sexta-feira, 9 de junho de 2017

OS "DESINVISÍVEIS" QUE INCOMODAM




Escrevi este texto em 2015, para uma coluna de jornal que eu assinava. O motivo de retornar a ele agora foi a polêmica que está rolando em torno da agressão sofrida por um dos atores da peça “Certos Rapazes”, em cartaz aqui em Beagá. Sobre a peça falarei depois, e isso é uma promessa, porque gostei muito e desde a estreia venho enrolando pra escrever.
A polêmica: Um dos atores, que interpreta um dos parceiros no casal gay em cena, foi agredido por amigos, conhecidos, vizinhos - algo assim - em um jogo de futebol que participava perto da sua casa. Fez post no Facebook, rendeu pra imprensa e surgiram diversos comentários, a maioria de apoio ao cara (felizmente).
O que me chamou a atenção foi o tanto de gente que viu nisso um retrocesso. Retrocesso do que? Quando, em que tempo, a homofobia foi diferente, principalmente “menor” do que é hoje? Esse preconceito histórico está aí bem antes do politicamente correto da “aceitação”, que levou muito homofóbico pro armário em nome do discurso cabeça boa. Agora, um esforço não muito grande de memória, ou de história, pode conduzir quem está surpreso com o retrocesso para ali mesmo, pertinho, nos anos 80, 70, 60, até mesmo 90.
Ah, o preconceito era menor. Era? Onde? Na sua casa, onde ser gay era tabu e a palavra nem mesmo podia ser dita? Na sua comunidade, onde qualquer distração no trejeito de mão era motivo de chacota e de negação (necessária) caso a pessoa não quisesse de imediato ser atirada ao gueto da discriminação agressiva e “legalizada”, no sentido de que, diferentemente de hoje, ninguém achava nada demais discriminar gays. pelo contrário, isso era uma coisa bem legal de fazer?
Como um adendo, o ator esclareceu que ele não é gay, gay é o personagem da peça, e que foi discriminado e agredido por conta dessa confusão. Na levada, muita gente, querendo ser gente boa, escorrega ao ver nisso o drama. Quer dizer, fosse o cara gay, tava de boa, mas que isso, agora vão começar a agredir hetero por homofobia? Aí não, que já é demais. Tudo bem, o ator obviamente é gayfriendly e não partiu dele nenhuma intenção de se justificar pela negação. A dica aqui é para os comentaristas de plantão, que talvez não observem em suas posições o tanto de preconceito velado existente.
Como a introdução já virou textão, vou dar uma editada no que eu falei sobre os “desinvisíveis” na tal coluna do jornal. A ideia de usar o texto foi apenas pra contextualizar que não, não há nenhum retrocesso, a homofobia está onde sempre, infelizmente, esteve. O que acontece agora é que cada mais mais gays se tornam visíveis e, com isso, também se tornam bem mais visíveis as manifestações do preconceito.
O texto de 2015:
“Toda relação é um presente”, disse a Natura em comercial de 2013, utilizando música do Marcelo Jeneci em um vídeo bem emocionante, onde contemplava os mais diversos tipos de relacionamento, incluindo, claro, os homoafetivos. Teve choro e ranger de dentes? Bem provável que sim, mas não me lembro de ter sido algo que chamasse tanta atenção.
O bombom Sonho de Valsa, já em 2015, também lançou um filminho, este bem mais ousado, incluindo quase todas as modalidades de casais possíveis. Tinha lésbica beijando? Tinha, assim como tinha velhos, gente com grande diferença de idade, cadeirantes, casais interraciais, etc. Outro que eu não to lembrando de nenhuma movimentação contra.
Aí vem o Boticário... Não, eu não estava procurando água em Marte e cheguei atrasado ao assunto não. To sabendo que esse troço já rendeu às pencas desde a semana passada. Mas, como falei de invisibilidade na última terça, achei que era um bom motivo pra falar de uma variação do mesmo tema, a “desinvisibilidade”.
Então, como todo mundo sabe, o Boticário também usou casais homoafetivos em sua peça de divulgação para o Dia dos Namorados. Embora o vídeo seja dos mais bem comportados do mundo, pra muita gente a casa veio abaixo justamente com ele.
Em todos os três casos citados, e em mais um monte de propagandas, novelas e filmes que já fizeram ou que certamente ainda farão nessa linha, existe uma coisa em comum. Nenhum dos casais ali presentes foi inventado. É tudo coisa que existe, e existe há muito tempo, não começou agora. A diferença está justamente na visibilidade, que antes não era dada ao que fosse considerado “diferente”.
Algumas pessoas, sobretudo mais jovens, que não viveram outras épocas, costumam falar de certa “regressão” em questões de intolerância. Não gente, não é que havia mais tolerância antes, o que havia era invisibilidade, e o que não é visto não tem como incomodar, né? Saber que existia todo mundo sempre soube, mas a vista grossa é a mãe da hipocrisia. Então faz assim, você finge que não existe e eu finjo não me incomodar com você. O diretor do filme do Boticário, Heitor Dhalia, tem um palpite que talvez seja a chave pra desvendar o porquê da ira despertada justamente pelo seu comercial, tão bem comportado: “(...) na essência talvez seja por mostrarmos casais homossexuais de forma tão natural, sem associar a um gueto underground. Quase como um encontro de comédia romântica.”  

