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quinta-feira, 10 de maio de 2018

MAIS UMA VEZ O "BEIJO GAY", TAMBÉM CONHECIDO COMO "BEIJO"

*Como crédito da foto, encontrei apenas Reprodução/TV Globo






y". 
Chega de ficar esperando o capítulo do "beijo gay".
Novela tem beijo todo dia, toda hora, as vezes até demais. Menos quando é homem beijando homem ou mulher beijando mulher. Aí tem o dia certo de passar, a expectativa se a cena já gravada vai ou não ao ar, textão na internet pró e contra e comentários homofóbicos nos sites de notícias e fofocas de TV. Sem contar a hecatombe nuclear que o beijo vai provocar e a transformação de todas as crianças em crianças gays porque viram um cara beijando outro.
Teve beijo gay de novela no capítulo de terça. Sei por ouvir dizer porque não assisti. Segundo consta, os atores do beijo são namorados há séculos na história. Mas, estranhamente, nunca haviam se beijado.
Gente, já perdeu a graça a "transgressão" do beijo gay. Não tem porque aplaudir, incensar autor ou emissora. O lance é lembrar que gay beija sim, beija igual hetero, beija toda hora, quando tem quem beijar. 
Bora então naturalizar o beijo. Põe casal gay beijando feito qualquer casal. Beijo com hora marcada, ao som de trombetas, só reforça preconceitos e estereótipos.
Chega de "Beijo Gay". Vamos dar as boas vindas ao beijo, simplesmente beijo.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

OS "DESINVISÍVEIS" QUE INCOMODAM




Escrevi este texto em 2015, para uma coluna de jornal que eu assinava. O motivo de retornar a ele agora foi a polêmica que está rolando em torno da agressão sofrida por um dos atores da peça “Certos Rapazes”, em cartaz aqui em Beagá. Sobre a peça falarei depois, e isso é uma promessa, porque gostei muito e desde a estreia venho enrolando pra escrever.
A polêmica: Um dos atores, que interpreta um dos parceiros no casal gay em cena, foi agredido por amigos, conhecidos, vizinhos - algo assim - em um jogo de futebol que participava perto da sua casa. Fez post no Facebook, rendeu pra imprensa e surgiram diversos comentários, a maioria de apoio ao cara (felizmente).
O que me chamou a atenção foi o tanto de gente que viu nisso um retrocesso. Retrocesso do que? Quando, em que tempo, a homofobia foi diferente, principalmente “menor” do que é hoje? Esse preconceito histórico está aí bem antes do politicamente correto da “aceitação”, que levou muito homofóbico pro armário em nome do discurso cabeça boa. Agora, um esforço não muito grande de memória, ou de história, pode conduzir quem está surpreso com o retrocesso para ali mesmo, pertinho, nos anos 80, 70, 60, até mesmo 90.
Ah, o preconceito era menor. Era? Onde? Na sua casa, onde ser gay era tabu e a palavra nem mesmo podia ser dita? Na sua comunidade, onde qualquer distração no trejeito de mão era motivo de chacota e de negação (necessária) caso a pessoa não quisesse de imediato ser atirada ao gueto da discriminação agressiva e “legalizada”, no sentido de que, diferentemente de hoje, ninguém achava nada demais discriminar gays. pelo contrário, isso era uma coisa bem legal de fazer?
Como um adendo, o ator esclareceu que ele não é gay, gay é o personagem da peça, e que foi discriminado e agredido por conta dessa confusão. Na levada, muita gente, querendo ser gente boa, escorrega ao ver nisso o drama. Quer dizer, fosse o cara gay, tava de boa, mas que isso, agora vão começar a agredir hetero por homofobia? Aí não, que já é demais. Tudo bem, o ator obviamente é gayfriendly e não partiu dele nenhuma intenção de se justificar pela negação. A dica aqui é para os comentaristas de plantão, que talvez não observem em suas posições o tanto de preconceito velado existente.
Como a introdução já virou textão, vou dar uma editada no que eu falei sobre os “desinvisíveis” na tal coluna do jornal. A ideia de usar o texto foi apenas pra contextualizar que não, não há nenhum retrocesso, a homofobia está onde sempre, infelizmente, esteve. O que acontece agora é que cada mais mais gays se tornam visíveis e, com isso, também se tornam bem mais visíveis as manifestações do preconceito.
O texto de 2015:
“Toda relação é um presente”, disse a Natura em comercial de 2013, utilizando música do Marcelo Jeneci em um vídeo bem emocionante, onde contemplava os mais diversos tipos de relacionamento, incluindo, claro, os homoafetivos. Teve choro e ranger de dentes? Bem provável que sim, mas não me lembro de ter sido algo que chamasse tanta atenção.
O bombom Sonho de Valsa, já em 2015, também lançou um filminho, este bem mais ousado, incluindo quase todas as modalidades de casais possíveis. Tinha lésbica beijando? Tinha, assim como tinha velhos, gente com grande diferença de idade, cadeirantes, casais interraciais, etc. Outro que eu não to lembrando de nenhuma movimentação contra.
Aí vem o Boticário... Não, eu não estava procurando água em Marte e cheguei atrasado ao assunto não. To sabendo que esse troço já rendeu às pencas desde a semana passada. Mas, como falei de invisibilidade na última terça, achei que era um bom motivo pra falar de uma variação do mesmo tema, a “desinvisibilidade”.
Então, como todo mundo sabe, o Boticário também usou casais homoafetivos em sua peça de divulgação para o Dia dos Namorados. Embora o vídeo seja dos mais bem comportados do mundo, pra muita gente a casa veio abaixo justamente com ele.
Em todos os três casos citados, e em mais um monte de propagandas, novelas e filmes que já fizeram ou que certamente ainda farão nessa linha, existe uma coisa em comum. Nenhum dos casais ali presentes foi inventado. É tudo coisa que existe, e existe há muito tempo, não começou agora. A diferença está justamente na visibilidade, que antes não era dada ao que fosse considerado “diferente”.
Algumas pessoas, sobretudo mais jovens, que não viveram outras épocas, costumam falar de certa “regressão” em questões de intolerância. Não gente, não é que havia mais tolerância antes, o que havia era invisibilidade, e o que não é visto não tem como incomodar, né? Saber que existia todo mundo sempre soube, mas a vista grossa é a mãe da hipocrisia. Então faz assim, você finge que não existe e eu finjo não me incomodar com você. O diretor do filme do Boticário, Heitor Dhalia, tem um palpite que talvez seja a chave pra desvendar o porquê da ira despertada justamente pelo seu comercial, tão bem comportado: “(...) na essência talvez seja por mostrarmos casais homossexuais de forma tão natural, sem associar a um gueto underground. Quase como um encontro de comédia romântica.”  

