segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"UM INIMIGO DO POVO" É ARREBATADOR

Começo este post manifestando um grande arrependimento, fruto da minha procrastinação. Venho tendo boas ideias para escrever, e até mesmo vontade. Maaasss, como bom procrastinador, fico quietinho até a vontade passar.
O meu arrependimento se deve ao tema que resolvi escrever hoje. Explico: Tudo o que eu tinha pensado antes, e não postei, de certa forma seria a pavimentação de um caminho pra chegar até aqui. Acho então que a coisa vai ficar meio de trás pra frente, ou seja, ainda vou voltar aos tais assuntos.
Sem mais enrolação, o caso é o seguinte. Sábado eu fui à estreia de um espetáculo. Claro, estava com preguiça de ir, como de resto sempre tenho preguiça de sair de casa, seja para o que for. De mais a mais, havia também um certo medo em relação à peça. Temia que fosse chata e, pior, que me desse sono. Existe coisa pior do que ter sono dentro de cinema ou teatro? A gente começa a pescar, fica vigilante em excesso pelo medo do ronco e todo este esforço gera um mal estar sem tamanho. Por outro lado, toda a discussão proposta pelo texto e pela montagem eram um incentivo, uma vez que, como dá pra perceber pelo início do post, tinham a ver com minhas elocubrações atuais.
Felizmente, nessa batalha entre a preguiça e a curiosidade, venceu a segunda, e eu fui. Vou muito ao teatro, todo mundo sabe, por prazer ou dever. Pois tenho a declarar solenemente que, poucas vezes nos últimos tempos, acertei tanto em uma decisão. "Um Inimigo do Povo" é simplesmente sen-sa-ci-o-nal!
Você é um homem livre? Essa provocação vem permeando toda a divulgação da peça, e eu te convido a refletir aqui e lá no Teatro Marília: Você, que me lê, é um homem livre? Pois eu digo, de todas as pessoas que conheço, talvez eu seja hoje a mais livre. Mesmo assim constato, lamentavelmente, que estou longe de poder bater no peito e declarar total liberdade. E olha que batalhei e batalho por isso. Não foram poucas as coisas das quais abri mão em nome desse valor maior. Tá, no momento paro por aqui, porque o assunto não sou eu, mas a peça. Depois, no caminhar daquelas conversas que deveriam ter precedido essa, a gente, quem sabe, volte nesse assunto.
"Um Inimigo do Povo" pra mim, trata justamente disso, da possibilidade, melhor, da impossibilidade de ser livre. É teatro político da melhor qualidade e, antes que você diga que não gosta de política, vou lembrando que todo mundo vive política o dia inteiro. Difícil algum ato cotidiano que não seja político. Pois é, acontece que a política mais identificada pelo senso comum é essa aí, da luta pelo poder, que talvez você não goste, ache suja. Mas o jogo é esse, mostrá-la suja justamente pra que você não goste, e então os que optaram por chafurdar na lama possam se aproveitar a vontade. Acorda! Precisamos arregimentar os mocinhos, porque bandido já tem demais.
Então, voltando à peça e suas impossibilidades. Como general da banda vem o Senhor Dinheiro, aquele que faz e acontece. Pois é, ao contrário do que muito se ouve falar, o dinheiro não tira a liberdade de ninguém, pelo contrário, é talvez o maior aliado de quem se pretende livre. O problema não é ter o dinheiro, mas sim ganhá-lo. Imagina só, você, por um golpe de sorte, é um rico herdeiro ou amealhou uma boa fortuna, o suficiente pra viver dos rendimentos. Essa fortuna te liberta. Então tá, o sujeito é rico, logo é livre. Ram, capaz! E as milhões de convenções e obrigações sociais? As relações familiares, a camaradagem entre amigos... Tem como ser livre atrelado a essas condições? E a vaidade, o pecado predileto do diabo? Salvo raríssimas exceções (devem existir, embora eu não conheça) todo mundo é prisioneiro da vaidade, porque quer ser admirado ou, no mínimo, quer ser aceito.
Tudo isso está ali, em "Um Inimigo do Povo". A peça começa devagarzinho, mas um devagar agradável, que não pesa seus olhos. É legal ver a linguagem mais rebuscada dos diálogos, ir descobrindo aos poucos os personagens e como vai se desenvolver a trama. Depois é um crescente, daqueles que não se consegue determinar onde começou. Dessa decolagem sem marca evidente em diante, a coisa pega fogo e os diálogos, super inteligentes, se tornam embates de interpretações vigorosas, raras de se ver hoje em dia. Tá, o elenco não é completamente homogêneo, mas prefiro citá-lo genericamente. Sou livre, mas não sou sacana.  :) 
Alguém pode virar e dizer: Ichhhh, mas esse texto é velho demais! Embora eu teoricamente "desconcorde", porque obviamente clássicos não têm idade, também tive medo de ver um espetáculo datado. Outra agradável surpresa, porque o tema é super pertinente, justamente para este momento que vivemos agora, e a feliz adaptação do texto, aliada à direção, faz com que pareça ser algo escrito hoje, ou melhor, há uns meses atrás, pra dar tempo de ensaiar né?
Para concluir, certamente não estarei praticando nenhum spoiler ao citar uma frase da peça, uma vez que é provavelmente a mais conhecida do original: "O homem mais poderoso do mundo é aquele que está mais só". Diante de tudo o que já foi dito aqui, esta torna-se uma verdade verdadeira. Liberdade é poder, e para ser livre, livre de verdade, é preciso estar só.
Em uma palavra, "Um Inimigo do Povo" é arrebatador. Vencido pela timidez, não expressei ao vivo, da platéia, o que desengasgo agora:
BRAVO! 

"UM INIMIGO DO POVO" - De quinta a sábado às 20h30; domingos às19h até 27/11/2011. Teatro Marília, Avenida Alfredo Balena, 586 - Centro - BH.
   

sábado, 15 de outubro de 2011

DELITINHOS E DELITÕES

Se você já é leitor do blog há mais tempo, e é dessas pessoas de memória boa, vai achar o título repetido. Se é leitor recente, vai achar também esse início repetido - de novo. 
Justificando: Como o Beagá Que Eu Vejo já está caminhando no seu quarto ano, é natural que tenha feito novos leitores durante o trajeto. Aí resolvi dar um up em posts antigos, porque me parece óbvio que quem começa a ler o blog não vai recorrer aos arquivos e muito menos ir rolando as páginas de quase quatro anos. Só que tem alguns posts que eu gosto mais e, ainda por cima, são atemporais, então queria que os novatos lessem. O que tem se revelado mais estranho pra mim é que, muitos destes posts que deveriam ser atemporais, ainda podem ser considerados bem atuais. Como este aqui, que estou "upando" agora, de março de 2009. Poderia ter sido escrito hoje, ou num desses dias pra trás, no calor das discussões sobre as Marchas Contra a Corrupção.

Minha irmã hoje me contou um caso interessante. Ela estava no supermercado fazendo compras e queria levar laranjas. Prá você entender melhor, preciso explicar como é a composição dos preços na banca das frutas dessa loja:
Laranja 1 e laranja 2. A laranja 1 é vendida por quilo e é mais barata. Já a laranja 2 é empacotada e mais cara. Dá prá imaginar qual é a mais bonitinha e provavelmente melhor né? Então, até aí ninguém tá lesando ninguém, você escolhe o que quer de acordo com o que pretende pagar.
Deu que a laranja 1 não tava lá essas coisas. Nesse momento tinham tres pessoas na banca, minha irmã, um homem e uma dona.
A minha irmã falou:
- Ah, acho que vou levar a laranja do pacote, essa outra tá muito ruim...
O homem falou:
- É, tá compensando mais levar essa, mesmo que seja um pouco mais cara...
A dona, que poderemos chamar de Sra. Espertinha disse:
- Que isso, sempre que é assim eu abro o pacote e levo a laranja prá pesar, como se fosse a outra...
Sentiu o drama? Apostar não vou que não sou doido, mas garanto 99% de chance dela se indignar diante das notícias de corrupção da quadrilha que manda no país. Aposto, aí já posso apostar, que ela tem medo de pivete e muuuuiiito provavelmente ela muda de calçada quando vem de frente com um morador de rua.
Me conta, essa dona não é uma pivetona? Essa dona dentro de um Congresso não ia deitar e rolar? E é ó-be-ve-o que entre ela e o morador de rua a diferença é o endereço, quando muito, porque o fato de morar na rua não faz dele um ladrão de laranjas, atividade na qual ela comprova grande competência.
Tenho trocentos outros casos semelhantes, e você com certeza também tem. Claro, é gente furando fila, comprando trem roubado, ficando com troco errado, levando roupa prá experimentar em casa e devolvendo depois de usar na festa, comprando DVD pirata, enfiando pipoca na bolsa prá comer dentro do teatro... Ops, comecei a advogar em causa própria :-)
Não existem tamanhos de delitos e, infelizmente, prá maioria o que conta é simplesmente de que lado do balcão está. Não sei se falo o brasileiro ou o ser humano, mas é fato que as pessoas querem fazer passeata pela paz de manhã e subir o morro do macaco molhado de noite.
Não dá ne?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PEDOFILIA E CAÇA ÀS BRUXAS

Se você já é leitor do blog há mais tempo, e é dessas pessoas de memória boa, vai achar o título repetido. Se é leitor recente, vai achar também esse início repetido. Tá certo, é mesmo, mas não só o título (e o início). Justificando de novo: Como o Beagá Que Eu Vejo já está caminhando no seu quarto ano, é natural que tenha feito novos leitores durante o trajeto. Aí resolvi dar um up em posts antigos. A justificativa é simples: Óbvio que quem começa a ler o blog não vai recorrer aos arquivos e muito menos ir rolando as páginas de quase quatro anos. Só que tem alguns posts que eu gosto mais e, ainda por cima, são atemporais, então queria que os novatos lessem. Pra facilitar, de vez em quando vou subir algum. Infelizmente alguns que não deveriam ser atemporais, ainda são. Este aqui é um exemplo (triste) disso.