O fato é que, mesmo com todos os contras, os “desinvisíveis” podem se considerar vitoriosos. Os “a favor” superam em número, argumentação e bom humor, haja vista a quantidade de piadas criadas em torno do pensamento tacanho daqueles que tentaram, de alguma forma, desacreditar a ideia contida na publicidade - “consideramos justa toda forma de amor”. Isso sem contar o mico da sugestão de boicotar a perfumaria. Caso houvesse coerência nesta proposta, os adeptos seriam atirados de imediato ao tempo das cavernas, uma vez que praticamente todas as empresas e prestadoras de serviço que contam no mundo de hoje são pró direitos LGBT.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O AMOR ME FAZ FELIZ

Desculpe, posso aceitar seu amor 
Mas não essa felicidade que trazes pra mim
Porque se só sou feliz quando vens
Serei infeliz quando fores

quinta-feira, 24 de abril de 2014

VELHO


Eu não sou velho
Mas não preciso que alguém venha me consolar
A cada vez que eu disser que sou velho
“Não, você não é velho!”
Como se isso, um defeito fosse
Eu tenho a exata idade que tenho
Eu sei que não sou velho
Mas velho, também sei que sou

segunda-feira, 21 de abril de 2014

NINHOS DE PÁSCOA

Quando eu era criança, o sábado era dedicado a preparar o ninho onde o coelho da páscoa deixaria os ovos.
Cada irmão tentava caprichar mais que o outro, usando caixas de sapatos, ou a tampa delas, conforme a profundidade pretendida.
O material era coletado no quintal. Folhas, pedras, capim, e o que mais de enfeite pudesse ser encontrado,desde que de aparência rústica e natural.
O domingo de manhã era de expectativa. Levantar o mais cedo permitido, porque dependia do sono e da vontade dos pais [dormíamos trancados nos quartos - tá, meio louco isso, mas verdade], e então vistoriar os ninhos.
O ciclo se fechava com os chocolates ovais bem embrulhados em papel laminado, nada tão chic e caro como hoje, mas grande novidade, porque não se comia chocolate assim, facilmente, durante o ano.
Depois cada um "economizava" os seus. Entre seis irmãos, haveria sempre de ter um campeão na realização dessa proeza.
Tem coisas que só na infância.
Feliz Páscoa!


* Imagem meramente ilustrativa, chupada do Google. Não existem registros dos nossos fabulosos ninhos de páscoa.

domingo, 13 de abril de 2014

ONTEM EU FUI AO CINEMA SOZINHO

Ganhei a noite de sábado duas vezes. Uma, por assistir, e me emocionar até as tampas com o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", a outra, por conhecer um novo cinema aqui em BH. Novo pra mim, ele já tem um tempinho, mas eu nunca tinha ido. O filme está em exibição numa sala do Belas Artes, que eu adoro, e em única sessão neste outro espaço, o Cine 104, que optei para aproveitar e conhecer. Daí passei a adorar também. 
Ao filme! Então, adotando uma prática que vem sendo bem recorrente aqui, reproduzo o breve comentário que fiz no facebook:
Sempre acho engraçada a pretensão embutida na frase “mereceu todos os prêmios que ganhou”. Tipo: É, vocês até que acertaram, agora que EU confirmei.
Mas, "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" mereceu todos os prêmios que ganhou, fora os muitos outros que provavelmente ainda ganhará. 
Não sou crítico de cinema (essa pretensão nunca tive), mas posso dizer daquilo que me toca. E esse filme, fora a emoção e a qualidade inquestionável na realização, ainda é um instrumento inestimável na jornada da inclusão e do respeito à diversidade.
vontade de enumerar algumas cenas de inevitável nó na garganta. E muuiiita vontade de sair comentando do final. Mas essa porrada cada um tem que levar, de surpresa, pra ser ainda mais legal.
Vai ver e me conta. Duvido muito que uma única pessoa saia do cinema do mesmo jeito que entrou.
 

*Fiz essa "abertura" pra divulgar o post nas redes sociais. Depois pensei que seria bom se ela também ficasse registrada, junto com ele. Então hoje resolvi acrescentar aqui:
"Felizmente o mundo está indo adiante, mesmo que com dois passinhos pra frente e um pra trás.
Passo pra frente, por exemplo, foi a realização de um filme como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, algo impensável ha uns meros cinco anos atrás.
Uma pessoa me disse que ele prega uma certa "facilidade", poucos conflitos, na questão gay. E que isso geraria frustração nas pessoas do mundo real, por não entenderem então porque pra elas é tão difícil.
Mas sim, de fato, hoje é tudo muito mais simples. Não podemos ver o filme com os olhos de nossas gerações (nós, que já estamos aqui há mais tempo).
Dificuldades e conflitos ainda existem, claro. Mas considero um mérito o filme mostrar que não, nada precisa ser tão conflituoso assim, e apresentar a naturalidade (não a normalidade) da homossexualidade.
De novo dou os parabéns ao diretor Daniel Ribeiro".

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

MÓVEIS E UTENSÍLIOS


Mais uma do facebook que vem pro blog. E assim o blog volta a acontecer...

Engraçado que na mesma proporção em que maior número de gays saem do armário, maior número de homofóbicos entra.

Pois é, não se pode deixar mobiliário sem função.

Mas assim como os gays, que de vez em quando sempre davam uma espiadinha pela porta entreaberta, também os homofóbicos sem querer dão suas escorregadas.

Esconder sexualidade pode ser difícil, mas esconder preconceito parece que é bem mais. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

AINDA O BEIJO GAY, TAMBÉM CONHECIDO COMO "BEIJO"


Ainda o beijo na novela da Globo. Sobre comentários vistos aqui e ali. Postagem original do facebook que, como muitas outras, estão vindo depois pro blog.
É de im-pres-si-o-nar a gente ler comentários do tipo que o beijo da novela não deveria acontecer porque pode "influenciar as crianças".
Como pode existir um pensamento tão burro, que não se sustenta em pé justamente pelo seu próprio raciocínio?
Nesse caso, crianças hetero devem ter uma fragilidade imensa, que deveria ser até estudada, na questão de sofrer influencias... 
Porque a criança gay nasce numa família hetero (a maioria, ainda hoje os casos diferente disso são exceções, não regras), é criada num ambiente totalmente hostil até mesmo à existência de gays, é massacrada com piadinhas, discriminação e violência, só vê romances hetero na TV, incluindo beijos e cenas de sexo quase explícito, e ainda assim mantem sua orientação sexual.
a criança hetero, vê um beijo entre dois homens na TV e PUF, numa nuvem de purpurina aprende a ser gay...
É demais né não?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