O fato é que, mesmo com todos os contras, os “desinvisíveis” podem se considerar vitoriosos. Os “a favor” superam em número, argumentação e bom humor, haja vista a quantidade de piadas criadas em torno do pensamento tacanho daqueles que tentaram, de alguma forma, desacreditar a ideia contida na publicidade - “consideramos justa toda forma de amor”. Isso sem contar o mico da sugestão de boicotar a perfumaria. Caso houvesse coerência nesta proposta, os adeptos seriam atirados de imediato ao tempo das cavernas, uma vez que praticamente todas as empresas e prestadoras de serviço que contam no mundo de hoje são pró direitos LGBT.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O AMOR ME FAZ FELIZ

Desculpe, posso aceitar seu amor 
Mas não essa felicidade que trazes pra mim
Porque se só sou feliz quando vens
Serei infeliz quando fores

quinta-feira, 24 de abril de 2014

VELHO


Eu não sou velho
Mas não preciso que alguém venha me consolar
A cada vez que eu disser que sou velho
“Não, você não é velho!”
Como se isso, um defeito fosse
Eu tenho a exata idade que tenho
Eu sei que não sou velho
Mas velho, também sei que sou

sábado, 30 de novembro de 2013

O TEMPO, AH, O TEMPO...

A despedida de Mister Girassol. 
Sai a flor, ficam as sementes da renovação. É a natureza demonstrando, com simplicidade, que “o novo sempre vem”.
Pessoalmente, por convicção, procuro não sair batendo portas. Porém, já há um bom tempo, desaprendi o que é olhar pra trás.
Duas considerações, meio definitivas (pra mim) sobre o tempo que, independentemente do nosso querer, passa e nos transforma:
- “Sei que daqui a alguns dias novamente haverá mais passados acumulados em meu quarto e em meu peito. Vou sorrir. Viver é limpar-se do passado constantemente." – Julian Oliveira in Réquiem ao Saudosismo 
"No presente a mente, o corpo é diferente, e o passado é uma roupa que não nos serve mais.” – Belchior in Velha Roupa Colorida

segunda-feira, 3 de junho de 2013

DANIELA, VEM PRA PARADA!

Daniela Mercury participou pela primeira vez da Parada do Orgulho Gay, LGBT, visibilidade, seja o que for, em São Paulo.

E, pela primeira vez, a mídia subverteu a tradição das coberturas, de sempre explorar SOMENTE o caricato. Claro, ainda fez isso, mas a cantora famosa abriu novas abordagens.

Então, que tal se ela viesse também para a Parada de BH? Tá, não é tão grande e nem tão famosa quanto a de São Paulo, mas leva muita gente e é bem legal. Com a presença dela então heim? Vai bombar!

Vamos começar a campanha? Como quero reivindicar a ideia, e também o início das atividades, faço isso neste blog paradinho, assim registro a data de onde tudo começou. Tá, isso ficou meio chatinho, eu sei. Mas, quem entre nós não tem suas vaidades?  ;)

Bora lá?

DANIELA, VEM PRA PARADA!

* Peguei a foto no Google, e não tinha créditos. Se for sua, por favor, avise.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ONTEM FOI DIA DE DERMATOLOGISTA BEBÊ

Primeiro, será que deu pra sentir que o título seria HOJE FOI DIA...? 
Pois é, este era o título mesmo. Mas, procrastinação, blablabla, virou ontem. E procrastinação das grossas viu, porque o plano era fazer o que realmente vou fazer: Reproduzir aqui o  "Questão de Pele", naquele velho esqueminha de subir post, lembra?
A atualização tem dois motivos. Truque pra renovar o blog, que anda parado demais, e citar o nome da dermatologista já falada lá trás. Então, ontem contei pra ela de ter falado sobre as consultas aqui, frisando não ter citado nomes, a não ser que ela autorizasse. 
Autorizou, digo, Alba Valéria. Atende ali, no Barro Preto. Informação pra quem é de BH, lógico. Podem continuar perguntando por e-mail e no facebook que indico. Sou bem chato pra indicar qualquer coisa, porque me sinto responsável. Mas no caso dela vou tranquilo, e sei que já teve gente indo lá.
Então é isso, vou colar o anterior aqui. 
Se dessa vez teve amostrinha grátis? 'Divinha...  :)

QUESTÃO DE PELE

Eu adoro ir na minha dermatologista, e hoje foi dia. Adoro por vários motivos. Um é que a gente não espera um minuto, vai chegando e sendo atendido. Hoje nem sentei na sala de espera, cheguei e fui entrando. Tá, eu sempre me atraso, talvez por isso não espere. Hoje, por exemplo, atrasei uns 20, ou 25 minutos, sei lá...
Outro motivo é que ela é lin-da! A pessoa certa na profissão certa. Uma pele de seda, mas daquelas peles naturais, não dessas que muita gente que lida na área tem, uma coisa meio brilhante. A dela não, é um veludo mesmo. Tem um pouquinho de olheiras, mas que ficam super bem no conjunto da obra. Ah, também é simpática, desses médicos que conversam, sorriem e até aceitam umas brincadeirinhas sem ficar olhando pra nossa cara com ar de paisagem.
Mais um motivo: Ela me dá milhões de amostras grátis. Amo sair de lá carregado de frasquinhos miúdos e bonitinhos. Sempre, junto com a receita, vem a amostra. Logo, economizo na farmácia. O que é ótimo né, porque produtos de dermatologista custam os olhos da cara.
Hoje fui por causa de uma "feridinha" que insiste em aparecer debaixo do meu olho direito. Começou no ano passado, tratei com essa médica mesmo e foi bom. Mas o problema é que sempre volta. Aí, se uso a pomada que ela tinha me receitado, e dado, some. Um tempo depois, já começam as casquinhas, o ponto vermelho e tal. Dessa vez ela mudou o tratamento e, claro, me deu os remédios.
Outra coisa é que minha careca de máquina zero produz umas asperezas não visíveis, só perceptíveis ao toque. Se vou deixando, começam a aparecer, primeiro vermelhas, depois semelhantes a uns arranhões. Coisa de sol. Mesmo usando boné constantemente, o troço volta. Daí precisa queimar com frio. Isso mesmo, usam nitrogênio a menos 200 graus, acho impressionante. Na verdade, é uma coisa bem simples, feita ali mesmo, sentado na frente da mesa dela. Hoje inovou, só haviam uns poucos pontos sensíveis ao toque e ela queimou com um ácido. Pelo menos foi o que disse. Passou o troço com um cotonete, deu uma ardida e pronto.
Bom, como eu ia só lá, nem precisava de bolsa. Maaasss, já imaginando a feirinha que poderia fazer, dei uma esvaziada básica na que eu tô usando, pra não precisar carregar peso, e levei. Feliz providência...
No final da consulta, já com as caixas dos remédios, perguntei: 
Posso ser cara de pau?
Ela, muito legal e muito linda, respondeu que sim.
Então perguntei se não tinham umas amostras de protetor solar. Já viu né, isso pra mim é ouro, independente de poesias recitadas por apresentadores de TV. Menino, ela encheu a mão, e eu enchi a bolsa. Tão bunitinhas as bisnaguinhas que ela me deu...
Amei refazer o estoque.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