Com o assunto na ordem do dia, não teria como iniciar este post sem dizer que tenho NOJO de pedofilia. Se fosse fazer um Top Five dos crimes que considero hediondos, com certeza este ocuparia destaque com louvor, junto com esse povo que maltrata velho. Sabe, aquelas imagens que a gente vê de pessoas que deveriam estar cuidando de idosos, mas que em vez disso estão batendo neles? Pois é, acontece que, por mais que algumas coisas nos irritem e nos dêm (ou deem, ou dêem) vontade de fazer justiça com as próprias mãos, é preciso ter cuidado. Velhos talvez virão depois, o caso aqui-agora é pedofilia.
Todo dia tem reportagem sobre isso. Confesso que fico mais nas manchetes dos jornais e nas capas das revistas, não aprofundo a leitura. Bom, vendo aqui e ali, tá rolando a ideia de diminuir os procedimentos para definir as culpas, com a alegação que o processo abre a cada momento novas feridas nas vítimas. Ram-ram, tudo muito bom, tudo muito certo, mas que tal pensar na possibilidade de, na pressa, serem criadas novas vítimas? Sim, vítimas de injustiças, vítmas da maldade, vítimas de vinganças, vítimas de quem não mede consequências do que faz.
Conheço casos de abusos sexuais. Não, não é só de ler não, quando falo "conheço" é no sentido literal. No meu círculo de amigos próximos tenho dois adultos que foram abusados na infância. Sei das sequelas que as vítimas carregam para o resto de suas vidas.
Agora, conheço também, e convivo, com muitos adolescentes e crianças. Olha, eu já vi, ninguém me contou não, eu mesmo já vi e ouvi menino de nem 10 anos ameaçando pai e mãe com Conselho Tutelar, só por ter sido chamado a atenção. Não tô falando de agressão nem nada heim, só chamar a atenção. Cri-an-ça! Agora pega aí um adolescente de 15 anos, pendurado em uma matéria, perigando tomar bomba... Ahnnnn? Não seria o momento de levantar uma lebre contra o professor? Tá, a bomba já rolou, os pais cortaram a internet e o cinema por um mês. Vingaaançaaa! pode ser o grito de guerra.
Sabe também aquele vizinho esquisitão? O que não devolve a bola que cai no seu quintal? Opa! Que tal inventar uma historinha? Assim ele aprende!
Pôxa, que cara exagerado... Será que estou exagerando? Gente, vamo combiná, valores morais e éticos não são os que estão mais em alta na molecada de hoje né?
Então, prá quem não lembra, um pouco de história:
Escola de Base, São Paulo, 1994. Os donos do colégio, assim como alguns colaboradores, foram acusados de promover orgias com as crianças. Queeeee???? Pega, pega!
Assim a opinião pública caiu de pau, a imprensa armou um grande circo e a justiça ajudou. Na sequencia a escola foi depredada e a vida dos acusados destruída. Há quem diga até mesmo que foram torturados em interrogatórios. Éééééé, aí junto vieram as ameaças de morte, o linchamento moral sem dó nem piedade e o isolamento implicando em fobias, traumas, miséria financeira e social.
Ufa! Daí o que que deu? Os caras e as caras eram i-no-cen-tes! Isso mesmo, a história toda tinha sido in-ven-ta-da! Então, depois de todo o estrago feito o povo foi indenizado e com certeza, como a justiça é muuuuuuiiiiiito rápida, ainda devem ter um monte de ações rolando.
Como eu disse, tenho nojo de pedofilia, mas é preciso ter cuidado nos julgamentos apressados. Acho também impressionante como alguém pode ter atração por um corpo infantil. Por mais que seja execrável este comportamento, creio que é meio difícil dissociá-lo de uma doença.
Enfim, doente ou não, ninguém tem o direito de marcar a vida do outro. Quer ter um fetiche? Toma uma surra de chicote do seu parceiro(a) mascarado(a). Pelo menos as marcas serão só nas suas costas.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

BARES, CACHORROS E O BLOCO DO EU SOZINHO

Essa semana começou com mais uma polêmica, e a coisa tá rendendo.
Domingo, no tradicional Bar do Bolão, aqui em BH, um casal resolveu almoçar em uma das mesas da calçada, acompanhado da filha e de um cachorrinho. Daí o bar como um todo, porque foi do garçon ao dono, passando pelo gerente, se recusou a servir, por proibição de animal na casa.
Pronto, tava armada a confusão. Segundo o dono do cachorro (não sei se ainda pode falar dono na moderna nomenclatura de adoção...), ele estava no passeio, lugar público (que a Prefeitura considera particular na hora de mandar o morador fazer um novo) e que, portanto, tinha o direito de permanecer ali com o bichinho. Bolão e cia resolveram que não, pois existe uma lei municipal que determina a proibição de animais em estabelecimentos comerciais e, pelo jeito, ele considera a rua um estabelecimento comercial seu.
O resultado é que mulher e filha foram caçar onde comer, enquanto o rapaz permaneceu no bar, junto com o cachorrinho, esperando a polícia chegar. Sim, deu polícia, imprensa e pelo jeito vai render também processos na justiça.
Por mim, ninguém ali tem razão. Sei que muitos podem não concordar comigo, mas acho uma mera situação de umbigo. Hoje em dia é assim, todo mundo tem direito de tudo. Sou super mega a favor da liberdade e acho, com toda sinceridade, que cada um pode fazer o que quiser da própria vida. Porém, acho também que seria muito legal se as pessoas se lembrassem de que não estão sozinhas no mundo. Paralela a toda a liberdade que desejam, deveriam se lembrar do respeito ao próximo. Não precisa de lei nem nada, basta bom senso e adquirir o saudável hábito de se colocar no lugar do outro.
Primeiro, o homem do cachorro se vê no direito de sentar numa mesa de restaurante e almoçar junto com o animal. Será que em algum momento ele se colocou no lugar das outras pessoas? Será que todo mundo acha legal almoçar na companhia de animais?
Outra coisa, vamos pensar, hipoteticamente, que tivessem umas 30 pessoas nas mesas, o que é um número até pequeno para horário de almoço no Bolão. Se cada uma dela se visse no mesmo direito que o nosso heroi, seriam 30 cachorros ali, entre as mesas na calçada. O argumento que o bicho era pequeno, quietinho e que não incomodava ninguém vai por terra nessa hora. Ím-pos-sí-vel 30 cachorros não incomodarem, não somente as pessoas, como também entre si. Para um pouco e imagina a cena. Pois é. Mas o bloco do eu sozinho consegue olhar por este angulo?
Daí vem o lado de Mister Bolão. Seu argumento mais forte foi o que? A lei! Pois é, mas a lei que favorecia a ele né, porque para a lei sobre mesas e cadeiras na calçada ele faz vista grossa. Não sei ao certo, mas, pelo que andou saindo na imprensa, ele não está lá muito legal nesse aspecto.
De novo, leis à parte, a cidade é lotada de bares que simplesmente ocupam a calçada, jogando o pedestre pro meio da rua. Isso sem falar na questão da poluição sonora, que não leva em conta o sossego de quem mora por perto. O bloco do eu sozinho só está preocupado com seu próprio negócio. Teve um dono de bar, numa entrevista, que chegou ao ponto de dizer que quem se incomodava com cadeiras na calçada e barulho deveria ir morar num sitio. Foda né?
Enfim, polícia para quem precisa de polícia. Agora, com certeza, seriam bem menos necessárias leis e polícia se cada um começasse a olhar pro outro. Principalmente aprendesse a se colocar no lugar dele.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A CANTORA TITANE E A PRESIDENTE DILMA