BEIJO GAY, TAMBÉM CHAMADO DE BEIJO

E o "beijo gay", também conhecido como "beijo", rolou.
Quebrou o muro, e não foi a Globo que quebrou. 
O que acontece é que gays só se beijavam trancados em banheiros, hoje se beijam nas ruas. 
E foi essa naturalidade crescente que levou o beijo pra TV.
Claro, a decisão foi deles, mas uma decisão mercadológica. De agora pra frente, vai caindo no comum.
E olha, não tem nenhum fundamentalista "chupando", como querem crer alguns. Esses caras não estão nem aí, tudo pra eles é estratégia, e já estão pensando em como usar a nova munição.
Infelizmente o que eles vão "chupar" vão ser votos, e serão eleitos com números estratosféricos.
Mas vamos brindar a esse beijo né?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A PRAÇA, E A LIBERDADE

Beagá Que Eu Vi inda agorinha.
Praça da Liberdade, que amo,
a praça
e a liberdade.

sábado, 30 de novembro de 2013

O TEMPO, AH, O TEMPO...

A despedida de Mister Girassol. 
Sai a flor, ficam as sementes da renovação. É a natureza demonstrando, com simplicidade, que “o novo sempre vem”.
Pessoalmente, por convicção, procuro não sair batendo portas. Porém, já há um bom tempo, desaprendi o que é olhar pra trás.
Duas considerações, meio definitivas (pra mim) sobre o tempo que, independentemente do nosso querer, passa e nos transforma:
- “Sei que daqui a alguns dias novamente haverá mais passados acumulados em meu quarto e em meu peito. Vou sorrir. Viver é limpar-se do passado constantemente." – Julian Oliveira in Réquiem ao Saudosismo 
"No presente a mente, o corpo é diferente, e o passado é uma roupa que não nos serve mais.” – Belchior in Velha Roupa Colorida

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

BEAGÁ QUE EU VI

Meio na onda da facilidade de postar o já postado, recolhi duas historinhas do final de semana, postadas no facebook, e passei pra cá. Achei legal esse título, "Beagá Que Eu Vi". De repente vira uma série né? Quem sabe.

Outro motivo de trazer pro blog é que, cada vez mais, eu percebo como é difícil resgatar coisas no facebook. Então, vindo pro blog, fica mais fácil de achar, caso eu queira, ou precise.

É isso. Olha aí as histórias:

I 

Início da noite fui dar uma volta na Praça da Liberdade e vi dois caras embolados num banco dando um amassinho de leve.
Mesmo com a vista (bem) treinada para a cena, confesso que tive uma ponta de constrangimento e uma indisfarçável vontade de ficar olhando.
Mas, por fim, fiquei foi feliz em ver o amor, ou o amasso, ser praticado em público, sem medo.

(Foto meramente ilustrativa, pescada no google)


II

Descendo a rua da Bahia, vi que tinha uma movimentação na Praça Afonso Arinos, um povão na rua e um som rolando.
Desviei o caminho e desci até lá, pra ter uma ótima, sensacional surpresa.
Quem estava tocando era a Absinto Muito, banda do meu amigo Efe Godoy, que eu nunca tinha visto ao vivo.
Fiquei IMPRESSIONADO o tanto que era bom, e o tanto que o povo pulava enlouquecido na rua. Mas IMPRESSIONADO MESMO!
Sem palco, só uma tendinha ali no canteiro do meio da Álvares Cabral, mas o pau quebrando com força.
IMPRESSIONADO define a minha sensação. Arrepiado, o meu físico.  :)

(Foto também do google, que saquei não ser muito nova. Se os meninos da banda tiverem outra - com crédito - por favor,enviem.) 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PATOS

Na mesa havia doces de amendoim e jornais. 
A conversa entre eu, meu pai, minha mãe e meu irmão era sobre morte, velórios e carpideiras. 
De repente, o mistério da vida se abriu. 
É que, diante de mim, um jornal contava de um lugar onde se criam peixes e marrecos. 
De manhã, os marrecos nadam e fazem cocô na água, que alimenta os peixes. 
Era o milagre dos peixes. E dos patos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ACHADOS (&) OS PERDIDOS

Andei vasculhando velhas caixas neste final de semana. Encontrei antigos "escritos", da fase pré-
adolescência e adolescência mesmo, no pleno vigor dela.

Confesso que, na maior parte dos casos, fiquei com bastante vergonha do que li. Em outros, nem tanto. Um desses tais nem tanto resolvi testar, e mostrei para algumas pessoas, sem dizer nada da época em que tinha sido escrito, nem mesmo se era meu. Gostaram! Como a gente (eu) vive muito do olho do outro, achei que então devia ser bom mesmo, ou pelo menos mais ou menos. Foi pro facebook.

Do facebook pra cá, um pulo. Claro, blog parado, nada melhor que um post pronto, pra dar um gás.

Então, aqui está. Não tem título:

Acordo cedo depois do amor
e isso sempre me faz bem.
O ar da manhã,
os primeiros raios de sol,
esquentar o pão e preparar o café
para aquele que ainda dorme na minha cama,
um ser sem nome ou endereço,
apenas um corpo quente
que me alimentou e saciou por uma noite.
Depois de comer
a porta se abre e se fecha
e quando o dia já está pronto
estou só novamente.
Então recomeço,
hoje, sem lágrimas.
No mais, me parece bem interessante perceber como somos bem resolvidos aos 20 anos né?  :)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

EMPREENDEDORISMO JUVENIL

“Quero ser teu
Em todo meu eu”
Acredite [1] – Eu cometi essa rima na minha adolescência
Acredite [2] – Minha amiga musicou o poema completo
Acredite [3] – A música foi gravada em uma fita cassete e entregue em mãos para o Belchior
Acredite [4] - Dias depois eu liguei pra ele – de um orelhão, a cobrar
Todo mundo tem as suas vergonhas.  J

Se fosse nos dias de hoje, talvez a história fosse parar nas publicações e editorias especializadas, como um case de empreendedorismo juvenil.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

DANIELA, VEM PRA PARADA!

