pensar, hipoteticamente, que tivessem umas 30 pessoas nas mesas, o que é um número até pequeno para horário de almoço no Bolão. Se cada uma dela se visse no mesmo direito que o nosso heroi, seriam 30 cachorros ali, entre as mesas na calçada. O argumento que o bicho era pequeno, quietinho e que não incomodava ninguém vai por terra nessa hora. Ím-pos-sí-vel 30 cachorros não incomodarem, não somente as pessoas, como também entre si. Para um pouco e imagina a cena. Pois é. Mas o bloco do eu sozinho consegue olhar por este angulo?
Daí vem o lado de Mister Bolão. Seu argumento mais forte foi o que? A lei! Pois é, mas a lei que favorecia a ele né, porque para a lei sobre mesas e cadeiras na calçada ele faz vista grossa. Não sei ao certo, mas, pelo que andou saindo na imprensa, ele não está lá muito legal nesse aspecto.
De novo, leis à parte, a cidade é lotada de bares que simplesmente ocupam a calçada, jogando o pedestre pro meio da rua. Isso sem falar na questão da poluição sonora, que não leva em conta o sossego de quem mora por perto. O bloco do eu sozinho só está preocupado com seu próprio negócio. Teve um dono de bar, numa entrevista, que chegou ao ponto de dizer que quem se incomodava com cadeiras na calçada e barulho deveria ir morar num sitio. Foda né?
Enfim, polícia para quem precisa de polícia. Agora, com certeza, seriam bem menos necessárias leis e polícia se cada um começasse a olhar pro outro. Principalmente aprendesse a se colocar no lugar dele.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Depois de um longo sumiço, estou de volta. Não sei se é pra ficar dessa vez, vamos ver. Se já enrolo no que tenho obrigação, imagina no que não tenho...
Bom, sou mega a favor de qualquer ação que implique em acessibilidade. É bem fácil da gente entender o direito do outro, basta trocar de lugar com ele. Todo mundo tem o direito até sagrado de ir e vir, além de ter também o direito de poder cuidar da própria vida. Daí nada mais lógico que sejam obrigatórias as condições para isso. Nenhum cego tem que ser guiado e nenhum cadeirante carregado, a não ser que esta seja uma escolha dele. Logo, o mundo tem que ser igual para todos.
Chego então à polêmica, que parece criada e alimentada só por mim, das calçadas de Belo Horizonte. Pra quem ainda não sabe, o que tá rolando é o seguinte: A Prefeitura de BH está intimando cidadãos a reformarem os passeios em frente às suas residências ou comércios. Pelo jeito não é na cidade inteira, mas em alguns pontos que elegeram como mais necessários. Imagino que existam critérios para isso, embora eu pense que a pessoa que mora na zona norte tenha o mesmo direito que a da zona sul que deve ser idêntico ao do pessoal da leste e assim por diante. Enfim, essa seria uma outra discussão, tão importante quanto a do tema do post, mas que terá que ficar pra outra hora.
De volta ao fio da meada. Embora seja algo polêmico, todo mundo sabe que proprietário de imóvel é responsável pela calçada. Na hora de dar manutenção, porque de resto ela é pública, como de fato toda a rua é. De novo, outra discussão pra outra hora, porque o nosso caso aqui não é de manutenção de calçada, mas sim de "construção". Sim, porque o que a Prefeitura quer é que cada contribuinte intimado coloque a mão no bolso e "construa" um passeio de acordo com projeto estabelecido. A ideia até que é boa, uma vez que visa o bem estar do pedestre e, sobretudo, prevê guias específicas para orientação de deficientes visuais. Sou o mais pedestre que alguém poderia encontrar, porque os que me conhecem sabem que corto essa cidade de fora a fora andando. Não sei dirigir e raramente pego taxi. Ônibus também só uso para distancias que cheguem a se mostrar proibitivas. Sei muito bem o que é andar a pé em ruas esburacadas.
Então, uma boa ideia, mas uma forma de realizar das mais estranhas. Primeiro que a gente paga muito imposto. Uma grande parte todo mundo sabe pra onde vai, todo dia tem novidade a respeito na imprensa. Mas o que sobra deveria no mínimo servir pra cuidar das coisas públicas, como ruas, por exemplo, incluindo aí as suas calçadas. Talvez tenha gente lendo (puxa, espero que TENHA gente lendo) que pense estar diante de um exagero. Confesso que eu também pensava assim, até dar de cara com o preço dos tais passeios. Dando um exemplo prático, um imóvel com frente de 12 metros, situado em uma avenida com calçada de 5m de largura fica na bagatela de R$ 6.000,00.
SEISMILREAIS!
Pois é, vamos combinar que, tirando o Eike Batista e os políticos conhecedores da formula mágica de multiplicação da renda, seis paus é muita grana pra qualquer pessoa. Pode então a dona prefeitura intimar o contribuinte, afogado em impostos, a pagar isso do seu bolso? Tudo bem que o dinheiro arrecadado precisa dar pra muita coisa, inclusive pra bancar viagens do Prefeito em aviões fretados, porque afinal de contas a gente é chic. Mas não seria obrigação do poder público viabilizar essa benfeitoria, sem dúvida alguma super importante, para os cidadãos?
Sei lá, isso pra mim é o óbvio do óbvio.