MAIS TRABALHO

Sou fascinado pelo tema "trabalho", o que não significa que eu goste tanto de trabalhar. 
É, como já disse em outros posts, a única coisa que a gente ganha pra fazer é trabalhar. Para todo o resto, a gente precisa é pagar. Isso deve ter algum significado né?
Então, este é um tema inesgotável pra mim. Adoro publicações sobre o assunto, assino revistas de negócios e amo ler biografias das pessoas empreendedoras. Com parentes e amigos, trabalho é meu assunto recorrente. De certa forma, mal sei falar de outra coisa, até porque nunca soube separar muito direitinho viver de trabalhar. Sabe aquele esquema, vai viver depois que bate o cartão? Pois é, nunca soube fazer, e nunca também bati cartão, aliás.
Tudo o que eu queria falar agora, encontrei em um vídeo, que vi compartilhado no facebook. Entre outras coisas ele é bastante "entusiasmante", tanto que me entusiasmou a postar novamente aqui no blog que, como quem lê sabe, anda bem paradinho.
Claro que o fato do post já estar mais ou menos pronto, e editado em vídeo, contribuiu, porque assim nem deu muito trabalho.  :)
Assiste, são 10 minutos. Concordo que em tempo de Internet isso é praticamente um longa metragem. Mas pode confiar, vai valer a pena.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A VIDA É TRABALHO (?)

Este vai ser um post do contra, porque vai na direção inversa do que se prega, aliás, inversa até mesmo do que eu as vezes falo, e efetivamente pratico. Pode ser até que alguém se lembre que este título é repetido. Já foi usado, sem a interrogação, aqui mesmo no blog.
É o seguinte, cheguei à conclusão (e posso mudar de ideia, claro) que as pessoas que não amam seus trabalhos vivem melhor. É, isso mesmo, o pessoal que arrasta correntes diariamente, preocupado em somente garantir a sobrevivência, acaba sendo mais feliz e tendo vidas mais animadas no conjunto da obra.
Por mera observação, nada científico, me parece que são estas pessoas que mais frequentam eventos, desde os promovidos na rua até cinema, teatro ou balada. São elas também que mais viajam. Enfim, são pessoas que aproveitam ao máximo suas horas de folga, porque valorizam demais estas oportunidades e ali aproveitam para esquecer o suplício que é o trabalho diário.
Quem faz o que gosta, mesmo tendo momentos de tédio e chatice, porque nenhum trabalho é bom o tempo todo, acaba misturando as estações. Não separa bem hora de trabalhar e hora de folga porque, diferente daqueles cujas atividades representam somente a possibilidade de pagar as contas, não consideram que trabalhar = sofrer. Com isso, não têm aquela disposição, uma quase aflição, em aproveitar o tempo livre. 
Conheço muita gente assim. Depois de batido o cartão, pernas pra que te quero, precisa rolar um happy hour, até porque as últimas hours foram sad. Final de semana então, nem fale, a programação é intensa. Feriado na cidade? Nem pensar, precisa pegar uma estradinha, ainda que seja pra uma cachoeira nas proximidades.
Será que estou sendo ingrato? Será que estou cuspindo no prato que sempre comi, por ter conseguido, a vida toda, trabalhar naquilo que eu queria? Pode até ser, mas o fato é que tenho me sentido muito incapaz de curtir os momentos de ócio, que, no meu caso, nem tão poucos são. É, culpar os outros, ou as conjunturas, é sempre mais fácil. 
Essa luz me veio ontem. Acho que vai dar pra entender porque este é o tipo de luz que só viria mesmo em um final de semana ou feriado. Ainda que eu mude de ideia, quem sabe até antes mesmo de finalizar o post, fica aqui, para registro.

domingo, 22 de julho de 2012

OS BEM COMPORTADOS

Existe um segmento no universo gay, ou talvez mais de um segmento, uma vez que este grupo é bastante segmentado, que busca a "aceitação" como prêmio pelo bom comportamento. Então tudo prejudica estas pessoas, por danos de imagem. A bicha pintosa, as travestis, os que dançam descamisados na buatch, aquele povo que só pensa em pegação, enfim, todo mundo que, de alguma maneira, possa parecer agressivo frente aos heterossexuais, suas famílias, religiões e normas. 
Naturalmente, estes segmentos também são contra, e descem o malho, nas Paradas Gays LGBT que rolam pelo mundo afora. Entre outras coisas, tacham de despolitizadas (ham-ham, quem não consegue diferenciar respeito de aceitação é bem politizado), de micaretas, de meras oportunidades pra beijar na boca, de show de drag e por aí vai.
Acho que fui a todas as Paradas de BH, ou se perdi no máximo foram uma ou duas. Afirmo, sem medo de errar, que as Paradas, todas, não só as de Belo Horizonte, são politizadas. Não fosse por mais um monte de coisas, só a sua realização já é um ato político.
Na Parada tem trava? Tem sim senhor! Na Parada tem pegação? Tem sim senhor! Na Parada tem trio elétrico? Tem sim senhor. E o gay, o que é? É um cidadão como outro qualquer, cuja única diferença é amar, ou transar, com alguém do mesmo sexo.
Por que então ser tratado como cidadão de segunda categoria? Pior, por que ser tratado como ser humano de quinta categoria? Seria realmente muito bom que não fosse preciso fazer parada nenhuma. Seria muito bom que todos pudessem ser iguais em suas diferenças. Bom seria também se todos entendessem que ninguém precisa de aceitação. O que se pede, ou pelo menos deveria ser pedido exigido, por todos, é respeito. Enquanto alguns não entenderem o que essa mudança de exigência significa, vão continuar com suas críticas vazias, fomentando o preconceito dentro do preconceito.
Já disse outras vezes, mas acho sempre bom repetir. Não se pode pregar um jeito certo de ser gay, em oposição ao jeito errado de ser. A palavra de ordem "diversidade" precisa contemplar exatamente isso, a diversidade. Cada um tem o direito de ser como é, do jeito que se sentir bem, desde que não prejudique o outro.
Estas correntes costumam dizer: Pra ser gay, não precisa ter voz fina. Precisar não precisa, mas se tiver, ou quiser ter, não é problema seu. Pra ser lésbica não precisa se masculinizar. Precisa? Não, não precisa. Mas se a moça quiser ter pinta de macho, no que isso afeta o outro? Constatar que a diferença existe, até mesmo colocar apelidinhos diferenciando uns dos outros, é uma coisa. Pregar contra, aí não, aí já é fazer o jogo do homofóbico.
Meninos bem comportados, façam seus esqueminhas de aceitação. Abaixem as suas cabeças e façam tudo o que seu mestre mandar. Agora, deixem o pessoal ferver nas Paradas, na noite, tirar suas camisas ao som de música eletrônica, vestir de mulher, dar muita pinta nos palcos. Numa sociedade heteronormativa, o próprio fato de ser gay já é uma transgressão. Talvez um dia, além de aceitos, vocês se descubram também respeitados. Aí não vai ser preciso nem agradecer. Cada um que batalhou por isso já vai se sentir bastante recompensado por poder levar a vida com a dignidade que merece.