Fui ontem ao Parque Municipal para a última edição de 2011 do projeto musical patrocinado pelo Sesc, que rola aos domingos pela manhã. Idealizado e tocado pelo produtor Pedrinho Alves Madeira, é com certeza um dos programas mais legais de Belo Horizonte.
Pra mim o destaque do dia, sem dúvida nenhuma, era a Titane, de quem sou fã incondicional. Ela dividiu o palco com o Boca Livre, que também é legal, mas acho que perto dela fica até uma covardia. Difícil segurar a onda depois que ela sai de cena deixando o povo aceso com tanta energia.
entra o motivo do post, além, é claro, de elogiar o sempre elogiável projeto, e desejar vida longa a ele.
Bom, a Titane deveria ser uma das cantoras mais famosas do Brasil, se não A mais famosa. Indo além, ela deveria ter também uma enorme repercussão internacional.
Aos fatos: Ela tem uma voz incomum, que sabe usar e abusar como ninguém. Ela tem um trabalho mega sério, e de muita, mas muuuuiiiita qualidade. Mesmo assim, o que ela faz não tem nada de hermético, pelo contrário, é até bem comercial, acessível para qualquer público e não voltado para "iniciados". Ela é carismática pra além da conta. Ela é linda em cena. Ela dança com uma expontaneidade genuína e contamina todos ao redor. Ah, ela também toca tambor.
Eu sei, pelo que conheço dela, que a fama, nesse conceito oco de hoje em dia, não faz parte do menor de seus desejos. Porém, não existe um único artista na face da terra que não deseje a fama, no sentido de atingir o maior número de pessoas. Lógico, quem fala quer ser ser ouvido. Então, além de todos os fatores citados acima, ainda existe o "ser sincero e desejar profundo". Ninguém se mantém em uma carreira por 30 anos se não tiver esse desejo sincero.
, alguém pode levantar a mão e dizer: Ow! Desejar e esperar cair do céu não adianta. Supondo que esse alguém tenha razão, conheço de perto a história da nossa personagem e sei que, mesmo com toda a qualidade que tem, que por si só deveria lhe garantir o trono, ela também sempre correu atrás.
Vamos para a segunda parte do post, não sem antes deixar registrado que a Titane tem uma carreira maravilhosa e legião de fãs. Só não é a mais famosa do Brasil, como deveria ser.
Imagina agora uma pessoa a vida inteira envolvida na administração pública, passando por vários governos e escalões. Essa pessoa, embora vivendo anos a fio com política e políticos, nunca se candidatou a nada. Essa pessoa desejou, ou, pelo menos em algum momento, passou pela cabeça dela ser presidente de um país? 
Pois é, em menos de dois anos a coisa toda foi feita, e temos a primeira mulher Presidente do Brasil. Tá, todo mundo sabe que não foi exatamente ela que se elegeu, mas no frigir dos ovos o cargo é dela. Não vou entrar em nenhum mérito de governo ou eleição, esse não é o assunto de agora. O papo da Dilma aqui é outro.
Originariamente este post ia se chamar A Presidente Dilma e O Segredo. Não exatamente sobre segredos que ela tivesse ou guardasse, mas sim relacionando com o livro-filme "O Segredo". Lei da atração, desejar, canalisar energia e todo esse blablabla de universo conspirando. Aí, vendo a Titane ontem, achei que ia ficar mais legal, e completo, relacionar as duas situações.
Pra fechar, digo que não sou totalmente contra essas teorias de auto ajuda que pregam o desejar profundo e atrair aquilo que se quer. Mas, por outro lado, ficam aqui dois exemplos que vão bem contra essa maré.

Fiz fotos do show com celular de novo, e, de novo, não consegui tirar de dentro dele. Hei de aprender!  :)

sábado, 24 de setembro de 2011

A VIDA CONTADA E A VIDA VIVIDA

Se você já é leitor do blog há mais tempo, e é dessas pessoas de memória boa, vai achar o título repetido. Tá certo, é mesmo, mas não só o título. Como o Beagá Que Eu Vejo já está caminhando no seu quarto ano, é natural que tenha feito novos leitores durante o trajeto. Aí resolvi dar um up em posts antigos. A justificativa é simples: Óbvio que quem começa a ler o blog não vai recorrer aos arquivos e muito menos ir rolando as páginas de quase quatro anos. Só que tem alguns posts que eu gosto mais e, ainda por cima, são atemporais, então queria que os novatos lessem. Pra facilitar, de vez em quando vou subir algum. Esse aqui é o primeiro. Acho até que o início dele meio que justifica a iniciativa.



Eu, como a maioria das pessoas (acho), invento algumas coisas. Já até falei sobre isso em outro post, "Teatro e Semana de Cinzas", é só rolar aí pros mais antigos e você encontra.
Hoje vou falar de outra coisa que inventei. Tinha idéia deste tópico há muito tempo, mas fico sempre adiando por causa daquele lance que também já falei, quero postar na hora que o blog tiver mais leitores em número e, principalmente, em fidelidade. A urgencia agora se deu porque minha amiga que estuda letras me falou que tem usado não só o termo, mas também o conceito em sala de aula. Tudo bem, ela cita a fonte, que sou eu, mas como não posso registrar uma coisa dessas na Biblioteca Nacional e muito menos patentear, pelo menos vou registrar aqui. No mínimo você vai saber que a teoria é minha, e quem sabe um dia vai defender isso numa mesa de bar.
A vida contada e a vida vivida. Essa expressão surgiu de uma conversa que estava rolando com meu amigo, na sala da casa dele, em Londres. Ele tinha se mudado prá lá tinha um ano (agora fazem 12) e eu estava visitando. Antes disso a nossa proximidade era muita, até moramos juntos aqui em BH. Bom, nesse período, ambos em BH, eu fiz algumas viagens, inclusive outras internacionais. Então o papo era esse. Ele ficava me falando que parecia que as outras viagens tinham sido mais legais, e aquela ali, da visita a ele, estava sendo a pior.
Estava? Não, era a mesma coisa. Claro, viagem sempre é melhor depois que acontece. Enquanto vai acontecendo é um cotidiano agradável. Mas boa mesmo ela fica na hora que a gente lembra... Lembra e con-ta.
Essa era a diferença. As outras viagens que eu tinha feito, quando chegava, contava prá ele. Esse contar animado nos primeiros dias prosseguia por dias e anos. Claro, contar viagem dura muito, tanto que tô falando aqui de uma que tem 11 anos.
Então, daí que surgiu o conceito, vida contada e vida vivida. Dessa vez em Londres ele estava vivendo a viagem comigo, e não me ouvindo contar. Isso faz toda a diferença. Fácil extrapolar prá todo o resto. Tem uma frase que adoro:
"Como são fascinantes as pessoas que nós não conhecemos".
E é isso mesmo, não vivemos com as pessoas que não conhecemos, sabemos só de contar. Você acha que a Madonna seria tão fascinante se você convivesse na cozinha dela? Claro que não. E os filmes, livros, essas coisas que nos encantam, são o que? Vidas contadas.
Enfim, é isso. Ninguém precisa achar a própria vida chatinha, entediante. Garanto que se algum dia alguém resolver contá-la em uma peça de teatro, ela será bem legal. Eu pelo menos tenho certeza que vou querer assistir.

Publicação original: 26 de abril de 2009

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A NOSSA INDIGNAÇÃO É UMA MOSCA SEM ASAS...