* Pra não alongar demais a conversa, só uma rápida passagem pelas exigências da padronização. Realmente não teria como escapar, já que a ideia não atende somente a uma necessidade estética. Mas me conta, quem é que está vendendo este material, que o-bri-ga-to-ri-a-men-te as pessoas estão tendo que comprar? Praticamente uma mega sena né não? Quem é o felizardo, e por que é dele o bilhete?


quinta-feira, 26 de maio de 2011

QUEM TEM MEDO DE CARETA?

Acho impressionante essa parada de coincidência. Gente, claro que existe, e às vezes nem é o papo do universo conspirando a seu favor... Apesar que no Brasil sempre tem conspiração a favor de alguém, desde que esse alguém não seja o povo...
Olha só, tem meses que o tal do kit homofobia, ou kit gay ou kit não sei lá o que tá bombando. Muita polêmica, discussão, baixaria e, hoje em dia, com as tais das redes sociais, a conversa fica meio interminável.
Vai que agora, justamente agora, a Presidente(a) arrumou um tempinho pra passar os olhos nessa pouca vergonha. Claro, o país tá bem tranquilo, não tem um polêmico Código Florestal pra encher a cabeça de ninguém, não tem ministro nenhum na corda bamba... Quer hora melhor pra sentar no sofá e ver um filminho?
Aí, depois de avaliar o material, e só por isso, a amada eleita resolve que não tá bom não. Vamo botá ordem nessa bagunça que esse trem tá mal feito demais sô. Que isso, agora vai ter aula de semvergonhice?
Então, por concidência, e só por coincidência, tinha um povo, de olho no bem do Brasil, que não queria de jeito nenhum que essa porra que esse kit fosse distribuído. Ainda de olho no bem do Brasil, esse mesmo povo falou de chamar um ministro pra bater um papo. Claro, gente boa demais, esse povo pensou assim:

- É uma coisa ou outra.

Daí ficaram sabendo, tipo, um passarinho me contou, que a porra o kit não ia ser mais distribuído.

- Ué, então tá bem né, sendo assim, deixa o home pra lá, outro dia a gente bate um papo com ele.

Encastelada em sua discreção (ou seria acuada em seu palácio), a gerentona brava aos pouquinhos vai descobrindo que cara de pau não tem medo de cara feia. Também, quem tá a fim de bancar o efeito dominó? Toda criança de cinco anos sabe que, caindo a primeira pedra, dificilmente as outras param de pé.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

QUEM VAI ELEGER O BOLSONARO?