* A foto foi pescada no Portal R7, com crédito para o jornal Hoje em Dia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ORGULHO E PRECONCEITO

Pois é, blog parado e agora post repetido. 
Alguém aí deve lembrar de uma época que fiz isso, andei subindo uns posts mais velhos pra "aproveitar" leitores novos. É, porque ninguém que entra aqui vai ficar rolando a página e muito menos mudando de uma pra outra. Claro que, como tudo mais nesse blog, foi uma fase e depois parou.
Hoje estou repostando um texto de 2010, pra falar da Parada do Orgulho Gay, ou seja lá que nome tenha, seguido da sigla LGBT. Vou repetir porque acho que ficou bom e, pra falar a verdade, não tem muito a acrescentar, mesmo passados 2 anos.
Então, vamos lá. O objetivo é lembrar que domingo tem a Parada de novo. Vamos?






Eu acho que tem muita confusão em torno dessa idéia de orgulho. Pra mim deveria ser uma referência somente daquilo que a gente tem participação direta. Exemplo prático: Gisele Bündchen não tem porque ser orgulhosa de sua beleza, mas tem tudo a ver o orgulho do que fez com esse atributo natural. Outro: Orgulho de ser brasileiro... Ahn? Nem orgulho e nem vergonha. Por que ter nascido aleatoriamente numa parte do mundo seria motivo pra qualquer uma das duas opções? Orgulho da família... Bom, esse até cola, porque a pessoa pode se sentir orgulhosa da forma como encaminhou esse setor da sua vida, ainda que muito deste caminho tenha sido feito por eventos aleatórios.
Bom, orgulho gay. Outro meio sem pé nem cabeça. Ninguém escolhe ser gay e não faz qualquer esforço pessoal para determinar sua sexualidade. Não há mérito, e da mesma forma não há demérito. Ser gay é mais ou menos como ser brasileiro, muita gente se pudesse ter escolhido não seria nenhum dos dois.
Então, isso tudo pra falar de uma coisa muito legal que acontece mundo afora, e que hoje domingo rola em BH, a Parada do Orgulho Gay. Claro, já deu pra perceber que na minha opinião o nome é meio equivocado, o que não tira a importância do evento. 
Para os idiotinhas que contrapõe com a não existência de Parada do Orgulho Hetero, além de lamentar a sua burrice, a gente só pode lembrar que ninguém é hetero. Heteros são médicos, pedreiros, advogados, lixeiros, gordos, altos, ladrões, de olhos verdes, carecas, mancos, lindos... Qualquer coisa, menos heteros. Com gays também deveria ser assim, mas não é. A parte gay sobrepõe todas as outras e também o todo.  Sentiu a diferença? Daí a necessidade de ações deste tipo.
O mais importante desta marcha colorida pela cidade deveria ser a visibilidade. Parada da Visibilidade Gay. É, Harvey Milk, como a gente aprendeu no filme sobre ele, dizia da importância da visibilidade. Sempre pensei assim também, por um raciocínio super simples. Todo preconceito vem do desconhecimento, e não há uma só pessoa no mundo inteiro que não tenha convivência com gays. O que acontece é que muitas dessas pessoas nem sonham que se relacionam com rapazes e moças alegres bem mais do que pensam. Toda família tem um filho, um primo, um sobrinho, um tio, até mesmo um pai ou uma mãe gay. As vezes na verdade a tropa toda - filho-tio-sobrinho-irmão e o escambau. Como nem todo gay usa maquiagem e nem toda sapata calça social e cinto de curvim, acaba que tudo passa despercebido e assim as pessoas podem ter preconceito contra aquele povo distante. Numa comparação meio esdrúxula, o que interfere mais na consciência, um conhecido ou mil estranhos numa estatística? De novo, coisa simples, você vai dar mais atenção à dengue quando morrer um filho seu do que enquanto ler que morreram 500 no Brasil.
É isso, Parada da Visibilidade Gay, pra mostrar que "esse povo" está mais presente do que você imagina. Lógico, 3 milhões na Parada de São Paulo não significam nada diante da descoberta que seu melhor amigo, aquele parceirão, é gay. Puxa vida, o cara é tão legal né, e vê só, é gay...
Pena que em grande parte o carnaval na rua acabe se esgotando em si mesmo. É, porque na maioria das vezes, a animação atrás do trio elétrico se transforma em sorriso amarelo no dia seguinte. Sabe né, naquela hora que o evento vira a piada na roda de cafezinho da repartição e o sujeito que bateu cabelo na avenida faz que não é com ele. No dia seguinte, o que era um animado orgulho vira de novo vergonha e conduz de novo o ex-orgulhoso pra dentro do seu nem sempre confortável, mas aparentemente seguro armário. 
A mídia também sempre coopera na cobertura, tratando a manifestação como algo pitoresco e engraçado, focado nas montagens das drags e nos corpões pelados em cima de caminhões. Não, não, nada contra. Tem gente preconceituosa dentro do preconceito que quer taxar o modo de vida dos outros. Patrulham em cima de um jeito certo de ser gay. É, o mesmo pessoal que reclama quando tem alguma pintosa em novela, como se elas não existissem e pior, como se não tivessem o direito de existir e ser como são. A crítica pra mídia aqui vai no sentido de não contemplar a diversidade e focar somente nos personagens que podem com maior facilidade render algum tipo de deboche. Desserviço total.
Falei mal da Parada? Acho que não, apenas botei uns contras em cena, mas são muitos os prós. Só o fato de milhares de pessoas irem pra rua em torno da idéia de querer ser igual nas suas diferenças vale a festa.
É sempre bom lembrar que ninguém precisa aceitar nada, apenas respeitar e cuidar da sua própria vida em vez de ficar se metendo na vida dos outros. Não gostou? Acostume-se, estamos aqui, e viemos para ficar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