Eu fui na manifestação contra a corrupção aqui em BH. Pois é, outras do tipo aconteceram Brasil afora, aproveitando a emblemática data do 7 de setembro.
Controvérsias a parte, adorei ter ido e, com certeza, estarei em outras que ficar sabendo. A mídia se divide entre os que tentam se apoderar do movimento, como se fossem donos ou ideologos dele, e os que tentam desqualificá-lo, como algo oportunista de grupos blablabla, blablabla. Enfim, a gente sabe que atualmente a mídia, ou a imprensa no Brasil, se divide entre chapa branca e chapa branca. Cada lado defendendo seus interesses. De todo isso não é ruim, porque tem sido essa a maneira que o cidadão está encontrando pra ficar sabendo das coisas, tando de um lado quanto do outro.
Bom, quando cheguei na Praça da Liberdade, local da concentração, o pessoal estava começando a dar a primeira volta. Eram mais ou menos 11h45 e tinham só umas 50 pessoas, e olhe lá. Quando finalmente, depois de muito rodar canteiros, o grupo resolveu sair rumo à Praça da Assembléia, por volta das 13h, já eram em torno de uns mil. É, eu acho que tinha por aí, embora um jornal tenha falado em 300. Depende da hora que o reporter viu né?
Caras pintadas, nariz de palhaço, máscaras do personagem do filme "V de Vingança" e muita roupa preta foram os figurinos preferidos, em uma turma preponderantemente jovem. Colírios para os olhos à parte, tantos gatchynhos e gatchynhas dão um alento ao se pensar no que vem adiante.
Bem legal também foi a confirmação de que se trata de um movimento apartidário. Em certo aspecto, a coisa foi até bem radical. O único momento tenso aconteceu justamente por isso. Quando todo mundo já tava instalado na Praça da Assembléia, chegaram uns bunito, com bandeiras e camisas de partido, com uma clara intenção, no olhar e atitudes, de tomar conta do terreiro. Foram recebidos a vaia e obrigados e recolher seus badulaques. Mesmo nas falas, quando alguém começava a resvalar pro discurso claramente partidário, era interrompido pelo toque dos bumbos ou palavras de ordem da maioria, que assim conseguia colocar tudo de volta ao objetivo proposto.
Óbvio que sobrou pra todo mundo, do governo federal ao municipal, sem esquecer do estadual. Imagino que pelo país afora tenha sido assim também, afinal, não tem nenhuma instância do poder que esteja imaculada a ponto de ser poupada. De tudo, além do grande prazer de estar na rua com aquela turma animada, acho que algumas lições foram importantes e, aparentemente, a ficha está caindo em várias questões:
1 - Todo mundo que está nos governos hoje está ali por voto. Não existe mais político biônico, coisa que a meninada não conheceu, mas que a gente sabe bem o que era. Logo, o importante é saber votar, ou pelo menos tentar acertar. Talvez, com essa nova conscientização, slogans como "pior não fica" não colem mais. Eleição não é programa de humor.
2 - As pessoas que momentaneamente estão no poder, estão ali para servir, como administradores do que é público. Eles não são donos de nada, embora muitos deles pensem o contrário. Essa postura cada vez está colando menos, uma vez que o povo está a cada dia menos bobo. 
3 - Ninguém precisa ser "iniciado" para participar. Ao longo dos anos a política foi malandramente colocada com algo difícil, chato e inatingível. Muita gente sentia-se intimidada de opinar por não se considerar preparada o suficiente. Nada, a coisa é bem mais simples, política é o seu dia a dia. Tá ruim? Reclama, grita, você não precisa ser sociologo e nem pós graduado em ciências políticas pra isso.
Tem quem aposte no naufrágio do movimenteo recem iniciado. Tem quem queira, estrategicamente, compará-lo ao fracassado "Cansei", idealizado pelas elites, principalmente paulistanas, que morreu na praia sem nem mesmo ter começado a nadar. Enganam-se eles, ou me engano eu, mas acho bem difícil uma iniciativa abraçada por milhares de jovens animados perder folego com tanta facilidade. Veremos...
No mais, senti falta de multidão. Não há quem não se indgne com a corrupção e o estado das coisas no Brasil. É assunto de botequim, de fila de banco, de ponto de ônibus. Na hora H, mil pessoas na nossa cidade. Pouco né?
Tomando emprestada a frase do Skank, a conclusão parece ser essa mesmo: "A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas".
Eu? Indignado...

* Fiz fotos, usando pela primeira vez meu celular novo. Assim que eu conseguir passar pro computador, se não estiverem ruins demais, posto aqui. Bom motivo pra você voltar e ver se já tem.  :)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Depois de um longo sumiço, estou de volta. Não sei se é pra ficar dessa vez, vamos ver. Se já enrolo no que tenho obrigação, imagina no que não tenho...
Bom, sou mega a favor de qualquer ação que implique em acessibilidade. É bem fácil da gente entender o direito do outro, basta trocar de lugar com ele. Todo mundo tem o direito até sagrado de ir e vir, além de ter também o direito de poder cuidar da própria vida. Daí nada mais lógico que sejam obrigatórias as condições para isso. Nenhum cego tem que ser guiado e nenhum cadeirante carregado, a não ser que esta seja uma escolha dele. Logo, o mundo tem que ser igual para todos.
Chego então à polêmica, que parece criada e alimentada só por mim, das calçadas de Belo Horizonte. Pra quem ainda não sabe, o que tá rolando é o seguinte: A Prefeitura de BH está intimando cidadãos a reformarem os passeios em frente às suas residências ou comércios. Pelo jeito não é na cidade inteira, mas em alguns pontos que elegeram como mais necessários. Imagino que existam critérios para isso, embora eu pense que a pessoa que mora na zona norte tenha o mesmo direito que a da zona sul que deve ser idêntico ao do pessoal da leste e assim por diante. Enfim, essa seria uma outra discussão, tão importante quanto a do tema do post, mas que terá que ficar pra outra hora.
De volta ao fio da meada. Embora seja algo polêmico, todo mundo sabe que proprietário de imóvel é responsável pela calçada. Na hora de dar manutenção, porque de resto ela é pública, como de fato toda a rua é. De novo, outra discussão pra outra hora, porque o nosso caso aqui não é de manutenção de calçada, mas sim de "construção". Sim, porque o que a Prefeitura quer é que cada contribuinte intimado coloque a mão no bolso e "construa" um passeio de acordo com projeto estabelecido. A ideia até que é boa, uma vez que visa o bem estar do pedestre e, sobretudo, prevê guias específicas para orientação de deficientes visuais. Sou o mais pedestre que alguém poderia encontrar, porque os que me conhecem sabem que corto essa cidade de fora a fora andando. Não sei dirigir e raramente pego taxi. Ônibus também só uso para distancias que cheguem a se mostrar proibitivas. Sei muito bem o que é andar a pé em ruas esburacadas.
Então, uma boa ideia, mas uma forma de realizar das mais estranhas. Primeiro que a gente paga muito imposto. Uma grande parte todo mundo sabe pra onde vai, todo dia tem novidade a respeito na imprensa. Mas o que sobra deveria no mínimo servir pra cuidar das coisas públicas, como ruas, por exemplo, incluindo aí as suas calçadas. Talvez tenha gente lendo (puxa, espero que TENHA gente lendo) que pense estar diante de um exagero. Confesso que eu também pensava assim, até dar de cara com o preço dos tais passeios. Dando um exemplo prático, um imóvel com frente de 12 metros, situado em uma avenida com calçada de 5m de largura fica na bagatela de R$ 6.000,00.
SEISMILREAIS!
Pois é, vamos combinar que, tirando o Eike Batista e os políticos conhecedores da formula mágica de multiplicação da renda, seis paus é muita grana pra qualquer pessoa. Pode então a dona prefeitura intimar o contribuinte, afogado em impostos, a pagar isso do seu bolso? Tudo bem que o dinheiro arrecadado precisa dar pra muita coisa, inclusive pra bancar viagens do Prefeito em aviões fretados, porque afinal de contas a gente é chic. Mas não seria obrigação do poder público viabilizar essa benfeitoria, sem dúvida alguma super importante, para os cidadãos?
Sei lá, isso pra mim é o óbvio do óbvio.

* Pra não alongar demais a conversa, só uma rápida passagem pelas exigências da padronização. Realmente não teria como escapar, já que a ideia não atende somente a uma necessidade estética. Mas me conta, quem é que está vendendo este material, que o-bri-ga-to-ri-a-men-te as pessoas estão tendo que comprar? Praticamente uma mega sena né não? Quem é o felizardo, e por que é dele o bilhete?


quinta-feira, 26 de maio de 2011

QUEM TEM MEDO DE CARETA?

Acho impressionante essa parada de coincidência. Gente, claro que existe, e às vezes nem é o papo do universo conspirando a seu favor... Apesar que no Brasil sempre tem conspiração a favor de alguém, desde que esse alguém não seja o povo...
Olha só, tem meses que o tal do kit homofobia, ou kit gay ou kit não sei lá o que tá bombando. Muita polêmica, discussão, baixaria e, hoje em dia, com as tais das redes sociais, a conversa fica meio interminável.
Vai que agora, justamente agora, a Presidente(a) arrumou um tempinho pra passar os olhos nessa pouca vergonha. Claro, o país tá bem tranquilo, não tem um polêmico Código Florestal pra encher a cabeça de ninguém, não tem ministro nenhum na corda bamba... Quer hora melhor pra sentar no sofá e ver um filminho?
, depois de avaliar o material, e só por isso, a amada eleita resolve que não tá bom não. Vamo botá ordem nessa bagunça que esse trem tá mal feito demais sô. Que isso, agora vai ter aula de semvergonhice?
Então, por concidência, e só por coincidência, tinha um povo, de olho no bem do Brasil, que não queria de jeito nenhum que essa porra que esse kit fosse distribuído. Ainda de olho no bem do Brasil, esse mesmo povo falou de chamar um ministro pra bater um papo. Claro, gente boa demais, esse povo pensou assim:

- É uma coisa ou outra.

Daí ficaram sabendo, tipo, um passarinho me contou, que a porra o kit não ia ser mais distribuído.

- Ué, então tá bem né, sendo assim, deixa o home pra lá, outro dia a gente bate um papo com ele.

Encastelada em sua discreção (ou seria acuada em seu palácio), a gerentona brava aos pouquinhos vai descobrindo que cara de pau não tem medo de cara feia. Também, quem tá a fim de bancar o efeito dominó? Toda criança de cinco anos sabe que, caindo a primeira pedra, dificilmente as outras param de pé.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

QUEM VAI ELEGER O BOLSONARO?