Gente, duvido muito que o tal do Bolsonaro e seus coleguinhas retrogrados acreditem mesmo ser possível parar a marcha do mundo rumo à uma sociedade mais igualitária e menos preconceituosa. Se eles querem pensar como o "mal", pois bem, o mal já está feito, e não tem mais volta. Pode ter uma discussãozinha aqui, uma duvidazinha ali e muita engolidinha de sapo acolá. É, porque você pode ter certeza que muitos compactuam com as "modernidades" não porque concordem, mas sim porque não querem perder o posto na concorrência ao troféu Cabeça Boa.
Mas, para alguns, ganhar esse troféu é pouca coisa. Vale mais, muuuuiiito mais, ganhar uma eleição. Então o jogo é pra plateia. Pouco importa interromper as conquistas já existentes ou atrasar as que com certeza virão. O negócio é fazer barulho e aparecer na mídia. Claro que existe uma turma que concorda com o pensamento que eles supostamente defendem. E é direito de qualquer pessoa pensar como bem entender. Quem quer ser preconceituoso, que seja, desde que não use isso pra interferir na vida de ninguém. Cada um é dono do seu pensamento, o que não dá o direito de determinar como os outros devem viver. A cena é pra esse povo, que na maioria das vezes se esconde atrás de fakes e presta total apoio e solidariedade às insanidades ditas pelos seus lideres. Eles só se esquecem que os tais dos lideres não estão nem aí pro lado onde as coisas vão, desde que sua massa de manobra torne a elegê-los para posições onde eles poderão encher os bolsos e continuar a vociferar idiotices para vindouros votos idiotas.
Pois é, "nunca antes na história desse país" estes sujeitos tiveram tanto espaço para soltar suas grosserias nada fundamentadas. Simplesmente acharam o mapa da mina. Eles gritam de lá, a sociedade indignada reverbera de cá. Fico imaginando como deve ser divertido o ambiente de criação dessa turma. Devem propor as coisas mais cabeludas, morrer de rir, e então soltar as pérolas, com a certeza que tudo vai repercutir nos top sei lá o que das queridas redes sociais. Espertos, não ficam só no contemporâneo das novas mídias. Vão aos jornais, dão entrevistas nas TVs, falam pelos cotovelos. E a turma do absurdo, o que faz? Grita bastante e divulga pra quem ainda não viu.
E então, vamos eleger o Bolsonaro? Ele e os colegas estão cada vez mais agradecidos aos seus revoltados cabos eleitorais. De minha parte, sai da brincadeira. Não compartilho mais uma linha ou vídeo refente aos absurdos ditos por qualquer delinquente. A gente pode sim, se indignar sempre e manifestar opiniões, sem que para isso seja necessário carregar estes trombolhos nas costas rumo à vitória nas urnas.

domingo, 3 de abril de 2011

DE VOLTA (?)

Bom, como dá pra perceber numa rápida olhadinha, esse blog tá abandonado há uns bons quase 3 meses. Não, não teve crise, nem trabalho demais a ponto de me impedir de escrever. Mesmo as várias mudanças acontecidas nesse intervalo não seriam motivo real para o sumiço. A explicação é uma só, em duas palavras, preguiça e procrastinação.
Li outro dia, num blog de um cara que estava nesse mesmo processo de retorno, uma justificativa que considerei super plausível: Facebook e twitter. Realmente, depois que você embarca nessas duas ondas, blog vai ficando meio de lado mesmo. Twitter eu nem tenho, mas face é difícil não dar uma viciadinha. Aí o que acontece? A agilidade acaba influenciando o onde escrever. É tão rápido, simples e eficiente em termos de interatividade que a gente acaba metendo o pau em Planos de Saúde por ali mesmo.
Enfim, post pequeno só pra ver se dá uma re-esquentada no motor. Algumas curiosidades:
- Mesmo parado de tudo, nem eu vindo aqui, o Beagá Que Eu Vejo teve mais ou menos 1.200 acessos nesse período. Tá, é pouco, mas considero bem surpreendente, uma vez que não tinha nenhuma novidade e muito menos estava sendo divulgado. Fico feliz em saber que tem leitor que vem expontaneamente, sem precisar laçar.
- As enquetes podem ser meio malucas. Aquela que fica direto, sobre a frequência, de uns 80 votos que tinha, caiu pra 16. Não sabia que dava pra desvotar. Se a moda pega, tenho certeza que muita gente vai querer deseleger um povo aí, passados alguns meses da posse.
É isso, espero ficar estimulado de novo. Mesmo sem 365 vídeos ou um milhão e trezentos dinheiros pra captar, gosto de manter esse espaço de palpiteiro.
Agora vou fazer umas ligeiras mudanças no quem sou eu, porque até isso tá desatualizado. Muita água passou debaixo da ponte e o ano novo já começou.  :-)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