COLECIONISMO SUSTENTÁVEL

Não gosto de comprar agendas (agenda é dessas coisas de ganhar), mas a vida com elas é bem mais fácil, principalmente para pessoas dispersas e procrastinadoras. Excelente currículo esse heim, não tem um que não queria contratar depois de ler...
Passei muito tempo sem usar as tais das anotações, até porque, além de esquecer de anotar, às vezes esqueço de olhar. Mas, sempre atento aos revolucionários métodos de uma vida melhor e mais produtiva, novamente me rendi aos encantos da hora marcada.
Problema: não ganhei nenhuma agenda esse ano. Ah não, minto, forcei a ganhar uma do banco. Foi assim: A minha irmã, que nem tem conta lá, tinha ganhado uma de um vizinho que por sua vez tinha arrumado não sei onde. Daí ela deu pra minha mãe e cresci o olho. Quando a minha gerente me ligou pra oferecer aquelas maravilhas de te emprestar dinheiro que você não pediu e vai pagar o triplo pelo resto da sua vida, falei que dispensava tão generosa oferta, mas aceitava sim, uma agenda que sabia que eles tinham. Fui lá e busquei a tal. Até que tava quebrando o galho, mas era bem ruinzinha. Na verdade, a sua função seria bem mais de anotar coisas perto do telefone do que de fazer um diário.
Bom, outro dia, remexendo numa mesa lotada, encontrei agendas velhas, de 2007 e 2008. Agendas boas, de folhas grandes, onde dá pra escrever desde o compromisso até o contato e endereço. Folheando a de 2007, descobri que os dias do mês com os dias da semana eram i-dên-ti-cos aos de 2012.
Quem guarda tem, não é esse o ditado?
Pois bem, caso você ainda esteja trabalhando sem agenda, e tenha alguma perdida aí de 2007, seus problemas acabaram. Só um alerta. Dá uma geral no caderninho, porque talvez ele tenha sido um pouco utilizado. Aí né, já viu, fica grande o risco de acabar comparecendo agora a um compromisso agendado cinco anos atrás.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUESTÃO DE PELE

Eu adoro ir na minha dermatologista, e hoje foi dia. Adoro por vários motivos. Um é que a gente não espera um minuto, vai chegando e sendo atendido. Hoje nem sentei na sala de espera, cheguei e fui entrando. Tá, eu sempre me atraso, talvez por isso não espere. Hoje, por exemplo, atrasei uns 20, ou 25 minutos, sei lá...
Outro motivo é que ela é lin-da! A pessoa certa na profissão certa. Uma pele de seda, mas daquelas peles naturais, não dessas que muita gente que lida na área tem, uma coisa meio brilhante. A dela não, é um veludo mesmo. Tem um pouquinho de olheiras, mas que ficam super bem no conjunto da obra. Ah, também é simpática, desses médicos que conversam, sorriem e até aceitam umas brincadeirinhas sem ficar olhando pra nossa cara com ar de paisagem.
Mais um motivo: Ela me dá milhões de amostras grátis. Amo sair de lá carregado de frasquinhos miúdos e bonitinhos. Sempre, junto com a receita, vem a amostra. Logo, economizo na farmácia. O que é ótimo né, porque produtos de dermatologista custam os olhos da cara.
Hoje fui por causa de uma "feridinha" que insiste em aparecer debaixo do meu olho direito. Começou no ano passado, tratei com essa médica mesmo e foi bom. Mas o problema é que sempre volta. Aí, se uso a pomada que ela tinha me receitado, e dado, some. Um tempo depois, já começam as casquinhas, o ponto vermelho e tal. Dessa vez ela mudou o tratamento e, claro, me deu os remédios.
Outra coisa é que minha careca de máquina zero produz umas asperezas não visíveis, só perceptíveis ao toque. Se vou deixando, começam a aparecer, primeiro vermelhas, depois semelhantes a uns arranhões. Coisa de sol. Mesmo usando boné constantemente, o troço volta. Daí precisa queimar com frio. Isso mesmo, usam nitrogênio a menos 200 graus, acho impressionante. Na verdade, é uma coisa bem simples, feita ali mesmo, sentado na frente da mesa dela. Hoje inovou, só haviam uns poucos pontos sensíveis ao toque e ela queimou com um ácido. Pelo menos foi o que disse. Passou o troço com um cotonete, deu uma ardida e pronto.
Bom, como eu ia só lá, nem precisava de bolsa. Maaasss, já imaginando a feirinha que poderia fazer, dei uma esvaziada básica na que eu tô usando, pra não precisar carregar peso, e levei. Feliz providência...
No final da consulta, já com as caixas dos remédios, perguntei: 
Posso ser cara de pau?
Ela, muito legal e muito linda, respondeu que sim.
Então perguntei se não tinham umas amostras de protetor solar. Já viu né, isso pra mim é ouro, independente de poesias recitadas por apresentadores de TV. Menino, ela encheu a mão, e eu enchi a bolsa. Tão bunitinhas as bisnaguinhas que ela me deu...
Amei refazer o estoque.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O MÉTODO POMODORO