Gente, duvido muito que o tal do Bolsonaro e seus coleguinhas retrogrados acreditem mesmo ser possível parar a marcha do mundo rumo à uma sociedade mais igualitária e menos preconceituosa. Se eles querem pensar como o "mal", pois bem, o mal já está feito, e não tem mais volta. Pode ter uma discussãozinha aqui, uma duvidazinha ali e muita engolidinha de sapo acolá. É, porque você pode ter certeza que muitos compactuam com as "modernidades" não porque concordem, mas sim porque não querem perder o posto na concorrência ao troféu Cabeça Boa.
Mas, para alguns, ganhar esse troféu é pouca coisa. Vale mais, muuuuiiito mais, ganhar uma eleição. Então o jogo é pra plateia. Pouco importa interromper as conquistas já existentes ou atrasar as que com certeza virão. O negócio é fazer barulho e aparecer na mídia. Claro que existe uma turma que concorda com o pensamento que eles supostamente defendem. E é direito de qualquer pessoa pensar como bem entender. Quem quer ser preconceituoso, que seja, desde que não use isso pra interferir na vida de ninguém. Cada um é dono do seu pensamento, o que não dá o direito de determinar como os outros devem viver. A cena é pra esse povo, que na maioria das vezes se esconde atrás de fakes e presta total apoio e solidariedade às insanidades ditas pelos seus lideres. Eles só se esquecem que os tais dos lideres não estão nem aí pro lado onde as coisas vão, desde que sua massa de manobra torne a elegê-los para posições onde eles poderão encher os bolsos e continuar a vociferar idiotices para vindouros votos idiotas.
Pois é, "nunca antes na história desse país" estes sujeitos tiveram tanto espaço para soltar suas grosserias nada fundamentadas. Simplesmente acharam o mapa da mina. Eles gritam de lá, a sociedade indignada reverbera de cá. Fico imaginando como deve ser divertido o ambiente de criação dessa turma. Devem propor as coisas mais cabeludas, morrer de rir, e então soltar as pérolas, com a certeza que tudo vai repercutir nos top sei lá o que das queridas redes sociais. Espertos, não ficam só no contemporâneo das novas mídias. Vão aos jornais, dão entrevistas nas TVs, falam pelos cotovelos. E a turma do absurdo, o que faz? Grita bastante e divulga pra quem ainda não viu.
E então, vamos eleger o Bolsonaro? Ele e os colegas estão cada vez mais agradecidos aos seus revoltados cabos eleitorais. De minha parte, sai da brincadeira. Não compartilho mais uma linha ou vídeo refente aos absurdos ditos por qualquer delinquente. A gente pode sim, se indignar sempre e manifestar opiniões, sem que para isso seja necessário carregar estes trombolhos nas costas rumo à vitória nas urnas.

domingo, 3 de abril de 2011

DE VOLTA (?)

Bom, como dá pra perceber numa rápida olhadinha, esse blog tá abandonado há uns bons quase 3 meses. Não, não teve crise, nem trabalho demais a ponto de me impedir de escrever. Mesmo as várias mudanças acontecidas nesse intervalo não seriam motivo real para o sumiço. A explicação é uma só, em duas palavras, preguiça e procrastinação.
Li outro dia, num blog de um cara que estava nesse mesmo processo de retorno, uma justificativa que considerei super plausível: Facebook e twitter. Realmente, depois que você embarca nessas duas ondas, blog vai ficando meio de lado mesmo. Twitter eu nem tenho, mas face é difícil não dar uma viciadinha. Aí o que acontece? A agilidade acaba influenciando o onde escrever. É tão rápido, simples e eficiente em termos de interatividade que a gente acaba metendo o pau em Planos de Saúde por ali mesmo.
Enfim, post pequeno só pra ver se dá uma re-esquentada no motor. Algumas curiosidades:
- Mesmo parado de tudo, nem eu vindo aqui, o Beagá Que Eu Vejo teve mais ou menos 1.200 acessos nesse período. Tá, é pouco, mas considero bem surpreendente, uma vez que não tinha nenhuma novidade e muito menos estava sendo divulgado. Fico feliz em saber que tem leitor que vem expontaneamente, sem precisar laçar.
- As enquetes podem ser meio malucas. Aquela que fica direto, sobre a frequência, de uns 80 votos que tinha, caiu pra 16. Não sabia que dava pra desvotar. Se a moda pega, tenho certeza que muita gente vai querer deseleger um povo aí, passados alguns meses da posse.
É isso, espero ficar estimulado de novo. Mesmo sem 365 vídeos ou um milhão e trezentos dinheiros pra captar, gosto de manter esse espaço de palpiteiro.
Agora vou fazer umas ligeiras mudanças no quem sou eu, porque até isso tá desatualizado. Muita água passou debaixo da ponte e o ano novo já começou.  :-)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OLHA ISSO 1

Começo hoje uma nova seriezinha, que pode continuar, ou não.
Olha isso!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

FIQUEI AMIGO DA SONIA BRAGA

Redes sociais são mesmo uma febre, e um vício. Há um tempinho atrás falei mais ou menos disso no post O Jô Soares Não Tem Twitter. Se ficar curioso, é só jogar ali na busca ou procurar no arquivo do blog.
Então, sem twitter ainda tô, mas capitulei ao facebook. Tempos que um monte de gente ficava me cobrando de entrar, mas me dava uma certa preguiça. Foi assim também com orkut, o primo pobre das redes que anda meio abandonadinho.
Bom, uma das coisas que os dois têm em comum é a indicação de amigos. O face ainda fala assim, "pessoas que você talvez conheça". Por alguma razão, eles acharam que talvez eu conhecesse a Sônia Braga, e me indicaram. Ah, nos dois (orkut e FB) acontece a mesma coisa engraçada. Te indicam a pessoa, e quando você vai lá fazer amizade, falam assim "Essa pessoa já tem amigos demais". Hã??? Mas fui eu que procurei? Se eu não podia ser amigo dela, pra que me indicaram?
Felizmente, e estranhamente, esse não foi o caso da Soninha. Por incrível que pareça ela ainda tinha espaço pra mim, e me aceitou praticamente na mesma hora. Agora a gente é chapa e eu posso trocar idéia com ela. Como eu divulgo as atualizações do blog no face, provavelmente ela vai vir aqui ler. Pior que fiz um post meio feio dela, espero que ela não recorra ao arquivo e ache... 
Enfim, sei que minha amiga Sônia Braga pode ser um carinha de uns 12 anos, que pela escolha do personagem tem um futuro promissor pela frente. Sei também que pode ser um octagenário a fim de uma pegueichon virtual com uns brotos iludidos com o sex appeal da estrela. É, mas também pode ser a própria, daí meu face deu uma enriquecida no quesito celebridade. 

*Tô bobo, enquanto eu escrevia aqui o pessoal do facebook me ofereceu a Aretha Marcos, filha da Vanusa com o Antônio Marcos, também como uma pessoa que eu talvez conheça. Será que corro atrás?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

E NÃO É QUE...?

Pois é, dan-cei. A trans cascou fora no primeiro paredão do BBB. Eu disse que enfiaria a minha viola no saco, mas fiquei em dúvida. Sei lá, pode ser que o proposito fosse justamenter o contrário. Bateu o arrependimento, a caretice da Globo que veta beijo gay falou mais alto e resolveram cortar o mal pela raiz. Afinal ela já estava fazendo o que se faz no BBB, se esfregando aqui e ali.
Enfim, promessa não faço mais, mas talvez tenha sido bom, assim aparentemente o programa não terá muito pano pra manga e fico livre de falar nisso. Fosse no SBT, hoje a noite Ariadna estaria de volta à casa, com as bençãos do patrão Silvio. Com os Marinho e os Boninho não tem disso não.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O BLOG E SUAS PROMESSAS...

Eu sei que acabo não cumprindo esse tipo de promessa, até porque não resisto a uma provocação, ainda que a provocação não seja comigo. Mas acompanhar BBB dá nisso, a gente fica danado, e tem que falar. Por acompanhar nem precisa entender assistir na TV. Não tem a menor necessidade, o bombardeio é diário, e por todos os lados.
Bom, esse post, curtinho, é só pra reforçar mais uma teoria, que tenho certeza não é só minha: A do jogo das cartas marcadas. Se eu errar, beleza, enfio definitivamente minha viola no saco. Nesse caso, serei obrigado a reconhecer que existe realmente um jogo e uma votação.
Simples, primeira eliminação, Ariadna na parada. Pra você que não sabe, ela é a transsexual do programa. Então, primeira semana, e ela já cai fora? DU-VI-DO. Tô apostando nela, não sei se para a vitória, mas pra ficar muuuuiiiito tempo ali.
Capaz da Dona Globo inventar uma moda dessas e não se garantir pra polemicazinhas uns dois meses...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ADEUS ANO VELHO, FELIZ ANO NOVO

Em janeiro deste ano fiz um post sobre passagem de ano. Atrasadinho né, porque 2010 já estava efetivado no posto. Na época, dei o nome ao texto de ADEUS ANO VELHO, FELIZ ANO VELHO. Não vou explicar mais nada dele. Ficou curioso? Tá aí no arquivo, é só dar uma chegadinha lá e ler.
Pois bem, dessa vez o título é outro, simplesmente porque 2011 virá com muitas mudanças. Tudo vai dar certo, eu sei, e vou aqui manter um velho hábito adquirido, que vem funcionando bem ao longo da minha existência. Aprendi a não pedir, tão somente agradecer, então nessa mensagem de final de ano vou deixar pros bons leitores um videozinho de arrepiar.
Então, é isso.
Feliz Ano Todo pessoal!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

