quinta-feira, 28 de maio de 2009

QUANDO O AMOR NÃO ACONTECE

Atriz não gosta de tá bonita em cena, atriz gosta de tá boa em cena. Mas me conta, em se tratando de Christiane Antuña tem como pular a parte "Nossa, cê tá linda em cena"!
Então, quinta da semana passada fui ver "Cheiro de Chuva". Mais ou menos estréia, porque tinha tido uma apresentação aqui, uma ali. Temporada mesmo tava começando naquele dia. A velha e não boa preguiça quaaaaase me segurou em casa, mas felizmente, armado de energia, cheguei do trampo entrei e saí, sem esperar o corpo encostar. Fui de onibus que a pé não ia dar tempo e você sabe né, não tenho carro e nem sei dirigir (carro).
Sou o maior tiete de amigo, e adoro quando algum deles me dá a chance de babar em cima. De arrepio em arrepio, Christiane me possibilitou amar e amar e amar tudo que eu tava vendo. Seu parceiro de cena não é meu amigo, conheço de vista e de palco. Na verdade a dupla já esteve junta em outras peças. Omar Jabur é o nome do moço, mui-to-bom-de-ser-vi-ço, perfeito fazendo o sujeito comum que se espera no texto.
Ahé, o texto, a peça, tem que falar o que que é, claro: "Cheiro de Chuva", do Bosco Brasil. Um cara casado procura uma professora de dança, a princípio junto com a mulher, pra aprender uns passinhos e arrasar nas bodas. Rola uma paixão mutua, mas sabe o que? Ninguém conta prá ninguém. Nisso a montagem fica assim, diálogos de monologos. Não tem aquelas coisas que a gente fala pro outro, mas na verdade não chega a expressar, fica só no ensaio interno? Pois é.
Fisicamente tudo muito marcadinho, coreografia mesmo, sem ser dança de salão. Você já deve ter visto alguma vez, lembra? Aquele lance moderno, que não faz o óbvio, mas registra a emoção? Então, é assim. Muita imagem linda também, com cenário mega simples mas muuuuiiiito eficiente, principalmente quando a luz faz a sua parte. A trilha sonora? Ah, prá mim uma boa trilha faz meio espetáculo. Sério mesmo, sou assim não só com teatro, mas também com cinema. Tem filmes que amo e assisto zilhões de vezes só pelas músicas. Em "Cheiro de Chuva", não fosse a montagem sen-sa-ci-o-nal, valia até se fosse prá fechar os olhos e ouvir as músicas. De olho aberto sabe o que aparece? O tema certo na hora certa, clima total. De arrepiar, sem brincadeira.
Momento de tietagem explícita. Christiane Antuña dá um show. A voz de uma textura impar, inflexões mínimas e precisas, tempo e respiração milimetricamente marcados. Sem contar um improvável preparo físico prá dar texto até mesmo correndo parada no mesmo lugar. Esta cena então... Prá mim o ponto alto da peça, quando a mulher confessa o exato momento em que percebeu o amor da sua vida observando gestos tão normais daquele homem tão comum.
Enfim, vale a promessa de posts curtos, hora de encerrar. Quem é de BH tá fácil, "Cheiro de Chuva" está em cartaz no Galpão Cine Horto, de quinta a sábado 21h e domingos 20h. Vai até 31 de maio. Já você que não mora em BH, mas tá dando pinta aqui neste final de semana, acabou de encontrar a programação ideal. Vai lá.

4 comentários:

  1. Concordo com tudo isso!!!!!!!!!!
    É impressionante a capacidade da moça e do seu parceiro de fazer você se envolver inteiro naquele encontro e desencontro...
    Como também é impressionante como você como simples espectador (independente de onde estiver sentado na platéia) sente cada um deles olhando ali somente para você. Aquele olhar no fundo do seu olho em que você tem a certeza de que ali, naquele momento nada é mais verdadeiro no mundo do que o que aqueles dois dizem...Como se fosse assim, uma sessão de analise onde você é o analista e os dois ali os analisados...
    Até que chega uma hora em que você tem vontade de levantar e gritar algo do tipo: "Vamos lá!!!!! Assumi este amor agora!!!!!! Deixa isso passar não!
    Mas na posição do analista em que a dupla coloca o espectador, isso não é possivel... E no final, você praticamente sai do teatro com a alma leve, sentindo um cheiro de chuva numa noite de sábado mesmo tendo a certeza de que não tem o menor sinal de cumulus nimbus no céu...
    Tem algo mais alem disso, a moça tem o poder mesmo e é impossível não se apaixonar pela mulher inteira, verdadeira e como não pode deixar de ser linda no palco.
    Viva o amor! Viva a arte! Viva o talento de quem ama o que faz!
    Viva Chris!!!!!!!!!!

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  2. Voltei para colocar mais um comentário.
    É só para reforçar a beleza da moça...
    Para alguem que consegue ficar estupendamente linda em Ipatinga, sob um calor escaldante de 40 graus e um ar de fuligem da Usina local, estar estoteamente bonita em cena, é fichinha!!!!!!!

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  3. Cristiano Aguiar1 de junho de 2009 06:21

    A Chris realmente tá linda e muiiiiito boa em cena. Fui assistir o espetáculo ontem, 31/05/09, último dia no Galpão Cine Horto. É um ótimo espetáculo, bem dirigido pelo Gil Esper e com grande afinação técnica. Estão todos de parabéns pelo lindo trabalho. Adoro ver coisas boas na minha cidade, sem ter que ir à Rio ou São Paulo pra isso. A Christiane Antuña é simplesmente maravilhosa em cena, em todos os sentidos.Cristiano Aguiar - Ator/Diretor/Produtor Cultural

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  4. As maravilhas e desventuras (pessoais)... Explico. De um lado poder ler um post super bem escrito, por um excepcional multi profissional da cultura como você LUIZ HIPPERT. E por outro, ficar tão encantada e simultaneamente com o sentimento...:"Ahhhhh e eu não sabia! Queria tanto assistir! E agora passou...Detalhe, não um dia ou uma semana, do espetáculo. E sim, 7 anos! E não é conta de mentirosa!!!kkk Enfim...Só para registrar: ainda bem que quando algo é bom, deixa vontade boa e desejos de bem, pra todos - mesmo sem problema com tempo e distâncias. A todos (desde o Luiz, a maravilhosa Christiane Antuna, o ator parceiro...), quero deixar um singelo: Parabéns!!!

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