Nada como ser raposa e tomar conta do galinheiro. No apagar das luzes deste mandado, nobres deputados votam aumento de... seus próprios salários. Quem se reelegeu e vai continuar já pode contar com uns trocadinhos a mais pras suas miudezas. Quem está chegando agora, pensa "dei sorte". Pois é, o Tiririca pensou em voz alta.
Bom, avaliando em termos absolutos, o salário bruto nem seria tanto assim, se comparado à iniciativa privada. Diretores de grandes empresas, celebridades do mundo do esporte ou da TV tiram essa grana no troco. Mas aí entram várias diferenças. Primeiro que na iniciativa privada o que o cara ganha é diretamente proporcional ao que ele produz. No raciocínio básico do básico, o profissional estaria gerando para o seu pagador muito, mas muuuuiiito mais do que aquilo que cai na sua conta no final do mês. Outra diferença, essa ainda mais gritante, é que o pagador não paga ninguém com a minha grana, ou com a sua. No caso dos parlamentares sim, quem tira o dinheirinho suado do bolso é o povo. Mais uma, esse salarinho básico de mais de 25 mil dos deputados é limpinho, porque eles não gastam com absolutamente nada, já que tem verba pra tudo. Numa conta rasa, cada um deles custa mais de 100 pau por mês. E aí fica a pergunta: Pra que?
Mas, surpresa! Aí vem a cavalaria! Os jornais de hoje noticiam que o Judiciário pretente mover ação contra esse aumento abusivo dos que legislam em causa própria. Nossa, muito nobre, não fosse a sequência da notícia, informando que o motivo da ação não se refere a nada disso. O que acontece é que o Judiciário acha que o SEU aumento deveria ter sido votado ANTES.
Ainda bem que são só três poderes heim? Já pensou se fossem assim, uns cinco?  

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

NINGUÉM É OBRIGADO

Você já pensou em ser Presidente do Brasil? A burocrata de carreira Dilma nunca tinha pensado, até uns dois anos atrás. Não tô falando nenhuma novidade. É só imaginar uma pessoa de 62 anos que nunca concorreu numa eleição, nem que fosse pra vereadora. Mais, essa pessoa esteve praticamente toda a vida profissional ligada ao serviço público, ocupando cargos por indicação, o que de certa forma aproxima da política e políticos, com sério risco de contrair o vírus eleitoreiro. Pensa bem, passava pela cabeça dessa pessoa um dia na vida concorrer, na primeira eleição, prá Presidente? 
Pois é, essa foi uma das minhas encucações nesse processo todo: Quais as razões por trás de se inventar, a tal grau de invencionice, uma candidata? Enfim, venceu, por voto, o que é importante, e é mais que legitima. Agora esperar os resultados nesses próximos quatro anos que virão.
É, ninguém é obrigado. Ninguém é obrigado a votar. Esse papo de voto obrigatório torna-se uma grande piada quando mais de 20%, vinteporcento das pessoas, resolvem que não vão votar, e não votam. Em números de milhões, são 29.197.152. Já imaginou que tantão de gente é isso? A Presidente se elegeu com 55.752.529, ou seja, menos que o dobro de eleitores que simplesmente resolveram não dar as caras no voto obrigatório.
Tá certo, eu falei que não votar é votar. Mas lembra que falei isso sobre voto nulo? Então, a diferença é total. Quando você anula um voto, você votou, manifestou sua opinião, disse que nenhuma das propostas atendia seus anseios ou expectativas. Já quando você se abstem, não dá recado nenhum, a não ser o recado que resolveu curtir o feriado. Parece que tô malhando? Não tô, nada contra, eu acho que antes de ser um dever, o voto é um direito. E exerce esse direito quem quer.
Aqui, mas vamos parar de falar em voto obrigatório? Obrigatório pra quem? Não basta ter um título de eleitor que não serve pra votar? Pra que mais piada gente?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