Daniela Mercury participou pela primeira vez da Parada do Orgulho Gay, LGBT, visibilidade, seja o que for, em São Paulo.

E, pela primeira vez, a mídia subverteu a tradição das coberturas, de sempre explorar SOMENTE o caricato. Claro, ainda fez isso, mas a cantora famosa abriu novas abordagens.

Então, que tal se ela viesse também para a Parada de BH? Tá, não é tão grande e nem tão famosa quanto a de São Paulo, mas leva muita gente e é bem legal. Com a presença dela então heim? Vai bombar!

Vamos começar a campanha? Como quero reivindicar a ideia, e também o início das atividades, faço isso neste blog paradinho, assim registro a data de onde tudo começou. Tá, isso ficou meio chatinho, eu sei. Mas, quem entre nós não tem suas vaidades?  ;)

Bora lá?

DANIELA, VEM PRA PARADA!

* Peguei a foto no Google, e não tinha créditos. Se for sua, por favor, avise.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FOGO SOLTO NO CAOS

Pois é, mais um ano terminando aí venho aqui, depois de tempos sem postar nada. Bom, pensando bem, em vista do que foi este blog em 2012, até que nem tem tanto tempo assim, afinal escrevi em novembro. Ano que vem caminhamos para o "ano 6", então, quem sabe né?

O objetivo de hoje é deixar mensagem de feliz ano novo. Primeiro pensei que era algo que eu sempre tinha feito, depois vi que não. Em 2008 não teve, depois em 2009, postei já em janeiro de 2010 e 2010 entrou direitinho, no dia 31 de dezembro. 2011 pulei. Enfim, um rolo, mas 2012 vai.

Mantendo a tradição - tá, 3 anos nessa confusão não são exatamente uma tradição, mas vamos dizer que sim - queria algo que expressasse os votos de felicidade e esperança, isso sim, uma tradição. Nada me vinha à cabeça (embora eu também não estivesse me esforçando tanto) quando, do nada, hoje de manhã ouvi essa música no rádio. Realmente, senti que ela poderia transmitir o que eu estava pensando, e até me emocionei ouvindo.

O resto foi fácil, garimpar vídeo do youtube e escrever o textinho. Legal que este ano vamos de "prata da casa", não só brasileiro, como também mineiro: O Grupo 14 Bis.

Selecionei dois vídeos.

Um da  banda tocando, mais atual, claramente perceptível pelas marcas que os anos deixaram nos rapazes. Muito legal, uma apresentação ao vivo.

O segundo coloquei mais porque achei bem engraçada a locução. Olha só, produção tosca do Fantástico, que na época, 1981, devia ser o máximo. E o mais legal o cara narrando: "O conjunto é o 14 Bis". Gente, quem ainda fala "conjunto"...   :)

Então é isso, "A harmonia será terra, a dissonância será bela", são os votos daqui do Beagá Que Eu Vejo para todos nós em 2013.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ONTEM FOI DIA DE DERMATOLOGISTA BEBÊ

Primeiro, será que deu pra sentir que o título seria HOJE FOI DIA...? 
Pois é, este era o título mesmo. Mas, procrastinação, blablabla, virou ontem. E procrastinação das grossas viu, porque o plano era fazer o que realmente vou fazer: Reproduzir aqui o  "Questão de Pele", naquele velho esqueminha de subir post, lembra?
A atualização tem dois motivos. Truque pra renovar o blog, que anda parado demais, e citar o nome da dermatologista já falada lá trás. Então, ontem contei pra ela de ter falado sobre as consultas aqui, frisando não ter citado nomes, a não ser que ela autorizasse. 
Autorizou, digo, Alba Valéria. Atende ali, no Barro Preto. Informação pra quem é de BH, lógico. Podem continuar perguntando por e-mail e no facebook que indico. Sou bem chato pra indicar qualquer coisa, porque me sinto responsável. Mas no caso dela vou tranquilo, e sei que já teve gente indo lá.
Então é isso, vou colar o anterior aqui. 
Se dessa vez teve amostrinha grátis? 'Divinha...  :)

QUESTÃO DE PELE

Eu adoro ir na minha dermatologista, e hoje foi dia. Adoro por vários motivos. Um é que a gente não espera um minuto, vai chegando e sendo atendido. Hoje nem sentei na sala de espera, cheguei e fui entrando. Tá, eu sempre me atraso, talvez por isso não espere. Hoje, por exemplo, atrasei uns 20, ou 25 minutos, sei lá...
Outro motivo é que ela é lin-da! A pessoa certa na profissão certa. Uma pele de seda, mas daquelas peles naturais, não dessas que muita gente que lida na área tem, uma coisa meio brilhante. A dela não, é um veludo mesmo. Tem um pouquinho de olheiras, mas que ficam super bem no conjunto da obra. Ah, também é simpática, desses médicos que conversam, sorriem e até aceitam umas brincadeirinhas sem ficar olhando pra nossa cara com ar de paisagem.
Mais um motivo: Ela me dá milhões de amostras grátis. Amo sair de lá carregado de frasquinhos miúdos e bonitinhos. Sempre, junto com a receita, vem a amostra. Logo, economizo na farmácia. O que é ótimo né, porque produtos de dermatologista custam os olhos da cara.
Hoje fui por causa de uma "feridinha" que insiste em aparecer debaixo do meu olho direito. Começou no ano passado, tratei com essa médica mesmo e foi bom. Mas o problema é que sempre volta. Aí, se uso a pomada que ela tinha me receitado, e dado, some. Um tempo depois, já começam as casquinhas, o ponto vermelho e tal. Dessa vez ela mudou o tratamento e, claro, me deu os remédios.
Outra coisa é que minha careca de máquina zero produz umas asperezas não visíveis, só perceptíveis ao toque. Se vou deixando, começam a aparecer, primeiro vermelhas, depois semelhantes a uns arranhões. Coisa de sol. Mesmo usando boné constantemente, o troço volta. Daí precisa queimar com frio. Isso mesmo, usam nitrogênio a menos 200 graus, acho impressionante. Na verdade, é uma coisa bem simples, feita ali mesmo, sentado na frente da mesa dela. Hoje inovou, só haviam uns poucos pontos sensíveis ao toque e ela queimou com um ácido. Pelo menos foi o que disse. Passou o troço com um cotonete, deu uma ardida e pronto.
Bom, como eu ia só lá, nem precisava de bolsa. Maaasss, já imaginando a feirinha que poderia fazer, dei uma esvaziada básica na que eu tô usando, pra não precisar carregar peso, e levei. Feliz providência...
No final da consulta, já com as caixas dos remédios, perguntei: 
Posso ser cara de pau?
Ela, muito legal e muito linda, respondeu que sim.
Então perguntei se não tinham umas amostras de protetor solar. Já viu né, isso pra mim é ouro, independente de poesias recitadas por apresentadores de TV. Menino, ela encheu a mão, e eu enchi a bolsa. Tão bunitinhas as bisnaguinhas que ela me deu...
Amei refazer o estoque.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