Nada como ser raposa e tomar conta do galinheiro. No apagar das luzes deste mandado, nobres deputados votam aumento de... seus próprios salários. Quem se reelegeu e vai continuar já pode contar com uns trocadinhos a mais pras suas miudezas. Quem está chegando agora, pensa "dei sorte". Pois é, o Tiririca pensou em voz alta.
Bom, avaliando em termos absolutos, o salário bruto nem seria tanto assim, se comparado à iniciativa privada. Diretores de grandes empresas, celebridades do mundo do esporte ou da TV tiram essa grana no troco. Mas aí entram várias diferenças. Primeiro que na iniciativa privada o que o cara ganha é diretamente proporcional ao que ele produz. No raciocínio básico do básico, o profissional estaria gerando para o seu pagador muito, mas muuuuiiito mais do que aquilo que cai na sua conta no final do mês. Outra diferença, essa ainda mais gritante, é que o pagador não paga ninguém com a minha grana, ou com a sua. No caso dos parlamentares sim, quem tira o dinheirinho suado do bolso é o povo. Mais uma, esse salarinho básico de mais de 25 mil dos deputados é limpinho, porque eles não gastam com absolutamente nada, já que tem verba pra tudo. Numa conta rasa, cada um deles custa mais de 100 pau por mês. E aí fica a pergunta: Pra que?
Mas, surpresa! Aí vem a cavalaria! Os jornais de hoje noticiam que o Judiciário pretente mover ação contra esse aumento abusivo dos que legislam em causa própria. Nossa, muito nobre, não fosse a sequência da notícia, informando que o motivo da ação não se refere a nada disso. O que acontece é que o Judiciário acha que o SEU aumento deveria ter sido votado ANTES.
Ainda bem que são só três poderes heim? Já pensou se fossem assim, uns cinco?  

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A EVOLUÇÃO DAS COISAS

Oba! Finalmente amenidades cotidianas de volta no blog.
Tem muito tempo que não lavo roupa, mas nas últimas semanas, não por vontade, mas contingências, tenho feito isso. A mão. É, não tenho máquina de lavar, nunca tive, e não por maldade com quem pago pra lavar. Quando eu mesmo lavava, também não tinha. Tô fazendo assim, hoje umas pecinhas, amanhã outras, nada de trouxa na beira do rio não.
Então, um tempão sem fazer, parece que não tenho acertado muito. As vezes acho que tô usando sabão em pó de mais, outras penso que pus amaciante de menos, e tudo no olhometro, medida que só funciona muito bem no ritmo que se pratica. A mesma coisa com cozinha. Sei cozinhar, cozinho bem, mas atualmente não sei se acertaria com as pitadas disso ou daquilo, ou com o sal a gosto. Talvez tenha perdido a mão, já que nem fogão tenho há uns bons 12 anos.
Enfim, fui vestir uma camisa hoje, senti que estava meio dura, mesmo depois de martelada no ferro de passar. Sabe roupa de madeira? Pois é, provavelmente falha no amaciante. Daí me veio esse pensamento: Há quanto tempo existe amaciante? Sei que na minha infância, adolescência, ou breve juventude quando ainda morava com os pais, lá não usava. Depois, já fugido de casa, época que com certeza tinha eu mesmo que ir pro tanque, também não usava. 
E aí, o corpo da gente não percebia que a roupa tava dura? O uso do amaciante torna a pele das pessoas mais sensíveis? Muito gozado isso, como meros hábitos quase sempre acabam virando necessidades. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NATURALMENTE NATURAL

Pois é, no último post eu falei que ia virar o disco, acontece que encontrei esse vídeo tãããããooo legal num blog meu amigo, que não resisti. Olha só como em 30 segundos essas velhinhas dizem tudo o que a gente vem escrevendo em páginas e mais páginas...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

PALAVRAS CRUZADAS

bom, vou ter que concordar. Este blog não anda falando de tudo, tá mais pra um sambinha de uma nota só. Depois do longo período com ênfase nas eleições, agora toda hora tem assunto gay. É, mas fazer o que, a gente tenta ser atual, e a coisa tá pegando fogo nos últimos dias. Talvez com este post eu consiga não fechar o ciclo, que isso seria impossível, mas pelo menos depois dar uma espairecida e voltar realmente a falar de tudo, mesmo sendo este um blog sobre nada.
Então, toda hora tem alguém pontuando umas coisas loucas sobre ditadura gay, heterofobia e  idéias malucas que uma lei contra a homofobia viria a criar super cidadãos com privilégios especiais. Estranho como cada um vê o que quer né? Certo, certo, alguém pode argumentar que eu também vejo o que quero, mas tento sempre argumentar e de forma alguma desqualifico pensamentos diferentes dos meus, ou aquilo que cada um tá querendo ver, desde que também venha acompanhado de argumentos. Acontece que o mais estranho nisso tudo é existir a discussão e mais, a necessidade de uma lei. Sim, porque infelizmente ela é necessária, para garantir que "aos heteros, seus direitos, nada menos e aos homo seus direitos, nada mais" (frase que li e achei bacana demais, sintetizando que a busca é somente pela igualdade). O estranho de haver a discussão é porque heteros e homos são exatamente iguais, a única diferença é a preferência por amar-transar com gente de sexo diferente ou de sexo igual, o que no final das contas só deveria interessar a quem está transando. Mas enfim, como o ser humano é realmente complexo, isso vira um cavalo de batalha e criam-se situações bizarras, como gays precisando contar aos pais como escolhem seus parceiros sexuais ou ocultando isso nas rodas de cafezinho. Realmente um mundo bizarro onde a sexualidade define a pessoa, até mesmo como referência. Isso no caso gay, lógico, porque com certeza você nunca ouviu alguém dizer tá vendo aquele hetero lá? Heteros são médico, advogado, lixeiro. Homos são médico-gay, advogado-gay, lixeiro-gay.
Enfim, pra encerrar o post, o que está acontecendo no momento é que gays são os novos negros. É, toda a confusão vem na esteira da visibilidade. Negros nunca puderam disfarçar que eram negros, e daí vem o seu maior número de conquistas enquanto grupo discriminado. Porque a opção é uma só, enfrentar ou enfrentar, e ninguém quer ser tratado eternamente como cidadão de segunda em direitos, principalmente tendo os mesmos deveres que os da primeira classe. Como nem tudo são flores, e os negros que o digam, essa visibilidade pode causar estranhamento, reações e desconforto, mas é a única forma de buscar igualdade. Quando todo mundo souber que tem gay em casa, vai entender melhor o gay da rua.
Fechando a história, fica uma dica. Sempre que você achar que há exagero em alguma situação envolvendo homofobia, faça uma troca de palavras. Onde estava bicha, coloque negro, onde lia-se viado, coloque macaco. Se deu aí aquele ar de racismo que pode até te levar pra prisão, tá confirmado, a situação era mesmo de homofobia.
Pra amenizar um pouquinho o tom sério da coisa, fica esse videozinho super legal da comediante Wanda Sykes, que além de negra, é lésbica.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

QUE BEIJINHO DOCE

Entre besteiras faladas por reitor de Universidade, jovem baleado e outros agredidos com lâmpadas fluorescentes na rua, estamos com uma semana agitada no campo da homofobia, aquela coisa que não existe e que, portanto, não precisa de nenhuma lei contra ela, dado o risco de se criar uma cidadania especial para estes privilegiados.
Paralelo a isso tudo, aconteceu outra coisinha, e é pra ela que eu quero chamar atenção neste post. Antes de falar o que é, ressalto que a aprovação de uma lei torna-se cada vez mais urgente e necessária, porém mais necessária e eficaz ainda é a batalha por uma nova consciência moral. Sim, porque não existe lei no mundo que possa regulamentar uma sociedade com moral retrograda e discriminatória.
Vamos ao fato. Você deve ter lido por aí a história do garoto de 18 anos que foi preso em um shopping por beijar um outro menino, este menor de idade, com 13 anos. Preso aqui quer dizer preso mesmo, não só enxotado do local, como de hábito os seguranças costumam fazer nestes casos home com home. O carinha foi indiciado pelo chamado estupro de vulnerável, porque mesmo o menor afirmando ter consentido o beijo, o fato de ter menos de 14 anos faz com que ele não tenha como responder por seus próprios atos.
Enfim, a história foi essa. Onde eu quero chegar com isso? Bom, tenho nojo de pedofilia, até já teve post aqui sobre isso. Abuso de criança e velho é mesmo o fim da picada. Boa oportunidade também pra lembrar que pedofilia é uma coisa, homossexualidade outra. É, pode ser meio estranho eu tá falando isso, mas por incrível que pareça tem muita gente que associa uma coisa com a outra. Um pouco eu acho até que é porque os casos de pedófilos mais badalados envolvem padres, e quase sempre eles quebram o pau é com minino home mesmo né? Pois bem, na complexidade dessa pegação inter-idades, tem muito detalhe técnico, e por isso esse caso não configura pedofilia, que só rola quando o menor tem menos de 12 anos. Tá bom, concordo, já tô divagando demais. Então, direto ao ponto:
Não, eu não acho que o menino de 18 anos foi injustiçado, se existe a lei, e ele tava infringindo, certo que sofresse as consequências. Agora, onde entra aquilo láááá de cima, sobre moral? Simples. Quantas vezes você já viu carinha de 18 anos ou mais pegando menininha? É, cinema, praça de alimentação, corredor, qualquer lugar de shopping. Ou nos shoppings a gente só vê casal hetero da mesma idade? E fora de shopping? Você nunca viu garoto mais velho dando uns malhos em menina menor de idade? Pois é, agora me fala, quantos deles foram presos? Quantos foram, no mínimo, advertidos pela segurança de onde quer que fosse?
Então, é isso. Não há lei que dê jeito enquanto casos iguais não forem tratados de forma igual. Se o problema é a diferença de idade, dentro dos parâmetros previstos em lei, que se prenda todo mundo, independente de orientação sexual. Me fala, vai ter cadeia pra esse povo todo? Acho que não né? 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

QUE QUE EU FALEI?