NÃO VOTAR É VOTAR

Este post vem com o objetivo de desagarrar o blog. Pois é, muito tempo sem postar, e sinto que  foi pelo incomodo de ter ficado preso nessa onda política em função das eleições. Depois de hoje espero dar um refresco do assunto e assim, quem sabe, ter maior empenho para escrever.
Então, dando sequencia às postagens anteriores, muita água passou por baixo da ponte. O segundo turno não foi lá essas coisas, ninguém apresentou nada de concreto, choveram denuncias e escandalos e as posições cristalizadas trataram de cegar a turma. O que falam do meu candidato é boato, mentira, complô e o que falam do outro é verdade verdadeira. E vice versa. Enfim, ninguém convence ninguém. Sei que no final das contas um dos dois vai ter que ganhar, só gostaria que houvesse a consciência de ter ganho com voto crítico, e não recebendo um cheque assinado em branco.
Naquele lance lá de casamento gay, lei de homofobia e parará, os dois candidatos conseguiram se igualar. Ambos firmaram os mesmos compromissos com grupos religiosos retrogrados, pisoteando histórias partidárias e pessoais em função de uns votinhos. Obvio que este não pode ser o único aspecto a ser pensado na hora de votar, porém dá o tom do que foi (tem sido, ainda não acabou) a campanha em geral. O discurso se adequa à platéia, e vamo que vamo.
Sobre o título do post, quando digo que não votar significa votar, falo simplesmente porque acho que existem três opções, bastando a gente incluir "nenhuma das anteriores". Muita gente critica o voto nulo, eu não só já critiquei como até fiz um espetáculo que abordava o tema, uma peça de encomenda de ex-estatal depois privatizada que falava de cidadania para os jovens. Na sequência do impeachment do Collor tinha até cena com os cara pintadas. Sabe né, aquele pessoal que acha que derrubou um presidente. O tempo passa, a política nos dá lições espiritualizadas do perdão e esse hoje é um dos companheiros do companheiro presidente. Ah, quem lembra da campanha de 89 sabe muito bem o grau de altruísmo contido nesse perdão. Políticos são bem legais né?
Uma pessoa me falou: Voto branco ou nulo, eu nem dormiria. Meu voto é sagrado, e vale ouro. Concordo, e mesmo que não fosse obrigatório votar, eu votaria. Mas digo o seguinte, o voto nulo vale o mesmo ouro, porque representa a sua escolha, e a escolha que a gente faz, essa sim, é de ouro. Não dá pra na hora de escolher, optar pelo menos pior, o voto de ouro é pra ser usado com o melhor, e pronto.
Enfim, nada disso quer dizer que no domingo anularei o meu voto, afinal todo mundo sabe que o voto é secreto né?  ;-) 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DIGA SIM PRA MIM

Pois é, de novo o casamento gay. Acho essa história uma das coisas mais sem sentido da face da terra. Uai, a quem mais pode interessar um casamento senão a quem está casando? Realmente não dá pra entender no que o estado civil de duas pessoas interfere na vida das outras. Ah, você não acha certo home com home nem mulhé com mulhé? O problema é seu, e o direito também é seu. Não ache, mas também não encha o saco, só isso.
Fato é que virou tema de campanha eleitoral, essa que tá rolando, pra eleger o mais carola, candidatos a coroinha e filha de maria. Ahn? É eleição pra Presidente da República? Nossa, desculpa a mancada, mas é que não tá parecendo.
Bom, José Serra declara que é a favor dos direitos civis, mas que casamento é com as igrejas. Sei lá, mas eu penso que deve ser isso mesmo que todo mundo quer quando fala de casamento gay. Não acho que são muitos os que defendem o direito de entrar na Igreja ao som da marcha nupcial não. Daí rola que Dilma vai assinar uma carta lá pros evangélicos de compromisso contra casamento gay e aborto. Já viu isso? Colocar aborto e casamento gay no mesmo balaio? Faz favor né... Por enquanto é bo-a-to. Vamos ver se essa carta aparece mesmo, e aí conhecer o que de fato a madame assinou.
Engraçado que o Estado é laico e que Marina Silva, a única candidata realmente comprometida declarada e assumida com questões de fé, não misturou as coisas. Depois dela que virou essa guerra santa mais maluca. Enfim, coerência não é pra qualquer um mesmo não né?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