Comecei a escrever este post e apaguei. Depois troquei o título. Era PROCRASTINAÇÃO X MÉTODO POMODORO. Quando vi, o assunto procrastinação já ia longe, e disso já falei demais. Então tirei essa parte, que só vai sobrar aqui no inicinho.
Bom, o Método Pomodoro. Colando da wikipédia, "A Técnica Pomodoro é um método de gerenciamento de tempo desenvolvido por Francesco Cirillo no final dos anos 1980.[1] A técnica utiliza um cronometro para dividir o trabalho em períodos de 25 minutos chamados de 'pomodoros". 
Estou aqui para dizer que funciona e que é um bom antídoto para a procrastinação (putz, olha ela aí de novo).
Na verdade, venho usando uma adaptação livre do método. Em sua teoria, esse tempo é sempre de 25 minutos e os intervalos de pausa é que vão variando no decorrer do período em que está sendo utilizado. Claro que existe um desenvolvimento teórico que justifica toda a ação. Foda-se a teoria, o que me interessa é a prática de desestagnação. Se não existe a palavra, acabou de ser inventada, mas acho que existe.
Olha só, pego o timer... Sim, comprei um timer de cozinha pra isso. Foi meio uma epopeia, porque custei a encontrar. Não que seja difícil, porque nem deve ser, mas, nos lugares onde eu procurava, ia chegar na semana que vem. Como eram perto de casa, eu ficava esperando a semana que vem, que se desdobrou em várias semanas que vem. 
Enfim, pego este timer que comprei e marco um tempo. Não exatamente 25 minutos, mas um tempo que acho legal de marcar. Daí começo a fazer o que preciso. É engraçado porque com isso a gente não enrola. Sei lá, aquela sensação de que o tempo tá andando te bota pra correr. É muito bom pra quem não tem hora de fazer as coisas, chefe ou cliente cobrando. O fato de ter marcado aquele tempo te dá a obrigação de correr com aquilo, como se a gráfica fosse fechar, por exemplo. 
Muitas vezes o tempo estoura. No meu método adaptado isso não tem importância. Normalmente você já tá no ritmo mesmo, e toca o bonde. O bom é que, enquanto está dentro do tempo determinado pelo timerzinho, você não se distrai. Esquece e-mail, facebook, MSN... Na verdade, TEM QUE ESQUECER. Este é o método, afinal de contas. Se não vai esquecer, nem adianta fazer. No início pensei que ia precisar de uma disciplina monstra, que não tenho, pra conseguir isso. Mas não, por incrível que pareça, a coisa flui.
Finalizando, pomodoro por que? Bem, quando o cara começou a testar essa ideia, usou um timer de cozinha em forma de tomate. Tomate = Pomodoro. Daí o nome. 
Mas você pode usar este timer:


Ou este outro aqui:






Eu optei por este:



É, pra dar um toque de glamour e futilidade nisso tudo né? Afinal, como disse o meu amigo, na superfície também se vive.  ;-)

sábado, 15 de outubro de 2011

DELITINHOS E DELITÕES

Se você já é leitor do blog há mais tempo, e é dessas pessoas de memória boa, vai achar o título repetido. Se é leitor recente, vai achar também esse início repetido - de novo. 
Justificando: Como o Beagá Que Eu Vejo já está caminhando no seu quarto ano, é natural que tenha feito novos leitores durante o trajeto. Aí resolvi dar um up em posts antigos, porque me parece óbvio que quem começa a ler o blog não vai recorrer aos arquivos e muito menos ir rolando as páginas de quase quatro anos. Só que tem alguns posts que eu gosto mais e, ainda por cima, são atemporais, então queria que os novatos lessem. O que tem se revelado mais estranho pra mim é que, muitos destes posts que deveriam ser atemporais, ainda podem ser considerados bem atuais. Como este aqui, que estou "upando" agora, de março de 2009. Poderia ter sido escrito hoje, ou num desses dias pra trás, no calor das discussões sobre as Marchas Contra a Corrupção.

Minha irmã hoje me contou um caso interessante. Ela estava no supermercado fazendo compras e queria levar laranjas. Prá você entender melhor, preciso explicar como é a composição dos preços na banca das frutas dessa loja:
Laranja 1 e laranja 2. A laranja 1 é vendida por quilo e é mais barata. Já a laranja 2 é empacotada e mais cara. Dá prá imaginar qual é a mais bonitinha e provavelmente melhor né? Então, até aí ninguém tá lesando ninguém, você escolhe o que quer de acordo com o que pretende pagar.
Deu que a laranja 1 não tava lá essas coisas. Nesse momento tinham tres pessoas na banca, minha irmã, um homem e uma dona.
A minha irmã falou:
- Ah, acho que vou levar a laranja do pacote, essa outra tá muito ruim...
O homem falou:
- É, tá compensando mais levar essa, mesmo que seja um pouco mais cara...
A dona, que poderemos chamar de Sra. Espertinha disse:
- Que isso, sempre que é assim eu abro o pacote e levo a laranja prá pesar, como se fosse a outra...
Sentiu o drama? Apostar não vou que não sou doido, mas garanto 99% de chance dela se indignar diante das notícias de corrupção da quadrilha que manda no país. Aposto, aí já posso apostar, que ela tem medo de pivete e muuuuiiito provavelmente ela muda de calçada quando vem de frente com um morador de rua.
Me conta, essa dona não é uma pivetona? Essa dona dentro de um Congresso não ia deitar e rolar? E é ó-be-ve-o que entre ela e o morador de rua a diferença é o endereço, quando muito, porque o fato de morar na rua não faz dele um ladrão de laranjas, atividade na qual ela comprova grande competência.
Tenho trocentos outros casos semelhantes, e você com certeza também tem. Claro, é gente furando fila, comprando trem roubado, ficando com troco errado, levando roupa prá experimentar em casa e devolvendo depois de usar na festa, comprando DVD pirata, enfiando pipoca na bolsa prá comer dentro do teatro... Ops, comecei a advogar em causa própria :-)
Não existem tamanhos de delitos e, infelizmente, prá maioria o que conta é simplesmente de que lado do balcão está. Não sei se falo o brasileiro ou o ser humano, mas é fato que as pessoas querem fazer passeata pela paz de manhã e subir o morro do macaco molhado de noite.
Não dá ne?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PEDOFILIA E CAÇA ÀS BRUXAS

Se você já é leitor do blog há mais tempo, e é dessas pessoas de memória boa, vai achar o título repetido. Se é leitor recente, vai achar também esse início repetido. Tá certo, é mesmo, mas não só o título (e o início). Justificando de novo: Como o Beagá Que Eu Vejo já está caminhando no seu quarto ano, é natural que tenha feito novos leitores durante o trajeto. Aí resolvi dar um up em posts antigos. A justificativa é simples: Óbvio que quem começa a ler o blog não vai recorrer aos arquivos e muito menos ir rolando as páginas de quase quatro anos. Só que tem alguns posts que eu gosto mais e, ainda por cima, são atemporais, então queria que os novatos lessem. Pra facilitar, de vez em quando vou subir algum. Infelizmente alguns que não deveriam ser atemporais, ainda são. Este aqui é um exemplo (triste) disso.