Olha só, não tem horas que a gente tem vontade de ficar dizendo não te falei, não te falei? Pois é, geralmente é meio chato e meio chutar cachorro morto, porque quase sempre se refere a avisarmos alguém de alguma coisa, a pessoa se recusar a escutar e logo lá na frente quebrar a cara. É, não é legal fazer isso não, melhor fingir que não falou nada e ser solidário com a queda do outro, ainda que por dentro você sinta o gostinho da vitória, aquela coisa boa de confirmar que tinha razão.
Bom, no caso aqui não tem grandes problemas, porque não se trata de situação pessoal nenhuma. O comentário é em cima da tal saídinha de banco, o golpe praticado pra roubar quem tá saindo, obviamente, do banco. Em maio desse ano teve muito blablablá em cima disso aqui em BH, por conta de umas tragédias, até com morte, em consequência dessa modalidade de pilantragem.
Então, na época, vieram com o papo de proibir uso de celular dentro das agências e outra providências meio sem sentido (na minha opinião), pra tentar diminuir a frequência, que tava demais. Palpiteiro que sou, falei sobre isso aqui no blog, mais precisamente em 06 de maio, fazendo diversas ponderações. Não vou encher o saco de ninguém e esticar o post escrevendo tudo de novo. Quem tiver curiosidade dá uma passadinha lá. Adianto que vale a pena, sem nenhuma pretensão, julgando apenas que se você lê o blog (tá lendo aqui agora né) deve gostar, ainda que mais ou menos, e este post foi legal.
prá concluir o não te falei, não te falei?, essa semana prenderam a tesoureira de uma agência onde a aplicação da tal saídinha era constante. Por que? Pela cumplicidade com a quadrilha que agia lá na porta. Viu só? Ah, pra entender melhor, vai lá no dia 06 de maio e lê vai. Por favor...  :-)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

NINGUÉM É OBRIGADO

Você já pensou em ser Presidente do Brasil? A burocrata de carreira Dilma nunca tinha pensado, até uns dois anos atrás. Não tô falando nenhuma novidade. É só imaginar uma pessoa de 62 anos que nunca concorreu numa eleição, nem que fosse pra vereadora. Mais, essa pessoa esteve praticamente toda a vida profissional ligada ao serviço público, ocupando cargos por indicação, o que de certa forma aproxima da política e políticos, com sério risco de contrair o vírus eleitoreiro. Pensa bem, passava pela cabeça dessa pessoa um dia na vida concorrer, na primeira eleição, prá Presidente? 
Pois é, essa foi uma das minhas encucações nesse processo todo: Quais as razões por trás de se inventar, a tal grau de invencionice, uma candidata? Enfim, venceu, por voto, o que é importante, e é mais que legitima. Agora esperar os resultados nesses próximos quatro anos que virão.
É, ninguém é obrigado. Ninguém é obrigado a votar. Esse papo de voto obrigatório torna-se uma grande piada quando mais de 20%, vinteporcento das pessoas, resolvem que não vão votar, e não votam. Em números de milhões, são 29.197.152. Já imaginou que tantão de gente é isso? A Presidente se elegeu com 55.752.529, ou seja, menos que o dobro de eleitores que simplesmente resolveram não dar as caras no voto obrigatório.
certo, eu falei que não votar é votar. Mas lembra que falei isso sobre voto nulo? Então, a diferença é total. Quando você anula um voto, você votou, manifestou sua opinião, disse que nenhuma das propostas atendia seus anseios ou expectativas. Já quando você se abstem, não dá recado nenhum, a não ser o recado que resolveu curtir o feriado. Parece que tô malhando? Não tô, nada contra, eu acho que antes de ser um dever, o voto é um direito. E exerce esse direito quem quer.
Aqui, mas vamos parar de falar em voto obrigatório? Obrigatório pra quem? Não basta ter um título de eleitor que não serve pra votar? Pra que mais piada gente?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

NÃO VOTAR É VOTAR

Este post vem com o objetivo de desagarrar o blog. Pois é, muito tempo sem postar, e sinto que  foi pelo incomodo de ter ficado preso nessa onda política em função das eleições. Depois de hoje espero dar um refresco do assunto e assim, quem sabe, ter maior empenho para escrever.
Então, dando sequencia às postagens anteriores, muita água passou por baixo da ponte. O segundo turno não foi lá essas coisas, ninguém apresentou nada de concreto, choveram denuncias e escandalos e as posições cristalizadas trataram de cegar a turma. O que falam do meu candidato é boato, mentira, complô e o que falam do outro é verdade verdadeira. E vice versa. Enfim, ninguém convence ninguém. Sei que no final das contas um dos dois vai ter que ganhar, só gostaria que houvesse a consciência de ter ganho com voto crítico, e não recebendo um cheque assinado em branco.
Naquele lance lá de casamento gay, lei de homofobia e parará, os dois candidatos conseguiram se igualar. Ambos firmaram os mesmos compromissos com grupos religiosos retrogrados, pisoteando histórias partidárias e pessoais em função de uns votinhos. Obvio que este não pode ser o único aspecto a ser pensado na hora de votar, porém dá o tom do que foi (tem sido, ainda não acabou) a campanha em geral. O discurso se adequa à platéia, e vamo que vamo.
Sobre o título do post, quando digo que não votar significa votar, falo simplesmente porque acho que existem três opções, bastando a gente incluir "nenhuma das anteriores". Muita gente critica o voto nulo, eu não só já critiquei como até fiz um espetáculo que abordava o tema, uma peça de encomenda de ex-estatal depois privatizada que falava de cidadania para os jovens. Na sequência do impeachment do Collor tinha até cena com os cara pintadas. Sabe né, aquele pessoal que acha que derrubou um presidente. O tempo passa, a política nos dá lições espiritualizadas do perdão e esse hoje é um dos companheiros do companheiro presidente. Ah, quem lembra da campanha de 89 sabe muito bem o grau de altruísmo contido nesse perdão. Políticos são bem legais né?
Uma pessoa me falou: Voto branco ou nulo, eu nem dormiria. Meu voto é sagrado, e vale ouro. Concordo, e mesmo que não fosse obrigatório votar, eu votaria. Mas digo o seguinte, o voto nulo vale o mesmo ouro, porque representa a sua escolha, e a escolha que a gente faz, essa sim, é de ouro. Não dá pra na hora de escolher, optar pelo menos pior, o voto de ouro é pra ser usado com o melhor, e pronto.
Enfim, nada disso quer dizer que no domingo anularei o meu voto, afinal todo mundo sabe que o voto é secreto né?  ;-) 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DIGA SIM PRA MIM

Pois é, de novo o casamento gay. Acho essa história uma das coisas mais sem sentido da face da terra. Uai, a quem mais pode interessar um casamento senão a quem está casando? Realmente não dá pra entender no que o estado civil de duas pessoas interfere na vida das outras. Ah, você não acha certo home com home nem mulhé com mulhé? O problema é seu, e o direito também é seu. Não ache, mas também não encha o saco, só isso.
Fato é que virou tema de campanha eleitoral, essa que tá rolando, pra eleger o mais carola, candidatos a coroinha e filha de maria. Ahn? É eleição pra Presidente da República? Nossa, desculpa a mancada, mas é que não tá parecendo.
Bom, José Serra declara que é a favor dos direitos civis, mas que casamento é com as igrejas. Sei lá, mas eu penso que deve ser isso mesmo que todo mundo quer quando fala de casamento gay. Não acho que são muitos os que defendem o direito de entrar na Igreja ao som da marcha nupcial não. Daí rola que Dilma vai assinar uma carta lá pros evangélicos de compromisso contra casamento gay e aborto. Já viu isso? Colocar aborto e casamento gay no mesmo balaio? Faz favor né... Por enquanto é bo-a-to. Vamos ver se essa carta aparece mesmo, e aí conhecer o que de fato a madame assinou.
Engraçado que o Estado é laico e que Marina Silva, a única candidata realmente comprometida declarada e assumida com questões de fé, não misturou as coisas. Depois dela que virou essa guerra santa mais maluca. Enfim, coerência não é pra qualquer um mesmo não né?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