MAIS TRABALHO

Sou fascinado pelo tema "trabalho", o que não significa que eu goste tanto de trabalhar. 
É, como já disse em outros posts, a única coisa que a gente ganha pra fazer é trabalhar. Para todo o resto, a gente precisa é pagar. Isso deve ter algum significado né?
Então, este é um tema inesgotável pra mim. Adoro publicações sobre o assunto, assino revistas de negócios e amo ler biografias das pessoas empreendedoras. Com parentes e amigos, trabalho é meu assunto recorrente. De certa forma, mal sei falar de outra coisa, até porque nunca soube separar muito direitinho viver de trabalhar. Sabe aquele esquema, vai viver depois que bate o cartão? Pois é, nunca soube fazer, e nunca também bati cartão, aliás.
Tudo o que eu queria falar agora, encontrei em um vídeo, que vi compartilhado no facebook. Entre outras coisas ele é bastante "entusiasmante", tanto que me entusiasmou a postar novamente aqui no blog que, como quem lê sabe, anda bem paradinho.
Claro que o fato do post já estar mais ou menos pronto, e editado em vídeo, contribuiu, porque assim nem deu muito trabalho.  :)
Assiste, são 10 minutos. Concordo que em tempo de Internet isso é praticamente um longa metragem. Mas pode confiar, vai valer a pena.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A VIDA É TRABALHO (?)

Este vai ser um post do contra, porque vai na direção inversa do que se prega, aliás, inversa até mesmo do que eu as vezes falo, e efetivamente pratico. Pode ser até que alguém se lembre que este título é repetido. Já foi usado, sem a interrogação, aqui mesmo no blog.
É o seguinte, cheguei à conclusão (e posso mudar de ideia, claro) que as pessoas que não amam seus trabalhos vivem melhor. É, isso mesmo, o pessoal que arrasta correntes diariamente, preocupado em somente garantir a sobrevivência, acaba sendo mais feliz e tendo vidas mais animadas no conjunto da obra.
Por mera observação, nada científico, me parece que são estas pessoas que mais frequentam eventos, desde os promovidos na rua até cinema, teatro ou balada. São elas também que mais viajam. Enfim, são pessoas que aproveitam ao máximo suas horas de folga, porque valorizam demais estas oportunidades e ali aproveitam para esquecer o suplício que é o trabalho diário.
Quem faz o que gosta, mesmo tendo momentos de tédio e chatice, porque nenhum trabalho é bom o tempo todo, acaba misturando as estações. Não separa bem hora de trabalhar e hora de folga porque, diferente daqueles cujas atividades representam somente a possibilidade de pagar as contas, não consideram que trabalhar = sofrer. Com isso, não têm aquela disposição, uma quase aflição, em aproveitar o tempo livre. 
Conheço muita gente assim. Depois de batido o cartão, pernas pra que te quero, precisa rolar um happy hour, até porque as últimas hours foram sad. Final de semana então, nem fale, a programação é intensa. Feriado na cidade? Nem pensar, precisa pegar uma estradinha, ainda que seja pra uma cachoeira nas proximidades.
Será que estou sendo ingrato? Será que estou cuspindo no prato que sempre comi, por ter conseguido, a vida toda, trabalhar naquilo que eu queria? Pode até ser, mas o fato é que tenho me sentido muito incapaz de curtir os momentos de ócio, que, no meu caso, nem tão poucos são. É, culpar os outros, ou as conjunturas, é sempre mais fácil. 
Essa luz me veio ontem. Acho que vai dar pra entender porque este é o tipo de luz que só viria mesmo em um final de semana ou feriado. Ainda que eu mude de ideia, quem sabe até antes mesmo de finalizar o post, fica aqui, para registro.