Com o assunto na ordem do dia, não teria como iniciar este post sem dizer que tenho NOJO de pedofilia. Se fosse fazer um Top Five dos crimes que considero hediondos, com certeza este ocuparia destaque com louvor, junto com esse povo que maltrata velho. Sabe, aquelas imagens que a gente vê de pessoas que deveriam estar cuidando de idosos, mas que em vez disso estão batendo neles? Pois é, acontece que, por mais que algumas coisas nos irritem e nos dêm (ou deem, ou dêem) vontade de fazer justiça com as próprias mãos, é preciso ter cuidado. Velhos talvez virão depois, o caso aqui-agora é pedofilia.
Todo dia tem reportagem sobre isso. Confesso que fico mais nas manchetes dos jornais e nas capas das revistas, não aprofundo a leitura. Bom, vendo aqui e ali, tá rolando a ideia de diminuir os procedimentos para definir as culpas, com a alegação que o processo abre a cada momento novas feridas nas vítimas. Ram-ram, tudo muito bom, tudo muito certo, mas que tal pensar na possibilidade de, na pressa, serem criadas novas vítimas? Sim, vítimas de injustiças, vítmas da maldade, vítimas de vinganças, vítimas de quem não mede consequências do que faz.
Conheço casos de abusos sexuais. Não, não é só de ler não, quando falo "conheço" é no sentido literal. No meu círculo de amigos próximos tenho dois adultos que foram abusados na infância. Sei das sequelas que as vítimas carregam para o resto de suas vidas.
Agora, conheço também, e convivo, com muitos adolescentes e crianças. Olha, eu já vi, ninguém me contou não, eu mesmo já vi e ouvi menino de nem 10 anos ameaçando pai e mãe com Conselho Tutelar, só por ter sido chamado a atenção. Não tô falando de agressão nem nada heim, só chamar a atenção. Cri-an-ça! Agora pega aí um adolescente de 15 anos, pendurado em uma matéria, perigando tomar bomba... Ahnnnn? Não seria o momento de levantar uma lebre contra o professor? Tá, a bomba já rolou, os pais cortaram a internet e o cinema por um mês. Vingaaançaaa! pode ser o grito de guerra.
Sabe também aquele vizinho esquisitão? O que não devolve a bola que cai no seu quintal? Opa! Que tal inventar uma historinha? Assim ele aprende!
Pôxa, que cara exagerado... Será que estou exagerando? Gente, vamo combiná, valores morais e éticos não são os que estão mais em alta na molecada de hoje né?
Então, prá quem não lembra, um pouco de história:
Escola de Base, São Paulo, 1994. Os donos do colégio, assim como alguns colaboradores, foram acusados de promover orgias com as crianças. Queeeee???? Pega, pega!
Assim a opinião pública caiu de pau, a imprensa armou um grande circo e a justiça ajudou. Na sequencia a escola foi depredada e a vida dos acusados destruída. Há quem diga até mesmo que foram torturados em interrogatórios. Éééééé, aí junto vieram as ameaças de morte, o linchamento moral sem dó nem piedade e o isolamento implicando em fobias, traumas, miséria financeira e social.
Ufa! Daí o que que deu? Os caras e as caras eram i-no-cen-tes! Isso mesmo, a história toda tinha sido in-ven-ta-da! Então, depois de todo o estrago feito o povo foi indenizado e com certeza, como a justiça é muuuuuuiiiiiito rápida, ainda devem ter um monte de ações rolando.
Como eu disse, tenho nojo de pedofilia, mas é preciso ter cuidado nos julgamentos apressados. Acho também impressionante como alguém pode ter atração por um corpo infantil. Por mais que seja execrável este comportamento, creio que é meio difícil dissociá-lo de uma doença.
Enfim, doente ou não, ninguém tem o direito de marcar a vida do outro. Quer ter um fetiche? Toma uma surra de chicote do seu parceiro(a) mascarado(a). Pelo menos as marcas serão só nas suas costas.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

BARES, CACHORROS E O BLOCO DO EU SOZINHO

Essa semana começou com mais uma polêmica, e a coisa tá rendendo.
Domingo, no tradicional Bar do Bolão, aqui em BH, um casal resolveu almoçar em uma das mesas da calçada, acompanhado da filha e de um cachorrinho. Daí o bar como um todo, porque foi do garçon ao dono, passando pelo gerente, se recusou a servir, por proibição de animal na casa.
Pronto, tava armada a confusão. Segundo o dono do cachorro (não sei se ainda pode falar dono na moderna nomenclatura de adoção...), ele estava no passeio, lugar público (que a Prefeitura considera particular na hora de mandar o morador fazer um novo) e que, portanto, tinha o direito de permanecer ali com o bichinho. Bolão e cia resolveram que não, pois existe uma lei municipal que determina a proibição de animais em estabelecimentos comerciais e, pelo jeito, ele considera a rua um estabelecimento comercial seu.
O resultado é que mulher e filha foram caçar onde comer, enquanto o rapaz permaneceu no bar, junto com o cachorrinho, esperando a polícia chegar. Sim, deu polícia, imprensa e pelo jeito vai render também processos na justiça.
Por mim, ninguém ali tem razão. Sei que muitos podem não concordar comigo, mas acho uma mera situação de umbigo. Hoje em dia é assim, todo mundo tem direito de tudo. Sou super mega a favor da liberdade e acho, com toda sinceridade, que cada um pode fazer o que quiser da própria vida. Porém, acho também que seria muito legal se as pessoas se lembrassem de que não estão sozinhas no mundo. Paralela a toda a liberdade que desejam, deveriam se lembrar do respeito ao próximo. Não precisa de lei nem nada, basta bom senso e adquirir o saudável hábito de se colocar no lugar do outro.
Primeiro, o homem do cachorro se vê no direito de sentar numa mesa de restaurante e almoçar junto com o animal. Será que em algum momento ele se colocou no lugar das outras pessoas? Será que todo mundo acha legal almoçar na companhia de animais?
Outra coisa, vamos pensar, hipoteticamente, que tivessem umas 30 pessoas nas mesas, o que é um número até pequeno para horário de almoço no Bolão. Se cada uma dela se visse no mesmo direito que o nosso heroi, seriam 30 cachorros ali, entre as mesas na calçada. O argumento que o bicho era pequeno, quietinho e que não incomodava ninguém vai por terra nessa hora. Ím-pos-sí-vel 30 cachorros não incomodarem, não somente as pessoas, como também entre si. Para um pouco e imagina a cena. Pois é. Mas o bloco do eu sozinho consegue olhar por este angulo?
Daí vem o lado de Mister Bolão. Seu argumento mais forte foi o que? A lei! Pois é, mas a lei que favorecia a ele né, porque para a lei sobre mesas e cadeiras na calçada ele faz vista grossa. Não sei ao certo, mas, pelo que andou saindo na imprensa, ele não está lá muito legal nesse aspecto.
De novo, leis à parte, a cidade é lotada de bares que simplesmente ocupam a calçada, jogando o pedestre pro meio da rua. Isso sem falar na questão da poluição sonora, que não leva em conta o sossego de quem mora por perto. O bloco do eu sozinho só está preocupado com seu próprio negócio. Teve um dono de bar, numa entrevista, que chegou ao ponto de dizer que quem se incomodava com cadeiras na calçada e barulho deveria ir morar num sitio. Foda né?
Enfim, polícia para quem precisa de polícia. Agora, com certeza, seriam bem menos necessárias leis e polícia se cada um começasse a olhar pro outro. Principalmente aprendesse a se colocar no lugar dele.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A CANTORA TITANE E A PRESIDENTE DILMA