AMIGAS DO PEITO

Hmmm... Primeiro vamos supor que você é mulher. Tá, se você é mulher mesmo, não precisa nem supor. Agora vamos pensar que você, por mérito ou relacionamento, arrumou uma boca num serviço público. Gente boa demais, você engatou uma amiga lá também.
Passou um tempinho, você sempre proativa, já está noutro lugar. Um lugar melhor. Como é bem difícil gente em quem confiar, você pegou aquela sua amiga e levou junto. E assim foram as duas, degrau em degrau, passo a passo, amigas de fé, irmãs, camaradas.
De repente, do nada, você se vê lançada num patamar inimaginável pela sua história de vida burocrática. Amigona como sempre foi, dessa vez você não coloca a sua coleguinha um passo atrás de você não. Num gesto de pura fraternidade, você simplesmente coloca a tal exatamente no seu lugar, que acabou de vagar. Pois é, história emocionante que faz a gente acreditar nas relações humanas né não?
Bom, mas não acabou aqui. De repente, do nada de novo, começam a estourar atividades escusas daquela que foi sua parceira de trabalho, e afeto, durante longos anos. Parentalha, amigos de parentalha, amigos de amigos, uma corrente que mata a gente (quem tem medo sai da frente) de um povo muito esfomeado, que foi metendo a mão onde dava, catando centavo por centavo do dinheiro público que estivesse ao seu alcance.
Pergunta 1: É possível que você não soubesse de nada disso? Ram-ram, possível é sim, afinal, tudo é possível.
Pergunta 2: É provável que você soubesse de tudo? É... bastante provável né?
Historinha hipotética, só pra gente brincar um pouco aqui.

domingo, 3 de outubro de 2010

OBA! AINDA TEM MAIS!

Tá, não foi beeeeemmm o segundo turno que o blog aqui vinha correndo atrás né, mas só de ter já tá de bom tamanho.
Acho que o recado das urnas foi super importante, mostrando que o Brasil não tem dono e que o eleitor brasileiro não pode mais ser tão subestimado. A estratégia do plebiscito foi por água abaixo, o maniqueísmo de bonzinhos contra mauzinhos não colou e a campanha infantilóide agora vai TER que chegar ao fim. Ninguém foi as urnas pra eleger uma mãe ou um pai.
De agora até o final do mês esse povo vai TER que fazer uma campanha séria, com propostas, cartas na mesa e transparência.
Marina foi fun-da-men-tal nessa mexida. A sua participação colocou o processo nos trilhos e abriu os olhos de muita gente.
Enquanto isso, ummilhãotrezentosequarentamilvotos. Tiririca levando muita gente com ele pra Camara dos Deputados. Pois é, nem tudo pode ser perfeito.

VOTAR É BOM

Fui, votei e voltei :-)
Só não digo em quem, porque, você sabe, o voto é secreto.
Hoje me falaram - "quando eu fizer 70 anos não voto mais". Eu não, acho que enquanto tiver jeito, físico e institucional, vou continuar adorando este dia e esta época. Adoro o período de eleições. O noticiário, os debates, programa na TV (devo ser o único que gosta), até mesmo as discordâncias. Embora muitas vezes algumas posições me irritem e algumas mentiras firam os ouvidos, a diversidade me parece sempre mais saudável do que os silêncios impostos.
Uma coisa que não entendo e uma que não concordo.
Não entendo: Por que votamos em dois senadores? Ainda não vi nenhuma explicação convincente. Na verdade, nenhuma explicação. Ponto.
Não concordo, e não concordo de jeito nenhum: Quem se elegeu há dois anos, seja pra que cargo for, não deveria poder se candidatar sem cumprir seu mandado. Foda isso, o cara candidata a vereador, ganha, e dois anos depois tá candidatando a deputado. Sem contar prefeito querendo virar governador e o escambáu. Pior, não abrem mão de seus mandatos. Só tiram uma licença. Não deu certo, voltam pro cargo. Que isso? No mínimo teriam que correr algum risco né não? Absurdo dos absurdos.
Uma conclusão: Título de eleitor é um documento que não existe, uma vez que não serve pra nada. Sei disso desde que comecei a votar. Esse ano, inaugurei o meu, aquele que fui forçado a tirar. Levei, claro, agora que tenho...
Bom, agora é aguardar a apuração e preparar pro segundo turno. Pelo jeito parece que vai ter mesmo viu.