domingo, 22 de julho de 2012

OS BEM COMPORTADOS

Existe um segmento no universo gay, ou talvez mais de um segmento, uma vez que este grupo é bastante segmentado, que busca a "aceitação" como prêmio pelo bom comportamento. Então tudo prejudica estas pessoas, por danos de imagem. A bicha pintosa, as travestis, os que dançam descamisados na buatch, aquele povo que só pensa em pegação, enfim, todo mundo que, de alguma maneira, possa parecer agressivo frente aos heterossexuais, suas famílias, religiões e normas. 
Naturalmente, estes segmentos também são contra, e descem o malho, nas Paradas Gays LGBT que rolam pelo mundo afora. Entre outras coisas, tacham de despolitizadas (ham-ham, quem não consegue diferenciar respeito de aceitação é bem politizado), de micaretas, de meras oportunidades pra beijar na boca, de show de drag e por aí vai.
Acho que fui a todas as Paradas de BH, ou se perdi no máximo foram uma ou duas. Afirmo, sem medo de errar, que as Paradas, todas, não só as de Belo Horizonte, são politizadas. Não fosse por mais um monte de coisas, só a sua realização já é um ato político.
Na Parada tem trava? Tem sim senhor! Na Parada tem pegação? Tem sim senhor! Na Parada tem trio elétrico? Tem sim senhor. E o gay, o que é? É um cidadão como outro qualquer, cuja única diferença é amar, ou transar, com alguém do mesmo sexo.
Por que então ser tratado como cidadão de segunda categoria? Pior, por que ser tratado como ser humano de quinta categoria? Seria realmente muito bom que não fosse preciso fazer parada nenhuma. Seria muito bom que todos pudessem ser iguais em suas diferenças. Bom seria também se todos entendessem que ninguém precisa de aceitação. O que se pede, ou pelo menos deveria ser pedido exigido, por todos, é respeito. Enquanto alguns não entenderem o que essa mudança de exigência significa, vão continuar com suas críticas vazias, fomentando o preconceito dentro do preconceito.
disse outras vezes, mas acho sempre bom repetir. Não se pode pregar um jeito certo de ser gay, em oposição ao jeito errado de ser. A palavra de ordem "diversidade" precisa contemplar exatamente isso, a diversidade. Cada um tem o direito de ser como é, do jeito que se sentir bem, desde que não prejudique o outro.
Estas correntes costumam dizer: Pra ser gay, não precisa ter voz fina. Precisar não precisa, mas se tiver, ou quiser ter, não é problema seu. Pra ser lésbica não precisa se masculinizar. Precisa? Não, não precisa. Mas se a moça quiser ter pinta de macho, no que isso afeta o outro? Constatar que a diferença existe, até mesmo colocar apelidinhos diferenciando uns dos outros, é uma coisa. Pregar contra, aí não, aí já é fazer o jogo do homofóbico.
Meninos bem comportados, façam seus esqueminhas de aceitação. Abaixem as suas cabeças e façam tudo o que seu mestre mandar. Agora, deixem o pessoal ferver nas Paradas, na noite, tirar suas camisas ao som de música eletrônica, vestir de mulher, dar muita pinta nos palcos. Numa sociedade heteronormativa, o próprio fato de ser gay já é uma transgressão. Talvez um dia, além de aceitos, vocês se descubram também respeitados. Aí não vai ser preciso nem agradecer. Cada um que batalhou por isso já vai se sentir bastante recompensado por poder levar a vida com a dignidade que merece.

* A foto foi pescada no Portal R7, com crédito para o jornal Hoje em Dia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ORGULHO E PRECONCEITO

Pois é, blog parado e agora post repetido. 
Alguém aí deve lembrar de uma época que fiz isso, andei subindo uns posts mais velhos pra "aproveitar" leitores novos. É, porque ninguém que entra aqui vai ficar rolando a página e muito menos mudando de uma pra outra. Claro que, como tudo mais nesse blog, foi uma fase e depois parou.
Hoje estou repostando um texto de 2010, pra falar da Parada do Orgulho Gay, ou seja lá que nome tenha, seguido da sigla LGBT. Vou repetir porque acho que ficou bom e, pra falar a verdade, não tem muito a acrescentar, mesmo passados 2 anos.
Então, vamos lá. O objetivo é lembrar que domingo tem a Parada de novo. Vamos?






Eu acho que tem muita confusão em torno dessa idéia de orgulho. Pra mim deveria ser uma referência somente daquilo que a gente tem participação direta. Exemplo prático: Gisele Bündchen não tem porque ser orgulhosa de sua beleza, mas tem tudo a ver o orgulho do que fez com esse atributo natural. Outro: Orgulho de ser brasileiro... Ahn? Nem orgulho e nem vergonha. Por que ter nascido aleatoriamente numa parte do mundo seria motivo pra qualquer uma das duas opções? Orgulho da família... Bom, esse até cola, porque a pessoa pode se sentir orgulhosa da forma como encaminhou esse setor da sua vida, ainda que muito deste caminho tenha sido feito por eventos aleatórios.
Bom, orgulho gay. Outro meio sem pé nem cabeça. Ninguém escolhe ser gay e não faz qualquer esforço pessoal para determinar sua sexualidade. Não há mérito, e da mesma forma não há demérito. Ser gay é mais ou menos como ser brasileiro, muita gente se pudesse ter escolhido não seria nenhum dos dois.
Então, isso tudo pra falar de uma coisa muito legal que acontece mundo afora, e que hoje domingo rola em BH, a Parada do Orgulho Gay. Claro, já deu pra perceber que na minha opinião o nome é meio equivocado, o que não tira a importância do evento. 
Para os idiotinhas que contrapõe com a não existência de Parada do Orgulho Hetero, além de lamentar a sua burrice, a gente só pode lembrar que ninguém é hetero. Heteros são médicos, pedreiros, advogados, lixeiros, gordos, altos, ladrões, de olhos verdes, carecas, mancos, lindos... Qualquer coisa, menos heteros. Com gays também deveria ser assim, mas não é. A parte gay sobrepõe todas as outras e também o todo.  Sentiu a diferença? Daí a necessidade de ações deste tipo.
O mais importante desta marcha colorida pela cidade deveria ser a visibilidade. Parada da Visibilidade Gay. É, Harvey Milk, como a gente aprendeu no filme sobre ele, dizia da importância da visibilidade. Sempre pensei assim também, por um raciocínio super simples. Todo preconceito vem do desconhecimento, e não há uma só pessoa no mundo inteiro que não tenha convivência com gays. O que acontece é que muitas dessas pessoas nem sonham que se relacionam com rapazes e moças alegres bem mais do que pensam. Toda família tem um filho, um primo, um sobrinho, um tio, até mesmo um pai ou uma mãe gay. As vezes na verdade a tropa toda - filho-tio-sobrinho-irmão e o escambau. Como nem todo gay usa maquiagem e nem toda sapata calça social e cinto de curvim, acaba que tudo passa despercebido e assim as pessoas podem ter preconceito contra aquele povo distante. Numa comparação meio esdrúxula, o que interfere mais na consciência, um conhecido ou mil estranhos numa estatística? De novo, coisa simples, você vai dar mais atenção à dengue quando morrer um filho seu do que enquanto ler que morreram 500 no Brasil.
É isso, Parada da Visibilidade Gay, pra mostrar que "esse povo" está mais presente do que você imagina. Lógico, 3 milhões na Parada de São Paulo não significam nada diante da descoberta que seu melhor amigo, aquele parceirão, é gay. Puxa vida, o cara é tão legal né, e vê só, é gay...
Pena que em grande parte o carnaval na rua acabe se esgotando em si mesmo. É, porque na maioria das vezes, a animação atrás do trio elétrico se transforma em sorriso amarelo no dia seguinte. Sabe né, naquela hora que o evento vira a piada na roda de cafezinho da repartição e o sujeito que bateu cabelo na avenida faz que não é com ele. No dia seguinte, o que era um animado orgulho vira de novo vergonha e conduz de novo o ex-orgulhoso pra dentro do seu nem sempre confortável, mas aparentemente seguro armário. 
A mídia também sempre coopera na cobertura, tratando a manifestação como algo pitoresco e engraçado, focado nas montagens das drags e nos corpões pelados em cima de caminhões. Não, não, nada contra. Tem gente preconceituosa dentro do preconceito que quer taxar o modo de vida dos outros. Patrulham em cima de um jeito certo de ser gay. É, o mesmo pessoal que reclama quando tem alguma pintosa em novela, como se elas não existissem e pior, como se não tivessem o direito de existir e ser como são. A crítica pra mídia aqui vai no sentido de não contemplar a diversidade e focar somente nos personagens que podem com maior facilidade render algum tipo de deboche. Desserviço total.
Falei mal da Parada? Acho que não, apenas botei uns contras em cena, mas são muitos os prós. Só o fato de milhares de pessoas irem pra rua em torno da idéia de querer ser igual nas suas diferenças vale a festa.
É sempre bom lembrar que ninguém precisa aceitar nada, apenas respeitar e cuidar da sua própria vida em vez de ficar se metendo na vida dos outros. Não gostou? Acostume-se, estamos aqui, e viemos para ficar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