AMIGAS DO PEITO

Hmmm... Primeiro vamos supor que você é mulher. Tá, se você é mulher mesmo, não precisa nem supor. Agora vamos pensar que você, por mérito ou relacionamento, arrumou uma boca num serviço público. Gente boa demais, você engatou uma amiga lá também.
Passou um tempinho, você sempre proativa, já está noutro lugar. Um lugar melhor. Como é bem difícil gente em quem confiar, você pegou aquela sua amiga e levou junto. E assim foram as duas, degrau em degrau, passo a passo, amigas de fé, irmãs, camaradas.
De repente, do nada, você se vê lançada num patamar inimaginável pela sua história de vida burocrática. Amigona como sempre foi, dessa vez você não coloca a sua coleguinha um passo atrás de você não. Num gesto de pura fraternidade, você simplesmente coloca a tal exatamente no seu lugar, que acabou de vagar. Pois é, história emocionante que faz a gente acreditar nas relações humanas né não?
Bom, mas não acabou aqui. De repente, do nada de novo, começam a estourar atividades escusas daquela que foi sua parceira de trabalho, e afeto, durante longos anos. Parentalha, amigos de parentalha, amigos de amigos, uma corrente que mata a gente (quem tem medo sai da frente) de um povo muito esfomeado, que foi metendo a mão onde dava, catando centavo por centavo do dinheiro público que estivesse ao seu alcance.
Pergunta 1: É possível que você não soubesse de nada disso? Ram-ram, possível é sim, afinal, tudo é possível.
Pergunta 2: É provável que você soubesse de tudo? É... bastante provável né?
Historinha hipotética, só pra gente brincar um pouco aqui.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

BENT É NECESSÁRIO - II

"Bent" está de volta nesse final de semana. São só três apresentações, hoje e amanhã às 20h e no domingo às 19h, no Teatro Alterosa. Você que é de BH sabe bem onde é, e é bem central, facinho de ir. Você que não é de BH acabou de saber que é um teatro fácil de ir, então já tem uma boa programação no seu passeio na nossa cidade tão bacana. Tá adorando não tá? Pode falar. :-)
Bom, já postei sobre o espetáculo aqui na época da estréia, e agora tô falando de novo, porque além de gostar da montagem acho que o tema é super oportuno, principalmente em época de eleição. Não vou te dar o trabalho de caçar aqui no blog. Vou reproduzir abaixo, apenas com algumas atualizações:

Vou muito ao teatro, por lazer e dever. Atualmente mais por lazer, já que o dever está meio no subjetivo, aquele caso que a gente vai porque é do meio, mas não com tanta obrigação quanto, por exemplo, quando é jurado de prêmio.
Nessas andanças culturais dei com os costados no Teatro Kléber Junqueira, espaço diferenciado que é um caso à parte em BH, geograficamente até meio fora do circuito. Talvez futuramente seja tema de comentário em um outro post aqui no blog. Só prá adiantar, gosto muito da proposta toda da casa.
Fui lá porque queria ver "Bent". Tinha muuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiitos anos que queria ver uma montagem dessa peça, que em alguns rasgos de entusiasmo cheguei a pensar em produzir. Mas, como na piada, sou assim. Se tenho vontade de trampar pesado, fico quietinho que aí a vontade passa.
Este texto, sucesso nos EUA e em filme, foi um dos maiores, senão o maior trunfo do diretor paulista Roberto Vignati, com quem tive a oportunidade de trabalhar em duas ocasiões. Com seu sotaque característico, Vignati falava toda hora de "Bent", sempre com orgulho e bem feliz dos resultados financeiros. Outros tempos caro Vignati...
Bom, muita enrolação prá chegar na história. Um homossexual, preso num campo de concentração nazista, desenvolve uma paixão/amor por um judeu. Este também homo, mas dentro do armário. Pois é, em campo de concentração valia mais a pena ser judeu que gay. Prá quem não conhece este lado da história, os gays, que nem eram "gays" naquela época, foram tão perseguidos pelo regime de Hitler quanto os judeus. Talvez até mais, por serem considerados os últimos na cadeia evolutiva dentro de tão brilhante ideologia. Em vez de estrela amarela no uniforme, triângulo rosa. Bonitinho né?
Kléber Junqueira (é, o nome do ator é o mesmo do teatro) e sua trupe desenvolvem o espetáculo com emoção pouco vista nos palcos atuais. Com um elenco de apoio afinado, ele e Vinicius di Castro (respectivamente o judeu gay no armário e o assumidíssimo com triangulo rosa na camisa), envolvem a platéia no jogo de sedução, e depois amor, em performances memoráveis, carregadas de verdade.
Na cena mais badalada da peça, eles transam sem se tocarem, uma vez que o contato físico era proibido e vigiado. É um momento muito legal, com boa pegada de erotismo. Não deixa de ser engraçado ver senhoras sentadinhas ouvindo os caras dizerem pau, e o que fazer com ele, até atingirem o orgasmo. É curioso observar, mas aqui, não tem nada de chulo viu, na verdade tudo soa muito poético. Fato é que, o que em outros tempos foi algo criativo e surpreendente, naturalmente hoje ganha novos contornos. Isso porque na época transar era no pega prá capar mesmo né, e hoje muuuiiita gente faz sexo sem se tocar. Alguns inclusive SÓ fazem assim. Os orfãos do 145 e usuários de chats de sacanagem de internet sabem bem o que eu tô dizendo. Agora, de forma alguma isso desqualifica ou enfraquece este momento, que com certeza é um dos pontos altos do espetáculo. Confesso que fiquei até um pouquinho sem graça de lembrar disso durante a peça, me senti meio fútil diante de tanta carga dramática. Mas fazer o que, pensei uai...
Enfim, "Bent" é necessário. Não fosse pela belíssima produção, esmerada não somente no que diz respeito ao elenco, mas também em todo o entorno de cenários, figurinos, iluminação e trilha sonora, valeria pela bandeira que levanta. Ééééé gente, precisa levantar bandeira sim. Em um tempo onde cada vez mais se procura tapar o sol com a peneira, precisa ser dito que iguais são tratados como diferentes.
Não adianta a Revista Veja estampar em matéria de capa que não existe preconceito e que jovens convivem bem socialmente com a homossexualidade. Não adianta a Rede Globo fazer materinha com pais e mães que "aceitam" a "condição" de seus filhos. Tá certo, pelo menos hoje uns põe a cara prá bater, e em circulação de mídia nacional. Mas isso, de forma alguma, reflete a realidade. Tentativas descaradas de esvaziar a militância, justamente diante de possibilidades concretas de conquistas, precisam do contraponto de obras como "Bent".
É datada? Ram-ram, lê jornal. Existe país implantando até pena de morte para quem tem como crime somente o fato de amar, ou no português rasgado, TER TESÃO por alguém do mesmo sexo. E aqui, no mesmo Brasil das materinhas cor de rosa, jornalzinho fuleiro e anonimo de universitários manda jogar bosta em gays no campus. Aí vem a Veja com pesquisa feita sei lá com quem dizer que os mais novinhos nâo vêm em sua sexualidade motivos de luta, mas sim algo natural. Uai, isso aí todo mundo sabe, só falta combinar com os homofóbicos. É bem hilário ver pessoas candidatas ao troféu cabeça boa por terem amigos gays dizerem que tudo bem, mas seja discreto. Tomá no sul né não? Discreto por que, se não tem nada demais?
Aff, quebra de promessa de posts curtos. Terminando este quase seminário, fica a dica-recomendação-indicação-intimação. Se você ainda não viu "Bent", não perca mais tempo. A partir daqui o post fica atualizado, com as informações de local e horário lá do principinho.
Pois é, vai lá.


domingo, 3 de outubro de 2010

OBA! AINDA TEM MAIS!

, não foi beeeeemmm o segundo turno que o blog aqui vinha correndo atrás né, mas só de ter já tá de bom tamanho.
Acho que o recado das urnas foi super importante, mostrando que o Brasil não tem dono e que o eleitor brasileiro não pode mais ser tão subestimado. A estratégia do plebiscito foi por água abaixo, o maniqueísmo de bonzinhos contra mauzinhos não colou e a campanha infantilóide agora vai TER que chegar ao fim. Ninguém foi as urnas pra eleger uma mãe ou um pai.
De agora até o final do mês esse povo vai TER que fazer uma campanha séria, com propostas, cartas na mesa e transparência.
Marina foi fun-da-men-tal nessa mexida. A sua participação colocou o processo nos trilhos e abriu os olhos de muita gente.
Enquanto isso, ummilhãotrezentosequarentamilvotos. Tiririca levando muita gente com ele pra Camara dos Deputados. Pois é, nem tudo pode ser perfeito.