Fui ontem ao Parque Municipal para a última edição de 2011 do projeto musical patrocinado pelo Sesc, que rola aos domingos pela manhã. Idealizado e tocado pelo produtor Pedrinho Alves Madeira, é com certeza um dos programas mais legais de Belo Horizonte.
Pra mim o destaque do dia, sem dúvida nenhuma, era a Titane, de quem sou fã incondicional. Ela dividiu o palco com o Boca Livre, que também é legal, mas acho que perto dela fica até uma covardia. Difícil segurar a onda depois que ela sai de cena deixando o povo aceso com tanta energia.
Aí entra o motivo do post, além, é claro, de elogiar o sempre elogiável projeto, e desejar vida longa a ele.
Bom, a Titane deveria ser uma das cantoras mais famosas do Brasil, se não A mais famosa. Indo além, ela deveria ter também uma enorme repercussão internacional.
Aos fatos: Ela tem uma voz incomum, que sabe usar e abusar como ninguém. Ela tem um trabalho mega sério, e de muita, mas muuuuiiiita qualidade. Mesmo assim, o que ela faz não tem nada de hermético, pelo contrário, é até bem comercial, acessível para qualquer público e não voltado para "iniciados". Ela é carismática pra além da conta. Ela é linda em cena. Ela dança com uma expontaneidade genuína e contamina todos ao redor. Ah, ela também toca tambor.
Eu sei, pelo que conheço dela, que a fama, nesse conceito oco de hoje em dia, não faz parte do menor de seus desejos. Porém, não existe um único artista na face da terra que não deseje a fama, no sentido de atingir o maior número de pessoas. Lógico, quem fala quer ser ser ouvido. Então, além de todos os fatores citados acima, ainda existe o "ser sincero e desejar profundo". Ninguém se mantém em uma carreira por 30 anos se não tiver esse desejo sincero.
Tá, alguém pode levantar a mão e dizer: Ow! Desejar e esperar cair do céu não adianta. Supondo que esse alguém tenha razão, conheço de perto a história da nossa personagem e sei que, mesmo com toda a qualidade que tem, que por si só deveria lhe garantir o trono, ela também sempre correu atrás.
Vamos para a segunda parte do post, não sem antes deixar registrado que a Titane tem uma carreira maravilhosa e legião de fãs. Só não é a mais famosa do Brasil, como deveria ser.
Imagina agora uma pessoa a vida inteira envolvida na administração pública, passando por vários governos e escalões. Essa pessoa, embora vivendo anos a fio com política e políticos, nunca se candidatou a nada. Essa pessoa desejou, ou, pelo menos em algum momento, passou pela cabeça dela ser presidente de um país? 
Pois é, em menos de dois anos a coisa toda foi feita, e temos a primeira mulher Presidente do Brasil. Tá, todo mundo sabe que não foi exatamente ela que se elegeu, mas no frigir dos ovos o cargo é dela. Não vou entrar em nenhum mérito de governo ou eleição, esse não é o assunto de agora. O papo da Dilma aqui é outro.
Originariamente este post ia se chamar A Presidente Dilma e O Segredo. Não exatamente sobre segredos que ela tivesse ou guardasse, mas sim relacionando com o livro-filme "O Segredo". Lei da atração, desejar, canalisar energia e todo esse blablabla de universo conspirando. Aí, vendo a Titane ontem, achei que ia ficar mais legal, e completo, relacionar as duas situações.
Pra fechar, digo que não sou totalmente contra essas teorias de auto ajuda que pregam o desejar profundo e atrair aquilo que se quer. Mas, por outro lado, ficam aqui dois exemplos que vão bem contra essa maré.

Fiz fotos do show com celular de novo, e, de novo, não consegui tirar de dentro dele. Hei de aprender!  :)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

E NÃO É QUE...?

Pois é, dan-cei. A trans cascou fora no primeiro paredão do BBB. Eu disse que enfiaria a minha viola no saco, mas fiquei em dúvida. Sei lá, pode ser que o proposito fosse justamenter o contrário. Bateu o arrependimento, a caretice da Globo que veta beijo gay falou mais alto e resolveram cortar o mal pela raiz. Afinal ela já estava fazendo o que se faz no BBB, se esfregando aqui e ali.
Enfim, promessa não faço mais, mas talvez tenha sido bom, assim aparentemente o programa não terá muito pano pra manga e fico livre de falar nisso. Fosse no SBT, hoje a noite Ariadna estaria de volta à casa, com as bençãos do patrão Silvio. Com os Marinho e os Boninho não tem disso não.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O BLOG E SUAS PROMESSAS...

Eu sei que acabo não cumprindo esse tipo de promessa, até porque não resisto a uma provocação, ainda que a provocação não seja comigo. Mas acompanhar BBB dá nisso, a gente fica danado, e tem que falar. Por acompanhar nem precisa entender assistir na TV. Não tem a menor necessidade, o bombardeio é diário, e por todos os lados.
Bom, esse post, curtinho, é só pra reforçar mais uma teoria, que tenho certeza não é só minha: A do jogo das cartas marcadas. Se eu errar, beleza, enfio definitivamente minha viola no saco. Nesse caso, serei obrigado a reconhecer que existe realmente um jogo e uma votação.
Simples, primeira eliminação, Ariadna na parada. Pra você que não sabe, ela é a transsexual do programa. Então, primeira semana, e ela já cai fora? DU-VI-DO. Tô apostando nela, não sei se para a vitória, mas pra ficar muuuuiiiito tempo ali.
Capaz da Dona Globo inventar uma moda dessas e não se garantir pra polemicazinhas uns dois meses...