COLECIONISMO SUSTENTÁVEL

Não gosto de comprar agendas (agenda é dessas coisas de ganhar), mas a vida com elas é bem mais fácil, principalmente para pessoas dispersas e procrastinadoras. Excelente currículo esse heim, não tem um que não queria contratar depois de ler...
Passei muito tempo sem usar as tais das anotações, até porque, além de esquecer de anotar, às vezes esqueço de olhar. Mas, sempre atento aos revolucionários métodos de uma vida melhor e mais produtiva, novamente me rendi aos encantos da hora marcada.
Problema: não ganhei nenhuma agenda esse ano. Ah não, minto, forcei a ganhar uma do banco. Foi assim: A minha irmã, que nem tem conta lá, tinha ganhado uma de um vizinho que por sua vez tinha arrumado não sei onde. Daí ela deu pra minha mãe e cresci o olho. Quando a minha gerente me ligou pra oferecer aquelas maravilhas de te emprestar dinheiro que você não pediu e vai pagar o triplo pelo resto da sua vida, falei que dispensava tão generosa oferta, mas aceitava sim, uma agenda que sabia que eles tinham. Fui lá e busquei a tal. Até que tava quebrando o galho, mas era bem ruinzinha. Na verdade, a sua função seria bem mais de anotar coisas perto do telefone do que de fazer um diário.
Bom, outro dia, remexendo numa mesa lotada, encontrei agendas velhas, de 2007 e 2008. Agendas boas, de folhas grandes, onde dá pra escrever desde o compromisso até o contato e endereço. Folheando a de 2007, descobri que os dias do mês com os dias da semana eram i-dên-ti-cos aos de 2012.
Quem guarda tem, não é esse o ditado?
Pois bem, caso você ainda esteja trabalhando sem agenda, e tenha alguma perdida aí de 2007, seus problemas acabaram. Só um alerta. Dá uma geral no caderninho, porque talvez ele tenha sido um pouco utilizado. Aí né, já viu, fica grande o risco de acabar comparecendo agora a um compromisso agendado cinco anos atrás.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O PREÇO DAS COISAS, MAIS UMA VEZ

Quando pensei no título desse post, ia colocar "O Preço das Coisas - 2", porque lembrava de já ter usado antes. Recorrendo à pesquisa do blog, pra ver a data, percebi que, na verdade, já tinha usado era um monte de vezes, nem sempre como título, algumas como expressão. Aí ficou esse "mais uma vez". Sei lá, de repente vira uma série né, igual a tantas outras descontinuadas deste blog.
Indo direto (?) ao ponto, mais uma postagem médica. Não que eu seja hipocondríaco (tá, eu sou um pouco sim), mas é que o caso de preço aqui envolve remédio.
Bom, eu tenho uma paradinha meio sinistra na coluna, daí o médico me sugeriu um tratamento com um medicamento que pode dar certo ou não. Independente do sucesso, meu comprometimento tem que ser de no mínimo dois anos, porque só aí é que vai aparecer algum resultado em exames. Pois bem, esse assunto gerou um enorme blablablá, que não vou entrar em detalhes. O fato é que o tal do remédio fica mais barato manipulado, como aliás todo medicamento (acho).
Agora entra o absurdo da história toda. Quando a gente tem uma fórmula pra manipular, ela, naturalmente, é a mesma pra todo mundo. Meio óbvio isso. Então por que os preços conseguem ser tão diferentes, tão ABSURDAMENTE diferentes de uma farmácia pra outra?
Vou dar o nome aos bois. Vai que de repente tem alguém lendo isso aqui, pronto pra ir numa farmácia. O nome do remédio não vou falar, mas posso dizer que a receita foi de sachês suficientes para 3 meses. Mais ou menos, na verdade, 90 dias.
Então:
Farmácia Universal, na Floresta: R$ 191,00
Drogaria Araújo (que atende também manipulação): R$ 161,00
Neopharma, em Santa Efigênia, com matriz no Santo Agostinho: R$ 101,00
Isso mesmo, centoeumreais!
Agora, me conta. O que justifica um disparate desses? Os "ingredientes" não são os mesmos e a mistura igual?
Noventa paus de diferença? Tem dó né gente... 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUESTÃO DE PELE

Eu adoro ir na minha dermatologista, e hoje foi dia. Adoro por vários motivos. Um é que a gente não espera um minuto, vai chegando e sendo atendido. Hoje nem sentei na sala de espera, cheguei e fui entrando. Tá, eu sempre me atraso, talvez por isso não espere. Hoje, por exemplo, atrasei uns 20, ou 25 minutos, sei lá...
Outro motivo é que ela é lin-da! A pessoa certa na profissão certa. Uma pele de seda, mas daquelas peles naturais, não dessas que muita gente que lida na área tem, uma coisa meio brilhante. A dela não, é um veludo mesmo. Tem um pouquinho de olheiras, mas que ficam super bem no conjunto da obra. Ah, também é simpática, desses médicos que conversam, sorriem e até aceitam umas brincadeirinhas sem ficar olhando pra nossa cara com ar de paisagem.
Mais um motivo: Ela me dá milhões de amostras grátis. Amo sair de lá carregado de frasquinhos miúdos e bonitinhos. Sempre, junto com a receita, vem a amostra. Logo, economizo na farmácia. O que é ótimo né, porque produtos de dermatologista custam os olhos da cara.
Hoje fui por causa de uma "feridinha" que insiste em aparecer debaixo do meu olho direito. Começou no ano passado, tratei com essa médica mesmo e foi bom. Mas o problema é que sempre volta. Aí, se uso a pomada que ela tinha me receitado, e dado, some. Um tempo depois, já começam as casquinhas, o ponto vermelho e tal. Dessa vez ela mudou o tratamento e, claro, me deu os remédios.
Outra coisa é que minha careca de máquina zero produz umas asperezas não visíveis, só perceptíveis ao toque. Se vou deixando, começam a aparecer, primeiro vermelhas, depois semelhantes a uns arranhões. Coisa de sol. Mesmo usando boné constantemente, o troço volta. Daí precisa queimar com frio. Isso mesmo, usam nitrogênio a menos 200 graus, acho impressionante. Na verdade, é uma coisa bem simples, feita ali mesmo, sentado na frente da mesa dela. Hoje inovou, só haviam uns poucos pontos sensíveis ao toque e ela queimou com um ácido. Pelo menos foi o que disse. Passou o troço com um cotonete, deu uma ardida e pronto.
Bom, como eu ia só lá, nem precisava de bolsa. Maaasss, já imaginando a feirinha que poderia fazer, dei uma esvaziada básica na que eu tô usando, pra não precisar carregar peso, e levei. Feliz providência...
No final da consulta, já com as caixas dos remédios, perguntei: 
Posso ser cara de pau?
Ela, muito legal e muito linda, respondeu que sim.
Então perguntei se não tinham umas amostras de protetor solar. Já viu né, isso pra mim é ouro, independente de poesias recitadas por apresentadores de TV. Menino, ela encheu a mão, e eu enchi a bolsa. Tão bunitinhas as bisnaguinhas que ela me deu...
Amei refazer o estoque.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O MÉTODO POMODORO

Comecei a escrever este post e apaguei. Depois troquei o título. Era PROCRASTINAÇÃO X MÉTODO POMODORO. Quando vi, o assunto procrastinação já ia longe, e disso já falei demais. Então tirei essa parte, que só vai sobrar aqui no inicinho.
Bom, o Método Pomodoro. Colando da wikipédia, "Técnica Pomodoro é um método de gerenciamento de tempo desenvolvido por Francesco Cirillo no final dos anos 1980.[1] A técnica utiliza um cronometro para dividir o trabalho em períodos de 25 minutos chamados de 'pomodoros". 
Estou aqui para dizer que funciona e que é um bom antídoto para a procrastinação (putz, olha ela aí de novo).
Na verdade, venho usando uma adaptação livre do método. Em sua teoria, esse tempo é sempre de 25 minutos e os intervalos de pausa é que vão variando no decorrer do período em que está sendo utilizado. Claro que existe um desenvolvimento teórico que justifica toda a ação. Foda-se a teoria, o que me interessa é a prática de desestagnação. Se não existe a palavra, acabou de ser inventada, mas acho que existe.
Olha só, pego o timer... Sim, comprei um timer de cozinha pra isso. Foi meio uma epopeia, porque custei a encontrar. Não que seja difícil, porque nem deve ser, mas, nos lugares onde eu procurava, ia chegar na semana que vem. Como eram perto de casa, eu ficava esperando a semana que vem, que se desdobrou em várias semanas que vem. 
Enfim, pego este timer que comprei e marco um tempo. Não exatamente 25 minutos, mas um tempo que acho legal de marcar. Daí começo a fazer o que preciso. É engraçado porque com isso a gente não enrola. Sei lá, aquela sensação de que o tempo tá andando te bota pra correr. É muito bom pra quem não tem hora de fazer as coisas, chefe ou cliente cobrando. O fato de ter marcado aquele tempo te dá a obrigação de correr com aquilo, como se a gráfica fosse fechar, por exemplo. 
Muitas vezes o tempo estoura. No meu método adaptado isso não tem importância. Normalmente você já tá no ritmo mesmo, e toca o bonde. O bom é que, enquanto está dentro do tempo determinado pelo timerzinho, você não se distrai. Esquece e-mail, facebook, MSN... Na verdade, TEM QUE ESQUECER. Este é o método, afinal de contas. Se não vai esquecer, nem adianta fazer. No início pensei que ia precisar de uma disciplina monstra, que não tenho, pra conseguir isso. Mas não, por incrível que pareça, a coisa flui.
Finalizando, pomodoro por que? Bem, quando o cara começou a testar essa ideia, usou um timer de cozinha em forma de tomate. Tomate = Pomodoro. Daí o nome. 
Mas você pode usar este timer:


Ou este outro aqui:






Eu optei por este:



É, pra dar um toque de glamour e futilidade nisso tudo né? Afinal, como disse o meu amigo, na superfície também se vive.  ;-)